segunda-feira, 25 de julho de 2016

Impressões

O Grande Arquiteto Do Universo usa um compasso misterioso, simples e complexo, paradoxal ao nosso entendimento, mas perfeito em seu desenho. Já foi dito que “Deus é um círculo cujo centro está em toda a parte e a circunferência em parte alguma”, a partir da cada ínfima partícula e estendida ao infinito. E isso é justo e perfeito, sem ou com a nossa compreensão. Vislumbramos essa exatidão sem erros, onde o recolhimento, mesmo pela destruição, tem o seu porque, a escuridão que nos reforça a Luz opera no equilíbrio do movimento constante e não para obscurecer as almas.
A falta de chão que nos dá a incapacidade de compreender o todo, isso é cegueira nossa, humana, fraquezas que nos esforçamos em vencer utilizando as medidas das nossas capacidades, e para a retidão da nossa conduta, para a doma dos impulsos irracionais usamos o esquadro da ética e da moral. Temos uma batalha por dia, iniciada no raiar do sol e uma guerra por vida, que é contra um dragão poderoso que se chama ego e só dá trégua ao anoitecer de cada encarnação. E nessa caminhada temos muita sorte quando encontramos irmãos do bem.
Do primeiro passo vendado, onde me senti já vulnerável, vou lembrar para sempre de duas vozes, uma masculina e uma feminina que me passaram uma paz e uma confiança  reconfortantes, uma segunda caminhada no escuro e uma pausa para começar a refletir sobre o que estava fazendo ali, senti meu coração batendo forte, ouvi a voz que oferecia ajuda e conforto a uma irmã com frio, ia crescendo minha emoção, mista de bem estar e expectativa aflita das provas que estavam por vir.
Primeiro foi o testamento na Câmara da Reflexão, desvendar os olhos por um momento, que seria um alívio, mas que exigiu mais olhar para dentro. Quais os meus deveres? Devoção, obediência, gratidão, amor, respeito, honra, palavra. As advertências. O juramento, afinado com os dizeres sobre o V.I.T.R.I.O.L., entrega incondicional à verdade, ao que é certo, ao respeito e discrição, ao reverente silencio e diligente trabalho em prol dos necessitados. Uma certeza de que não é pequeno o esforço para entrar ali, ficar ali, mesmo por poucos instantes, a pirâmide, o galo, o pão, a ampulheta, o sal e a água, a lâmina e a pena e o tinteiro, o crânio, a vela, minha mão sobre a mesa, minha cabeça pesada, um espelho invisível me mostrou a mim mesmo uma verdade dura, firme, irreversível. Meu nome e minha assinatura. Tudo simbólico e tudo real, as rédeas das minhas responsabilidades, só as minhas próprias mãos podem segurar, mas não estou sozinho.
Veio depois, a escuridão novamente, dessa vez total. Perdi a noção do tempo, encarei alguns medos, orei e mentalizei tudo de mais importante que há na minha vida, os verdadeiros motivos por buscar tudo aquilo. A certeza de que é para o meu aprimoramento e a melhoria da minha atuação em todos os momentos.
As vozes ao fundo questionavam, conduziam para um destino diferente, novo, um renascer, que era pedido por mim e mais 3 irmãos futuros aprendizes, e testados por quem tinha esse poder, os Mestres, Venerável, irmãs e irmãos maçons de verdade preparavam o processo. Eram pessoas que eu já conhecia, em sua maioria, pelo menos os seus rostos, reconheci suas vozes, mas estavam revestidos de papéis atemporais, encarnações vivas da hierarquia da arte real.
Me senti numa queda, pedi para estar ali, para ser aceito, jurar e honrar minha palavra, poucas vezes na vida senti algo parecido. Epifania e catarse. As provas, da água, sua limpeza e frescor, do fogo, seu símbolo de purificação do espírito, o salto no desconhecido, de novo com uma confiança cega e absoluta em quem me amparava, o calor no coração, as repetidas afirmativas, “Sim”, Sim, “Sim”, a água doce e amarga na taça da verdade, o corpo no caixão, mais uma advertência da punição à traição, a lembrança de São João Batista, as três batidas nos altares, os três, os quatro degraus, tudo passou muito rápido. Os sons, chaves, metais, portas e madeiras, a música, os aromas, de quem estava perto, dos incensos.
Chegou a hora então, como Neófito, de receber a luz, a nossa frente estava o Templo, reconheci a maioria dos símbolos. Entre Colunas, vi todos encapuzados, espadas apontadas para nós não como ameaça, mas como emissão de boas energias e bons votos. Logo em seguida, os rostos iluminados, todos transmitiam satisfação e alegria em receber novos irmãos a quem vão conceder aos poucos, nas doses e no tempo certo, fragmentos do grande conhecimento que tem, de história, de ritos e rituais e da experiência de ser Maçom. De joelhos , sob a espada, no altar dos juramentos, confirmei minha iniciação.
Por fim, acompanhar a primeira sessão, receber a palavra, a esquadria, os sinais, os gestos e o abraço fraternal. Começar a polir a pedra bruta com a orientação do 2º vigilante, conhecer a hierarquia e a ordem dos movimentos e admirar a arte, debaixo da abóboda celeste e sobre o mosaico quadriculado, tudo belo e harmonioso. Ouvir as boas vindas do Orador, acompanhar a condução perfeita do Venerável Mestre.
Irmãos Maçons, sou o I.’. M.’. Luís, Aprendiz e daqui por diante estou à total disposição  da Augusta e Respeitável Loja Maçônica Mista Triangulo da Fraternidade.
Or.’. de Porto Alegre, 11 de Maio de 2016 da E.’. V.’.
Ir.’. Luís Fernando
 Apr.’. M.’.


