terça-feira, 26 de julho de 2011

A IMPORTÂNCIA DOS GRAUS SIMBÓLICOS

Fonte:  Brasil Maçom



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foto: divulgação
Os três graus simbólicos, Aprendiz, Companheiro e Mestre, comuns a todos os ritos maçônicos, representam a essência total de toda a doutrina moral da Maçonaria.

Na primitiva Franco-maçonaria, formada pelas organizações de ofício, só existiam os Aprendizes; e os mestres-de-obras eram escolhidos entre os mais experientes Aprendizes. O grau de Companheiro seria criado já nos primórdios da Maçonaria dos Aceitos --- também chamada, impropriamente, de Especulativa --- no século XVII; e essa era a situação, quando da fundação, a 24 de junho de 1717, da Pemier Grand Lodge, de Londres, a primeira do sistema obidencial. O grau de Mestre seria criado em 1725, mas só introduzido em 1738, pela Grande Loja londrina. A parti daí, iria se concretizar a totalidade da doutrina moral e da mística da instituição maçônica.

Os três graus simbólicos, síntese do universo maçônico, mostram a evolução racional da espécie humana, ou seja: intuição (Aprendiz), análise (Companheiro) e síntese (Mestre). O Aprendiz, ainda inexperiente, embora guiado pelos Mestres, realiza o seu trabalho de forma praticamente empírica, através da intuição, apenas, representando o alvorecer das civilizações, dominadas pelo empirismo ; o Companheiro, já tendo um método de trabalho analítico e ordenado, simboliza uma mais avançada fase da evolução da mente humana, enquanto o Mestre, juntando, através da síntese, tudo o que está disperso, para a conclusão final da obra, representa o caminho derradeiro da mente, na busca da perfeição.

Simbolicamente, nesses três graus, os maçons dedicam-se à construção do templo de Jerusalém, símbolo das obras perfeitas dedicadas a Deus, de acordo com a concepção da Ordem dos Templários, criada em 1118 e regida pelos estatutos idealizados por São Bernardo. A construção do templo, no caso, representa a construção moral e ética do iniciado. Para a concretização desse simbolismo, a Maçonaria criou a lenda do terceiro grau, de forte cunho moral, segundo a qual havia um arquiteto, Hiram Abi ("Hiram, meu pai"), que fora enviado ao rei Salomão por Hiram, rei da cidade fenícia de Tiro, para ser o mestre das obras do templo ; isso, evidentemente, é pura lenda, pois, Hiram Abi era, simplesmente, um entalhador de metais. Diz, também, a lenda, que Hiram dividia os seus obreiros, de acordo com suas aptidões, em graus --- Aprendiz, Companheiro e Mestre --- dando-lhes a oportunidade de progredir, pelo seu trabalho. Embora isso também seja, lenda, pois não havia Maçonaria na época da construção do templo de Jerusalém e nem graus de Companheiro e Mestre (embora alguns ingênuos acreditem nisso), mostra duas lições morais: a cada um segundo as suas aptidões e a cada um segundo os seus méritos. Hiram, a personificação da Sabedoria, acabaria sendo morto pela personificação de vícios degradantes, a inveja, a cobiça e a ignorância, representadas em três Companheiros, que, sem os méritos, procuravam ser Mestres, a qualquer custo (o que também é apenas lenda e não realidade).

Esses traços gerais da lenda --- já que o seu desenvolvimento e as suas minúcias são reservadas aos iniciados no terceiro grau --- mostram que o maçom, ao atingir o grau de Mestre, já deve possuir a plenitude do conhecimento iniciático, moral, social e metafísico, necessário e pertinente aos objetivos da Ordem maçônica, restando-lhe, então, o trabalho, sempre constante, na busca da perfeição, nunca atingida, mas sempre perseguida, pois ela é o estímulo sempre presente na vida do ser humano.

Terá, então, o Mestre, a humildade de se prostrar perante os grandes mistérios da vida e os insondáveis escaninhos da Natureza, despojando-se de todas as vaidades, incluindo-se, entre elas, a busca desvairada dos galardões, símbolos da fatuidade, e a busca da ascensão a qualquer custo, numa escala que quase nunca reflete um conhecimento apreciável e um desejável mérito pessoal. Deverá, então, o Mestre, lembrar-se, sempre, de que a verdadeira beleza é a interior, mesmo que o exterior não seja coruscante e não brilhe em faíscas de ouro e prata, pois o maçom, o verdadeiro maço, o maçom integral é um Mestre pelas suas qualidades mentais e espirituais e não por sua posição na escala, ou por seus vistosos paramentos. O hábito não faz o monge, diz a velha sabedoria popular, e se pode até acrescentar que um muar ajaezado de ouro nunca poderá ser confundido com um corcel de alta linhagem.

Na Loja Simbólica, verdadeira e única essência da Maçonaria universal, o iniciado percorre um longo caminho, desde as trevas do Ocidente até à luz do Oriente, tendo o seu lugar de acordo com as suas aptidões e a sua ascensão de acordo com os seus méritos. Sua ascensão não deverá, nunca, ser devida a favores pessoais, a apadrinhamentos, a rapapés e bajulações, ou ao poder corruptor dos metais, expedientes, esses, tão comuns na sociedade, em geral, mas excluídos dos templos da verdadeira Maçonaria, desde os seus primórdios, nos velhos tempos em que só existiam Aprendizes e Companheiros, que usavam um simples avental de couro, símbolo humilde do trabalho, sem as riquezas flamejantes de uma nababesca farrambamba.

Acham, muitos maçons desavisados, que os graus simbólicos são secundários e representam um mero apêndice da maçonaria, uma etapa primária e elementar, um trampolim para grandes escaladas, quando, na realidade é basilar e relevante a sua importância a ponto deles constituírem, segundo consenso, a "pura Maçonaria" pois, como alicerces de toda a estrutura maçônica universal, nada mais existiria de maçônico sem eles, restando apenas as honorificências, de que o mundo não maçônico é tão prenhe.
 
