quinta-feira, 5 de maio de 2016

BEM VINDOS APRENDIZES


À GL.·. do G.·. A.·. D.·. U.·. 
Augusta e Respeitável Loja Maçônica Simbólica Mista Triângulo da Fraternidade  
S.·. 
F.·.             U.·.
  
Ponderações sobre a iniciação. 
Fui instado, por dever de ofício,  a falar sobre vossa Iniciação, mais do que uma vontade esta é uma responsabilidade do cargo que ocupo neste momento.  
Digo responsabilidade, pois após passardes pelo que passaram e sendo chamados agora de IIr.'., vocês esperam ouvir algo que fique marcado em vossas memórias. 
Acontece que assim como vocês, eu também me encontro neófito neste cargo, experimentando, ajustando minha fala, procurando seguir a ritualística e acima de tudo tentando aprender  me colocando à prova. E aqui vai  vossa primeira lição: Em Loja, estamos sempre sendo colocados à prova. 
A cerimônia pela qual passastes, se conseguistes esquecer um pouco do nervosismo devem ter notado seu caráter profundamente simbólico e sensorial. 
O de ser vendado, privado do mais importante sentido no mundo profano,  sentindo-se sozinho e abandonado em um canto, apenas ouvindo o que se passava ao redor. 
Ou de fazer um testamento, que coisa mais incômoda estar vivo e ter que pensar na morte, na nossa morte, os símbolos mostrando a transitoriedade da vida e aquele cartaz lembrando quais deveriam ser vossas verdadeiras intenções aqui. 
Também o de se sentir pressionado pelo interrogatório, talvez vulnerável por ter tido seus dados pessoais expostos de uma forma tão direta e, por fim, aliviado por ter aquela parte enfim terminado.  
 
Depois, o sentimento de ser amparado por mãos amigas e seguras nas viagens e nas tribulações postas ao longo do caminho, ser questionado tantas e tantas vezes se realmente tinha certeza de vossas intenções. 
Por fim, a água, o calor, a Luz. Tantas coisas acontecendo neste breve hiato da vida profana. 
Caros, a cerimônia de Iniciação acabou e esta jornada apenas principia, mas suas impressões e sentimentos, sem sombra de dúvidas, perdurarão por muito tempo.  
Esta cerimônia não é uma brincadeira, um forma de adultos passarem o tempo. Em algum momento o que vós passastes virá à tona, na forma de uma sensação diferente, especial, talvez até não muito agradável.  
Trabalhamos com um dos chacras mais importantes do corpo humano (lembram das três batidas no topo da cabeça ?)  além de tantos outros que serão ativados e desenvolvidos ao longo de vossa caminhada. 
A propósito, aqui verás IIr.'. mais avançados na lide maçônica e poderás pensar: - Tenho muito a aprender com ele/ela!  
Ledo engano, nós MM.'. é que temos muito a aprender com sua chegada, ou vocês acham que a Iniciação de novos membros tem apenas a finalidade de aumentar o número de IIr.'. de uma Loja ? 
Pois não tem!  
Na realidade o  aumento do quadro social é só um ‘efeito colateral’. A chegada de novos membros tem o objetivo de movimentar as energias, tirar da zona de conforto quem lá está, tanto para quem entra quanto para quem aqui está. 
Muito eu poderia falar sobre o ritual pelo qual recém passastes, mas seriam minhas impressões e não é isto que procuramos.  
Aqui se busca o aprendizado pelo estudo e principalmente pela experiência e já na primeira Loja serão instados a falar sobre vossas próprias impressões. 
Falando nisto, deixo uma pergunta para ficares com ela na cabeça. Era como achastes que seria ? Imaginastes desta forma ? Ficastes decepcionado ? 
De qualquer forma dizem que mais acrescentamos ao nosso cérebro e ao nosso espírito quando trilhamos caminhos diferentes a cada vez. 
E é só o que pedimos. Que trilhes vossa jornada de forma única, pessoal e intransferível.
  
Foi-te solicitado trabalho? Faça-o de boa vontade, com intenção, coloque sua ‘letra’ nele. Deixe-nos conhecer-vos através de suas próprias palavras. Afinal fostes vós que quisestes aqui entrar. 
Dedique-se ao ritual e ao seu entendimento prático, esotérico e simbólico. Quando notares  algo que considere piegas e talvez sem sentido, pergunte a si mesmo:  
- O que é que não estou enxergando aqui? - Porquê isto me foi apresentado neste momento e desta forma ? 
Olha em  torno, veja o Universo. O G.'. A.'. D.'.U.'. não joga dados.  
O ritual é a linha central sobre a qual todas os estudos são baseados e pela qual nossa caminhada aqui é trilhada.  
Aos nos apresentar símbolos e pedir que os interpretemos à luz de nosso conhecimento, a Maçonaria faz o seu melhor: Deixa o nosso livre arbítrio agir, através do intelecto, do pensar e do sentir, guiando nosso aprendizado. 
E o que pedimos em troca?  
Pedimos boa vontade em aprender e humildade pois aqui não é um lugar para competições, aqui todos se completam. 
Ainda, pedimos coragem para se expor e fazer valer o tempo de aprendizado, o seu e o nosso, pois uma das maiores lições que a Arte Real pode nos dar é que só podemos ir adiante por intermédio dos IIr.'..  
Uma Loja só é possível com o número correto de participantes , e em um dado momento você fará a diferença, você será a peça que não poderá faltar e por isto, outros contarão com você. 
A caminhada é longa, por vezes cansativa e difícil, nem sempre é fácil trabalhar nosso EGO, mas posso lhes garantir que estarão entre IIr.'.. 
Para encerrar digo-vos que aqui como em todos os lugares, algumas vezes vós podereis ficar desconfortável ou mesmo triste com algo dito ou feito, neste momento peço que lembrem-se: “Não há desbaste da P.'.B.'. sem atrito. 
Sejam bem vindos!
Or.·. de Porto Alegre, 24  de Abril de 2016  da   E.·. V.·.
Carlos Mutti
Orad.·.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

