terça-feira, 28 de agosto de 2012

SEGREDOS DA NAVEGAÇÃO

Não há fronteira entre os dois mundos, meu irmão, e entre os outros mundos também não. Controlar ou possuir uma parte é fragmentar o todo em tua consciência.O Universo ensina que não és alguém e não possuis coisa alguma. Não há nada que pertença a ti, e és abençoado imensamente por essa ausência de propriedade particular.
A essência das galáxias faz parte da alma que habita teu coração.Se souberes que nada és, te libertarás da ilusão. Participarás, sem nome, sem medo, da essência espiritual do todo e do nada; da totalidade dos ciclos da vida e do cosmo. Ninguém poderá saber disso porque não terás como explicar.
Tu também, à tua maneira, saberás que nada sabes. Apenas observarás em silêncio a luz eterna e  a vida infinita. Não haverá por que memorizar nada. Não será preciso tirar fotos para mandar aos amigos.
Poderás adivinhar a presença das estrelas no espaço sem fronteiras da tua própria mente. Possuir algo, pensar pessoalmente alguma coisa,  seria  perder parte do contato com a Via Láctea no espaço interior do teu coração.
E então verás, meu irmão, que o silêncio e o vazio são talvez  os  instrumentos mais confiáveis com que se pode  navegar em segurança nas águas do oceano primordial.
(25 janeiro e 15 maio 2005)
Um Estudante de Teosofia
 

domingo, 5 de agosto de 2012

MAGIA

A Magia, de um modo geral, nada mais é do que a arte de causar EFEITOS VISÍVEIS a partir de CAUSAS INVISÍVEIS (Eliphas Levi).
“Uma carruagem, um cavalo, um cocheiro, eis toda a filosofia, eis toda a magia. Se o ser inteligente - o cocheiro, quisesse pôr em movimento sua carruagem sem o cavalo, o carro não andaria.… Entretanto, muitos supõem que magia é a arte de fazer mover carruagens sem cavalos ou, traduzindo em linguagem um pouco mais elevada, de agir sobre a matéria pela vontade e sem intermediários de espécie alguma. Observastes que o cavalo é mais forte que o cocheiro e que, por meio das rédeas, o cocheiro domina a força bruta do animal que ele conduz? O cocheiro representa a inteligência e, sobretudo, a VONTADE, o que governa todo o sistema … A carruagem representa a matéria, o que é inerte … O cavalo representa a força."
"Obedecendo ao cocheiro e atuando sobre a carruagem, o cavalo move todo o sistema. O Cavalo é o princípio motor… elo intermediário entre a carruagem e o cocheiro, elo que prende o que suporta (matéria) ao que governa (pensamento, inteligência). Em outras palavras… O cocheiro é a VONTADE HUMANA, o cavalo é a VIDA (FORÇA VITAL)… sem a qual o cocheiro não pode agir sobre a carruagem (MATÉRIA)."
"Sendo prática, a magia é uma ciência de aplicação. Mas, o quê o operador vai aplicar? SUA VONTADE… o princípio diretor, o cocheiro do sistema. Perguntamos ainda: em quê, em qual objeto será aplicada esta VONTADE? Na MATÉRIA? Nunca! Seria como um cocheiro agitando-se na boléia da carruagem enquanto o cavalo ainda está na estrebaria! Um cocheiro AGE SOBRE um cavalo, não sobre a carruagem.… Um dos grandes méritos da ciência oculta é justamente ter fixado este ponto: que o espírito não pode agir sobre a matéria diretamente; o espírito age sobre um AGENTE INTERMEDIÁRIO, o qual, por sua vez, reage (repercute) sobre a matéria. O operador deverá, pois, aplicar sua VONTADE não diretamente na matéria, porém naquilo que modifica a matéria incessantemente, seu mediador plástico,  que a ciência oculta chama PLANO ASTRAL ou PLANO DE FORMAÇÃO DO MUNDO MATERIAL.” Papus – Tratado Elementar de Magia Prática.
Fonte: http://jediteraphim.wordpress.com/2011/08/08/o-que-e-magia/

sexta-feira, 20 de julho de 2012

O CÉTICO E O LÚCIDO


No ventre de uma mulher grávida estavam dois bebês. O primeiro pergunta ao
outro:

- Você acredita na vida após o nascimento?