Ir. José Castellani
Do livro "Liturgia e Ritualística do Grau de Mestre Maçom"
Editora A Gazeta Maçônica - 1987

domingo, 24 de julho de 2011

O lado oculto das reuniões de Loja

C. W. Leadbeater
Consideremos o lado oculto de uma reunião de uma Loja mais especificamente, o encontro semanal comum onde a Loja está seguindo uma linha de estudo definida. Refiro-me, é claro, somente aos encontros dos membros da Loja, pois os efeitos ocultos que desejo descrever são de todo impossíveis quando se trata de quaisquer reuniões em que são admitidos não-membros.
Naturalmente o trabalho de toda Loja tem seu lado público. Há palestras dadas ao público, e se concede espaço para que perguntem coisas; tudo isso é bom e necessário. Mas toda Loja que é digna de seu nome também faz algo muito mais elevado do que qualquer outro trabalho no plano físico, e este trabalho mais elevado só pode ser feito em seus encontros privados. Além disso ele só pode ser realizado se estes encontros são conduzidos de forma apropriada e todo harmoniosa. Se os membros estão pensando em si mesmos de qualquer modo - se eles têm vaidades pessoais expressas como o desejo de brilhar ou de tomar parte proeminente nos trabalhos; se possuem outros sentimentos personalistas de modo que possam sentir-se ofendidos ou afetados por inveja ou ciúme, possivelmente nenhum efeito oculto poderá ser produzido. Mas se eles esqueceram de si mesmos no anseio ardente de entender o assunto que está sendo estudado, um resultado muito considerável e benéfico, do qual eles usualmente não têm a menor idéia, pode prontamente ser produzido. Deixem-me explicar a razão disto.
Suponhamos que se realize uma série de encontros onde está sendo estudado um determinado livro. Todo membro saberá de antemão quais parágrafos ou páginas serão abordados no encontro, e espera-se que ele não chegue à reunião sem uma preparação prévia. Ele não deve estar em uma atitude completamente passiva, como um passarinho em seu ninho à espera de que alguém vá alimentá-lo; ao contrário, todos os membros devem ter uma compreensão inteligente do assunto que vai ser analisado, e devem estar preparados para contribuir com sua parte de informação. Um bom plano é que cada membro do círculo faça-se responsável pelo exame de alguns dos nossos livros Teosóficos.
O assunto a ser debatido no encontro deve ter sido anunciado no encontro anterior, e cada membro deve responsabilizar-se pela procura, no livro ou nos livros de que se encarregou, de qualquer referência ao assunto em questão, de modo que quando chega ao encontro ele já possui todas as informações que aqueles livros particulares contêm a este respeito, e está preparado para contribuir quando for solicitado. Deste modo cada membro tem seu trabalho a fazer, e cada um é grandemente auxiliado na direção de uma compreensão clara e plena do assunto sob consideração quando todos os presentes fixam firmemente sua atenção sobre ele. A fim de entendermos isso completamente pensemos por um momento no efeito de um pensamento.
Todo pensamento que seja suficientemente definido para ser digno do nome produz dois resultados distintos. Primeiro, ele é por si mesmo uma vibração do corpo mental, que pode ocorrer em diferentes níveis dentro deste corpo. Assim como qualquer outra vibração, ele tende a reproduzir-se na matéria circundante. Assim como a corda de uma harpa posta a vibrar comunica a vibração ao ar em torno, produzindo um som audível, da mesma forma a vibração do pensamento produzida em matéria de determinada densidade dentro do corpo mental da pessoa comunica-se à matéria da mesma densidade no plano mental que a rodeia.
Segundo, cada pensamento rodeia a si mesmo da matéria viva do plano mental e torna-se um veículo que denominamos forma-pensamento. Se o pensamento é um simples exercício do intelecto (como quando estamos envolvidos na resolução de um problema matemático ou geométrico) a forma-pensamento permanece nos planos mentais; mas se ela for minimamente tingida de desejo ou emoção, ou se de qualquer maneira for ligada ao eu pessoal, imediatamente ela atrai para si também uma veste de matéria astral, e se manifesta no plano astral.
Um esforço intenso para compreensão do abstrato - uma tentativa de compreender o que significa a quarta dimensão ou o "arquétipo" de uma mesa, por exemplo - significa uma atividade nos níveis mentais mais altos; mas se o pensamento é mesclado de afeição altruísta, elevadas aspiração ou devoção, é mesmo possível que possa ser penetrado de uma vibração do plano búdico e ter seu poder multiplicado centenas de vezes. Devemos considerar estes dois resultados em separado e ver o que decorre de cada um.
A vibração pode ser imaginada como se irradiando no plano mental através da matéria que for capaz de responder a ela - isto é, através de matéria do mesmo grau de densidade que aquela onde ela foi gerada originalmente. Irradiando-se desta forma ela naturalmente entra em contato com os corpos mentais de muitas outras pessoas, e sua tendência é reproduzir-se nestes corpos. A distância a que ela é capaz de se irradiar depende em parte da natureza da vibração e em parte da oposição que encontra. As vibrações misturadas aos tipos mais baixos de matéria astral podem ser refletidas ou neutralizadas por uma multidão de outras vibrações no mesmo nível, assim como no meio do ruído de uma grande cidade um som suave será completamente abafado.
O pensamento autocentrado usual do homem comum inicia no mais baixo dos níveis mentais e imediatamente mergulha nos planos astrais correspondentemente baixos. Portanto seu poder em ambos os planos é muito limitado, pois por mais violento que seja, existe um mar tão vasto e turbulento de pensamentos similares em toda parte que as vibrações muito logo se perdem e dissipam na confusão.
Uma vibração gerada em um nível mais alto, contudo, tem um campo muito mais livre para sua atuação, porque no presente o número de pensamentos que produzem este tipo de vibração é muito reduzido - de fato o pensamento Teosófico está quase em uma classe especial no que diz respeito a este ponto de vista. Há pessoas realmente religiosas cujo pensamento é tão elevado quanto o nosso, mas nunca é igualmente preciso e definido; há vasto número de pessoas cujos pensamentos sobre negócios e ganho de dinheiro são tão exatos quanto poderia ser desejado, mas não são nem elevados nem altruístas. Até mesmo o pensamento científico pouco alcança a mesma classe que o verdadeiro pensamento Teosófico, de modo que se pode dizer que nossos estudantes possuem um campo só para eles no mundo mental.
O resultado disso é que quando uma pessoa pensa em assuntos Teosóficos ele está emitindo à toda sua volta uma vibração que é muito poderosa, pois praticamente não encontra oposição, como um som no meio de um vasto silêncio, ou como uma luz brilhando no meio da noite mais escura. Ela põe em movimento um nível de matéria mental que até agora mui raramente é usado, e as radiações que ela causa atingem o corpo mental do homem comum em um ponto que está praticamente adormecido.
É isso que dá a este pensamento seu valor especial, não só para o pensador mas como para os que estão à sua volta, pois sua tendência é despertar e levar à atividade uma parte todo nova do aparato pensante. Deve ser entendido que uma tal vibração não necessariamente veicula pensamentos Teosóficos aos que os ignoram, mas ao estimular esta porção mais alta do corpo mental indubitavelmente ela tende a elevar e liberalizar o pensamento da pessoa como um todo, ao longo de quaisquer linhas em que ele esteja acostumado a funcionar, e assim produz um benefício incalculável.