ÉTICA DO DEVER

"A ética do dever é moderna porque confia no homem, na sua razão e na sua liberdade. É a ética do homem empreendedor, e nisto coincide com o surgimento e a ascensão da sociedade industrial e capitalista. Ela é estranha ao capitalismo consumista, na medida em que não dá grande valor ao gozo dos prazeres, acentuando privilegiadamente os deveres. A felicidade de que Kant fala é a da consciência do dever cumprido. A tranqüilidade da boa consciência. E se ele fala na busca dos bens materiais é porque considera que ser feliz, neste aspecto, é um dever do homem, uma vez que um homem frustrado faz mal a si e aos outros. Temos, pois, até uma obrigação de tudo fazermos para ser felizes, desde que seja tudo o que poderia ser universalizável, dentro do respeito aos demais. Não é a felicidade a qualquer preço."

Prof. Dr. Alvaro L. M. Valls (Dep. Filosofia - UFRGS)
in: https://www.ufrgs.br/bioetica/eticacon.htm

segunda-feira, 11 de abril de 2016

AFINAL É SÓ ISTO?


Um homem livre e de bons costumes, a certa altura, manifesta interesse em se integrar na maçonaria. Espera um bocado (ás vezes, um booom bocado...), alguns desconhecidos têm com ele conversas que lhe parecem cerrados interrogatórios, um belo dia é informado que foi aceite para ser iniciado, um não menos belo dia é mesmo iniciado. Vive uma cerimónia que, provavelmente, não vai esquecer até ao fim da sua vida e dizem-lhe que, a partir daí, é um Aprendiz. Passa um bom bocado (às vezes um booom bocado...) nessa condição e, outro belo dia, é elevado a Companheiro, noutra cerimónia que, esta, o dececiona um pouco. Passa outro bom (ou booom...) bocado e, em mais outro belo dia, é exaltado Mestre Maçom, numa nova cerimónia que, esta, vai rivalizar, na sua memória com aquela em que foi iniciado. A partir daí, é um elemento com pleno direito a intervir em tudo o que diz respeito à sua Loja e à Obediência em que se integra.

O homem livre e de bons costumes (desejavelmente melhores...), agora Mestre Maçom, às vezes - frequentemente - é atraído para efetuar o percurso de um (ou mais) sistema de Altos Graus. Algum tempo (e algumas despesas...) depois, interioriza que estes Altos Graus afinal mais não são do que desenvolvimentos, aprofundamentos, do que aprendera na Maçonaria azul, a dos três graus, Aprendiz, Companheiro e Mestre.

Entretanto, na sua Loja, o homem livre e de bons (desejavelmente melhores...) costumes vai evoluindo de jovem Mestre a Mestre experiente. Vai assegurando o exercício de vários ofícios em Loja, normalmente primeiro em substituição dos titulares, depois como elemento oficialmente integrando o Quadro de Oficiais da Loja. A certa altura, assegura o ofício de 2.º Vigilante, tem a responsabilidade de coordenar os Aprendizes, relembra o tempo em que ele próprio foi Aprendiz e trata de fazer o que se recorda que então apreciou que o "seu" 2.º Vigilante fez, mais aquilo que gostaria que ele tivesse feito. Depois, assegura o ofício de 1.º Vigilante, passa a coordenar os Companheiros e relembra o trabalho do "seu" 1.º Vigilante e acrescenta-lhe o que, quando Companheiro, sentiu que então faltara.

Um belo dia, sente a responsabilidade de ser-lhe confiada a gestão da sua Loja, de lhe ser entregue o malhete de Venerável Mestre. Tem natural alegria por ter recebido a confiança dos seus Irmãos e sente a responsabilidade de corresponder a essa confiança. Não sabe ainda que essa é apenas a primeira de duas alegrias: a segunda saboreá-la-á juntamente com o sentimento de dever cumprido e o alívio de terminar a responsabilidade de conduzir a Loja, na ocasião em que passar o malhete ao seu sucessor.

Depois... depois aconselha o seu sucessor, exerce o ofício mais humilde - mas não menos importante... - da Loja, e... passa ao estatuto de Mestre Instalado, ex-Venerável, senador da Loja, enfim, com mais ou menos colaboração com a Loja, com mais ou menos intervenção em ofícios em substituição, com mais ou menos exercício de ofícios em primeira linha destinados aos Mestres mais experientes, essencialmente passa à "reserva ativa" e a observar o percurso que fazem os que, depois dele, fazem o caminho que ele já fez.