Bibliografia:BARRETO, Edgar Mena. Manual de Instruções Maçônicas de Aprendiz. Porto Alegre, 1999, 2ª edição
Ritual do Aprendiz Maçom; Loja Maçônica Mista Triangulo da Fraternidade
http://www.noesquadro.com.br/

terça-feira, 21 de junho de 2016

MAÇONARIA E INTERVENÇÃO NA SOCIEDADE


Da predisposição de ambas as correntes relativamente ao papel mais ou menos ativo, mais ou menos institucionalmente interventivo, da Maçonaria na Sociedade decorrem assinaláveis diferenças na intervenção política.

A Maçonaria Regular não busca ter qualquer intervenção política em termos institucionais. Porque intervenção política implica confronto de ideias, entende que é normal que nas suas fileiras existam defensores das várias ideias em confronto e não se arroga o direito de se pronunciar institucionalmente a favor de uns dos seus obreiros e contra o entendimento de outros dos seus obreiros. A Maçonaria Regular é assim politicamente neutra. Cada um dos seus obreiros defende, dentro dos limites dos Valores essenciais da Maçonaria (hoje, felizmente, consensuais no mundo desenvolvido), as posições políticas que bem entende. Para a Maçonaria Regular, é possível e normal que dois políticos se digladiem na defesa de posições políticas divergentes, sendo ambos maçons - e quiçá integrando até a mesma Loja! O objetivo da Maçonaria Regular é sempre o mesmo: aperfeiçoar os seus obreiros, desejando que estes contribuam para o aperfeiçoamento da Sociedade. Quando os seus obreiros são políticos, apenas pretende que sejam cada vez melhores políticos, que, defendendo as suas ideias, o façam com Dignidade, com Elevação, com Honestidade, com Sentido de Dever e de Serviço Público. 

A Maçonaria Liberal, na medida em que pratique uma intervenção política, defendendo uma posição política, tenderá a juntar elementos de pensamentos tendencialmente compatíveis entre si e com a corrente de pensamento prosseguida pela Obediência. Será tendencialmente mais eficaz na defesa dos Valores da Instituição. Também se "amarra" às consequências dos eventuais reveses que a posição política que ativamente prossiga venha a sofrer. Nesse sentido, convém não esquecer a identificação histórica da Maçonaria com a I República e as consequências sofridas quando esta caiu...

Entendo que é estulto pretender afirmar-se, em absoluto, a superioridade de uma corrente sobre a outra. Cada uma das correntes tem a sua orientação e a sua prática, que será certamente a melhor para quem concorda e se sente confortável com elas. Entendo que, também nesta questão, devem os maçons atender e praticar a Virtude que consideram seu apanágio, a Tolerância. Cada um deve aceitar a posição do outro, ainda que (sobretudo quando) diversa da sua. O Outro tem tanto direito às suas convicções como nós. Devemos aceitar sem rebuço ou hesitação as convicções dos demais, tal como temos o direito de exigir que as nossas convicções sejam respeitadas pelos demais.

Em matéria de intevenção da Maçonaria na Sociedade, a questão não deverá ser nunca quem está certo e quem está errado quanto à intervenção política. Cada um, cada corrente, atua segundo a sua tradição. a sua evolução histórica, a sua forma de pensar. Em matéria de intervenção da Maçonaria na Sociedade, o mais produtivo é determinar o que cada um pode contribuir para a Sociedade, em prol desta.

E muito há para fazer e é possível fazer, em diversos campos de intervenção: na educação ambiental como na educação para a saúde, na promoção da igualdade de género, como na integração dos que, a qualquer título ou por qualquer condição sejam diferentes, na cooperação com as entidades que prestam auxílio e solidariedade a quem necessita como na promoção do desenvolvimento justo, sustentado e integrador, na atenção aos mais novos como na consideração e apoio aos mais idosos, na promoção da formação como no apoio e fruição das artes. Em pequenas organizações ou ações locais levadas a cabo pelas Lojas ou em mais amplos objetivos coordenados pelas Grandes Lojas ou Grandes Orientes.