- Certamente. Algo tem de haver após o nascimento. Talvez estejamos aqui
principalmente porque nós precisamos nos preparar para o que seremos mais
tarde.

- Bobagem, não há vida após o nascimento. Como verdadeiramente seria essa
vida?

- Eu não sei exatamente, mas certamente haverá mais luz do que aqui. Talvez
caminhemos com nossos próprios pés e comeremos com a boca.

- Isso é um absurdo! Caminhar é impossível. E comer com a boca? É totalmente
ridículo! O cordão umbilical nos alimenta. Eu digo somente uma coisa: A vida
após o nascimento está excluída - o cordão umbilical é muito curto.

- Na verdade, certamente há algo. Talvez seja apenas um pouco diferente do
que estamos habituados a ter aqui.

- Mas ninguém nunca voltou de lá, depois do nascimento. O parto apenas
encerra a vida. E afinal de contas, a vida é nada mais do que a angústia
prolongada na escuridão.

- Bem, eu não sei exatamente como será depois do nascimento, mas com certeza
veremos a mamãe e ela cuidará de nós.

- Mamãe? Você acredita na mamãe? E onde ela supostamente está?

- Onde? Em tudo à nossa volta! Nela e através dela nós vivemos. Sem ela tudo isso não existiria.
 
- Eu não acredito! Eu nunca vi nenhuma mamãe, por isso é claro que não
existe nenhuma.

 - Bem, mas às vezes quando estamos em silêncio, você pode ouvi-la cantando,
ou sente, como ela afaga nosso mundo. Saiba, eu penso que só então a vida
real nos espera e agora apenas estamos nos preparando para ela...

Autor desconhecido.


domingo, 8 de julho de 2012

NO QUE NOS TORNAMOS...

Quino, autor da Mafalda, desiludido com o rumo deste século no que diz respeito a valores e educação, deixou impresso no cartum o seu sentimento: 








"A estupidez é infinitamente mais interessante que a inteligência. A inteligência tem limites, mas a estupidez, não".      Claude Chabrol

sexta-feira, 6 de julho de 2012

OS NÚMEROS (ÚLTIMA PARTE)

O número 10 (dez) é o número mais completo, é o numero que representa a árvore cabalística. É a representação da década através da 1 - Coroa (unidade, centro princípio de onde tudo emana); 2 - Sabedoria (pensamento criador, palavra, verbo); 3 - Inteligência (concepção e geração da idéia); 4 - Graça (bondade criadora, poder que dá e espalha a vida); 5 - Rigor (dever, reserva que obriga à restrição); 6 - Beleza (ideal, segundo o qual as coisas a constituírem-se. Aspiração); 7 - Vitória (discernimento que dissipa o CAOS); 8 - Esplendor (encadeamento necessário das causas e dos efeitos); 9 - Base (segundo o qual tudo se constrói. Prancheta de traçar); 10 - Reino (a pedra de perpétua transformação. Fonte de todas as ilusões e de todas as imposturas). Existem Dez mandamentos. No décimo dia após a ascensão de Cristo, o Espírito Santo desceu.
Como a água retorna ao mar, o corpo retorna à terra, e o tempo retorna à eternidade, o espírito deve retornar a Deus, e cada criatura retorna ao nada de onde foi criada.
O número 11 (onze) é considerado como misterioso e das forças invisíveis ou astrais, no sentido iniciático da palavra. Para o seu estudo, deve-se considerá-lo como a soma de 5 e 6; 4 e 7; 3 e 8; 2 e 9; e 1 e 10. Atribuindo-se a esses números o valor que eles têm no Tríplice ternário.
O número 12 (doze) simboliza o conhecimento divino. Corresponde à divisão mais antiga e mais natural do círculo. É o numero dos signos do zodíaco com seus doze anjos, é a divisão aplicada ao céu, por onde o Sol percorre regularmente em sua trajetória anual aparente em torno da terra. 

Pedro Neves .’. M.’. I.’. 33.’. MRA
PRECEPTOR DA SUPREMA ORDEM CIVIL E MILITAR DOS CAVALEIROS TEMPLÁRIOS

SITES:
www.pedroneves.recantodasletras.com.br
www.periclesneves.recantodasletras.com.br
www.trabalhosmaconicos.blogspot.com
www.cavaleirostemplariosbhmg.blogspot.com

domingo, 1 de julho de 2012

AFINAL, O QUE É INTELIGÊNCIA?