É certo que há os tais Altos graus, é certo que pode haver a oportunidade de assegurar ofícios em Grande Loja, mas certo, certinho, é que passará os dez, vinte, trinta ou mais anos seguintes a fazer mais do mesmo.

Provavelmente, talvez quase certamente, em mais um belo dia sentirá assomar-lhe ao pensamento a pergunta: mas afinal a Maçonaria é só isto?

E é então, precisamente então, que, chegado o momento da verdade, o homem livre e de bons (desejavelmente melhores...) costumes, se fez bem o seu trabalho desde o já longínquo dia em que foi iniciado, imediatamente tem a sua resposta: Sim, é só isto, não deve ser mais do que isto e é preciso que seja exatamente isto!

Se der esta resposta a esta pergunta, pode sentir-se feliz, porque já aprendeu (ou melhor, pois convém não ser convencido nem petulante: já começou a aprender...) a primeira e essencial lição que a Maçonaria lhe ensina: a Maçonaria serve, tem como objetivo, destina-se ao aperfeiçoamento dos seus elementos. Dia a dia, hora a hora, momento a momento, sempre, desde o meio-dia até à meia-noite, isto é, desde o dia da sua iniciação até ao momento da sua passagem ao Oriente Eterno.

O aperfeiçoamento individual é uma atividade, um esforço, uma tarefa, que se assemelha a andar de bicicleta: se se parar por muito tempo, cai-se... O aperfeiçoamento individual, tal como a forma física, é um compromisso  permanente. Sabem os atletas e desportistas, da alta, média ou baixa competição, que para se atingir e melhorar a forma física, tem de se ter muito trabalho. E que, quando se vai de férias, ou se fica doente ou lesionado, ou simplesmente se para porque assim apetece, ao fim de pouco tempo deixa-se de se ficar em forma. E, para a atingir de novo, é preciso recomeçar e ressofrer o que se sofreu para atingir a forma da primeira vez.

O treino está para a forma física como o trabalho de aperfeiçoamento está para o aprumo moral e espiritual. Se se para, regride-se. Quem quer efetivamente ser melhor, tem de continuamente esforçar-se por ser melhor - sem descanso, sem interrupções, sem desfalecimentos - até ao momento em que o nosso tempo neste plano de existência termina. 

Portanto, meus Irmãos maçons, caros candidatos a integrarem a Maçonaria, simples curiosos, indiferentes que só por acaso vieram dar a este texto e (miraculosamente?) ainda o estão lendo, e até mesmo você, que não gosta mesmo nada dos maçons: Sim, afinal a Maçonaria é só isto, faz todo o sentido que seja só isto, não deve ser mais do que isto ou diferente disto, um percurso de aprendizagem, de repetição, muita repetição, de esforço, muito esforço, de persistência, muita persistência, apenas com um simples e aparentemente (mas só aparentemente...) fácil objetivo, ser melhor hoje do que se foi ontem, ser amanhã um pouco melhor do que se foi hoje, e assim prosseguir até à hora em que ao maçom é permitido pousar as suas ferramentas e passar ao Oriente Eterno.

Quanto mais depressa se interiorizar isto, mais fácil e mais profícuo é o trabalho!

Rui Bandeira
fonte: http://a-partir-pedra.blogspot.com.br/

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

O FALSO DISCÍPULO

  
Disse Jesus que o verdadeiro discípulo seria reconhecido pelo amor que praticasse, por amar seus semelhantes INCONDICIONALMENTE.
O falso discípulo decorou as escrituras, é um hermeneuta intelectual intolerante, armadilha do ego para fazer-se superior. O verdadeiro discípulo abraça incondicionalmente e fala de coração a coração;
O falso discípulo sacrifica simbolicamente Jesus e com o seu sangue purifica os “impuros”, esconjurando-os às chamas infernais. O verdadeiro discípulo limpa as “chagas” morais dos caídos sem a presunção de pureza;
O falso discípulo julga-se direitista e salvo. O verdadeiro discípulo não se presume evangelizado;
O falso discípulo exalta Jesus ensaguentado numa coroa de espinhos. O verdadeiro discípulo lembra-o misericordioso e consolador curando nas copas da àrvores e instruindo no sermão da montanha;
O falso discípulo, se vegetariano, com acidez menospreza os carnívoros e por vezes prefere conviver com os animais do que com as humanas criaturas. O verdadeiro discípulo senta com todos à mesa e não impõe radicalmente sua escolha, assim como Jesus comungava à mesa dos coletores de impostos;
O falso discípulo aguarda ansiosamente a purificação da humanidade através de proféticas catástrofes. O verdadeiro discípulo compreende que somos espíritos imortais e elege à si mesmo consolar as “chagas” morais de seus irmãos caídos nos escombros da vida;
O falso discípulo se esconde em fakes e perfis nas redes sociais não assumindo sua identidade. O verdadeiro discípulo não teme se mostrar, assim como Jesus o fez entrando em Jerusalém num burrico;
O falso discípulo é fanático pelo guru espiritual ou o seu santo de fé. O verdadeiro discípulo compreendeu a universalidade do Mestre e entende que todos são seres divinos, chispas de uma mesma chama sagrada que é nosso Criador;
Os verdadeiros discípulos estão em todas as religiões e em nenhuma ao mesmo tempo, eis que são o caráter e o amor os fatores eletivos ao Mestre e não a pseudo perfeição doutrinária.
 
