quarta-feira, 9 de maio de 2018

O DRAMA DE EROS


O verdadeiro e mais profundo sentido de Eros não é a satisfação individual do homem e da mulher, nem tão pouco a procriação da prole. Eros tem um back-ground, um fundo ou substrato de natureza metafísica, cósmica, universal, que não é conscientemente percebido pelos sexos. Por detrás da conhecida profanidade da libido canta ignota sacralidade de Eros...
Esse substrato cósmico de Eros é o anseio pelo retorno à fonte universal de todas as coisas individuais. Os indivíduos orgânicos, resultantes da união dos sexos, representam um processo centrífugo, dispersivo, rumo à periferia. Por que é que Eros tem o poder de individualizar novas ondas de vida? Unicamente porque, no ato sexual, retorna ao oceano imenso da vida cósmica experimentado, geralmente, na estranha embriaguez do orgasmo voluptuoso.
A eterna Realidade não tem sexo. O Absoluto é essencialmente assexual. O homem – isto é, o ser humano como tal, o homo, o ânthropos, o Mensch; não o vir, o anér, o Mann – desconhece o sexo. A ramificação em dois sexos é o primeiro passo para a individualização do homem universal.
Entretanto, o homem assim individualizado em macho e fêmea conserva nas incônscias profundezas da sua natureza humana as reminiscências do que foi na sua fase pré-sexual e o que continua a ser, mesmo agora, na intima essência do seu ser humano. Essa silenciosa nostalgia do seu estado puramente humano, pré-masculino e pré-feminino, ecoa perenemente em cada uma das células do varão e da mulher. A união sexual é uma tentativa de retorno dos dois ramos da árvore humana, macho-fêmea, ao tronco único da natureza humana como tal; o vir e a fêmina anseiam pelo homo; o anér e a gyné suspiram pelo anthropos; o Mann e a Weib tentam reconstruir o Mensch.
A locução popular "minha cara metade" oculta, por detrás da sua corriqueira banalidade, uma verdade profunda: o sentimento obscuro do "incompleto" de cada sexo e do "completo" daquilo que precedeu a bifurcação dos sexos. Certos ascetas entendem que o retorno ao estado de "completo" se encontre na abstenção sexual, uma vez que o uso do sexo representa o estado de "incompleto". Mas essa lógica consciente do asceta não coincide com a lógica inconsciente da humanidade, que, em virtude uma lógica de razões ignoradas, continua a usar o sexo como um fator de integração humana, ainda que esse mesmo sexo pareça ter sido o resultado duma desintegração. A humanidade professa a lógica obscura e inconsciente de que o sexo, embora pareça representar a decadência ou deterioração de um primitivo estado de inteireza e integridade, é, não obstante, o meio ou veículo para um estado de mais completa inteireza do que o da integridade inicial, pré-sexual.
Se as palavras "integralista" e "totalitário" não tivessem, nos últimos decênios, adquirido determinado sentido de cor política, usá-las-íamos neste contexto para significar a eterna tendência de todo o ser, e do homem em particular, para vir a ser explicita e totalmente o que já é implícita e parcialmente. O homem quer ser atualmente o que já é potencialmente. E este processo milenar de auto-realização (self-realization, Selbstverwirklichung) vai através de Eros. O Eros da mitologia é uma divindade criadora, não no sentido primário de procriar novos indivíduos, mas no sentido profundo de criar, através de muitas individualizações parciais, o homem universal, total. Eros é, de fato, o Amor que cria o homo, o Anthropos, o Mensch, na sua completa, última e absoluta inteireza e perfeição.
Só assim se explica a elementar veemência com que os sexos se atraem um ao outro, sem que eles mesmos conheçam nitidamente a verdadeira razão dessa potência abismal; no zênite da intensidade sexual descemos dois atores praticamente ao nadir da inconsciência, deixando de ser atores do drama para se tornarem sofredores, ou vítimas passivas de uma potência cósmica que os empolga com irresistível veemência. "Paixão" (passio) é passiva, algo que se padece, algo de que se é objeto sofredor, e não sujeito ator.
Em última análise, Eros é o brado cósmico pela plenitude.
É sumamente notável que os grandes místicos e gênios espirituais da humanidade se sirvam de uma linguagem visceralmente sexual ou erótica quando se referem ao retorno do homem à suprema Realidade, Deus. Os profetas de Israel representam as relações entre Javé e o povo eleito sob a forma de matrimônio, razão porque a idolatria é constantemente comparada ao adultério. Jesus Cristo descreve o consórcio do divino Lógos com a natureza humana como uma festa nupcial. Paulo de Tarso traça o genial paralelo entre Cristo e a igreja sob a base das relações entre homem e mulher.
Verdade é que o homem animal não compreende o sentido profundo de Eros, limitando-o à esfera da libido, das satisfações meramente carnais. Na realidade, porém, o verdadeiro casamento não se consuma na união física dos corpos, como acontece no acasalamento dos brutos, mas na integração dos espíritos, ou seja, na fusão metafísico-mística do verdadeiro Eu humano com outro Eu. "O que Deus uniu não o desuna o homem" – esta frase mística de Jesus tem um sentido profundo, uma vez que só a união dos espíritos é que é uma união real e, por isto, indissolúvel.
Os verdadeiros "casados" encontram sua "casa".
Eros integra os espíritos, reunificando em um só tronco os dois galhos diversificados pelos sexos. O veemente brado pela unidade cósmica – é este o mistério último que vibra por detrás da atração dos sexos. Eros a serviço do Cosmos.
É atestado de incompreensão fazer consistir o fim principal do matrimônio na procriação de novos indivíduos humanos, como certos autores e sociedades eclesiásticas proclamam em nossos dias. Quando Deus resolveu criar Eva foi com o propósito explicito, como diz o gênesis, de dar ao homem uma "auxiliar semelhante a ele"; só mais tarde aparece, qual corolário, a função de Eva como mãe.
As palavras "uma auxiliar semelhante a ele" revelam o dedo do gigante, mostram a presença do gênio na redação do texto sacro. A mulher é, antes de tudo, uma "auxiliar", colocada no mesmo plano com o homem, não acima dele, como rainha, nem abaixo dele, como escrava, ideia essa também simbolizada na frase de que Eva foi tirada do lado de Adão (A conhecida expressão "costela de Adão" é simples errata do tradutor ignorante. O texto original não diz "costela", mas "lado"), quer dizer que ela se acha no mesmo nível da humanidade com ele – mas nem por isto é "igual ao homem", e, sim, "semelhante a ele". A identidade da natureza vem expressa pela palavra "auxiliar", e a diversidade do sexo pelo termo "semelhante". Unidade sem diversidade seria monotonia, estagnação, inércia, morte. Diversidade sem unidade seria caos, desintegração, desordem. Mas, unidade na diversidade, ou diversidade na unidade é harmonia, e, sendo o ser humano "imagem e semelhança de Deus", não pode deixar de ser personificação da harmonia. Homem e mulher são idênticos pela unidade da natureza, e não idênticos pela diversidade dos sexos. Idênticos no plano da humanidade como homo e homo, são Adão e Eva dissemelhantes como sexos, como vir e fêmina, a fim de se poderem completar no plano duma humanidade superior, apenas vislumbrada pela humanidade do presente século.
Tese, antítese e síntese...
No princípio, temos a tese, isto é, o estado neutro, não diferenciado, pré-sexual, a humanidade amorfa, incolor, embrionária.
Depois vem a antítese dos sexos, a bifurcação Adão-Eva, a polaridade nitidamente diferenciada entre macho e fêmea, externamente diferentes, internamente idênticos.
Por fim, aparecerá a síntese dos sexos processada pelo Eros superior, a re-união dos dois polos adversos numa só natureza humana, incomparavelmente superior e mais gloriosa que a da tese primitiva.
Os que condenam incondicionalmente o Eros não lhe compreendem a função metafísica. Devido aos inegáveis abusos que o homem animal tem cometido e comete sem cessar nesse plano, rejeitam esses doutrinadores ascéticos o próprio substrato eterno dos sexos.
Compreende-se assim por que o Cristo não era inimigo de Eros. Se o fora, não teria sido o maior gênio cósmico da humanidade. A sublimação de Eros pela compreensão da sua verdadeira função, no drama multimilenar da humanidade em marcha – é esta a tarefa gloriosa dos verdadeiros luminares do Cristianismo e guias espirituais do gênero humano.
(Huberto Rohden – Livro: Profanos e Iniciados)