Se o pensamento de uma única pessoa produz estes resultados, logo entenderemos que o pensamento de vinte ou trinta pessoas, dirigido para o mesmo assunto, resultará em uma força imensamente maior. O poder do pensamento unificado de um grupo de pessoas é de longe maior que a soma dos seus pensamentos em separado, seria muito mais fielmente indicado pelo produto de sua multiplicação. Assim se vê que mesmo só deste ponto de vista é muito bom que uma cidade ou comunidade tenha em seu meio uma Loja Teosófica com encontros regulares, uma vez que seus trabalhos - se forem conduzidos no espírito apropriado - não podem senão ter um efeito nitidamente elevador e enobrecedor sobre o pensamento da população em torno. Naturalmente haverá muitas pessoas cujas mentes ainda não podem de modo algum ser despertas nestes níveis elevados, mas mesmo para estas o constante impacto de ondas desse pensamento mais elevado trará para mais perto o tempo de seu despertar.
Tampouco devemos esquecer o resultado produzido pela formação de formas-pensamento definidas. Elas também irradiarão a partir do centro das atividades, mas podem afetar apenas as mentes que em algum grau já forem responsivas a idéias desta natureza. Hoje em dia já existem muitas destas mentes, e há membros que podem atestar o fato de que depois de terem discutido uma questão como a reencarnação não é incomum que sejam solicitados a dar informações sobre este mesmo assunto para pessoas que eles não supunham estar nele interessadas anteriormente. Deve ser observado que a forma-pensamento é capaz de veicular a natureza exata do pensamento para aqueles que estiverem de alguma forma preparados para recebê-la, ao passo que a vibração do pensamento, embora alcance um círculo maior, é muito menos definida em sua atuação.
Podemos ver, assim, que sobre o plano mental é produzido um efeito impressionante, muito além das intenções de nossos membros no decurso usual de seus estudos - algo muito maior, em verdade, do que seus esforços conscientes no sentido de propaganda jamais produziriam. Mas isso não é tudo, pois a parte mais importante ainda está por vir. Toda Loja da Sociedade é um centro de interesse para os Grandes Mestres de Sabedoria, e quando ela trabalha lealmente Seus pensamentos e os de Seus discípulos freqüentemente se voltam para ela. Desta forma freqüentemente uma força muito maior do que a nossa brilha de nossos encontros, e uma influência de valor inestimável pode ser focalizada onde, até onde sabemos, não poderia ser colocada de outra maneira.
Este pode, de fato, parecer o limite que nosso trabalho pode alcançar, mas há outra coisa ainda maior. Todos os estudantes do oculto sabem que a luz e vida do Logos inundam todo o Seu sistema - que em todos os planos é derramada a manifestação específica e apropriada de Sua força. Naturalmente quanto mais elevado o plano menos velada é a Sua glória, porque quanto mais subimos mais nos aproximamos de sua fonte. Normalmente a força derramada em cada plano fica estritamente limitada a ele, mas ela pode descer e iluminar um plano mais abaixo se for preparado um canal especial para ela.
Um destes canais é fornecido sempre que um pensamento ou sentimento tenha um aspecto completamente impessoal. Uma emoção egoísta se move em uma curva fechada e assim traz sua resposta em seu próprio plano, uma emoção completamente altruísta é um jorro de energia que não retorna, mas em seu próprio movimento ascendente provê um canal para o derramamento de poder divino a partir do plano imediatamente acima. Esta é a realidade que jaz por trás da antiga idéia da resposta às preces.
A pessoa que se ocupa seriamente do estudo das coisas superiores durante este tempo é elevada inteiramente acima de si mesma e gera uma poderosa forma-pensamento no plano mental. Esta é imediatamente empregada como um canal pela força que paira no plano imediatamente acima. Quando um grupo de pessoas se reúne em um pensamento desta natureza, o canal que elas criam é em sua capacidade desproporcionalmente maior do que a soma de seus canais separados; um encontro destes é portanto uma bênção inestimável para a comunidade onde ocorre, pois através dele (mesmo nos encontros mais comuns de estudo, quando se analisam assuntos como rondas e raças, pitris e cadeias planetárias), pode acontecer um derramamento para dentro do plano mental inferior de forças que normalmente são características do mental superior.
Se a atenção é dirigida para o lado mais elevado do ensinamento Teosófico e estudam-se questões de ética e do desenvolvimento da alma, como as que encontramos em A Luz no Caminho, A Voz do Silêncio e nossos outros livros devocionais, ela pode criar um canal de pensamento mais elevado através do qual a força do próprio plano búdico desce até o mental, e assim se irradia e influencia para o bem muitas almas que de modo algum estariam abertas para isso se a força permanecesse em seu próprio nível.
Esta é a função real e maior de uma Loja da - prover um canal para a distribuição da vida divina, e assim temos uma outra ilustração para nos mostrar o quão maior é o invisível do que o visível. Para os fracos olhos físicos tudo o que se vê é um pequeno grupo de estudantes se encontrando semanalmente no anseio ardente de aprender e se qualificar para ser de utilidade para seus irmãos. Mas para os que podem ver mais do mundo, desta pequena raiz brota uma flor gloriosa, pois não menos que quatro poderosas correntes de influência se irradiam daquele centro aparentemente insignificante - a corrente da vibração do pensamento, o grupo de formas-pensamento, o magnetismo dos Mestres de Sabedoria, e a poderosa torrente de energia divina.
Eis também aqui um exemplo da importância prática de um conhecimento do lado invisível da vida. Pela falta deste conhecimento muitos membros se tornam relapsos no desempenho de seus deveres, descuidados na assiduidade aos encontros da Loja, e assim perdem o privilégio inestimável de se tornarem partes de um canal para a Vida Divina. De fato tenho ouvido falar de alguns membros que são irregulares em sua freqüência porque consideram as reuniões enfadonhas, e acham que não ganham muito com elas! Estas pessoas ainda não compreenderam o fato elementar de que eles se reúnem não para receber, mas para dar; não para ganhar e se divertir, mas para assumirem seu lugar em um trabalho grandioso para o bem da humanidade.
Existe um lado invisível em tudo, e viver a vida de um ocultista é estudar este lado interno mais elevado da natureza, e então adaptar-se a ele de modo inteligente. O ocultista olha para o todo de cada assunto que aborda, em vez de apenas para sua parte mais baixa e menos importante, e assim organiza suas ações de acordo com o que vê, em obediência ao que ditam o simples bom senso e a Lei de Amor que guia o universo. Aqueles, pois, que querem estudar e praticar ocultismo devem desenvolver em si mesmos três características inestimáveis - conhecimento, bom senso e amor.
A Teosofia não deve representar meramente uma coleção de verdades morais, um feixe de éticas metafísicas epitomizadas nas dissertações teóricas. A Teosofia deve ser prática, e portanto deve ser livre de discussões inúteis. Ela deve encontrar expressão objetiva em um vasto código da vida completamente impregnado com seu espírito - o espírito da tolerância mútua, caridade e amor.