Fonte: http://www.triangulodafraternidade.com/2016/02/o-falso-discipul.html

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

CONTRADIÇÃO FUNDAMENTAL

A Maçonaria regular só admite no seu seio crentes. Deixa, porém, ao critério de cada um a crença concreta que cada um professa, nada lhe importando a forma como cada um vive a sua crença. as obrigações que respeita (ou infringe...), a forma como se organiza (ou não) a estrutura que porventura enquadre a prática da religião professada, nem sequer a designação que cada um atribui à divindade que concebe e em que crê. Por isso, adotou uma forma de se referir à Divindade por cada um venerada, que é independente da designação utilizada em qualquer religião e que pretende seja reconhecida por cada crente como referindo-se à Divindade da crença que professa: Grande Arquiteto do Universo.

Assim, para a Maçonaria, um maçom pode perfeitamente, sem problemas ou reservas, ser católico, batista, anabatista, mormon, pentecostal, evangélico, luterano, calvinista, testemunha de Jeová, muculmano, judeu, hindu, ou o que quer que seja. A sua crença é do seu foro íntimo e é com ela que se junta aos demais maçons para que, em auxílio mútuo, cada um se aperfeiçoe pessoal, ética, moral e espiritualmente.

No sentido inverso, no entanto, as coisas não se processam de forma tão simples e clara. 

No âmbito da religião católica, é conhecido que repetidas vezes vários Papas emitiram documentos de condenação da Maçonaria, tendo mesmo, durante largo tempo, o Código de Direito Canónico punido com a excomunhão o católico que a ela aderisse. Hoje, não é já assim, mas o último documento proveniente da Cúria Romana continua a não ser particularmente simpático para a Maçonaria: 

Permanece portanto imutável o parecer negativo da Igreja a respeito das associações maçónicas, pois os seus princípios foram sempre considerados inconciliáveis com a doutrina da Igreja e por isso permanece proibida a inscrição nelas.  Os fiéis que pertencem às associações maçónicas estão em estado de pecado grave e não podem aproximar-se da Sagrada Comunhão.

(excerto da Declaração sobre a Maçonaria de 26 de novembro de 1983 do então Prefeito da Congregação Para a Doutrina da Fé, Cardeal Ratzinger).

No âmbito da religião islâmica, também se conhecem posições de responsáveis nada lisongeiras para a Maçonaria:

Dado que a Maçonaria se envolve em atividades perigosas e é um grande perigo, com objetivos perversos, o Sínodo Jurisdicional determina que a Maçonaria é uma organização perigosa e destrutiva. Todo o muçulmano, que se filiar nela, conhecendo a verdade dos seus objetivos, é um infiel ao Islão.

(excerto final do parecer de 15 de julho de 1978 do Colégio Islâmico Jurisdicional).

No campo das crenças cristãs resultantes da Reforma, também não é difícil encontrar posições contrárias à maçonaria:

A COMISSÃO FAZ A SEGUINTE PROPOSTA:
1) - QUE SEJA REAFIRMADA A POSIÇÃO DA ASSOCIAÇÃO CONTRÁRIA A MAÇONARIA E OUTRAS SOCIEDADES SECRETAS;
(...)
4) - QUE A AIBRB FAÇA UM APELO COM BASE NO AMOR CRISTÃO, AOS CRENTES FILIADOS À MAÇONARIA, PARA QUE, POR AMOR A CRISTO E AO TRABALHO DE DEUS QUE NOS FOI CONFIADO, AFASTEM-SE DE TAL SOCIEDADE.

(excertos de proposta aprovada na 12.ª Assembleia da Associação das Igrejas Batistas Regulares do Brasil).

Não é de estranhar que existam posições antimaçónicas em vários setores ou hierarquias - normalmente os mais integristas, ortodoxos ou fundamentalistas - de várias confissões religiosas, se tivermos em atenção a contradição fundamental entre a Maçonaria e as religiões.

Cada religião, e particularmente nas religiões monoteístas, considera que o seu caminho, a sua doutrina, a observância dos seus preceitos é que conduz à Salvação. Portanto todos os que se posicionam no exterior do seu caminho, da sua doutrina, dos seus preceitos, estão destinados à Perdição.  

Já para a Maçonaria, a questão não se põe nestes termos. Cada um é livre de seguir o seu caminho, de professar a sua religião, de seguir os preceitos dela e todos são considerados iguais e aptos para serem bons e se tornarem melhores. A Maçonaria (o maçom) não concebe que o mesmo Criador, chame-se-Lhe Deus, Allah, Jeovah, Krishna, Manitu, ou o que se Lhe chamar, conceba, admita, queira, que os que O veneram por um nome sejam salvos e os que O conhecem por outro se percam, que os que seguem preceitos de uma Tradição religiosa recebam eterna recompensa e os que tiveram a desdita de nascer e viver num ambiente com diversa Tradição religiosa eternamente sejam punidos. 