Isaac Asimov
Quando eu estava no exército, fiz um teste de aptidão, solicitado a todos os soldados, e consegui 160 pontos. A média era 100. Ninguém na base tinha visto uma nota dessas e durante duas horas eu fui o assunto principal. (Não significou nada – no dia seguinte eu ainda era um soldado raso da KP – Kitchen Police).
Durante toda minha vida consegui notas como essa, o que sempre me deu uma ideia de que eu era realmente muito inteligente. E eu imaginava que as outras pessoas também achavam isso.
Porém, na verdade, será que essas notas não significam apenas que eu sou muito bom para responder um tipo específico de perguntas acadêmicas, consideradas pertinentes pelas pessoas que formularam esses testes de inteligência, e que provavelmente têm uma habilidade intelectual parecida com a minha?
Por exemplo, eu conhecia um mecânico que jamais conseguiria passar em um teste desses, acho que não chegaria a fazer 80 pontos. Portanto, sempre me considerei muito mais inteligente que ele.
Mas, quando acontecia alguma coisa com o meu carro e eu precisava de alguém para dar um jeito rápido, era ele que eu procurava. Observava como ele investigava a situação enquanto fazia seus pronunciamentos sábios e profundos, como se fossem oráculos divinos. No fim, ele sempre consertava meu carro.
Então imagine se esses testes de inteligência fossem preparados pelo meu mecânico. Ou por um carpinteiro, ou um fazendeiro, ou qualquer outro que não fosse um acadêmico.
Em qualquer desses testes eu comprovaria minha total ignorância e estupidez. Na verdade, seria mesmo considerado um ignorante, um estúpido.
Em um mundo onde eu não pudesse me valer do meu treinamento acadêmico ou do meu talento com as palavras e tivesse que fazer algum trabalho com as minhas mãos ou desembaraçar alguma coisa complicada eu me daria muito mal. A minha inteligência, portanto, não é algo absoluto mas sim algo imposto como tal, por uma pequena parcela da sociedade em que vivo.
Vamos considerar o meu mecânico, mais uma vez. Ele adorava contar piadas. Certa vez ele levantou sua cabeça por cima do capô do meu carro e me perguntou:
“Doutor, um surdo-mudo entrou numa loja de construção para comprar uns pregos. Ele colocou dois dedos no balcão como se estivesse segurando um prego invisível e com a outra mão, imitou umas marteladas. O balconista trouxe então um martelo. Ele balançou a cabeça de um lado para o outro negativamente e apontou para os dedos no balcão. Dessa vez o balconista trouxe vários pregos, ele escolheu o tamanho que queria e foi embora. O cliente seguinte era um cego. Ele queria comprar uma tesoura. Como o senhor acha que ele fez?”
Eu levantei minha mão e “cortei o ar” com dois dedos, como uma tesoura.
 
“Mas você é muito burro mesmo! Ele simplesmente abriu a boca e usou a voz para pedir”
Enquanto meu mecânico gargalhava, ele ainda falou: “Tô fazendo essa pegadinha com todos os clientes hoje.”
“E muitos caíram?” perguntei esperançoso.“Alguns. Mas com você eu tinha certeza absoluta que ia funcionar”.“Ah é? Por quê?”“Porque você tem muito estudo doutor, sabia que não seria muito esperto”
 
E algo dentro de mim dizia que ele tinha alguma razão nisso tudo.
(tradução livre do original “What is inteligence, anyway?”)

domingo, 24 de junho de 2012

SESSÃO ABERTA





Nessa próxima quarta-feira, dia 27-06-2012, teremos nossa quinta sessão aberta do ano. A palestra será de nosso amigo e irmão Denis Schossler sobre o tema "Respiração".
Por volta dás 20:00 horas os visitantes serão convidados a entrar no templo.

sábado, 2 de junho de 2012

SERÁ QUE SOU IDIOTA?