domingo, 1 de abril de 2018

MÃOS MARCADAS


Senhor!
Quando me deres
O privilégio do renascimento
No berçário do mundo,
Ante as necessidades que apresento
E aquelas que não vejo,
Eis, Senhor, o desejo
Em que dia por dia me aprofundo:

Deixa-me renascer em qualquer parte,
Entretanto, que eu possa acompanhar-te
Onde constantemente continuas
Trabalhando e servindo em todas as estradas
Para que eu também tenha as mãos marcadas
Como trazes as tuas...

Quanta ilusão me debatia
Crendo que o desespero fosse prece,
A rogar-te alegria e segurança
Sem que eu nada fizesse!

Imitava na terra o lavrador
A temer pedra e lama, vento e bruma,
Aguardando milhares de colheita
Sem plantar coisa alguma.

Entretanto, Senhor, agora sei
Que o trabalho é divino compromisso,
Estímulo do Céu guiando-nos os passos
E que, atendendo à semelhante lei
Puseste ambas as mãos em nossos braços
Por estrelas de amor e de serviço.

Assim, quando efetues
As esperanças em que me agasalho
E estiver entre os homens, meus irmãos,
Que eu me esqueça em trabalho
E me lembre das mãos...
Não me dês tempo para lastimar-me,
Que eu busque tão-somente a luz que me acenas...

No anseio de seguir-te
Quero o trabalho apenas.

Dá que eu seja contigo, onde estiveres,
Uma réstea de paz... Que eu seja alguém
Sem destaque e sem nome
Que se olvide no bem.

E se um dia uma cruz de provas e de agravos
Reclamar-me a tarefa e o coração,
Não me largues ao susto a que me enleie,
Ajuda a entregar as próprias mãos aos cravos
Da incompreensão que me rodeie,
Entre bênçãos de fé e preces de perdão!

Não consintas que eu volte ao tempo morto
Da ilusão convertida em desconforto,
Dá-me os calos da paz nas tarefas do bem...
A servir e servir sem perguntar a quem...

Ouve, Celeste Amigo,
Aspiro a estar contigo,
Longe de minhas horas desregradas,
Onde sempre estiveste e sempre continuas
Plantando o amor em todas as estradas,
Para que eu também tenha as mãos marcadas
Como trazes as tuas...

Maria Dolores

sábado, 31 de março de 2018

DISCURSO DO ORADOR À NOVA APRENDIZ



Jesus nos ensinou que, ao entrarmos numa casa, sejam estas as nossas primeiras palavras: “Eu vos trago a paz.”
     É exatamente isto que nós da Loja Maçônica Simbólica Mista Triângulo da Fraternidade desejamos trazer no dia de hoje para todos os membros da Augusta e Respeitável Loja Simbólica Mista Independente Athena: que comparecemos hoje aqui neste Templo Maçônico para lhes oferecer a Paz profunda.
     Aproveitando também este momento para agradecer a todos os irmãos e irmãs da Loja Athena pela acolhida e pelo apoio a nossa Loja em vosso Templo, para que pudéssemos realizar a Iniciação de Aprendiz Maçom.