Para a Maçonaria, o que importa é o comportamento, a postura ética, o reconhecimento do Transcendente e do Divino, não o cumprimento específico de normas, de práticas, de posturas, quantas vezes decorrentes de diversos ambientes, de diferentes culturas, de separações feitas pelos homens daquilo que o Criador fez igual.

Para a Maçonaria não há caminhos certos nem errados. O caminho de cada um é o certo para ele, se estiver de boa-fé e for perseverante nos seus propósitos.

A contradição fundamental entre a Maçonaria e as diferentes hierarquias religiosas está na Tolerância, que é inerente à Maçonaria e que os integristas, os ortodoxos e os fundamentalistas não aceitam. Tão simples como isto!

Rui Bandeira
http://a-partir-pedra.blogspot.com.br/

Grande Rui Bandeira. Grande Irmão. Apesar da nossa "irregularidade", comungamos dos mesmos valores.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

TRÊS MAUS COMPANHEIROS



“Diz-me com quem andas que te direi quem és.”

IGNORÂNCIA
Ignorar: não saber, não conhecer. Logo, a ignorância é a qualidade de quem não sabe ou não conhece. (saber=conhecer, ser ou estar informado sobre algo; conhecer=perceber e incorporar à memória algo, tomar ou ter consciência de alguma coisa).

Na ignorância não conseguiríamos, como não conseguiremos, enxergar o caminho real que Deus traçou a cada um de nós na Terra. Todos nós, sejamos crianças ou jovens, adultos ou já muitíssimo maduros, devemos estudar sempre.                                                                             Chico Xavier

O indivíduo ignorante vive ou atua de acordo com a ignorância, muitas vezes baseando a sua vida em preconceitos, superstições, e ideias sem fundamento. Desta forma, ele constrói um mundo falso, com noções errôneas a respeito dele mesmo e do mundo que o envolve.
O influente filósofo grego Aristóteles afirmou: "O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete." Esta afirmação revela que uma das bases da aquisição do conhecimento é ter dúvida. Se existe dúvida, há vontade de estudar, pesquisar, pensar sobre um determinado assunto. Isso é o que faz uma pessoa sábia e sensata. Alguém que pensa que já sabe tudo, não tem motivação para aprender e para evoluir, e revela acima de tudo, uma atitude ignorante. Como diria o sábio filósofo Sócrates: "Só sei que nada sei". Só quem não é ignorante é capaz de fazer uma afirmação dessas. Em outras palavras, o ignorante não faz uso da régua.
Assim como em muitas espécies de seres da natureza, a  vida humana só se tornou perene pela convivência em sociedade, ou seja, em comunidades de indivíduos. Porém, diferente dos demais seres vivos deste planeta, a espécie humana é racional, capaz de buscar a verdade sobre os fenômenos e reconhecer como eles funcionam. Desta capacidade, surgiu a exigência de todos de um mínimo de aceitação do bom senso, da restrição de direitos absolutos em detrimento de deveres relativos garantidos, que se expressam através de regras básicas de conviver, escritas ou não, cuja base é transmitida pela educação. A educação principia em nossos lares, pelas famílias, em suas mais variadas formas, e continua pelo aparato social através do sistema escolar.
Mas o que vemos hoje é a falência progressiva da educação, fruto de uma realidade socioeconômica perversa, onde a maioria da população não tem um ambiente familiar propício e o sistema educacional público falido amarga repetidas baixas nos índices de qualidade. E tudo isto acaba por desaguar em nós, sem o percebermos. Somos testemunhas diárias desta realidade em todos os ambientes sociais: no trânsito, no trabalho, nas redes sociais, etc.
E como se expressa nessa contexto a ignorância? De muitas e variadas formas: motoristas que agem descumprindo a lei de trânsito e demonstram pensar que estão corretos; pessoas que disseminam inverdades sobre outras pessoas ou entidades sem o menor constrangimento; agentes públicos e privados que se corrompem sem o menor pudor. Em suma, não se perde tempo com a verdade. O que vale é a versão mais à mão e mais rápida de ser alcançada. E esquece-se do que o mestre falou: “Procureis a verdade é ela vos libertará”. Enfim, a busca da verdade deveria ser um valor intrínseco em todo ser humano e é o que, em última análise, nos diferencia na natureza.
FANATISMO
Fanatismo é o estado psicológico de fervor excessivo, irracional e persistente por qualquer coisa ou tema. É extremamente frequente em paranoides, cuja apaixonada adesão a uma causa pode avizinhar-se do delírio. Para tanto, faz-se preciso que a conduta da pessoa seja marcada pelo radicalismo e por absoluta intolerância para com todos os que não compartilhem suas predileções. De um modo geral, o fanático tem uma visão-de-mundo maniqueísta, cultivando a dicotomia bem/mal, onde o mal reside naquilo e naqueles que contrariam seu modo de pensar, levando-o a adotar condutas irracionais e agressivas que podem, inclusive, chegar a extremos perigosos, como o recurso à violência para impor seu ponto de vista. Enquanto na ignorância não damos valor à verdade, no fanatismo nós recepcionamos uma verdade pronta como dogma e alienamos a nossa responsabilidade da dúvida e da reflexão. Em outras palavras, o fanático não faz uso do nível.
AMBIÇÃO
Do latim AMBITIO, “dar uma volta”, especialmente para colher votos ou elogios, formada por AMBI-, “ao redor”, mais IRE, “ir”. Poderíamos dizer que o ambicioso é aquele que corre atrás de seus objetivos, o que por sí só não representa uma coisa positiva ou negativa. Correr atrás dos objetivos é a forma mais adequada de produzir MERECIMENTO, ou seja, de reconhecer a validade da lei de causa e efeito. O que importa para nós agora é saber COMO se deu este correr atrás, quais as formas de que nos utilizamos para alcançar nossos objetivos.
A ambição má companheira é aquela contrária ao altruísmo, ou seja, aquela em que os fins justificam os meios; onde as mínimas regras do direito, da educação e do bom senso são postas de lado em favor do nosso exclusivo bem; é o egoísmo clássico. E, infelizmente, é o que estamos vendo acontecer cada vez mais no nosso cotidiano. Somos todos nós que queremos levar vantagem, CERTO: no trânsito, no ônibus, na fila, no trabalho, etc. Não importando se para isso tivermos que cometer  infrações, prejudicar terceiros, corromper a verdade. A verdade? A verdade nós vamos moldá-la segundo a nossa necessidade. Esta é uma muito má companheira. Em outras palavras, o ambicioso não sabe fazer um uso adequado do maço.
Fica o convite: vamos nos preocupar em procurar bom companheiros. No lugar da ignorância, vamos fazer o que podemos para nos instruirmos e não falar de coisas que não sabemos, que não temos conhecimento. Digamos, nestes casos, simplesmente: NÃO SEI, vou procurar me instruir sobre o assunto! No lugar do fanatismo, vamos exercitar a tolerância, no sentido de respeitar as opções alheias que não nos causam nenhum prejuízo, que estão no direito de opção exclusiva do meu próximo. Vamos nos preocupar em reconhecer que a verdade deve ser posta frequentemente em dúvida, que deve ser raciocinada. No lugar da ambição negativa, do egoísmo explícito, vamos correr atrás sim de nossos objetivos, mas respeitando valores éticos mínimos, exercitando o altruísmo, as boas ações com o nosso semelhante e com a realidade que nos rodeia.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