A Psicologia (ψ) considera que um IDIOTA é aquele que possui idade mental equivalente à de uma criança de três anos.
Idiota é aquele que respeita o sinal vermelho mesmo que esteja com pressa e possa perder o horário programado.
Idiota é aquele que não trapaceia, nem mesmo que seu prejuízo seja relevante e que ninguém jamais fosse descobrir.
Idiota é aquele que se repreende a si mesmo e se contém nas palavras, muitas vezes ferindo-se internamente, para não magoar alguém que fez algo que julga errado.
Idiota é quem doa roupas para ajudar os outros, ao invés de vendê-las no comércio de roupas usadas e ganhar um "dinheirinho" com isso.
Idiota é quem deixa de beber porque vai dirigir depois e ainda justifica dizendo que não seria seguro para si e para outrem.
Idiota mesmo é aquele que não trai um juramento, deixando de aproveitar as coisas boas da vida, novas experiências e novas aventuras
Idiota é quem fica pensando, refletindo, filosofando, ao invés de agir com seus impulsos e deixar revelar suas nuances humanas e seus instintos primitivos.
Idiota é a pessoa que ajuda os demais a troco de nada, apenas por um obrigado que, algumas vezes, nem mesmo recebe.
Idiota é tudo isso e muito mais; é quem perde tempo estudando as origens da vida, a história da existência, a evolução do pensamento, em vez de curtir o momento presente.
Idiota é quem pensa na morte e considera a vida efêmera, querendo evoluir e buscar a perfeição, tornando-se homem* íntegro que sublima as virtudes e suprime os vícios.
Enfim, Idiota é quem crê na existência de um Ser Supremo e quem acha que tem deveres para com a Pátria, para consigo mesmo e para com a sociedade. 
Certa vez me perguntaram:
Que idade tendes?
Respondi:
Três anos, Venerável Mestre!

* Ou mulher!

Fonte:
Ir\ Aderbal Nicolas Muller - A\R\B\L\S\ José Bonifácio de Andrada e Silva
Pesquisa: 
Ir\José Carlos Lopes

sexta-feira, 1 de junho de 2012

SINTO VERGONHA DE MIM


Discurso de Rui Barbosa no Senado Federal em 17/12/1914
 Sinto vergonha de mim
por ter sido educador de parte desse povo,
por ter batalhado sempre pela justiça,
por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade
e por ver este povo já chamado varonil
enveredar pelo caminho da desonra.
Sinto vergonha de mim
por ter feito parte de uma era
que lutou pela democracia,
pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos,
simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios,
a ausência da sensatez
no julgamento da verdade,
a negligência com a família,
célula-mater da sociedade,
a demasiada preocupação
com o “eu” feliz a qualquer custo,
buscando a tal “felicidade”
em caminhos eivados de desrespeito
para com o seu próximo.
Tenho vergonha de mim
pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo,
a tantas desculpas ditadas
pelo orgulho e vaidade,
a tanta falta de humildade
para reconhecer um erro cometido,
a tantos “floreios” para justificar
atos criminosos,
a tanta relutância
em esquecer a antiga posição
de sempre “contestar”,
voltar atrás
e mudar o futuro.
Tenho vergonha de mim
pois faço parte de um povo que não reconheço,
enveredando por caminhos
que não quero percorrer…
Tenho vergonha da minha impotência,
da minha falta de garra,
das minhas desilusões
e do meu cansaço.
Não tenho para onde ir
pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir meu Hino
e jamais usei a minha Bandeira
para enxugar o meu suor
ou enrolar meu corpo
na pecaminosa manifestação de nacionalidade.
Ao lado da vergonha de mim,
tenho tanta pena de ti,
povo brasileiro!
“De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem- se os poderes
nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
A rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto”