Reduzir a intervenção da Maçonaria na Sociedade à política é, no meu entender, pensar muito pequeno, muito pouco e muito limitado, Há todo um conjunto de temas e necessidades e atividades e intervenções em que os maçons podem dar o seu contributo. E porventura ajudar a alterar e melhorar a nossa Sociedade muito mais e muito mais proficuamente do que imiscuindo-se na política.

Atenção, não me interpretem mal! Tenho todo o respeito por todos aqueles que se dedicam à defesa da causa pública. Não alinho nas algazarras de denegrimento dos políticos. A Política é uma atividade nobre, que é imensamente útil à Sociedade, desde que exercida com motivaões e comportamentos nobres.  Nesse sentido, tenho todo o respeito por todos os políticos que se comportam como bons maçons (sejam-no ou não). O que eu não quero é ver maçons a terem comportamentos de (certos) políticos...

Rui Bandeira
Fonte: http://a-partir-pedra.blogspot.com.br/

quinta-feira, 5 de maio de 2016

BEM VINDOS APRENDIZES


À GL.·. do G.·. A.·. D.·. U.·. 
Augusta e Respeitável Loja Maçônica Simbólica Mista Triângulo da Fraternidade  
S.·. 
F.·.             U.·.
  
Ponderações sobre a iniciação. 
Fui instado, por dever de ofício,  a falar sobre vossa Iniciação, mais do que uma vontade esta é uma responsabilidade do cargo que ocupo neste momento.  
Digo responsabilidade, pois após passardes pelo que passaram e sendo chamados agora de IIr.'., vocês esperam ouvir algo que fique marcado em vossas memórias. 
Acontece que assim como vocês, eu também me encontro neófito neste cargo, experimentando, ajustando minha fala, procurando seguir a ritualística e acima de tudo tentando aprender  me colocando à prova. E aqui vai  vossa primeira lição: Em Loja, estamos sempre sendo colocados à prova. 
A cerimônia pela qual passastes, se conseguistes esquecer um pouco do nervosismo devem ter notado seu caráter profundamente simbólico e sensorial. 
O de ser vendado, privado do mais importante sentido no mundo profano,  sentindo-se sozinho e abandonado em um canto, apenas ouvindo o que se passava ao redor. 
Ou de fazer um testamento, que coisa mais incômoda estar vivo e ter que pensar na morte, na nossa morte, os símbolos mostrando a transitoriedade da vida e aquele cartaz lembrando quais deveriam ser vossas verdadeiras intenções aqui. 
Também o de se sentir pressionado pelo interrogatório, talvez vulnerável por ter tido seus dados pessoais expostos de uma forma tão direta e, por fim, aliviado por ter aquela parte enfim terminado.  
 
Depois, o sentimento de ser amparado por mãos amigas e seguras nas viagens e nas tribulações postas ao longo do caminho, ser questionado tantas e tantas vezes se realmente tinha certeza de vossas intenções. 
Por fim, a água, o calor, a Luz. Tantas coisas acontecendo neste breve hiato da vida profana. 
Caros, a cerimônia de Iniciação acabou e esta jornada apenas principia, mas suas impressões e sentimentos, sem sombra de dúvidas, perdurarão por muito tempo.  
Esta cerimônia não é uma brincadeira, um forma de adultos passarem o tempo. Em algum momento o que vós passastes virá à tona, na forma de uma sensação diferente, especial, talvez até não muito agradável.  
Trabalhamos com um dos chacras mais importantes do corpo humano (lembram das três batidas no topo da cabeça ?)  além de tantos outros que serão ativados e desenvolvidos ao longo de vossa caminhada. 
A propósito, aqui verás IIr.'. mais avançados na lide maçônica e poderás pensar: - Tenho muito a aprender com ele/ela!  
Ledo engano, nós MM.'. é que temos muito a aprender com sua chegada, ou vocês acham que a Iniciação de novos membros tem apenas a finalidade de aumentar o número de IIr.'. de uma Loja ? 
Pois não tem!  
Na realidade o  aumento do quadro social é só um ‘efeito colateral’. A chegada de novos membros tem o objetivo de movimentar as energias, tirar da zona de conforto quem lá está, tanto para quem entra quanto para quem aqui está. 
Muito eu poderia falar sobre o ritual pelo qual recém passastes, mas seriam minhas impressões e não é isto que procuramos.  
Aqui se busca o aprendizado pelo estudo e principalmente pela experiência e já na primeira Loja serão instados a falar sobre vossas próprias impressões. 
Falando nisto, deixo uma pergunta para ficares com ela na cabeça. Era como achastes que seria ? Imaginastes desta forma ? Ficastes decepcionado ? 
De qualquer forma dizem que mais acrescentamos ao nosso cérebro e ao nosso espírito quando trilhamos caminhos diferentes a cada vez. 
E é só o que pedimos. Que trilhes vossa jornada de forma única, pessoal e intransferível.
  