NOSSA GRANDE FAMÍLIA

A reencarnação nos oportuniza incontáveis vivências nas diversas regiões do nosso planeta. Se hoje estamos vivendo no Brasil, os nossos “ontens” poderão ter sido em alguma localidade no Oriente, como também na Europa, África ou, quem sabe, na América. Viajantes do mundo em algum momento na escala do tempo, deixamos a nossa marca, ou no mínimo, um túmulo onde estão os restos de um dos nossos paletós de carne.
Neste ir e vir no plano físico, experimentamos diferentes culturas, raças, religiões. Fomos formadores de tribos, reinos, nações, e tudo o que vivenciamos de bom ou de ruim ficou gravado no arquivo cósmico.
“Sob o céu, uma só família”, afirmou Confúcio.
A Terra é a nossa casa e a humanidade a nossa grande família.
A partir desta grande família, formam-se pequenos e médios grupos, que por afinidade energética ou cármica, se unem, criando pequenas células que também designamos de família.
Então, temos a família carnal ou de sangue, a família constituída por funcionários de uma empresa, a família da nacionalidade, a família de amigos, a família espiritual que podemos chamar de família de santo ou de terreiro, família evangélica, dependendo da religião e tantas outras denominações de famílias.  O conjunto destas pequenas células familiares formará a grande família: a HUMANIDADE.
A diversidade é a característica que impera em todas as famílias, inclusive na humanidade, e se apresenta como caminho libertador. Só poderemos alcançar este caminho quando olharmos para o outro com sentimento de aceitação. Para cada vivência, cada momento ou relacionamento, eis a oportunidade para atingirmos o aperfeiçoamento moral, através da tolerância, do amor ao próximo, do altruísmo e tantos outros sentimentos nobres.
Somos todos irmãos, pois somos filhos do mesmo Pai. Este mesmo Pai que possui diversas designações, próprias da diversidade. Sendo irmãos, devemos agir como tal. Portanto, a prática de valores que resultarão em cooperação, compartilhamento, responsabilidade e serviço ao bem comum. Agindo assim: aceitando a diversidade - como irmãos e não como inimigos.
O meu entendimento, a minha verdade é superior da tua? A intolerância toma força e homens e mulheres de boa vontade serão fatores decisivos para que uma nova postura de humanidade possa nascer.

O Natal está chegando juntamente com a passagem de um novo ciclo marcado pelo calendário. Que chegue 2016, vibração de Oxalá e Iemanjá! A paz, a condescendência, a união entre as diversas famílias. Desejo que a pomba da paz, a pomba de Oxalá esteja vibrando em cada Ori de quem lê este post.
Daisy Mutti Teixeira, MM.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

O DEVER, CAMINHO PARA A REALIZAÇÃO

Os maçons falam muito de Dever. É natural. O aperfeiçoamento individual a que se dedicam implica, inevitavelmente, que identifiquem o que têm a corrigir e definam como fazer a correção, isto é, o que se deve fazer para melhorar.


O caminho do maçom não é uma avenida de direitos, é uma vereda de deveres a cumprir. Mais: um conjunto de deveres que o maçom escolhe cumprir.