Tradução: Ricardo Frantz


quarta-feira, 20 de julho de 2011

Cinco motivos...para não ser maçom!

1. Influência política - Poder

Ao contrário do que muitos pensam, a Maçonaria - pelo menos a maçonaria Regular; e, mesmo quanto à Maçonaria Liberal, acho que são mais as vozes do que as nozes... - não tem mais influência junto do Poder Político do que qualquer outra instituição social. A única influência que a Maçonaria pode exercer é apenas de ordem moral, pelo exemplo dos seus membros através da aplicação dos seus princípios. Engana-se quem pensa que. ao juntar-se à Maçonaria, terá acesso aos corredores do Poder...

Aliás, uma das coisas de que o maçon rapidamente se dá conta,dentro da Ordem, é que é muito mais abrangente a ilusão do Poder, do que este propriamente dito. Ao menos em ambiente democrático, cada um exerce apenas o Poder que os demais lhe reconhecem e admitem que exerçam.
Em Loja, o detentor do Poder, o condutor, o decisor, o que detém os símbolos do Poder é o Venerável Mestre. Pois bem: como todos os que já se sentaram na Cadeira de Salomão rapidamente verificaram, a função de Venerável Mestre é aquela em que, afinal, não se tem mais direitos do que o mais recente Aprendiz e se tem mais deveres do que os restantes Mestres.
Portanto, quem busca o perfume do Poder, procure-o noutro lado, não na Maçonaria. Aqui apenas aprenderá o cumprimento dos seus deveres.
2. Influência económica - negócios e dinheiro
Quem pensar que a entrada na Maçonaria é uma porta aberta para obter contactos e negócios e o propiciar de condições para "subir na vida", pense outra vez, e pense melhor! Se for este o motivo que o faz desejar entrar na Maçonaria, poupe-se ao trabalho e às despesas. Dentro da Maçonaria fará os mesmos negócios que faria fora dela. O que todos lhe pedirão na maçonaria é que dê algo de si em prol dos outros. Dos demais receberá o que efectivamente necessite e os demais lhe possam dar, não o que deseje ou egoisticamente pense que lhe convenha. Os negócios da Maçonaria são de índole moral e espiritual. Quem deseje entrar no Templo tem que deixar os seus metais à porta deste.
3. Influência social - honrarias e reconhecimento
Na Maçonaria usam-se aventais e colares e jóias, é verdade. Mas o maçon considera tudo isso como meros penduricalhos. A única diferença entre o mais rico, bonito, bordado e colorido avental de Grande Oficial ou de Altos Graus e o simples avental branco de Aprendiz é que quem usa aquele pagou bem mais caro por ele do que o que usa este. Aliás, de todos os aventais que um maçon possa possuir, aquele que para ele tem significado é precisamente o primeiro, o mais simples, o avental branco de aprendiz. Esse é o que qualquer maçon, qualquer que seja o seu grau ou qualidade, pode sempre usar e simbolicamente deve sempre usar. Esse é o adorno que o maçon deve cuidar de manter sempre alvo e puro e, portanto, nunca conspurcado por acções censuráveis ou indignas.

O maçon gosta de usar a jóia de sua Loja, não porque seja bela ou valiosa, mas apenas e tão só porque é um dos símbolos de sua Loja e o seu uso demonstra a todos os seus Irmãos o grupo fraterno em que se integra.

O maçon usa colar quando exerce uma função, não porque lhe fique bem, mas apenas e tão só como distintivo de que a está exercendo. Em bom rigor não é o maçon que usa o colar; é o colar de função que usa o maçon...

Nem na sociedade profana o estatuto de maçon atribui qualquer privilégio que não o reconhecimento das eventuais qualidades de quem o seja, nem no interior da Maçonaria o estatuto social, profissional, académico ou de fortuna diferencia um maçon de outro; o mais jovem aprendiz só tem uma maneira de se dirigir ao Muito Respeitável Grão-Mestre (apesar de formalmente lhe dar este tratamento): "meu Irmão"! E é esse mesmo o tratamento que recebe do Grão-Mestre.

Assim, aquele que porventura sonhe ser a maçonaria um local ideal para obter ou reforçar reconhecimento social, não se engane a ele, nem engane os maçons: abstenha-se de pretender ser maçon!

4. Beneficência - ajuda ao próximo
O bem intencionado que porventura procure na Maçonaria o instrumento para dar largas ao seu anseio de ajudar o próximo, de ser beneficente, se é essa a principal razão que o move, se é isso que vê na Maçonaria, também está enganado.

Não que a Solidariedade e a Beneficência não sejam prosseguidas pela Maçonaria. Claro que o são. Mas não é essa a razão de existir da Maçonaria. Não é por causa da Solidariedade e da Beneficência que a Maçonaria existe. A Solidariedade e a Beneficência são simples consequências de se ser maçon.

Em linguagem de "economês", por muito praticadas que sejam, a Solidariedade e a Beneficência não fazem, no entanto, parte do "core business" (essência) da Maçonaria.

Em linguagem de "industrialês", por muito importantes que sejam, a Solidariedade e a Beneficência são simples subprodutos da Maçonaria.

Portanto, se são a Solidariedade e a Beneficência que atraem o bem intencionado, e nada mais, e não essencialmente algo mais, então o melhor que o bem intencionado tem a fazer é dar largas ao seu anseio através de outras organizações especialmente vocacionadas para isso. A Ajuda de Berço é uma boa opção. A Cruz Vermelha, também. Os Bombeiros, idem. O Banco Alimentar contra a Fome, a mesma coisa. E muitas mais organizações há que têm na Solidariedade e na beneficência a sua razão de ser. E , mesmo sem se juntar a qualquer organização, certamente na sua rua ou na sua localidade encontrará alguém que necessita da sua ajuda. Dê-lha!

5. Curiosidade - conhecer o "segredo maçónico"

Se é a curiosidade que o faz desejar ser maçon, não se iluda: naquilo que ela pode ser satisfeita, não precisa de ser maçon para o saber.

Quer conhecer as palavras de reconhecimento mútuo dos maçons? Por quem é, não seja por isso, arme-se de um pouco de paciência, leia uns livros, encontre umas obras onde estão transcritos rituais antigos e faça favor! Nunca ouviu dizer que os maçons preservam a Tradição? Então, basta tirar a consequência: o que se fazia antigamente continua válido agora... Mas, o quê? Ser maçon só para tomar conhecimento dessas palavras sem ter de ter o trabalho de procurar? Meu caro, a Preguiça é um Pecado Mortal... Se é só por isso que quer ser maçon, os maçons não querem preguiçosos no seu seio... E - acredite em mim! -, garanto-lhe que vai ter muito mais trabalho e demorar muito mais tempo para tomar conhecimento dessas palavras, grau por grau, do que se ler nos livros certos. Está tudo publicado!

Quer conhecer os sinais secretos dos maçons? Mau caro, o You Tube preenche-lhe o anseio! Siga este atalho e ei-los, não ao vivo e a cores, mas em filme e a preto e branco! Não lhe garanto que tudo o que vir esteja certo, mas posso afirmar-lhe que algo do que vir o está...