Foi-te solicitado trabalho? Faça-o de boa vontade, com intenção, coloque sua ‘letra’ nele. Deixe-nos conhecer-vos através de suas próprias palavras. Afinal fostes vós que quisestes aqui entrar. 
Dedique-se ao ritual e ao seu entendimento prático, esotérico e simbólico. Quando notares  algo que considere piegas e talvez sem sentido, pergunte a si mesmo:  
- O que é que não estou enxergando aqui? - Porquê isto me foi apresentado neste momento e desta forma ? 
Olha em  torno, veja o Universo. O G.'. A.'. D.'.U.'. não joga dados.  
O ritual é a linha central sobre a qual todas os estudos são baseados e pela qual nossa caminhada aqui é trilhada.  
Aos nos apresentar símbolos e pedir que os interpretemos à luz de nosso conhecimento, a Maçonaria faz o seu melhor: Deixa o nosso livre arbítrio agir, através do intelecto, do pensar e do sentir, guiando nosso aprendizado. 
E o que pedimos em troca?  
Pedimos boa vontade em aprender e humildade pois aqui não é um lugar para competições, aqui todos se completam. 
Ainda, pedimos coragem para se expor e fazer valer o tempo de aprendizado, o seu e o nosso, pois uma das maiores lições que a Arte Real pode nos dar é que só podemos ir adiante por intermédio dos IIr.'..  
Uma Loja só é possível com o número correto de participantes , e em um dado momento você fará a diferença, você será a peça que não poderá faltar e por isto, outros contarão com você. 
A caminhada é longa, por vezes cansativa e difícil, nem sempre é fácil trabalhar nosso EGO, mas posso lhes garantir que estarão entre IIr.'.. 
Para encerrar digo-vos que aqui como em todos os lugares, algumas vezes vós podereis ficar desconfortável ou mesmo triste com algo dito ou feito, neste momento peço que lembrem-se: “Não há desbaste da P.'.B.'. sem atrito. 
Sejam bem vindos!
Or.·. de Porto Alegre, 24  de Abril de 2016  da   E.·. V.·.
Carlos Mutti
Orad.·.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

ÉTICA DO DEVER

"A ética do dever é moderna porque confia no homem, na sua razão e na sua liberdade. É a ética do homem empreendedor, e nisto coincide com o surgimento e a ascensão da sociedade industrial e capitalista. Ela é estranha ao capitalismo consumista, na medida em que não dá grande valor ao gozo dos prazeres, acentuando privilegiadamente os deveres. A felicidade de que Kant fala é a da consciência do dever cumprido. A tranqüilidade da boa consciência. E se ele fala na busca dos bens materiais é porque considera que ser feliz, neste aspecto, é um dever do homem, uma vez que um homem frustrado faz mal a si e aos outros. Temos, pois, até uma obrigação de tudo fazermos para ser felizes, desde que seja tudo o que poderia ser universalizável, dentro do respeito aos demais. Não é a felicidade a qualquer preço."

Prof. Dr. Alvaro L. M. Valls (Dep. Filosofia - UFRGS)
in: https://www.ufrgs.br/bioetica/eticacon.htm

segunda-feira, 11 de abril de 2016

AFINAL É SÓ ISTO?


Um homem livre e de bons costumes, a certa altura, manifesta interesse em se integrar na maçonaria. Espera um bocado (ás vezes, um booom bocado...), alguns desconhecidos têm com ele conversas que lhe parecem cerrados interrogatórios, um belo dia é informado que foi aceite para ser iniciado, um não menos belo dia é mesmo iniciado. Vive uma cerimónia que, provavelmente, não vai esquecer até ao fim da sua vida e dizem-lhe que, a partir daí, é um Aprendiz. Passa um bom bocado (às vezes um booom bocado...) nessa condição e, outro belo dia, é elevado a Companheiro, noutra cerimónia que, esta, o dececiona um pouco. Passa outro bom (ou booom...) bocado e, em mais outro belo dia, é exaltado Mestre Maçom, numa nova cerimónia que, esta, vai rivalizar, na sua memória com aquela em que foi iniciado. A partir daí, é um elemento com pleno direito a intervir em tudo o que diz respeito à sua Loja e à Obediência em que se integra.

O homem livre e de bons costumes (desejavelmente melhores...), agora Mestre Maçom, às vezes - frequentemente - é atraído para efetuar o percurso de um (ou mais) sistema de Altos Graus. Algum tempo (e algumas despesas...) depois, interioriza que estes Altos Graus afinal mais não são do que desenvolvimentos, aprofundamentos, do que aprendera na Maçonaria azul, a dos três graus, Aprendiz, Companheiro e Mestre.

