segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

UMA LOJA REGULAR

Segue abaixo um manifesto da GLADA, que é esclarecedor sobre a questão da pretensa irregularidade da maçonaria mista e feminina, embora já 10 anos tenham se passado desde sua redação sem que a realidade tenha se alterado.

MANIFESTO DA GLADA: GRANDE LOJA ARQUITETOS DE AQUÁRIO

Redigido ao Oriente de São Paulo, em 20 de novembro de 2005

Às Potências Maçônicas Brasileiras,

Às Potências amigas,

À C:.I:.M:.A:.S:. Confederação Interamericana de Maçonaria Simbólica;

À CATENA, Instituição Internacional de Potências Mistas;

Ao C:.L:.I:.P:.S:.A:.S:. – Centro de Ligação e Informação das Potências signatárias do apelo de Strasburgo e à

Ao C:.L:.I:.M:.A:.F:. - Centro de Ligação Internacional das Maçonarias Femininas Aos Irmãos e Irmãs da GLADA e do Brasil em geral:

Vimos assistindo nestes últimos dias, através da internet, uma verdadeira enxurrada de denúncias caluniosas envolvendo maçons do sexo feminino, a Grande Loja Feminina da Maçonaria Brasileira, com sede em Mato Grosso, sua Grã-Mestra (Gassy Botelho) e seus representantes.

São ataques visivelmente destinados a enxovalhar, baseados em argumentos absurdos, cheios de sofismas, que mais parecem uma perseguição orquestrada por inimigos pessoais ou “plantados” para servirem de “munição”.

Vejamos os lamentáveis fatos:
Começam “acusando” um parente da Grã Mestra (Alexandre Botelho), de fabricar alfaias e vendê-las para as irmãs... Estarão, neste caso, cometendo algum crime ou contravenção todas as oficinas de alfaias maçônicas do Brasil, uma vez que todas são propriedade de maçons de potências masculinas?

Em seguida, “acusam” a Potência Feminina de cobrar Taxa de Iniciação. Talvez devessem os acusadores processar, então, o Grande Oriente do Brasil, as Grandes Lojas Estaduais, assim como todas as potências independentes do Brasil – e de todo o mundo -- pois todas, sem exceção, cobram taxas de Iniciação, uma tradição que remonta ao Egito, para uma cerimônia onerosa que envolve os obreiros de toda uma Loja ! Todos nós maçons sabemos que existem Lojas que cobram taxas elevadíssimas.

A próxima acusação – a mais absurda, a mais revoltante, a que mais demonstra a ignorância, a falta de cultura maçônica e a falta de cidadania – é a de que NÃO EXISTE MAÇONARIA FEMININA -- e portanto as Lojas femininas estão cometendo estelionato (SIC) ao iniciarem Irmãs !

Uma afirmação como esta, quando vem de um não-iniciado, ainda podemos entender, pois velhos inimigos da Maçonaria sempre espalharam as mais pitorescas mentiras sobre a Instituição, e o povo não instruído se deixa levar. Mas é simplesmente inadmissível que um maçom, vivendo no século 21, ainda ignore um fato onipresente no mundo atual, e tão intensamente divulgado, seja na mídia comum, seja na literatura maçônica. Se esta é a cultura maçônica que se ensina nas Lojas masculinas, concluímos, com profunda lástima, que a Maçonaria tradicional está em franca decadência.

O grande “acusador” das Lojas mistas e femininas ignora, com certeza -- como, aliás, o ignoram, infelizmente, numerosíssimos maçons brasileiros -- que o Grande Oriente do Brasil já fundou Lojas Femininas, dando-lhes Carta Constitutiva regular e transmitindo às Irmãs todos os rituais e segredos que são parte de qualquer Loja Maçônica do mundo. E isto aconteceu em 1871 ! Antes, bem antes que sonhassem os maçons brasileiros em fundar Grandes Lojas nas províncias do país. Havia Grãos Mestres de grande visão naquele tempo! Um dos maiores escritores maçônicos da atualidade, José Castellani, reconhecia a existência e o direito das lojas mistas e femininas, tendo inclusive visitado várias reuniões da GLADA, proferindo palestras. Citava com frequência um Juiz Federal de Brasília, que condenava a discriminação à mulher na maçonaria.