quinta-feira, 31 de maio de 2012

A PEDRA EM BRUTO


Na reunião passada, ao entrar em minha  Loja, tropecei neste pedaço de rocha que chamamos Pedra Bruta e que ornamenta minha coluna. Com certa ironia, dei meia volta e lhe disse: “Desculpa, Pedra Bruta”.
Surpreso, escutei que me respondeu: “Não há de que, Maçom Bruto”.
Ofendido, voltei e lhe disse: “Ah! Então falas também ?”
“Sim, me disse. E o que é melhor, penso no que digo. Pena me dá ver que IIr.'. como tu me tem em tão pouca estima. Passam e passam sem sequer me dar um olhar compassivo, ou tão sequer um gesto amável.
Isto me irrita, porque me dou conta de quão  pouco compreende a grandeza que encerro dentro do meu significado.
Aqui onde  me  vês, não  fui  sempre o que sou; eu venho  dos  penhascos, das alturas; onde podia ver o Sol antes de  todos  e  desfrutar de seus suaves raios, enquanto tu vivias na penumbra.
Eu aspirava o ar puro e  fresco, e  quando o furacão te causava espanto e medo, eu  simplesmente ria. Minha massa ereta, firme e  segura  recortava, com o meu perfil perfeito, o infinito azul do horizonte.
Nas mudanças de estações, as transformações atmosféricas  depositavam  em  mim  copos  alvos, que  me faziam parecer mais pura  e branca, e ao coroar minhas têmporas, me fazia sentir orgulhosa de receber a oferenda do espaço.
Depois as fazia escorregar  por  mim, transformadas em cascata clara e cristalina, onde o  Sol  adornava com sua luz o Arco Íris. A minha  altura, somente  os  condores  chegavam e era agradável  ver  a meus  pés, como ajoelhada ante minha grandeza, a imensa esmeralda do  vale  bordada de lantejoulas de mil cores.
Os rios, os  animais, as  flores, não  faziam mais que emoldurar a minha beleza. Meu orgulho  chegou a tal grau, que me cria invencível, inacessível, eterna.
Porém, quão equivocada eu estava. Um dia o  universo, como querendo demonstrar meu  erro, desatou  sua fúria e mandou sobre mim um raio que com sua luz, cegou meus olhos e, ao terrível impacto, voei em mil pedaços.
Me precipitei no abismo, e a  medida  que  rodava, mais  pequena  me  fazia, e  rodando e  rodando  fui descendo até ficar no fundo do barranco.
Chorei  de  raiva  ao  me ver nesta infinita impotência, quando os elementos  deformaram  mais e mais minha outrora orgulhosa presença.
Assim permaneci não sei quanto tempo, até que, igual a  outras pedras companheiras de  infortúnio, nos transportaram.
E voltou a renascer  minha  esperança.  Pensei que talvez, por minha  linhagem nobre, seria colocada em lugar que me correspondesse.
“Serei agora um monumento”  -  pensava  - com minha presença simbolizarei o  coração  duro e  inflexível da razão; ou serei a  venda  que  representa a imparcialidade em todos os juízos.
Talvez formarei parte do monumento a Pátria, eternizando com minha presença, as glórias de um povo. 
Gostaria de ser a coroa de louro que cinge as  têmporas do patriota ou talvez, porque não, serei parte integrante do monumento à Mãe, para que as gerações futuras vejam que, com minha cooperação, se imortaliza o amor mais puro que  existe.
Com  que  carinho acolheria a idéia de ser  o braço da mãe que envolve o menino em eterna  caricia; ou os olhos que vêem com doçura a terna criança; ou as  lágrimas que as mães vertem ante à ingratidão de seus  maus filhos; isso teria querido ser.