Minha querida irmã: “                                                      

     É desse modo que doravante nos trataremos... pois a Ordem em que acabastes de ingressar é, acima de tudo, uma Irmandade.
     Uma irmandade... porém, não apenas uma irmandade; muito mais que isso... somente o tempo e o convívio lhe darão uma ideia mais clara, mais precisa, mais lúcida... daquilo que realmente representamos.
     Por ora... vos direi que não somos uma Sociedade Secreta... embora tenhamos nossos segredos e mistérios.
     Somos... isto sim... uma Sociedade Iniciática cujo o conhecimento vem do fundo das idades, na qual nossos Iniciados são homens e mulheres livres e de bons costumes... como vós.
     Vossa iniciação simboliza... já deveis tê-lo sentido... uma viagem inteira, introspectiva e transcendental... na qual tua Alma recebeu o primeiro alento da Sabedoria Divina do Grande Arquiteto do Universo.
     Desnascendo para a matéria e renascendo para o Espírito, vislumbrastes, nesta primeira etapa, os quatro elementos fundamentais da Natureza: a Terra, a Água, o Ar e o Fogo.
     Ainda não se completaram, minha irmã Aprendiz, meia noite, onde se encerram os trabalhos de nossa Loja...
     Desde o momento em que, guiada pelas mãos de teu Mestre Maçom... viajastes pelo interior da Terra, no ambiente frio, lúgubre e escuro onde fizestes o derradeiro testamento de tua vida, abandonando as trevas e caminhando em direção à Luz...
     Sorvendo da verdadeira sabedoria maçônica que se oculta na Pedra Filosofal tão almejada pelos Alquimistas... Vitriol de Hermes Trimegistus, Hermes três vezes grande.
     Conhecestes a seguir o Ar... símbolo da vida... que deveis valorizar sobre todas as coisas...
     Ar que é a Manifestação Divina do plano material, ao qual o Induísmo dá o nome de Prana, os Ocultistas de anima Mundi, o sopro vital que anima, que dá vida e alento ao Universo...
     Conhecestes também a “Água”... que vivifica, que sacia... que, misturando-se a todas as imundícies... evapora, limpa e purifica... subindo aos céus... e retornando a sua Divina origem.
     “Eu Sou a Fonte da Vida”... e quem desta Fonte beber, não morrerá... mas terá a Vida Eterna, diz o Grande Arquiteto do Universo.
     Com a Água... batiza São João, nosso padroeiro.
     E por fim, o “Fogo”.
     O ígneo purificador... a chama sagrada em cuja fogueira carbonizam-se os vícios e as vaidades humanas, fazendo com que tudo retorne ao pó...
     Lembra-te ó Ser Humano, que és pó apenas... do pó viestes e a ele retornarás” assim diz o Livros da Sabedoria.
     O “Fogo” é a chama do Espírito e faz desaparecer as Trevas... dele... surge a Luz... ele é o domínio do mundo espiritual... em cujas fronteiras vislumbramos a Divindade.
     Com “Fogo”, batizou Cristo, nosso Mestre.
     E adentrando entre as duas Colunas do Templo, “lembra-te: De que tu és somente um átomo, e mesmo que tu pudesses ser o Deus desta Terra que tu engatinhas e rastejas, mesmo assim tu ainda serias um átomo, e um entre tantos outros no Universo!”
    Enorme, portanto, fica a vossa responsabilidade ao iniciar-se nestes Mistérios... pois convosco contamos para a sua perpetuação, para que acesa se mantenha a Chama Sagrada desta Sabedoria, cujas origens perdem-se nas entranhas do tempo... nas Brumas de um passado ignoto.
     Sabedoria cuja transmissão não obedece aos padrões ocidentais de ensino... onde há professores e alunos; aqui há Mestre e Aprendizes... e o Saber somente é transmitido para aqueles “que tiverem ouvidos para ouvir e olhos para ver”.
     Os peixes aqui não são oferecidos, é preciso aprender a pescar...
     As flores aqui não são oferecidas, é necessário que se aprenda a cultivá-las e a colhê-las...
     Finalizando, expresso os votos, em meu nome e em nome de toda a Loja, que a Irmã identifique-se com os nossos princípios e junte-se aos nossos ideais, para que todos juntos... unidos... coesos... possamos colaborar na Grande Obra do Supremo Arquiteto do Universo...
Seja bem vinda, irmã Aprendiz, ao nosso convívio em Loja...
Foram cumpridas as vossas ordens Venerável Mestre...

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

VIAGEM DE APRENDIZADO

Teu cansaço ou fraqueza é fruto de tua falta de limites. O “excesso de bagagem” que carregas e que torna tua vida mais pesada se deve à suposta necessidade de exagerado controle das coisas e das pessoas e à falsa ideia de que és superior em tudo o que fazes. 
Tua ansiedade te leva a fazer ou a resolver as coisas imediatamente. O que poderias executar em um dia queres fazer em instantes.
Teu perfeccionismo impõe-te realizar tarefas impecáveis, quando poderias fazê-las com esmero, mas não com perfeição. Ao invés de viveres cada dia como uma alegre e fascinante viagem de aprendizado, tomas a vida como uma expedição cansativa e constrangedora, com metas inatingíveis. O perfeccionismo é inimigo de tua paz interior. 
Tua insegurança te induz a concretizar feitos e eventos, não para tua realização interior, e sim para receberes aplausos exteriores. A necessidade de te sentires superior te traz um elevado dispêndio de energia emocional. 
Tua baixa autoestima te leva aos píncaros do exagero em produzir cada vez mais. Por sentires menos que os outros, tendes a compensar tua auto desconsideração tentando fazer diversas coisas ao mesmo tempo. A preocupação com o julgamento dos outros te faz “tropeçar” nas estradas da vida. 
- Tua exaustão não é produto de teu trabalho no bem, nem perda energética na doação de forças ao edifício do Cristo, mas produto do teu “ego onipotente”, que acredita que tudo pode, tudo faz e tudo deve ver. 
No labor cristão, felizmente, o esforço e o desgaste são restaurados, a criatura se alimenta energeticamente. Entra em contato com seus potenciais internos e, a partir daí, sente os prazeres da alma. A respeito disso escreve Paulo de Tarso: “Por isto, eu me comprazo nas fraquezas, nos opróbrios, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por causa de Cristo. Pois quando sou fraco, então é que sou forte”. 
Portanto, tem calma. Calma não é lentidão ou desleixo. É, antes de tudo, conquista de quem aprendeu que o Criador sempre faz a sua parte, esperando que a criatura, igualmente, faça a sua. Lembra-te de que a tua parte é uma pequena parcela que deve ser retirada de tuas forças e utilizada de conformidade com teus limites, ou seja, proporcionalmente a tuas conquistas e possibilidades. 
Hammed;
Psicografia: Francisco do Espírito Santo Neto;
Do livro: Um Modo de Entender Uma Nova Forma de Viver.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