Convidamos os céticos a consultarem o Cadastro Geral das Lojas Maçônicas do Brasil, de Kurt Prober. As Atas e documentos relativos a este memorável evento estão guardados na Biblioteca e no Museu Maçônico do GOB, em São Paulo, onde surgiu a primeira dessas Lojas. No site da GLADA, há um Artigo com todos os detalhes deste e de outros fatos semelhantes no mundo. Também conclamamos os senhores acusadores – a ler uma publicação muito especial da Gran Loggia d’Itália, intitulada La Donna, il Sacro, l’Iniziazione (A Mulher, o Sacro, a Iniciação), súmula do 1° Fórum Internacional de Firenze, realizado em junho de 1994. O Herói de Dois Mundos, Giuseppe Garibaldi, foi o Soberano Grande Comendador do Grau 33 do REAA do Supremo Conselho de Palermo do Grande Oriente da Itália, da época, (cuja herdeira atual é a Grande Loja da Itália).

Garibaldi estimulou a iniciação de mulheres, tendo fundado várias lojas femininas, das quais a primeira a 25 de maio de 1864; ele iniciou a filha, Teresita, e muitas outras mulheres; consta que também iniciou sua segunda esposa, a brasileira Anita Garibaldi. Herói, e verdadeiro maçom, ele pertencia a um Supremo Conselho, cuja herdeira e continuadora é a Grande Loja da Itália, da qual fizeram parte o grande maçom Aldo Lavagnini – Magister, o grande físico atômico Enrico Fermi, o famoso comediante Totó, e um grande número de gente famosa da Itália, aliás, a potência que congrega mais lojas (1600 ativas), e mais obreiros naquele país. Maiores detalhes e bibliografia sobre este tema podem ser encontrados no site da GLADA. (www.glada.org.br Há numerosa bibliografia que documenta de maneira rica e ilustrada a presença da mulher nos rituais maçônicos em qualquer época que se queira procurar. Os maçons cultos a estudaram e hoje não caem no ridículo de negar uma realidade que está em toda parte do mundo. É como negar que o homem foi à Lua ou que existam mulheres ocupando alguns dos mais altos postos governamentais, culturais, científicos, esportivos, políticos e até militares.

Considerar “irregular” a loja ou potência que admite mulheres nos leva a outra ordem de considerações, pois se levarmos a sério essa pretensa “regularidade” , somente uma, uma única Potência Maçônica é “regular” em cada país, e no caso do Brasil, é o Grande Oriente do Brasil, sendo todas as outras “irregulares”... São normas ditadas pela senhora Grande Loja da Inglaterra, que se arrogou, não se sabe sob mandato de que arcanjo, o direito de somente ela dizer quem é regular ou não. Portanto, se algum dos senhores acusadores pertence a uma loja que não seja do GOB, é bom saber que vários Irmãos não foram recebidos em lojas inglesas, por serem “irregulares” e “não reconhecidos”! Isso aconteceu com o Irmão Eleazar de Carvalho, nosso famoso Maestro, filiado à loja Mozart, da GLESP, e ao próprio Ir:. Salim Zugaib, ex-Grão Mestre da GLESP, ao baterem na porta de uma das lojas da senhora Grande Loja da Inglaterra, em Londres. Que lindo exemplo de fraternidade!

E tudo isso graças a um preceito, ou Landmark, imutável (sic), inventado em 1717 por um profano de avental chamado Anderson (que confessou haver queimado documentos antigos, históricos e insubstituíveis, entre os quais, sobre participação da mulher nas antigas lojas), autor da frase lapidar, paradigma do ranço medieval de que estava impregnado: ”Não podem ser iniciados nem mulheres, nem aleijados, nem escravos”. A frase dispensa comentários, tão explícita e tão grotesca ela é por si mesma. Afirmar que qualquer coisa no universo seja imutável não é apenas anti-científico, mas contrário à própria idéia que a Maçonaria entende por progresso. Afirmar que nenhuma loja maçônica masculina no Brasil recebe uma irmã em suas reuniões, discriminando unicamente em razão do sexo, é uma confissão muito triste, que atesta o grau de atraso cultural em que se encontra nossa maçonaria tradicional. Típico de países do Terceiro Mundo, onde as conquistas democráticas só acontecem cem ou duzentos anos depois que o resto do mundo já as considera parte do seu quotidiano.

Só para citar um exemplo de como está atrasada a maçonaria brasileira : O Grande Oriente da França, uma das maiores e mais atuantes Potências Maçônicas do mundo e com uma enormidade de serviços prestados à humanidade, inclusive a criação da União Européia, já nos anos 50, propiciou, junto com a Grande Loja da França, a fundação da Grande Loja Feminina da França, que hoje conta com nada menos de dez mil obreiras.