Entretanto, na sua Loja, o homem livre e de bons (desejavelmente melhores...) costumes vai evoluindo de jovem Mestre a Mestre experiente. Vai assegurando o exercício de vários ofícios em Loja, normalmente primeiro em substituição dos titulares, depois como elemento oficialmente integrando o Quadro de Oficiais da Loja. A certa altura, assegura o ofício de 2.º Vigilante, tem a responsabilidade de coordenar os Aprendizes, relembra o tempo em que ele próprio foi Aprendiz e trata de fazer o que se recorda que então apreciou que o "seu" 2.º Vigilante fez, mais aquilo que gostaria que ele tivesse feito. Depois, assegura o ofício de 1.º Vigilante, passa a coordenar os Companheiros e relembra o trabalho do "seu" 1.º Vigilante e acrescenta-lhe o que, quando Companheiro, sentiu que então faltara.

Um belo dia, sente a responsabilidade de ser-lhe confiada a gestão da sua Loja, de lhe ser entregue o malhete de Venerável Mestre. Tem natural alegria por ter recebido a confiança dos seus Irmãos e sente a responsabilidade de corresponder a essa confiança. Não sabe ainda que essa é apenas a primeira de duas alegrias: a segunda saboreá-la-á juntamente com o sentimento de dever cumprido e o alívio de terminar a responsabilidade de conduzir a Loja, na ocasião em que passar o malhete ao seu sucessor.

Depois... depois aconselha o seu sucessor, exerce o ofício mais humilde - mas não menos importante... - da Loja, e... passa ao estatuto de Mestre Instalado, ex-Venerável, senador da Loja, enfim, com mais ou menos colaboração com a Loja, com mais ou menos intervenção em ofícios em substituição, com mais ou menos exercício de ofícios em primeira linha destinados aos Mestres mais experientes, essencialmente passa à "reserva ativa" e a observar o percurso que fazem os que, depois dele, fazem o caminho que ele já fez.

É certo que há os tais Altos graus, é certo que pode haver a oportunidade de assegurar ofícios em Grande Loja, mas certo, certinho, é que passará os dez, vinte, trinta ou mais anos seguintes a fazer mais do mesmo.

Provavelmente, talvez quase certamente, em mais um belo dia sentirá assomar-lhe ao pensamento a pergunta: mas afinal a Maçonaria é só isto?

E é então, precisamente então, que, chegado o momento da verdade, o homem livre e de bons (desejavelmente melhores...) costumes, se fez bem o seu trabalho desde o já longínquo dia em que foi iniciado, imediatamente tem a sua resposta: Sim, é só isto, não deve ser mais do que isto e é preciso que seja exatamente isto!

Se der esta resposta a esta pergunta, pode sentir-se feliz, porque já aprendeu (ou melhor, pois convém não ser convencido nem petulante: já começou a aprender...) a primeira e essencial lição que a Maçonaria lhe ensina: a Maçonaria serve, tem como objetivo, destina-se ao aperfeiçoamento dos seus elementos. Dia a dia, hora a hora, momento a momento, sempre, desde o meio-dia até à meia-noite, isto é, desde o dia da sua iniciação até ao momento da sua passagem ao Oriente Eterno.

O aperfeiçoamento individual é uma atividade, um esforço, uma tarefa, que se assemelha a andar de bicicleta: se se parar por muito tempo, cai-se... O aperfeiçoamento individual, tal como a forma física, é um compromisso  permanente. Sabem os atletas e desportistas, da alta, média ou baixa competição, que para se atingir e melhorar a forma física, tem de se ter muito trabalho. E que, quando se vai de férias, ou se fica doente ou lesionado, ou simplesmente se para porque assim apetece, ao fim de pouco tempo deixa-se de se ficar em forma. E, para a atingir de novo, é preciso recomeçar e ressofrer o que se sofreu para atingir a forma da primeira vez.

O treino está para a forma física como o trabalho de aperfeiçoamento está para o aprumo moral e espiritual. Se se para, regride-se. Quem quer efetivamente ser melhor, tem de continuamente esforçar-se por ser melhor - sem descanso, sem interrupções, sem desfalecimentos - até ao momento em que o nosso tempo neste plano de existência termina. 

Portanto, meus Irmãos maçons, caros candidatos a integrarem a Maçonaria, simples curiosos, indiferentes que só por acaso vieram dar a este texto e (miraculosamente?) ainda o estão lendo, e até mesmo você, que não gosta mesmo nada dos maçons: Sim, afinal a Maçonaria é só isto, faz todo o sentido que seja só isto, não deve ser mais do que isto ou diferente disto, um percurso de aprendizagem, de repetição, muita repetição, de esforço, muito esforço, de persistência, muita persistência, apenas com um simples e aparentemente (mas só aparentemente...) fácil objetivo, ser melhor hoje do que se foi ontem, ser amanhã um pouco melhor do que se foi hoje, e assim prosseguir até à hora em que ao maçom é permitido pousar as suas ferramentas e passar ao Oriente Eterno.

Quanto mais depressa se interiorizar isto, mais fácil e mais profícuo é o trabalho!