PROPÓSITO INICIAL DA MAÇONARIA

Existe um Mistério, maior do que todos os Mistérios deste Mundo, que é o Mistério da Existência humana.
Provindo de um Mistério maior, inconcebível, Incognoscível, o Ser Humano, busca por entre as Florestas dos Erros o caminho de retorno ao seu local de origem.
Perdidos por entre essas florestas dos erros e da verdade, nós vamos tateando cegamente, nos apoiando aqui e ali, num mundo de completa escuridão, onde estamos sujeitos a todo momento cair num precipício, pois a maioria de nós vive no abdômen, preso aos prazeres deste mundo, aos desejos e as angústias, repletos de dúvidas e de medos, onde o nosso local de origem, que os Cristãos e Judeus chamam de paraíso, e os Druídas chamam de Gwenwed (Mundo Branco), parece estar muito distante de nós, se tornando um sonho, apenas um desejo distante da humanidade, mas um desejo temoroso, por não sabermos se realmente este mundo existiu algum dia, ou, se existiu, ainda existe.
Todo o nosso passado e nossas lembranças dele se tornou muito distante, e aparentemente inexistente, por isso nos tornamos presos a este mundo, onde um antigo Druida disse:
“Homem, lembra-te de que tu és somente um átomo, e que, mesmo que tu pudesses ser o Deus dessa terra que tu engatinhas e rastejas, mesmo assim, tu ainda serias apenas um átomo, e um entre tantos outros no Universo.
Na Antiga Rosacruz e nos primórdios da Maçonaria Legítima, na construção do seu alicerce, os Antigos Rosacruzes e Templários Maçons, desejosos de trazer uma filosofia que pudesse ampliar a Luz para as Almas humanas, criaram um sistema de Símbolos que pensaram tornar os homens ligados a um caminho que os levasse de volta ao Mundo anterior a este que existimos, e que pensamos existir plenamente.
Embora, os objetivos iniciais desses Místicos fossem de aperfeiçoamento e de tornar os seres humanos livres e de bons costumes, pessoas mais perfeitas para atuar neste Mundo, muito deste antigo conhecimento, que retrata a Criação do Universo e de seus mundos, e retrata a descida das Almas e o seu retorno, por intermédio do Ritual em Loja, tem sido modificado ou suas chaves foram perdidas, e apenas alguns poucos iniciados conseguem penetrar em seus mistérios, mas, existem Lojas que possuem pessoas  com mentes afins, onde a nível Espiritual lhes podem ser dadas tais chaves de maneira interna.
O que deve ser um Maçom: “Devemos ser ou nos tornar uma União de Almas afins, com o único objetivo de nos unirmos para que possamos acessar essas chaves iniciais do Profundo Mistério da Vida e da Morte.
A Maçonaria, desde o Inicio, em nossa primeira iniciação, nos confronta com a nossa verdadeira e inequívoca realidade, ou seja, somos colocamos no Quarto das Reflexões de frente a uma caveira, para lembrarmos quem realmente somos e o que realmente nos espera futuramente neste Mundo das Multiplicidades Terrenas.
Com isto, devemos entender que de agora em diante a Morte não virá mais implacável e terrível como antes roçar os matos secos deste mundo, pois, no momento de uma Iniciação Maçônica, o anjo do progresso desprenderá suavemente as Almas da sua cadeia mortal, para deixa-las subir para Deus, retornando ao seu antigo local de origem. Local este, que é direito de todas as Almas viventes.
Os antigos Templários Maçons e Rosacruzes, entendiam que deveriam criar um Ritual e Filosofia, que permitisse aos seres humano, que, quando eles souberem viver, então, não morrerão mais, e de pedra bruta passarão para uma pedra polida, como se antes fossem uma lagarta sem perspectiva, se arrastando por este mundo, e de repente se tornaram uma borboleta, que agora voa sem mais os limites de outrora, se tornando livres e de bons costumes diante da Natureza Naturante, voando até Deus.
Os Antigos Maçons e Rosacruzes, sabiam que os terrores da morte são filhos da nossa ignorância, e que a própria morte não é tão horrenda, senão pelos restos de que se cobre e as cores sombrias com que os seres humanos cobrem a sua imagem.
Existe na Natureza uma força que não morre, e esta força transforma ininterruptamente os seres para os conservar. Ela é a Razão e o Verbo da Natureza.
E os antigos entendiam que existe também no ser humano uma Força análoga à da Natureza, e esta Força é a Razão ou o Verbo Humano. Sabiam os antigos que o Verbo humano é a expressão da sua Vontade dirigida pela sua Razão.
Sabiam, também, os Antigos, que este Verbo é Onipotente quando é razoável, porque, então, é análogo ao Verbo de Deus.
Desse modo, pelo Rituais e pelos seus Símbolos, e pelo Verbo da sua Razão, os seres humanos podem tornarem-se aptos para conquistar a Vida e triunfar sobre à Morte.
Os antigos Rosacruzes e Maçons Templários, entediam que a vida inteira do ser humano é somente parturição ou abortamento do seu verbo, onde suas palavras se tornaram vãs, sem sentido, sopradas aos ventos, pois, sabiam que os seres humanos que morrem sem ter ao menos tentado buscar algo a respeito dos Mistérios da vida, e sem ter entendido ou formulado a palavra da Razão, sem ter tentando por um único instante penetrar na Razão do Eterno, acabam morrendo sem Esperança Eterna, e desse modo, reencarnando continuamente na Roda das encarnações contínuas deste Mundo.
Entendiam, os antigos Maçons, possuidores das chaves que podem abrir as portas dos Antigos Mistérios de Eleusis, que deveriam criar um Ritual que fosse capaz de aperfeiçoar os Ser Humano, de molda-los como um artesão modela a Pedra Bruta, tornando a sua Arte uma Beleza capaz de atingir os Corações da Humanidade.
Entendiam, estes Homens, que para lutar contra o fantasma da morte, é preciso ter-se os seres humanos identificados com a realidade da vida.
E, para que essa identificação pudesse ocorrer eles decidiram criar um Ritual que pudesse expressar o Momento da Criação e o seu recolhimento, que pudesse expressar o nascimento da Vida Humana e o seu recolhimento, a ida e vinda das Almas.
Desse modo, este Ritual foi feito de forma que pudesse ao mesmo tempo apresentar o maior Segredo de todos os Segredos, e ao mesmo tempo pudesse permitir o Aperfeiçoamento do Ser Humano por intermédio do Justo e do Perfeito, da Liberdade e da Justiça.
Um Ritual que pudesse desbastar as pedras tornando-as Belas o suficiente para que nossas Almas possam novamente recordar sua Origem, e com isso despertar nossas Consciências, trazendo de volta todos os nossos direitos que tínhamos anterior a nossa Queda, ou, podemos dizer, obter novamente o nosso direito anterior à Descida das Almas que ocorreu pelo seu Livre Arbítrio.
Foi este o objetivo inicial de Maçonaria, aperfeiçoar seres humanos para que pudesse ser criada uma Sociedade mais Justa e mais Perfeita para vivermos, trazendo para a terra um pedacinho da lembrança de nosso Local de origem, onde éramos perfeitos em Essência, distantes de todo Mal.