Portanto, caro curioso, se é a curiosidade que o move a ser maçon, esqueça! Tem outros meios de a satisfazer!

E, afinal, se o que pretende é apenas conhecer como pensam, o que fazem, de que tratam, os maçons, nem sequer precisa de se incomodar muito: basta-lhe ir lendo o A Partir Pedra...

Rui Bandeira
http://a-partir-pedra.blogspot.com/2007/04/cinco-motivos-para-no-ser-maon.html

sábado, 16 de julho de 2011

Não seja maçom


Moacyr Duarte

Se queres descanso, não seja maçom, pois o trabalho do maçom deve ser contínuo.
Se queres ser beneficiado, não seja maçom, pois o maçom deve primeiro promover benefícios a e em prol de outros.
Se queres paz, não seja maçom, pois o maçom deve estar em guerra constante contra os vícios.
Se sois egoísta, não seja maçom, pois, para o maçom, compartilhar deve ser um hábito.
Se apenas pensas em ti, não seja maçom, pois pensar apenas em si mesmo é inviável e o maçom deve pensar e agir para todos.
Se desejas enriquecer, não seja maçom, pois o patrimônio de um maçom não é avaliado pelos seus bens, mas sim pelas suas atitudes.
Se sois arrogante, nunca seja um maçom, pois a humildade deve ser uma virtude constante, demonstrada em todos os momentos.
Se sois demasiadamente religioso, não seja maçom, pois o maçom deve ser tolerante em suas diferenças religiosas.
Se não crês em Deus, esqueça, não há como ser maçom, pois os maçons nada fazem sem antes O invocarem.
Se gostas das luxúrias que o mundo proporciona, não seja maçom, pois os maçons devem ignorá-las, vez que são temporárias.
Se simplesmente fazes parte de algo, não seja maçom, pois o maçom não pode só fazer parte, deve trabalhar para fazer a diferença.
Se queres ser maçom, não tente ser o pior nem o melhor, seja apenas você mesmo.
Se és arrogante, não seja maçom, pois o desprezo está em sintoma de maldade e a maldade é a principal inimiga do maçom.
Se és omisso, não seja maçom, pois a iniciativa deve ser notável em um maçom.
Se és preconceituoso, não seja maçom, pois a igualdade deve ser um pilar marcante na vida do maçom.

Maçonaria Mista: uma Perspectiva Ignorada



De um modo geral, a ideia que vem à mente quando se fala de Maçonaria é, dentre outras coisas, de uma ordem masculina. Por entre teorias da conspiração, teses delirantes de diabolismo, entre outros conceitos e preconceitos por aí veiculados ao longo dos tempos e de diversos países uma ideia é comum a todos eles: é que de modo semelhante às confrarias, às ordens religioso-militares e a outras instituições que têm ao longo de vários séculos excitado a imaginação de amantes do ocultismo, e não só, tem a exclusividade masculina garantida, como era apanágio de uma sociedade arcaica, pré-contemporânea, poder-se-á dizer (se não mesmo contemporânea em muitos casos...).

1.Origens misteriosas

Estudos há que tentam demonstrar-nos que as cooperativas de pedreiros, que deram origem à Maçonaria, já marcavam presença significativa em épocas tão remotas que delas não nos chegaram documentos nem testemunhos suficientes de modo a que possam provar em definitivo seja o que for. Épocas estas que remontam a tempos do Stonehenge, aos Antigos Egípcios, à Grécia Antiga, etc. Estamos a falar da Maçonaria operativa. Isto é, a dos verdadeiros pedreiros que erigiam edifícios de importância inestimável, em especial no que concerne aos templos que congregavam toda a comunidade numa união espiritual e mística, a qual nos é estranha nos dias de hoje. Abordamos, assim, cooperativas que, não obstante o tão propalado carácter místico e esotérico presente na sua rigorosa hierarquia e no forte sigilo em relação aos segredos de construção, implicavam nas suas obras homens de uma força física vigorosa, capazes de erguer, ainda que em conjunto, volumes de peso que fariam inveja aos nossos halterofilistas mais medalhados.




2. Das cooperativas de pedreiros à especulação filosófica

Chegados à Idade Média a história começa a escapar à névoa do mito, uma vez que há registos de corporações e/ou confrarias de pedreiros aos quais são atribuídos os grandes colossos do gótico europeu, embora normalmente a autoria das suas obras estivesse encoberta pelo anonimato. Mais uma vez estamos a falar de um mundo essencialmente masculino, de homens duros, não obstante eventualmente cultos e mesmo refinados, muitas vezes privilegiados mas também marginalizados quanto ao estatuto social em favor do clero e da nobreza.

Quando a Maçonaria se torna especulativa e o seu pendor operativo-iniciático entra em declínio é precisamente o pendor exclusivista da masculinidade que passa para a nova existência em todo o seu vigor. Estamos em 1717 quando a Grande Loja de Londres é constituída oficialmente, seguindo-se-lhe outras lojas em França e pouco tempo depois por outros países da Europa.. Em Portugal, a comunidade inglesa introduziu aqui algumas lojas sempre restritas aos súbditos da coroa britânica. Porém, a semente foi deixada em conjunto com as influências da Revolução Francesa e em 1803 na casa de Gomes Freire de Andrade em 1803 dá-se início à constituição do Grande Oriente Lusitano, que viria a sofrer uma feroz perseguição do regime até à vitória definitiva do parlamentarismo em 1834.

A perseguição que, de um modo geral, o Catolicismo moveu à Maçonaria não a impediu que no seu seio surgissem facções mais radicais, avessas ao poder da Igreja e propulsoras da crescente laicização da cultura a qual irá caracterizar o movimento iluminista. Refira-se então a reacção do Grande Oriente de França no decorrer do século XVIII em abolir a obrigatoriedade da crença religiosa como condição para a entrada na Maçonaria, aceitando no seu seio ateus, e determinando um papel meramente simbólico ao Grande Arquitecto do Universo, o alegado patrono da Maçonaria. Entram assim em colisão e inevitável ruptura duas facções, uma autodenominada de regular pois em consonância com os antigos princípios e estatutos de Andersen [link 1] e outra votada a uma suposta irregularidade, mas que nem por isso deixa de se disseminar pelo mundo fora. 
3. A tomada de consciência

Chegando o período das convulsões sociais dos finais do século XIX decorrentes do crescimento industrial e do deteriorar das condições de vida nas grandes cidades, novas ideias ganham vigor e os avanços científicos encorajam a contestação às instituições e ideias do Antigo Regime.. A mulher começa a questionar gradualmente o seu estatuto, dando origem a ideias igualitárias aliadas ao ideal republicano e laico. Com efeito, pouco a pouco vai-se criando a chamada "Maçonaria Feminina de Adopção" na qual a mulher é aceite, embora submetida a uma espécie de tutela dos homens e com reuniões separadas.