Depois  de  ser  grande, seguir sendo-o, não em tamanho, mas  em espírito, em  essência. Quantas e quantas ilusões me fiz. Quantos  desejos de altura e grandeza. Mas, porém, aqui me  tens, tão dura e feia como no barranco, tão grotesca  que causo pena, e se não me esculpem é porque nem  para  isso tenho forma.
Não haverá um artífice que me transforme, que me dê vida ?  Maçom, só tenho servido para  representar-te, para que vejas em mim as tuas  imperfeições, teus  vícios e tua ignorância. Sou agora o exemplo do mal.
Todavia, às vezes me envergonho de que me comparem com alguns de vocês.
Há pouco me vês, mas eu  tenho  visto  tantos e tantos que por aqui entraram que até perdi a conta.
Me perguntou: onde estão agora tantos MM.'. que aqui vieram jurar  fraternidade, lealdade e amor a esta augusta instituição?
Onde  estão os MM.'. que aqui se iniciaram ? Eu não sei, nem me explico. Só sei que  saíram  para nunca mais voltar, e que andarão por aí dizendo: “Sou M.'.M.'.”.
E isto me dá pena e lástima, não pela  Maçonaria, senão por eles que não  foram  capazes  de  ver mais além  de  seus  narizes; porque ilusos, acreditaram que a  Maçonaria é feira de vaidade, quando melhor deveriam ter lutado  por  encontrar a formosa beleza que encerra esta luz e esta verdade.
A ti, Aprendiz, tenho  observado; e  não  creio que sejas diferente daqueles, por  isso  desejo  aconselhar-te. Vejo quando decifras  tuas peças, trêmulo, tanto quê quase teus joelhos se dobram de medo. E te pergunto: medo  de  que  ou de quem ? Tens por acaso  medo  de  ti  mesmo ? Porém, quando escutas o aplauso de teus IIr.'., voltas a  teu  lugar envaidecido.
Te inchas como um Pavão Real, e se pudesses  ver-te como te vejo, verias que não és mais  que  um  pobre Pato.
Olhando-te em teu posto, vejo que  quase  explodistes de satisfação perante os elogios, nem sempre  feitos com justiça.
E isso é muito mau, não te deve subir à cabeça, o que supões um êxito, porque podes cair no erro de sentir-te superior, quando não és mais que um  Apr.'. Serena-te e analisa. Sejas prudente em teus atos e humilde em tuas  afirmações.
Sejas  sincero  contigo mesmo, para que possas sê-lo com os demais, mas sobre todas as coisas, conhece-te a ti mesmo.
Pratica tuas teorias, sejas bom, caritativo, honrado, estudioso, ajuda a tua Loja e a teus IIr.'.. Não  sejas M.'.de Bico, nem sejas M.'. Teórico.
A virtude, a honra, a  lealdade, não  se  adquirem martelando liturgias. Agora  te  felicitam, dando-te alento para  seguir adiante, é justo que festejem tuas peças de arquitetura, não por seu valor, mais bem para dar-te ânimo para seguir lutando e melhorando.
Tu deves saber que melhoras a cada dia, e à  medida que passa o tempo, estás obrigado a superar-te.
Espero que entendas o que digo. Não  te envaideças, aceita  os  aplausos  como estímulo para tua própria superação.
Não te detenhas enquanto  tiveres  traçando um caminho a seguir.
A Maçonaria é grande, muito grande, onde  somente chegam  poucos  e  onde  também  a  maledicência e a mediocridade se perdem no torvelinho escuro do nada.
Para terminar quero pedir-te um favor. Não me digas Pedra Bruta, sou Pedra em Bruto, que é diferente.
Me dispunha a responder à  Pedra, quando  com  um golpe de malhete meu V.'.M.'. disse:  “Silêncio  IIr.'., estamos em  Loja”... fiquei  calado, porém,  pensando na infinita  verdade  que  representa esta humilde e feia Pedra em Bruto.