Vinicius dos Santos
1º Vig.'.    

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

O QUE É A REALIDADE? - RADHA BURNIER


 “Muitas crianças choram quando suas mães choram ou quando veem alguém chorando. Talvez a consciência inocente no corpo jovem, não tendo tido ainda experiências na vida material, instintivamente sinta que a infelicidade não é algo correto. Uma criança responde com naturalidade, e portanto sente que algo está errado quando alguém está infeliz. A maioria das crianças é atraída por outros seres inocentes - outras crianças e animais, particularmente os mais jovens. 
Esse estado de inocência se perde quando a criança torna-se adulta, e o modo de vida moderno não ajuda o jovem a preservá-lo. Assistir repetidamente a episódios de violência na televisão, por exemplo, ajuda a destruir o senso instintivo de unidade que as crianças possuem. Os humanos, como é bem sabido, precisam de proteção e cuidados durante um período de tempo muito mais longo do que os animais. Isso pode ser parte do plano da natureza para desenvolver nossa sensibilidade.
O animal jovem é forçado a lutar pela sobrevivência, o que inclui aprender a desconfiança, o medo e a agressividade, ten­dências que contribuem para o comportamento competitivo. Quando existe insegurança e medo, desenvolve-se a agressão; o medo obriga a mente a planejar maneiras de autodefesa. Assim se instala a insensibilidade, e a consciência perde sua inata delicadeza de resposta.
A maioria de nós adota atitudes duras; se formos honestos, descobriremos como e quando elas ocorrem - como são perdidas a inocência da infância e a qualidade de estar em harmonia com as outras criaturas vivas.
O que é o mundo real? Esta é uma pergunta que ocorre a estudantes e pensadores. O mundo natural - montanhas, rios, estrelas, árvores e pássaros - é real? Provavelmente é, sendo parte da vida una fora da qual nada existe. Por outro lado, uma vez que o mundo natural é apenas uma parte da realidade total, ele pode ser real de maneira relativa, e não de maneira absoluta. Nos textos hindus sugere-se que os rios, montanhas e toda a natureza são apenas parte do divino esplendor que o Supremo revela, pois os nossos olhos são incapazes de ver além. Apenas um fragmento ela realidade é manifestado como universo, sendo o não manifesto a parte maior.
Portanto, o mudo natural não é irreal, porque é parte de uma suprema existência, mas é apenas parte, não o todo. É um meio atra­vés do qual algo muito mais vasto pode ser vislumbrado. no entanto, que tipo de mente e coração consegue ver o esplendor além das formas externas? Não a consciência destituída de inocência. A criança que sofre ao ouvir uma história em que um animal morre provavelmente está muito mais próxima da verdade da vida do que o adulto que sabe tudo a respeito da sobrevivência, do conforto e de vantagens pessoais.
Os seres humanos são parte do mundo natural, são criação da natureza, mas nós nos tornamos estranho. Ao perder a inocência, nós nos exilamos do paraíso e escolhemos viver num falso mundo de ambição, paixões e guerras. Esse mundo, produto do pensamento humano, é irreal, porque está baseado em percepções distorcidas e em falsos valores. A ilusão não está nas ár­vores, nos animais e na terra, mas no olho do homem que vê tudo como objeto para possuir e explorar. Aqueles que viam o rio e a montanha como presenças divinas viam a mesma água e a mesma montanha que nós vemos hoje, mas nós os reduzimos a nada mais que matéria inerte.
O endurecimento da mente precisa terminar. Devemos prestar atenção à qualidade de nossas respostas ao desenvolvimento da sensibilidade - e isso não é sentimentalismo. Os grandes videntes não cediam ao emocionalismo; eles viam a realidade.”