Neste contexto, Maria Deraismes fez história em finais do século XIX ao tornar-se na primeira iniciada numa loja maçónica masculina, nomeadamente na Livres Penseurs de Pecq. A reacção conservadora masculina não se fez esperar e proibiu a presença de Marie Deraismes nos trabalhos da loja.. Assim, Maria Deraismes tinha deixado de assistir às reuniões da loja De Pecq, a fim de não criar problemas a este núcleo progressista ameaçado com o encerramento. Entretanto, consagrava os seus esforços no sentido de uma melhoria da situação da mulher e pela reivindicação de seus direitos. Georges Martin, em conjunto com ela, fundou uma loja mista. Dezasseis mulheres, escolhidas entre as relações de Maria Deraismes, entre elas Clemencia A. Royer, filósofa e Maria Béquet de Vienne, fundadora de diversas obras sociais, foram iniciadas a 14 de Março de 1893, recebendo em reuniões posteriores os graus simbólicos das lojas azuis, na presença de Georges Martin.
Dez meses depois do estabelecimento da Grande Loja Simbólica Escocesa Mista de França "Le Droit Humain" (O Direito Humano), Maria Deraismes acabaria por falecer, deixando ao cuidado de Georges Martin, à sua irmã Ana Teresa Deraismes e aos seus colaboradores a continuação da obra. O Droit Humain estendeu rapidamente a acção ao mundo inteiro, primeiro na Europa Continental, depois logo em Londres - onde Annie Besant (fig. ao lado), célebre feminista inglesa e futura Grã-Mestre Adjunta da ordem, declarava: "Se é verdade que os Ingleses levaram a Maçonaria a França, não o é menos que são os Franceses que a devolvem regenerada, completa e fortificada com a admissão da mulher em loja ao lado do homem à Inglaterra."




Musarelli introduziu a Maçonaria Mista nos Estados Unidos, onde alcançou um notável desenvolvimento. A Federação Norte Americana do Droit Humain contava, depois da Grande Guerra, mais de 7000 membros. Annie Besant, que fez nascer em Mahatma Gandhi o amor pela sua civilização de origem, foi a criadora das lojas mistas na Índia. América do Sul e África seguiram o seu exemplo.

Ao nosso país chegou o Droit Humain em 1923, sob a égide de Adelaide Cabete [link 2 foto de Adelaide Cabete], uma médica cujo papel foi inigualável no campo da puericultura, da higiene feminina e na luta contra o alcoolismo. Uma das fundadoras em 1909 da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, foi iniciada em 1907 na loja Humanidade do Grande Oriente Lusitano Unido com o nome simbólico de Louise Michel. Após desavenças em torno da existência de lojas femininas, em 1923 Adelaide Cabete insere a loja Humanidade na obediência do Droit Humain. O destino não quis que tal permanecesse por muito tempo, pois a implantação do regime de Ditadura Nacional nascido do golpe de Estado de 28 de Maio de 1926 iria a obrigar ao abater de colunas desta loja pouco tempo depois.

4. Das trevas nascerá luz? Renascimento e expansão ignorada

Segue-se, então uma espécie de "Idade das Trevas" para toda a Maçonaria portuguesa, constituídos por 40 anos da Ditadura Nacional que marcam indelevelmente a história do país. Após a Revolução dos Cravos assiste-se ao erguer de colunas de algumas lojas do ressurgido Grande Oriente Lusitano. Este gradualmente reconquistará a sua anterior importância até à ruptura da qual nascerá a Grande Loja Regular de Portugal que há-de relegar o GOL para a irregularidade (este conceito, de natureza conceptual subjectiva, prende-se com questões de reconhecimento. Reconhecimento este que provém da Grande Loja Unida da Inglaterra, considerada no ramo maçónico ortodoxo conservador como a grande potência da qual dimanam as leis que regem as obediências de diversos países subordinadas a esta facção).

O Droit Humain irá renascer em 1980, precisamente na loja Humanidade que havia assistido, cerca de 50 anos antes, ao seu desaparecimento. Passados três anos nascerá a primeira loja no Porto a Fraternidade; a loja Athanor um anos depois, por sua vez em Lisboa em complemento da Humanidade. Pelo que consta nenhuma loja até ao momento abateu colunas e, segundo o que nos informa o site oficial do DH em Portugal (http://www.droit-humain.org/portugal/) actualmente esta obediência maçónica quase que triplicou o número de lojas em funcionamento.

O Droit Humain pode considerar-se a única obediência maçónica mista com alguma visibilidade no mundo profano e maçónico, embora conte ainda com alguma resistência na facção ortodoxa encimada pela Grande Loja Unida de Inglaterra. Mantém por seu turno relações de amizade com a "ala" liberal da Maçonaria representada em Portugal pelo Grande Oriente Lusitano, com fortes ligações ao Grande Oriente de França.

Todavia, falemos nós de ala conservadora ou liberal, estas duas tendências dominantes da Maçonaria mundial mantêm-se renitentes à constituição de lojas mistas. Mantém-se o regime de adopção em algumas obediências nacionais da "ala" liberal e em alguns casos estas atingiram um estatuto de maior autonomia e emancipação, enquanto que a outra ala, na maioria dos casos, possui algumas associações, ou coisa parecida, para as legítimas esposas e filhas dos membros das lojas...

As pressões e críticas em relação a este anacronismo são por demais visíveis no mundo profano e consta que entre os meandros do DH se graceja especulando e apostando se o Vaticano não ordenará mulheres antes de as obediências masculinas as aceitarem em suas lojas... Por quanto tempo as obediências maçónicas dominantes persistirão com a tradição da exclusividade masculina num mundo em que a mulher assume já papel dominante em praticamente todos os sectores da sociedade? Neste sentido, o Droit Humain vem assumindo um papel de vanguarda, classificado de irregular pelos meios ortodoxos. Para além disto, talvez por causa deste último factor é, de um modo geral, a obediência com menos visibilidade no mundo profano, logo a mais ignorada levando muita gente a pensar que toda a Maçonaria tem em comum a exclusividade masculina. Até quando?

Por Antero Vainamonen

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Estranha mulher


























Eu sei que ela existe,
(embora eu nunca a veja...)
mulher estranha de mãos imensas,
semeando esmolas, misteriosamente,
cercada de respeito, de lendas e de temor
as mãos dessa mulher tem forma de amor
mãos que ninam os berços da orfandade,
mãos que põem luz na noite da viuvez,
mãos que cortam o erro, como espadas
mãos que abençoam, que denunciam crime
e que trazem, no gesto que redime,
toda a unção das próprias mãos de Deus.
 
Essa mulher tem a graça das Acácias,
a ternura que consola a dor alheia,
o bem que ela faz gravando só na areia,
vem a onda e o leva ao seio do grande Artista
que vela sobre o triste, o fraco e o oprimido.
 