Na ética maçónica, em primeiro lugar vem a obrigação, o cumprimento dos deveres - só depois se atenta nos direitos. Porque o caminho é este, não há constrangimentos nem vergonhas na reclamação ou no exercício dos direitos, porque se interiorizou que estes são o reverso correspondente aos deveres que se cumprem. Assim, o cumprimento do dever é preâmbulo do exercício do direito - nunca o oposto.

Esta postura, que é o oposto do facilitismo e do hedonismo tão propalados por certos media comummente referidos de cor-de-rosa, que insidiosamente vão influenciando as mentes mais frágeis ou menos avisadas, é, no entanto, a mais consistente com as caraterísticas da espécie humana - as caraterísticas que nos permitiram evoluir, descer das árvores, deixar de ser meros caçadores-recoletores, nos possibilitaram aprender a produzir o que necessitamos para consumir e até mais do que aquilo que necessitamos, enfim, o que nos fez chegar, como espécie, ao estádio atual (no melhor e no pior...) e nos fará, creio-o firmemente, evoluir sempre mais e mais.

Ao contrário do que se possa levemente pensar, desde a mais tenra infância que o bicho-homem valoriza mais o que deve fazer, o que esforçadamente conquista, o que trabalhosamente obtém, do que aquilo que recebe sem esforço, fonte porventura de prazer imediato, mas arbusto sem raiz sólida para segurar o interesse por muito tempo. Todos aqueles que educam crianças verificam que, ao contrário do que as próprias julgam, elas não apreciam tanto assim - e, no fundo, temem - a liberdade total, a possibilidade de fazerem o que querem, quando querem, como querem. Se isso lhes for temporariamente possibilitado, poderão extasiar-se perante a ausência de limites, mas não tarda muito que procurem o aconchego, a segurança, a certeza das fronteiras, dos limites, das restrições - contra as quais tanto refilam, mas que tão securizantes são. Afinal de contas, quando não há limites, como se pode transgredir? Como se pode forçar barreira inexistente para ir além dela? E o crescimento, a evolução humana, da criança como da espécie, é feito de transgressões, de ultrapassagens de barreiras, de partidas para o incerto apenas possíveis porque se sabe que, se e quando necessário, se pode recuar e voltar para o certo e seguro...

O dever é, pois, essencial para a espécie humana. Para o cumprir e, por vezes, para o transgredir, aceitando os riscos e as consequências, mas também buscando o além para lá do horizonte...

Os direitos possibilitam-nos satisfação e conforto, mas são redutores, limitadores, meras pausas agradáveis, obviamente necessárias, mas afinal fatores de simples manutenção, não de conquista ou avanço. Os direitos gozam-se e, ao gozarem-se, fica-se - não se vai, nem se avança. É no cumprimento do dever, com o esforço e o custo que isso necessariamente implica, que se avança, se conquista, se constrói, se vai além.

Gozar os direitos é obviamente bom e agradável. Mas, bem vistas as coisas, cumprir os deveres, ainda que  tal implicando trabalho, custo, esforço, é melhor. Porque no fim do cumprimento do dever acaba por estar sempre um prémio. Por vezes de simples, mas saborosa, satisfação. Outras vezes com vitórias, com prazeres, com ganhos que não se teria se se tivesse mantido no simples gozo dos direitos que já se tinha, sem mais nada fazer. A áurea mediocridade pode ter brilho - mas não deixa de continuar a ser mediocridade...

Os maçons falam muito do Dever, dão atenção aos seus deveres, cumprem os seus deveres. Não por serem masoquistas. Pelo contrário: por entenderem que é assim que conseguem realizar-se. E a realização pessoal é mais do que meio caminho andado para a felicidade...


Rui Bandeira
Fonte: http://a-partir-pedra.blogspot.pt/2013/11/o-dever-caminho-para-realizacao.html

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

NINGUÉM É MAÇOM, SOMOS RECONHECIDOS COMO TAL...