Extraído do Livro A Pedra Bruta (Instruções de Aprendiz) - 1995 do Ir.'. Antônio César Celente

quinta-feira, 24 de maio de 2012

A LIBERDADE NA INTERPRETAÇÃO DA SIMBOLOGIA MAÇÔNICA



Magritte pintou, entre 1928 e 1929, um célebre quadro em que representa um cachimbo sob o qual escreveu "Ceci n'est pas une pipe." ou, em português,  "Isto não é um cachimbo". De facto, a pintura não é um cachimbo, mas a imagem de um cachimbo - e transmitir essa ideia era o intuito de Magritte. "O famoso cachimbo", viria ele a confessar, "Quanto me censuraram por causa dele! E porém, alguém poderia encher o meu cachimbo? Não, pois é só uma representação, não é verdade? Por isso, tivesse eu escrito no meu quadro «Isto é um cachimbo», estaria a mentir."
Um símbolo - do grego σύμβολον (sýmbolon) - pode ser um objeto, uma imagem, uma palavra, um som ou uma marca particular que represente algo diferente por associação, semelhança ou conceção. Deste modo, pode substituir-se um conceito complexo por um símbolo simples. O significante é evidente - constitui o símbolo em si mesmo; contudo, o seu significado pode ser obtuso, ou mesmo variável com o tempo, pois reside naquele que o descodifica, e cada um acaba por fazê-lo de forma pelo menos ligeiramente diferente dos demais. Por isto, é quase certo que, uma vez estabelecidos, os símbolos "adquiram vida própria", alterando-se o seu significado com o passar do tempo. Por exemplo, a Estrela de David é um símbolo que começando por constituir - de acordo com a tradição judaica - uma marca aposta nos escudos com que os guerreiros do rei David se protegiam, adquiriu, a partir de certa altura, um caráter místico, passando a ser gravado como amuleto ou proteção, e acabando por ser adotada como símbolo do Estado de Israel.
Não pode falar-se de simbolismo maçónico sem citar a velha definição de maçonaria: "É um sistema de moral velado por alegorias e ilustrado por símbolos". De facto, a maioria dos símbolos usados em maçonaria é evocativa dos princípios morais com que a maçonaria se identifica. O importante são os princípios; os símbolos são apenas os meios usados para que não os esqueçamos. E, uma vez que cada um recorda de forma diferente, e interioriza o princípio de forma única e pessoal - pois que único, individual e irrepetível é cada indivíduo e a sua experiência de vida - seria um exercício de futilidade tentar-se exigir que o significado dos símbolos fosse sempre o mesmo para todos. De facto, nem tal seria proveitoso.
Uma das frequentes utilizações dos símbolos é como oportunidade e meio de auto-análise - e também por isso se diz da maçonaria ser especulativa - que permita a cada um determinar as suas próprias "asperezas" no sentido de as "polir". Sendo as "rugosidades do espírito" diferentes de pessoa para pessoa - apesar da universalidade dos princípios, que podem aplicar-se a todos - cada um vê, sente e aplica o princípio a si mesmo de forma distinta da de todos os demais. Cada um pode, então, especulando, dar ao símbolo os significados que entenda, pois o símbolo é meramente instrumental - não tem nada de sagrado ou de "conspurcável" com este processo - para além de que atribuir novos significados a um símbolo não implica a perda dos significados mais convencionais, pelo que o diálogo sobre os mesmos continua a ser possível.
Dou-vos um exemplo que se passou comigo. Diz-se das lojas maçónicas serem "Lojas de S. João". Mas de qual? A resposta convencional é dizer-se que de dois: de João Batista - conhecido pela sua retidão e verticalidade, implacável consigo mesmo e com os outros, a ponto de fazer com que lhe cortassem a cabeça - e de João Evangelista - apóstolo do amor, cultor da fraternidade, e promotor da tolerância. Ambos se celebram por volta dos solstícios - João Evangelista no de Verão, João Batista no de Inverno. Isto são as premissas. Os princípios a transmitir são os que foram expostos: o da retidão e verticalidade de espírito por um lado, e o do amor fraterno pelo outro. Estes significados são mais ou menos universais na maçonaria. Há quem refira, ainda, que os raios de sol no solstício de Verão estão no seu ponto mais próximo da vertical, e no solstício de Inverno no seu ponto mais próximo da horizontal. Partindo desta pista, ávido de explorar estes símbolos e de fazer boa figura ao apresentar a respetiva prancha, o aprendiz que eu era então não se ficou por aqui; procurou especular mais ainda. Notou que João Batista - o da Verticalidade - era celebrado por entre uma Luz predominantemente horizontal, e que João Evangelista - o do amor fraterno entre pares - o era quando a Luz Solar era mais vertical. Conclusão? "Devemos ser equilibrados e equilibrantes: retos e justos quando à nossa volta todos falem de fraternidade e tolerância, e tolerantes e fraternos quando insistam na aplicação dos princípios de forma implacável."
São um significado e uma conclusão com alguma lógica? São - pelo menos, do meu ponto de vista. É um significado universalmente reconhecido? Não. E está certo? Ou está errado? Bom... para mim, parece-me certo, na medida em que foi instrumental para que aplicasse a mim mesmo os princípios referidos de forma mais eficaz. Para outros não resultará. Os símbolos são isso mesmo: instrumentos, meios, meras ferramentas coadjuvantes na prossecução de um objetivo maior. Aqui posso dizer: se da "adulteração" do significado "puro" e "convencional" do símbolo resultou  a melhor aplicação do princípio à minha vida tornando-me numa pessoa melhor, então - porque a ninguém prejudica o meu entendimento peculiar deste símbolo - o exercício foi profícuo. Se, para além disso, a alguém aproveitou para além de mim, então dou-me por muito satisfeito...

Paulo M.
http://a-partir-pedra.blogspot.com.br/2010/11/liberdade-na-interpretacao-da.html