Radha Burnier é escritora e foi presidente internacional da Sociedade Teosófica
Revista Sophia – Editora Teosófica

Fonte: http://lojateosoficadharma.blogspot.com.br/2016/08/o-que-e-realidade-radha-burnier.html
A propósito, ver: http://lojatriangulodafraternidade.blogspot.com.br/2011/07/o-real-segredo.html

domingo, 1 de outubro de 2017

A NOÇÃO DE DEUS DE BARUCH SPINOZA


Einstein, quando perguntado se acreditava em Deus, respondeu: “Acredito no Deus de Spinoza**, que se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe, e não no Deus que se interessa pela sorte e pelas ações dos homens”. 
Pára de ficar rezando e batendo no peito! O que eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida. Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti.
Pára de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa. Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias. Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti.
Pára de me culpar da tua vida miserável: Eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade fosse algo mau. O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria. Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer.
Pára de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo. Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho… Não me encontrarás em nenhum livro! Confia em mim e deixa de me pedir. Tu vais me dizer como fazer meu trabalho?
Pára de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor.
Pára de me pedir perdão. Não há nada a perdoar. Se Eu te fiz… Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio.
Como posso te culpar se respondes a algo que eu pus em ti? Como posso te castigar por seres como és, se Eu sou quem te fez?
Crês que eu poderia criar um lugar para queimar a todos meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso?
Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; essas são coisas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti.
Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti. A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida, que teu estado de alerta seja teu guia.
Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso. Esta vida é o único que há aqui e agora, e o único que precisas. Eu te fiz absolutamente livre.
Não há prêmios nem castigos. Não há pecados nem virtudes. Ninguém leva um placar. Ninguém leva um registro. Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.
Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um conselho: Vive como se não o houvesse. Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir. Assim, se não há nada, terás aproveitado da oportunidade que te dei. E se houver, tem certeza que Eu não vou te perguntar se foste comportado ou não. Eu vou te perguntar se tu gostaste, se te divertiste… Do que mais gostaste? O que aprendeste?
Pára de crer em mim – crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti. Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho no mar.
Pára de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja? Aborrece-me que me louvem. Cansa-me que agradeçam. Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas relações, do mundo. Sentes-te olhado, surpreendido?… Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar.
Pára de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim.
A única certeza é que tu estás aqui, que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas. Para que precisas de mais milagres? Para que tantas explicações?
Não me procures fora! Não me acharás. Procura-me dentro… aí é que estou batendo em ti.
  
( ** ) Baruch Spinoza (1632-1677) nasceu em Amsterdã, Holanda. Era de uma família tradicional judia, de origem portuguesa. Sua família emigrou porque os judeus estavam sendo perseguidos. Seu pai era um comerciante bem sucedido e abastado. Spinoza gostava de estudar e ficava na sinagoga. Era um dos melhores alunos. Aprendeu a Bíblia Sagrada e o Talmude. Então foi para uma escola particular, onde conheceu o latim. Pôde então ter um estudo mais abrangente. Leu sobre a identificação de Deus com o universo, sobre a associação da matéria com o corpo de Deus. Interessou-se muito pela filosofia moderna, como Bacon, Hobbes e Descartes. Então foi acusado de heresia, por se mostrar irredutível em suas opiniões. Spinoza fez uma análise histórica da Bíblia, colocando-a como fruto de seu tempo. Critica os dogmas rígidos e rituais sem sentido nem poder, bem como o luxo e a ostentação da Igreja. Por suas opiniões, um homem tentou matá-lo com um punhal. Escapou graças à sua agilidade. Ofereceram uma pensão para ele manter fidelidade à sinagoga e Spinoza recusou. Foi então excomungado, em 1656. Amaldiçoaram-no em ritual. Depois disso, viajou pela Holanda. Os judeus não falavam com Spinoza, mas os cristãos sim. Apesar disso, não se converteu ao cristianismo. Seus familiares quiseram deserdá-lo. Lutou pela herança do pai e ganhou a causa. Mas recusou a recebê-la, só queria fazer valer seus direitos. Suas principais obras são: Tratado político, inacabado; Tratado da correção do intelecto; Princípios da Filosofia Cartesiana; Pensamentos Metafísicos; e sua obra prima: Ética Demonstrada pelo método geométrico. Algumas obras suas foram incluídas no Index de livros proibidos. Foi preso sob acusação religiosa e morreu na prisão, aos quarenta e quatro anos. O ponto principal do pensamento de Spinoza é a comunhão entre Deus e a natureza. Spinoza critica a religião porque ela está alimentada pelo medo e a superstição. Devemos fazer uma interpretação racional da Bíblia. A diferença entre filosofia e religião é que a primeira busca a verdade e a segunda precisa da obediência para ser realizada.

Fonte: ttp://visao.sapo.pt/artigossiteantigo/artigosimportadosforum/o-deus-de-spinoza=f733623