Rui Bandeira
fonte: http://a-partir-pedra.blogspot.com.br/

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

O FALSO DISCÍPULO

  
Disse Jesus que o verdadeiro discípulo seria reconhecido pelo amor que praticasse, por amar seus semelhantes INCONDICIONALMENTE.
O falso discípulo decorou as escrituras, é um hermeneuta intelectual intolerante, armadilha do ego para fazer-se superior. O verdadeiro discípulo abraça incondicionalmente e fala de coração a coração;
O falso discípulo sacrifica simbolicamente Jesus e com o seu sangue purifica os “impuros”, esconjurando-os às chamas infernais. O verdadeiro discípulo limpa as “chagas” morais dos caídos sem a presunção de pureza;
O falso discípulo julga-se direitista e salvo. O verdadeiro discípulo não se presume evangelizado;
O falso discípulo exalta Jesus ensaguentado numa coroa de espinhos. O verdadeiro discípulo lembra-o misericordioso e consolador curando nas copas da àrvores e instruindo no sermão da montanha;
O falso discípulo, se vegetariano, com acidez menospreza os carnívoros e por vezes prefere conviver com os animais do que com as humanas criaturas. O verdadeiro discípulo senta com todos à mesa e não impõe radicalmente sua escolha, assim como Jesus comungava à mesa dos coletores de impostos;
O falso discípulo aguarda ansiosamente a purificação da humanidade através de proféticas catástrofes. O verdadeiro discípulo compreende que somos espíritos imortais e elege à si mesmo consolar as “chagas” morais de seus irmãos caídos nos escombros da vida;
O falso discípulo se esconde em fakes e perfis nas redes sociais não assumindo sua identidade. O verdadeiro discípulo não teme se mostrar, assim como Jesus o fez entrando em Jerusalém num burrico;
O falso discípulo é fanático pelo guru espiritual ou o seu santo de fé. O verdadeiro discípulo compreendeu a universalidade do Mestre e entende que todos são seres divinos, chispas de uma mesma chama sagrada que é nosso Criador;
Os verdadeiros discípulos estão em todas as religiões e em nenhuma ao mesmo tempo, eis que são o caráter e o amor os fatores eletivos ao Mestre e não a pseudo perfeição doutrinária.
 
Fonte: http://www.triangulodafraternidade.com/2016/02/o-falso-discipul.html

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

CONTRADIÇÃO FUNDAMENTAL

A Maçonaria regular só admite no seu seio crentes. Deixa, porém, ao critério de cada um a crença concreta que cada um professa, nada lhe importando a forma como cada um vive a sua crença. as obrigações que respeita (ou infringe...), a forma como se organiza (ou não) a estrutura que porventura enquadre a prática da religião professada, nem sequer a designação que cada um atribui à divindade que concebe e em que crê. Por isso, adotou uma forma de se referir à Divindade por cada um venerada, que é independente da designação utilizada em qualquer religião e que pretende seja reconhecida por cada crente como referindo-se à Divindade da crença que professa: Grande Arquiteto do Universo.

Assim, para a Maçonaria, um maçom pode perfeitamente, sem problemas ou reservas, ser católico, batista, anabatista, mormon, pentecostal, evangélico, luterano, calvinista, testemunha de Jeová, muculmano, judeu, hindu, ou o que quer que seja. A sua crença é do seu foro íntimo e é com ela que se junta aos demais maçons para que, em auxílio mútuo, cada um se aperfeiçoe pessoal, ética, moral e espiritualmente.

No sentido inverso, no entanto, as coisas não se processam de forma tão simples e clara. 

No âmbito da religião católica, é conhecido que repetidas vezes vários Papas emitiram documentos de condenação da Maçonaria, tendo mesmo, durante largo tempo, o Código de Direito Canónico punido com a excomunhão o católico que a ela aderisse. Hoje, não é já assim, mas o último documento proveniente da Cúria Romana continua a não ser particularmente simpático para a Maçonaria: 

Permanece portanto imutável o parecer negativo da Igreja a respeito das associações maçónicas, pois os seus princípios foram sempre considerados inconciliáveis com a doutrina da Igreja e por isso permanece proibida a inscrição nelas.  Os fiéis que pertencem às associações maçónicas estão em estado de pecado grave e não podem aproximar-se da Sagrada Comunhão.

(excerto da Declaração sobre a Maçonaria de 26 de novembro de 1983 do então Prefeito da Congregação Para a Doutrina da Fé, Cardeal Ratzinger).

No âmbito da religião islâmica, também se conhecem posições de responsáveis nada lisongeiras para a Maçonaria:

Dado que a Maçonaria se envolve em atividades perigosas e é um grande perigo, com objetivos perversos, o Sínodo Jurisdicional determina que a Maçonaria é uma organização perigosa e destrutiva. Todo o muçulmano, que se filiar nela, conhecendo a verdade dos seus objetivos, é um infiel ao Islão.