Essa mulher, se escuta algum gemido,
se pressente a dor, a injustiça, a queda,
como o vento desloca-se flecha ousada e firme
na pressa de salvar, servir e se esconder. 
Ela está de pé às portas da miséria... 
Junto ao incapaz, ela é o braço potente,
amparo ela o é ao lado do indigente
arrimo da velhice, luz da juventude,
e ante a própria morte, aos pés do ataúde,
essa mulher é esteio, é força e segurança.
 
Seus braços, quais colunas talhadas na rocha,
já sacudiram tronos, muralhas e cidadelas,
já libertaram escravos e enriqueceram os pobres,

já ergueram nações sobre cinzas de impérios... 
Ela já viu morrer os filhos em prol da liberdade,
e, embora chorando sobre seus tristes restos,
seu braço ergueu, em sagrado protesto,
a bandeira santa do amor universal.
 
De sua mesa farta, tal como em família,
reparte ela o pão da graça feminina,
sem humilhar aquele a quem sobrou pobreza,
e sua mão direita, segundo o evangelho,
jamais presenciou o que a esquerda fez.
 
A ordem do Senhor: "Amai-vos uns aos outros"
à frente do seu Templo essa mulher gravou,
e como irmãos se tratam milhões de filhos seus,
homens predestinados, cidadãos benditos
que não se envergonham - oh não - de crer em Deus.
 
Essa mulher estranha, sem jóias e sem fraqueza
essa mulher estranha, temida e venerada,
mil vezes perseguida, vencendo com galhardia,
é cidadã do mundo, é a MAÇONARIA.
Maria Ivone Corrêa Dias
Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Primeira palestra

CENTENÁRIO DO CONCEITO ROSACRUZ DO COSMOS
Ciclo de Conferências Públicas na Sede da Fraternidade Rosacruz
Centro Autorizado do Rio de Janeiro