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

A CABALA E O MISTICISMO MAÇÔNICO


A  palavra Cabala  tem  origem  no  vocábulo  hebraico  “kibbel”,  significando  lição, tradição,  ensino.  A Cabala  é  a tradição esotérica e o conjunto das doutrinas secretas do judaísmo. Esta ciência oculta foi recolhida nas Escrituras e devia ser transmitida oralmente e nunca ser escrita, visando evitar que o texto caísse sob as vistas dos profanos.
Os  cabalistas datam as  concepções primordiais da Cabala de  tempos primitivos  - que remetem a Moisés e até Abraão  e  Adão. Quanto  aos  verdadeiros  fundadores  da Cabala, entretanto, são mencionados três talmudistas: Rabino Ismael ben Ehsa (cerca de 130  d.C.); Rabino Nechunjah  ben Hakana  (cerca  de  75  d.C.)  e, sobretudo, Simeon ben Yohai (cerca de 150 d.C.), sendo este último apontado como autor do famoso Zohar.
Acredita-se que os ensinamentos da Cabala começaram de  forma oral, que  foi transmitida por Enoque aos seus descendentes, sendo que, posteriormente, Moisés, para evitar que seus ensinamentos se perdessem, comunicou-os aos setenta anciãos escolhidos, e daí para frente de forma escrita.
Mas, ao serem escritos os ensinamentos cabalísticos, foi utilizada a maneira mais simbólica possível, com o intuito da não compreensão profana, mas  tão somente dos iniciados. Dois são os  livros fundamentais da Cabala: 1º o Sefer Yetsirah, ou Livro da Criação, e o Zohar, ou Livro dos Esplendores.
A Cabala apareceu, na sua  forma atual, por volta do século XII,  repetindo, continuando e completando o ensino esotérico do Talmude. Na Bíblia  temos os  livros cabalísticos de Ezequiel e do Apocalipse, que  foram escritos de forma velada, simbólica. A chave do seu ocultismo  repousa, como a do Talmude, sobre o valor dos números, a combinação das 22 letras do alfabeto hebraico e a força oculta do Tetragrama.
O ensino da Cabala esmera-se em dar com precisão a definição da divindade vulgarmente denominada Deus, em fixar-lhe os atributos e em estabelecer o processo das manifestações do seu poder. A particularidade da Cabala é de repudiar toda idéia de antropoformismo na definição da divindade, de afastar toda possibilidade de figuração de Deus  que  é  Infinito, inacessível,  incompreensível... O Ser por excelência, o Verbo eterno conjugando-se, simultaneamente ao presente, ao passado, ao futuro:Jeová, Aquele que  foi, que é, que será, Aquele cujo nome nunca  deve  ser  pronunciado porque o profano não compreenderia que o Deus Todo-Poderoso, o Deus dos Exércitos não pudesse ter nenhum outro nome a não ser o verbo Ser.
A Cabala descobre todos os mistérios da criação neste simples nome, ao estudar o simbolismo representado pelas quatro letras formando este nome assim dividido: IOD, HE, VAV~ HE (IHVH).
Este nome é aquele que encontramos no cume de  todas as  iniciações, aquele que  irradia no centro do  triângulo flamejante da Maçonaria.
A primeira letra, o IOD, figurada por uma vírgula ou um ponto, representa o princípio original das coisas, o ponto de partida da criação. Esta letra que ocupa o décimo lugar no alfabeto hebraico, é representada pelo número 10, ele mesmo composto do número um, unidade, princípio, e do zero, representando o nada, por seu significado e o Todo por sua forma. No IOD ou número 10, a unidade, origem do Todo, alia-se ao Nada para formar o princípio inicial da Criação, princípio gerador, princípio masculino.
A segunda letra, o HE, quinta letra do alfabeto hebraico, representa o número 5, equivalente à metade do valor da primeira  letra, 10. E o princípio  inicial  IOD ou 10 que se  fraciona em dois, e que se desdobra. Tal é a origem do binário: masculino-feminino, ativo-passivo, positivo-negativo, homem -mulher. A energia criadora masculina  junta-se à matéria fecunda feminina.
A  terceira  letra, VAV, ocupa o sexto  lugar no alfabeto. Resulta da ação geradora do  IOD sobre o HE, ao princípio masculino sobre o princípio feminino. E o filho, a resultante: um mais cinco igual a seis.
A quarta letra representa um segundo HE, novo elemento feminino, indispensável ao filho para possuir a faculdade de se  reproduzir e de perpetuar o Ser. E o grão que contém em potência a geração  futura e a possibilidade de garantir a Eternidade.
JEHOVA, portanto, não é um nome, mas o símbolo da Criação e da Eternidade, do SER PERFEITO. Este nome não pode ser pronunciado a não ser uma vez por ano, e soletrado letra por letra no Santo dos Santos, pelo Sumo Sacerdote, Grão-Mestre da Arte Sacerdotal, no meio do ruído das preces do povo profano. Diz-nos Elifas Levi:  “Todas as  religiões dogmáticas saíram da Cabala e para ela  voltam. Tudo quanto existe de científico e de grandioso nos sonhos religiosos de todos os iluminados é tirado da Cabala. Todas as associações maçônicas lhe devem os seus segredos e os seus símbolos”.
Paul Naudon assim escreveu:
“Nada permite de resto de situar, no tempo, a adoção, pela Maçonaria dos sinais e símbolos que a Cabala utiliza. A instituição não foi uma criação espontânea; deriva em grande parte das associações arquitetônicas que a precederam ou inspiraram, como os colégios romanos, as associações monásticas, as guildas etc. Sofreu, igualmente, largas influências dos maçons aceitos cujo papel tornou-se progressivamente primordial com o declínio do elemento profissional.
As preocupações filosóficas desses maçons especulativos alquimistas, hermetistas, cabalistas, rosa-cruzes e seus subsídios esotéricos vieram  juntar-se e completar os da Maçonaria. O fundamento de suas doutrinas repousava sobre o mesmo princípio da Maçonaria: o da imanência divina. O papel desses hermetistas foi  importante na transição entre a Maçonaria operativa e a Maçonaria  especulativa moderna. Mas a sua contribuição com  um simbolismo egípcio, hebraico e siríaco  não  era  mais  que uma síntese que vinha integrar-se em um meio amplamente preparado pelos mais eminentes pensadores da Idade Média e da Renascença”.
O programa do grau de Aprendiz compreende os números um, dois, três e quatro, donde os conceitos de unidade, de binário, de ternário e de quaternário. O do grau de Companheiro compreende quatro, cinco, seis e sete (tétrada sagrada, quintessência, rosa mística, hexagrama, setenário). O grau de Mestre estuda os números sete, oito, nove e dez (tri-unidade setenária, ogdoada solar, Eneada ou árvore dos Sefirot). Os dez Sefirot são dez emanações do Deus único: dez reconduz a um...
Assim, a Cabala passa à Maçonaria seus ensinamentos mais expressivos.
Ir.·. José Geraldo da Silva
Fonte: http://www.solbrilhando.com.br/Sociedade/Maconaria/Artigos/A_Cabala_e_o_misticismo_maconico.htm

domingo, 17 de setembro de 2017

INICIAÇÃO AO GRAU DE APRENDIZ (IMPRESSÕES)

À GL.'. do G.'. A.'. D.'. U.'.