(excerto final do parecer de 15 de julho de 1978 do Colégio Islâmico Jurisdicional).

No campo das crenças cristãs resultantes da Reforma, também não é difícil encontrar posições contrárias à maçonaria:

A COMISSÃO FAZ A SEGUINTE PROPOSTA:
1) - QUE SEJA REAFIRMADA A POSIÇÃO DA ASSOCIAÇÃO CONTRÁRIA A MAÇONARIA E OUTRAS SOCIEDADES SECRETAS;
(...)
4) - QUE A AIBRB FAÇA UM APELO COM BASE NO AMOR CRISTÃO, AOS CRENTES FILIADOS À MAÇONARIA, PARA QUE, POR AMOR A CRISTO E AO TRABALHO DE DEUS QUE NOS FOI CONFIADO, AFASTEM-SE DE TAL SOCIEDADE.

(excertos de proposta aprovada na 12.ª Assembleia da Associação das Igrejas Batistas Regulares do Brasil).

Não é de estranhar que existam posições antimaçónicas em vários setores ou hierarquias - normalmente os mais integristas, ortodoxos ou fundamentalistas - de várias confissões religiosas, se tivermos em atenção a contradição fundamental entre a Maçonaria e as religiões.

Cada religião, e particularmente nas religiões monoteístas, considera que o seu caminho, a sua doutrina, a observância dos seus preceitos é que conduz à Salvação. Portanto todos os que se posicionam no exterior do seu caminho, da sua doutrina, dos seus preceitos, estão destinados à Perdição.  

Já para a Maçonaria, a questão não se põe nestes termos. Cada um é livre de seguir o seu caminho, de professar a sua religião, de seguir os preceitos dela e todos são considerados iguais e aptos para serem bons e se tornarem melhores. A Maçonaria (o maçom) não concebe que o mesmo Criador, chame-se-Lhe Deus, Allah, Jeovah, Krishna, Manitu, ou o que se Lhe chamar, conceba, admita, queira, que os que O veneram por um nome sejam salvos e os que O conhecem por outro se percam, que os que seguem preceitos de uma Tradição religiosa recebam eterna recompensa e os que tiveram a desdita de nascer e viver num ambiente com diversa Tradição religiosa eternamente sejam punidos. 

Para a Maçonaria, o que importa é o comportamento, a postura ética, o reconhecimento do Transcendente e do Divino, não o cumprimento específico de normas, de práticas, de posturas, quantas vezes decorrentes de diversos ambientes, de diferentes culturas, de separações feitas pelos homens daquilo que o Criador fez igual.

Para a Maçonaria não há caminhos certos nem errados. O caminho de cada um é o certo para ele, se estiver de boa-fé e for perseverante nos seus propósitos.

A contradição fundamental entre a Maçonaria e as diferentes hierarquias religiosas está na Tolerância, que é inerente à Maçonaria e que os integristas, os ortodoxos e os fundamentalistas não aceitam. Tão simples como isto!

Rui Bandeira
http://a-partir-pedra.blogspot.com.br/

Grande Rui Bandeira. Grande Irmão. Apesar da nossa "irregularidade", comungamos dos mesmos valores.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

TRÊS MAUS COMPANHEIROS



“Diz-me com quem andas que te direi quem és.”

IGNORÂNCIA
Ignorar: não saber, não conhecer. Logo, a ignorância é a qualidade de quem não sabe ou não conhece. (saber=conhecer, ser ou estar informado sobre algo; conhecer=perceber e incorporar à memória algo, tomar ou ter consciência de alguma coisa).

Na ignorância não conseguiríamos, como não conseguiremos, enxergar o caminho real que Deus traçou a cada um de nós na Terra. Todos nós, sejamos crianças ou jovens, adultos ou já muitíssimo maduros, devemos estudar sempre.                                                                             Chico Xavier