Primeira Palestra
Realizada em 28 de março de 2009
Roberto Gomes da Costa


O MUNDO VISÍVEL E INVISÍVEL, SEUS HABITANTES E SEU RELACIONAMENTO COM A HUMANIDADE

PARTE I – A REGIÃO QUÍMICA DO MUNDO FÍSICO
  1. INTRODUÇÃO
A presente palestra integra as atividades de comemoração do Centenário da Edição do CONCEITO ROSACRUZ DO COSMOS (CONCEITO). Ela tem por base esse livro texto da Filosofia Rosacruz, bem como outras obras editadas pela Fraternidade Rosacruz. Será aconselhável reler os Capítulos citados nesta palestra, para obter um melhor entendimento de seu conteúdo.
O tema da palestra enfoca os Mundos nos quais evoluem as ondas de vida de nosso Sistema Solar, bem como os seus habitantes, dando ênfase ao relacionamento desses seres que habitam os diferentes mundos com a humanidade e as conseqüências mais destacadas desse relacionamento.
Durante a evolução das várias ondas de vida, percebe-se, pelo estudo da literatura Rosacruz, que há um ponto singular nessa evolução, quando a onda de vida atinge sua individualidade e passa a ser responsável por sua própria evolução. Os relacionamentos com outras ondas de vida, iniciadas no período da Evolução em que se atinge a individualidade, continuam nos períodos evolutivos seguintes, em forma compatível com as novas condições do processo evolutivo.
A necessidade de relacionamentos é uma das forças do Universo de Deus que faz os Espíritos interagir para o crescimento de cada um e da própria Divindade. Fomos diferenciados em Deus como Espíritos Virginais, adquirimos a individualidade para nos tornarmos responsáveis por nossa própria evolução, mas dependemos desse relacionamento com outros indivíduos para evoluirmos, algo que nos lembra nossa própria origem, em que estávamos juntos no seio de Deus, em uma grande unidade. Ao final do Dia de Manifestação, voltaremos todos a essa nossa origem, para compartilharmos nossas conquistas individuais e coletivas, já como parte integrante da Grande Consciência Divina.
  1. O UNIVERSO DE DEUS  
A Região Química do Mundo Físico é, atualmente, a única parte do Universo de Deus, da qual tem consciência a grande maioria da humanidade. Essa percepção limitada traz conseqüências, já que o Mundo Físico é o mundo dos efeitos e esses efeitos só podem ser entendidos a partir do conhecimento das causas que residem nos Mundos Supra-Físicos.
Segundo os Ensinamentos Rosacruzes, o Universo se divide em sete mundos, a saber:
      Mundo de Deus
      Mundo dos Espíritos Virginais
      Mundo do Espírito Divino
      Mundo do Espírito de Vida
      Mundo do Pensamento
      Mundo do Desejo
      Mundo Físico.
Cada um desses mundos é subdividido em sete regiões, conforme mostrado no Diagrama 2 do CONCEITO e descrito em seu Capítulo I. 
É uma lei do Universo que qualquer ser, para funcionar em um dado mundo ou região, necessita de um veículo construído a partir de matéria ou substância desse mundo ou região. O Diagrama 2 do CONCEITO  mostra os veículos do ser humano, formados a partir da matéria do mundo ou região correspondente. 
  1. O MUNDO FÍSICO – A REGIÃO QUÍMICA
A Região Química do Mundo Físico é a única região que a maioria da humanidade percebe e tem conhecimento. É a região objeto de estudo da Ciência Oficial, que tem desenvolvido poderosos instrumentos que ampliam os sentidos físicos do ser humano para observar tanto o macrocosmo quanto o microcosmo. A observação dos mundos invisíveis depende ainda, no entanto, de que o homem desenvolva sua capacidade de perceber esses mundos, iniciando com seu primeiro passo – a visão etérea, que adiante será analisada. Quando um número significativo de cientistas der esse primeiro passo, haverá, em conseqüência, uma mudança significativa dos paradigmas da ciência, pois muitos dos fenômenos que escapam da observação humana por ocorrerem nos chamados mundos invisíveis, passarão a ser observáveis, podendo ser assim estudados pela ciência. Um dos exemplos mais marcantes deverá ser o momento da partida deste mundo. Um vislumbre dessa mudança pode ser inferido a partir dos impactos que vêm se registrando sobre a medicina com as experiências de quase morte (near death experiments)..
O relacionamento da humanidade com os demais reinos é sobejamente conhecido por todos, bem como os inúmeros problemas que afetam todo o nosso eco-sistema. Esses problemas são resultantes da intervenção humana desordenada em nosso planeta, afetando os demais reinos, feita sobre uma base de valores distorcida, não só quanto ao relacionamento inter-reinos, com dentro do próprio reino humano, em que a falta de amor, o egoísmo e o desrespeito pelos demais têm prevalecido.
Os demais reinos são usados pelo ser humano, na maioria das vezes sem respeito, transgredindo sua dignidade e alterando significativamente seu sistema de vida, para atender, de acordo com suas conveniências, suas necessidades alimentares, de vestuário, de saúde e de lazer. Felizmente, a humanidade está reagindo e se tornando mais sensível a essas questões, principalmente agora que o planeta se encontra ameaçado de grandes mudanças climáticas resultantes do desequilíbrio dos ecossistemas. A Ciência tem também feito pesquisas sobre a dieta alimentar humana mais saudável, tendo descoberto que a carne vermelha deve ser consumida com bastante parcimônia. A Filosofia Rosacruz recomenda o dieta vegetariana como a ideal, baseada não em critérios nutricionais, mas pelo amor que deveríamos ter para com nossos irmãos menores. De qualquer modo, analisando a questão em contexto maior, observa-se, de forma já comprovada pela ciência, que a criação de gado é uma das grandes responsáveis pelo efeito estufa, não só pela derrubada de florestas para a formação de pastos para o gado, como pela eliminação de gás metano. Do ponto de vista econômico, a produção de carne é também muito pouco eficiente, pois para a produção de um quilograma de carne são consumidos cerca de sete quilogramas de cereais, que de outro modo poderiam ser mais bem utilizados para saciar a fome do mundo.
O desconhecimento do Plano Divino para a evolução dos demais reinos conforme descrito no CONCEITO contribui também para essa atitude equivocada no relacionamento com nossos irmãos menores. O Capítulo II do CONCEITO faz um estudo comparativo dos quatro reinos, mostrando suas diferenças de estrutura de veículos e de consciência.
A humanidade é o único reino que atingiu a individualidade no atual Período Terrestre. A descrição dos Períodos Evolutivos é feita, no CONCEITO, em sua PÀRTE II – Cosmogênese e Antropogênese, onde se pode ter uma idéia de como foi concebido o Plano Divino da Criação. Os períodos evolutivos são em número de sete, a saber: de Saturno, Solar, Lunar, Terrestre (o atual), de Júpiter, de Vênus e de Vulcano. Os três primeiros períodos e a metade do quarto constituem a chamada Involução, fase em que os veículos dos seres humanos estavam sendo constituídos até que, na metade do Período Terrestre, foi adquirida a individualidade do ser humano. A metade final do Período Terrestre e os três períodos restantes são chamados de Evolução, quando o ser humano transformará seus poderes latentes em poderes dinâmicos, extraindo da essência de suas experiências seu crescimento anímico e incorporando-o ao seu patrimônio espiritual, bem como uma mente criadora. As demais ondas de vida também realizarão suas conquistas, que dependem do estágio evolutivo em que encontrem. A leitura da parte II do CONCEITO pode esclarecer esse aspecto.
A humanidade está em seu quarto período evolutivo, o Período Terrestre. Nesses quatro períodos pôde adquirir essa cadeia completa de veículos, que vai desde o Espírito Divino ao Corpo Denso. Os demais reinos iniciaram sua evolução há menos tempo: os animais há três períodos atrás, os vegetais há dois períodos e os minerais neste período atual.
O diagrama 3 do CONCEITO mostra a constituição dos vários reinos, no tocante aos veículos que possuem.
Como dissemos na introdução, no período em que uma onda de vida atinge a individualidade e passa a se tornar responsável por sua evolução, é estabelecido um relacionamento marcante entre esta onda de vida e a outra que inicia seus primeiros passos na Evolução.
A humanidade atual é um exemplo claro, pois está trabalhando sobre os minerais, no período em que atingiu sua individualidade. Esse trabalho terá continuidade nos períodos seguintes, culminando no Período de Vulcano, quando teremos o privilégio de dar aos atuais minerais, uma mente germinal, como os Senhores da Mente, a Hierarquia de Sagitário, fizeram conosco durante o Período de Saturno. Recorde-se que os Senhores da Mente eram humanos quando estávamos em um estágio equivalente ao mineral, nesse período. O mesmo aconteceu com os Arcanjos, que trabalharam sobre os atuais animais, em seu estágio mineral, quando adquiriram a condição de humanos, no Período Solar. Por processo idêntico passaram os Anjos, trabalhando sobre os atuais vegetais quando eram humanos no Período Lunar. Os Arcanjos trabalham agora sobre o corpo de desejos dos animais atuais e dos homens, já que estão em seu terceiro estágio desde que se tornaram indivíduos. Os Anjos trabalham agora sobre os corpos vitais dos seres vivos, já que estão em seu segundo estágio de individualidade.
Os níveis de consciência dos quatro reinos também são diferentes e podem ser correlacionados com a constituição de veículos de cada reino, conforme mostra o diagrama 4 do CONCEITO.
O ser humano desceu com sua consciência até a Região Química, possuindo uma consciência de vigília. Ainda está aprendendo a controlar seus veículos, pois os veículos com a mente e o corpo de desejos não possuem ainda órgãos e, portanto, não podem ser usados como veículos de consciência. O Ego, que é triplicidade espiritual que envolve o Espírito Virginal, entra no corpo físico e conecta esses veículos ainda desprovidos de órgãos com os centros sensoriais do corpo físico.
O Ego do animal desceu apenas até o Mundo do Desejo e não está ainda em condições de entrar no corpo denso. Ele possui um Espírito Grupo que o dirige de fora. Esse Espírito Grupo é um Arcanjo, responsável pelo controle de toda a espécie.
O Diagrama 4 mostra também que o Espírito Grupo do Reino Vegetal tem seu foco de consciência na Região do Pensamento Concreto e o Espírito Grupo do Reino Mineral tem seu foco de consciência na região do Pensamento Abstrato.
Daí os diferentes níveis de consciência que cada um desses reinos possui em seu estágio atual de desenvolvimento, desde o ser humano, com consciência de vigília, ao mineral, com consciência equivalente ao transe profundo..
Como reino que lidera as ações no Mundo Físico, cabe ao homem uma grande responsabilidade de usar corretamente seus talentos e capacidades no relacionamento com os seus semelhantes e com os outros reinos. A humanidade acumula um grande passivo em relação a suas realizações e necessita de um grande esforço para resgatar esse passivo.
O Mundo Físico é o mundo em que as coisas são realizadas, as experiências são feitas, com o correspondente aprendizado. Esse aprendizado é consolidado durante o processo post-mortem, quando a essência das experiências é transformada em consciência e em virtudes.
É válido ser um sonhador e idealizar projetos. Mas mais importante é tentá-los transformar em realidade, pois o Mundo Físico é, atualmente, o local criado no Plano Divino para as nossas realizações e onde se aprende a criar de forma correta, a partir de nossos erros e acertos.

 



DIAGRAMA 2 DO CONCEITO ROSACRUZ DO COSMOS
OS SETE MUNDOS

DIAGRAMA 3 DO CONCEITO ROSACRUZ DO COSMOS
OS VEÍCULOS DOS QUATRO REINOS


DIAGRAMA  4 DO CONCEITO ROSACRUZ DO COSMOS
OS QUATRO REINOS