Augusta e Respeitável Loja Maçônica Simbólica Mista
Triângulo da Fraternidade


   S.'.


                                                            F.'.             U.'.

Primeira peça de arquitetura do grau de Aprendiz Maçom.

Tema solicitado pelo Ir.'. 2º Vig.'. - Iniciação ao Grau de Aprendiz (Impressões)


          Durante o momento em que fui vendado e comecei minha jornada, pensei na Criação Divina, que eu considero um magnífico espetáculo, e na capacidade humana de representar nossa jornada evolutiva por intermédio de símbolos contidos nas iniciações e nos estudos das organizações iniciáticas.  Caminhei imaginando como se estivesse percorrendo túneis. Ao terminar minha jornada, sentei-me e Meditei a respeito da iniciação que eu estava realizando, e a respeito da geometria que iria me cercar, que está muito presente e oculta através dos símbolos maçônicos, numa tentativa de buscar uma razão para explicar por que eu estava ali, naquele lugar, naquele momento específico. Quando eu permaneci na câmara da Reflexão para assinar os papéis, e me deparei com a caveira, comecei a relembrar minha trajetória de vida, das inúmeras iniciações que eu já realizei, tentando buscar respostas para a minha existência. Pensei que este não é um novo momento, mas um velho momento, onde espaço e tempo se tornam inexistentes. Pensei que aquele, era apenas mais uma etapa em minha vida, uma etapa que eu ainda não sei o motivo, ou o por que de eu estar ali, pois já estive em tantos lugares, em tantos momentos, e todos serviram para algo, para me transformar no que hoje eu sou, ou penso ser, ou no que ainda vou me transformar. Ainda não sei o verdadeiro motivo que me impeliu para que eu  adentra-se neste templo, nesta antiga ordem iniciática e filosófica. Mas sei, tenho plena certeza, por razão de experiências neste campo, que nada acontece por acaso, que tudo tem sua razão de ser. Vivenciei este momento iniciático, tendo a certeza, de que, o que realmente importa não são as letras ou as palavras, mas, sim, a vivência pessoal que cada um experimenta nesses locais iniciáticos. Sei que, todos os livros são as janelas do conhecimento, mas não são as portas, apontam coisas aos homens, mas não as dão de fato, (SanMartin). E, é desse modo, que eu ha muito tempo encaro o auto conhecimento, ou seja, não busco em livros ou em homens, mas sim em meu ser interior, onde todas as resposta se encontram já em sua plenitude máxima. Mas, também, sei que os livros, os símbolos e as alegorias, os rituais, nos trazem um caminho a ser seguido, nos fornecem um princípio simbólico de entendimento das coisas vivenciadas por todos os iniciados.
Meditando durante a iniciação, eu pensava, que, o que realmente importa numa iniciação, ou em toda iniciação, seja onde for, é que a egrégora é o ponto culminante de toda forma de iniciação, desde as mais primitivas e simples, até as mais elaboradas e refinadas, pois todos as iniciações possuem uma finalidade em comum, ou seja, a finalidade de nos ligar a outras almas que buscam um objetivo comum para todos, embora a forma de entendimento de cada um seja individual e pessoal. São diversos rios, diversos entendimentos, diversas formas de pensar Deus, mas devemos ter sempre em mente, que todos os rios deságuam num único e imenso oceano. Este oceano, representa a união de todas as almas. Antes da queda, todas as almas eram interligadas numa única fonte e modo de existir, mas após a queda, houve a confusão, os véus baixaram em frente aos olhos de cada alma individualmente, e cada uma começou uma jornada pessoal e diferente, numa busca ininterrupta, através de inúmeras encarnações no mundo das multiplicidades terrenas. Mas, no decorrer dos tempos, no suceder das encarnações, estas almas começaram novamente a se reagrupar, e desse modo, começaram as inúmeras egrégoras, iniciações, ordens, religiões, filosofias, etc. Por que, no final, tudo retornará ao começo. Lembrando que todas as almas apenas poderão retornar ao paraíso, ao seu local de origem, juntas, nada chega ao pai individualizado, a não ser por intermédio de Ostes cósmicos, ou das Ostes terrenas, e mesmo assim, estas Ostes Cósmicas e terrenas formam egrégoras para poderem acessar ao Criador. Enquanto isto não acontece, enquanto não retornamos ao nosso local de origem, onde a evolução acontece pela vida, e não mais pela morte como ocorre em nosso mundo terreno, nós humanos, aprendizes, eternamente aprendizes, independente do grau de consciência ou das iniciações que temos, nos unimos em egrégoras por intermédio dessas iniciações realizadas nas ordens iniciáticas, em religiões ou filosofias. Tudo isto, de algum modo, se passou em minha cabeça no momento da minha iniciação ao grau de Aprendiz, grau este, que eu pretendo nunca esquecer, de que, "sempre serei um eterno Aprendiz", pois este é um dos objetivos do trabalho maçônico, lembrar de que sempre seremos aprendizes neste mundo, e que devemos utilizar estes momentos de estudos para despertar na busca do conhecimento oculto que aparentemente parece estar distante, mas que pode estar ao nosso lado, ou dentro de cada um de nós.
          Tudo isto, eu expresso, em nome do Nosso Senhor, Criador de todas as coisas, do Grande Arquiteto do Universo.   

         Or.'. de Porto Alegre, 21 de setembro de 2013. da E.'. V.'.

Vinicius dos Santos
Apr.'. M.'.


Bibliografia:

Sanmartin, Louis Claude de - Monografia Martinista.