O indivíduo ignorante vive ou atua de acordo com a ignorância, muitas vezes baseando a sua vida em preconceitos, superstições, e ideias sem fundamento. Desta forma, ele constrói um mundo falso, com noções errôneas a respeito dele mesmo e do mundo que o envolve.
O influente filósofo grego Aristóteles afirmou: "O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete." Esta afirmação revela que uma das bases da aquisição do conhecimento é ter dúvida. Se existe dúvida, há vontade de estudar, pesquisar, pensar sobre um determinado assunto. Isso é o que faz uma pessoa sábia e sensata. Alguém que pensa que já sabe tudo, não tem motivação para aprender e para evoluir, e revela acima de tudo, uma atitude ignorante. Como diria o sábio filósofo Sócrates: "Só sei que nada sei". Só quem não é ignorante é capaz de fazer uma afirmação dessas. Em outras palavras, o ignorante não faz uso da régua.
Assim como em muitas espécies de seres da natureza, a  vida humana só se tornou perene pela convivência em sociedade, ou seja, em comunidades de indivíduos. Porém, diferente dos demais seres vivos deste planeta, a espécie humana é racional, capaz de buscar a verdade sobre os fenômenos e reconhecer como eles funcionam. Desta capacidade, surgiu a exigência de todos de um mínimo de aceitação do bom senso, da restrição de direitos absolutos em detrimento de deveres relativos garantidos, que se expressam através de regras básicas de conviver, escritas ou não, cuja base é transmitida pela educação. A educação principia em nossos lares, pelas famílias, em suas mais variadas formas, e continua pelo aparato social através do sistema escolar.
Mas o que vemos hoje é a falência progressiva da educação, fruto de uma realidade socioeconômica perversa, onde a maioria da população não tem um ambiente familiar propício e o sistema educacional público falido amarga repetidas baixas nos índices de qualidade. E tudo isto acaba por desaguar em nós, sem o percebermos. Somos testemunhas diárias desta realidade em todos os ambientes sociais: no trânsito, no trabalho, nas redes sociais, etc.
E como se expressa nessa contexto a ignorância? De muitas e variadas formas: motoristas que agem descumprindo a lei de trânsito e demonstram pensar que estão corretos; pessoas que disseminam inverdades sobre outras pessoas ou entidades sem o menor constrangimento; agentes públicos e privados que se corrompem sem o menor pudor. Em suma, não se perde tempo com a verdade. O que vale é a versão mais à mão e mais rápida de ser alcançada. E esquece-se do que o mestre falou: “Procureis a verdade é ela vos libertará”. Enfim, a busca da verdade deveria ser um valor intrínseco em todo ser humano e é o que, em última análise, nos diferencia na natureza.
FANATISMO
Fanatismo é o estado psicológico de fervor excessivo, irracional e persistente por qualquer coisa ou tema. É extremamente frequente em paranoides, cuja apaixonada adesão a uma causa pode avizinhar-se do delírio. Para tanto, faz-se preciso que a conduta da pessoa seja marcada pelo radicalismo e por absoluta intolerância para com todos os que não compartilhem suas predileções. De um modo geral, o fanático tem uma visão-de-mundo maniqueísta, cultivando a dicotomia bem/mal, onde o mal reside naquilo e naqueles que contrariam seu modo de pensar, levando-o a adotar condutas irracionais e agressivas que podem, inclusive, chegar a extremos perigosos, como o recurso à violência para impor seu ponto de vista. Enquanto na ignorância não damos valor à verdade, no fanatismo nós recepcionamos uma verdade pronta como dogma e alienamos a nossa responsabilidade da dúvida e da reflexão. Em outras palavras, o fanático não faz uso do nível.
AMBIÇÃO
Do latim AMBITIO, “dar uma volta”, especialmente para colher votos ou elogios, formada por AMBI-, “ao redor”, mais IRE, “ir”. Poderíamos dizer que o ambicioso é aquele que corre atrás de seus objetivos, o que por sí só não representa uma coisa positiva ou negativa. Correr atrás dos objetivos é a forma mais adequada de produzir MERECIMENTO, ou seja, de reconhecer a validade da lei de causa e efeito. O que importa para nós agora é saber COMO se deu este correr atrás, quais as formas de que nos utilizamos para alcançar nossos objetivos.
A ambição má companheira é aquela contrária ao altruísmo, ou seja, aquela em que os fins justificam os meios; onde as mínimas regras do direito, da educação e do bom senso são postas de lado em favor do nosso exclusivo bem; é o egoísmo clássico. E, infelizmente, é o que estamos vendo acontecer cada vez mais no nosso cotidiano. Somos todos nós que queremos levar vantagem, CERTO: no trânsito, no ônibus, na fila, no trabalho, etc. Não importando se para isso tivermos que cometer  infrações, prejudicar terceiros, corromper a verdade. A verdade? A verdade nós vamos moldá-la segundo a nossa necessidade. Esta é uma muito má companheira. Em outras palavras, o ambicioso não sabe fazer um uso adequado do maço.
Fica o convite: vamos nos preocupar em procurar bom companheiros. No lugar da ignorância, vamos fazer o que podemos para nos instruirmos e não falar de coisas que não sabemos, que não temos conhecimento. Digamos, nestes casos, simplesmente: NÃO SEI, vou procurar me instruir sobre o assunto! No lugar do fanatismo, vamos exercitar a tolerância, no sentido de respeitar as opções alheias que não nos causam nenhum prejuízo, que estão no direito de opção exclusiva do meu próximo. Vamos nos preocupar em reconhecer que a verdade deve ser posta frequentemente em dúvida, que deve ser raciocinada. No lugar da ambição negativa, do egoísmo explícito, vamos correr atrás sim de nossos objetivos, mas respeitando valores éticos mínimos, exercitando o altruísmo, as boas ações com o nosso semelhante e com a realidade que nos rodeia.