Um dos grandes dilemas maçônicos é saber se podemos nos intitular maçons (sou maçom!) ou se essa afirmativa não nos pertence e só pode ser feita por outro maçom.
De fato, temos uma visão míope de nós mesmos. Tendemos a uma hipervalorização do nosso eu e, não raras vezes, em detrimento do outro… Explico melhor, fomos educados em um sistema de comparações em que um ponto geralmente é explicado ou visto em relação a outro. Tendemos ao comparativo e, assim, nos sentimos mais ricos quando vemos mais pobres, sentimo-nos mais bonitos quando vemos mais feios e assim por diante.
Ocorre que, por vezes, nossa miopia egocêntrica é tão grande que nos assustamos com nós mesmos ao vermos nossa imagem refletida em um espelho. Tendemos a não acreditar no que vemos… não é possível que seja eu…
Mas, por vezes, forçamos a barra e influímos na imagem do espelho, ou pelo menos no que ela está nos revelando. O feio se torna belo e assim por diante.
Assim, ao nos considerarmos maçons, em detrimento de sermos reconhecidos como tal, chamamos para nós um conjunto de características do “ser maçom” que muitas vezes não apresentamos, não temos.
Claro, sempre se pode invocar o formalismo. Sou maçom porque fui iniciado. Sou maçom porque pertenço à obediência tal… e etc. … Mas isso realmente nos confere a autoridade para nos denominarmos maçons?
O que é ser maçom? É somente ter sido iniciado? Não implica mais nada?
Desde meus tempos de aprendiz escuto um trocadilho muito usual em nosso meio, principalmente quando não gostamos de um determinado Irmão: “fulano é um profano de avental” ou então, quando encontramos qualidades em um não iniciado: “é um maçom sem avental”…
Por certo, ser maçom implica muito mais que ter passado por uma iniciação.
Também reverbera em meu pensamento uma frase muito pronunciada em iniciações: “bem-vindo meu Irmão; esperamos agora que, assim como você entrou para a Maçonaria, deixe que ela entre em você, em seu coração e atitudes…”
Minha angústia, que motiva essa reflexão sobre SER MAÇOM, é a inépcia de nossos métodos “maçônicos” em muitos de nós. Não raro vemos Irmãos colados no grau de mestre, mestres instalados e, até no grau 33º, com exposições diametralmente opostas à nossa filosofia, com atitudes antagônicas ao que se desprende de nossas alegorias e símbolos.
Bem sei que deveria estar preocupado, acima de tudo, com a minha pedra bruta, evitando reparar nas imperfeições de outras pedras, mas isso está se tornando impossível para mim, pelo que peço humildes desculpas aos meus Irmãos, mas não dá para “tapar o sol com a peneira”. Empresto aqui voz há muitos que têm se chocado com palavras e atitudes de outros Irmãos.
Abate-me extremamente estar ao lado de Irmãos que acham que o cume de seus progressos na Maçonaria são os graus colados… ser grau 33º em seu rito, ser mestre “instalado”, estar autoridade maçônica e assim por diante, deixando a humildade, a fraternidade, o carinho e as virtudes trancados no armário, o armário da arrogância e da empáfia.
Abate-me saber que Irmãos são indiciados civil ou criminalmente pelos mais variados delitos ou crimes.
Abate-me ter conhecimento de Irmãos que batem em suas esposas, filhos e familiares.
Abatem-me as disputas para saber quem é mais maçom, quem tem o maior grau… quem foi melhor Venerável Mestre.
Não consigo entender também como alguns insistem em trazer o pior de suas práticas profissionais para o seio das Lojas. Estive em Lojas onde me senti como em um tribunal de justiça, onde se fazia de tudo menos aquela egrégora gostosa de estar entre Irmãos. Todas as palavras eram medidas com cuidado, os pronunciamentos eram cheios de erudição jurídica, menos maçônica. A sessão travava com os famigerados “pela ordem Venerável”…
E o que falar dos Irmãos entendidos em política. Raro é os ver apresentando um trabalho sobre alegoria ou simbolismo maçônico… a tônica é uma só: política.
Voltemos então ao fulcro desta reflexão: sou maçom ou sou reconhecido como tal? O que significa ser reconhecido como maçom?
O que ou quem é o maçom? Há algo que o diferencia de outro ente?
Se nos orientarmos pelos rituais e pela literatura maçônica teremos uma visão superidealizada do SER MAÇOM. Ele mais se parece com um super-homem, dotado de poderes extraordinários. Mas no convívio, no dia a dia, se desfaz essa visão do super-homem. Eu, pelo menos, nunca o encontrei entre nós, não na forma idealizada. Muito menos em mim mesmo…
Está mais do que na hora de nos despirmos do modus profano. De tirarmos as nossas máscaras e darmos um passo em direção ao autêntico “ser maçom”. Está na hora de sermos maçons.
Reconheça que você não é o centro do universo!
Reconheça que outros podem vivenciar mais a maçonaria do que você!
Reconheça que graus de nada servem se seu coração e atitudes não passaram daquelas do grau 1 (pedra bruta)!
Reconheça que ser Mestre Instalado não lhe dá direitos acima de seus Irmãos!
Reconheça que tem pesquisado, estudado e refletido muito pouco em nossos símbolos, alegorias e ritualística!
Reconheça que tem faltado às sessões porque se acha melhor que aqueles que estão sempre lá, gostando ou não, ajudando nos trabalhos em Loja.
Reconheça que se é verdade que Maçonaria não se faz somente em Loja, também o é verdade que sem estar em Loja não se faz Maçonaria! É na Loja que exercitamos o “submeter minhas vontades e fazer novos progressos na maçonaria”. Não se iluda.
Reconheça que a Maçonaria não é clube social, partido político, confraria da cerveja ou o quintal de sua casa, terraço de seu apartamento, sala de seu trabalho, mas uma Ordem INICIÁTICA.
Reconheça, por fim, que você não é dono da Loja.
Deixe que as alegorias e símbolos tomem forma em seu interior e se manifestem em suas atitudes, não em meras palavras.
Deixe que o movimento da egrégora maçônica lhe tome a mente, o coração.
Deixe que a humildade aflore em suas palavras e ações. Não tema, pode baixar a guarda, você está entre Irmãos.
Por fim, receba seu prêmio, não é um avental mais bonito que o dos outros Irmãos ou um título de MI ou 33º, mas, tão somente, uma ação: você é reconhecido como tal, sem sombras de dúvidas!
"Somos todos luz, não é preciso tentar apagar a dos outros"
Publicado na Revista Universo Maçônico.