O Direito Humano, potência MISTA fundada em 1893 – portanto mais antiga que todas as Grandes Lojas estaduais brasileiras – congrega mais de dez mil maçons, homens e mulheres. O Grande Oriente da França permite que suas lojas recebam a visita das irmãs em suas reuniões regulares (não só nas reuniões “brancas”, como se faz por aqui), oferecendo-lhes cargos, inclusive. Em muitas cidades francesas, há prédios maçônicos, contendo várias lojas, que são alugados a diferentes potências, sejam masculinas, femininas ou mistas, que se apoiam mutuamente, o mesmo ocorrendo em Nova Iorque.

Há na França cerca de 100 mil maçons, dos quais apenas 10 mil são ligados à única potência reconhecida pela Grande Loja da Inglaterra. Os restantes 90 mil, os pretensos “irregulares ou selvagens”, são independentes. Destes, perto de 50 mil pertencem ao Grande Oriente da França. Os “rebeldes” são hoje 90%. E não é diferente no resto do mundo civilizado, o que deu margem à afirmativa de toda comunidade maçônica liberal da Europa que costuma dizer que “a maçonaria tradicional são os nobres decadentes, e a maçonaria liberal, os selvagens emergentes”..

Passemos a outra “acusação”: a Grã Mestra da Grande Loja Feminina sediada em Mato Grosso recebeu (ou recebe) uma ajuda de custo, por conta de seu cargo.. Talvez os acusadores queiram também processar os demais grãos-mestres de todas as restantes potências brasileiras, pois todos eles recebem subvenções a esse título. Algumas consideravelmente mais gordas, por sinal, do que a ridicula retirada mencionada. Também seria interessante que se lembrasse que muitos Grãos Mestres dispõe de carros fornecidos por suas obediências para o exercício do cargo. . De resto, há uma quantidade desconhecida, mas certamente grande, de lojas maçônicas ditas “regulares”, masculinas, que sequer têm registro em cartório. É claro que tais lojas não possuem CNPJ, e nem conta bancária em seu próprio nome.

Outra: acusam a potência feminina do Mato Grosso de ter-se “apropriado” de rituais maçônicos das potências masculinas. É uma espécie de acusação de plágio. Nunca houve na Maçonaria, porém, qualquer coisa parecida com “direitos autorais”. Nenhum verdadeiro iniciado gravou seu nome num ritual; é um trabalho discreto e anônimo doado à humanidade, preservando textos de valor humanístico, moral e social, escritos por grandes homens. É uma tradição passada de geração a geração, freqüentemente de boca a ouvido, sendo que em certos ritos, é praticada totalmente de memória, sem qualquer ritual escrito. Esta tradição vem desde as Iniciações no antigo Egito.

Todos os rituais que hoje se usam na maçonaria provieram de rituais mais antigos, guardados por herança espiritual, durante séculos. Maçons passam a outros maçons as práticas, os ensinamentos morais e o significado dos símbolos, é assim que funciona e sempre funcionou a Maçonaria. Isto é de conhecimento geral na Ordem, nenhum maçom autêntico ignora este fato, portanto tal acusação deve ter sido levantada por um profano. Então esclarecemos a este profano que os rituais maçônicos podem ser encontrados nas livrarias, em enciclopédias maçônicas, e até em bibliotecas públicas -- todos os graus, até o 33.

Não é a leitura do ritual que faz o maçom. Também não é ser recebido numa loja, nem usar o avental, nem ter carteirinha. É a Iniciação que faz o maçom, e ela é uma experiência pessoal, transcendente, individual e intransferível. Iniciação é uma oportunidade de elevação espiritual, que nem todos aproveitam – e é por isso que há maçons que continuam sendo profanos, como o citado Anderson, mesmo portando os mais elevados graus. Enquanto que muitos profanos são grandes maçons (construtores), por seus nobres atos, embora nunca tenham entrado numa Loja Maçônica Mas já que a acusação foi feita, saibam todos que os rituais do Grande Oriente do Brasil e das Grandes Lojas foram baseados nos rituais franceses e ingleses. Estes, por sua vez, foram copiados de tradições mais antigas, compiladas sob o nome de “old charges”, que foram copiadas de práticas dos construtores romanos desde Numa Pompílio, que foram copiadas de papiros egípcios, os quais provavelmente são cópia de litografias Atlantes, os quais... Anderson, que extrapolava suas crenças religiosas de maneira grotesca, dizia que Adão, o primeiro homem na Terra, já era maçom, portanto, muito cuidado, Adão poderá um dia ressurgir das cinzas e processar todos os maçons do mundo por terem plagiado suas plaquinhas de barro! Uma outra “acusação” menciona que essa potência feminina teve início numa igreja, ou centro de culto. Cremos que é uma origem honrosa, pelo menos. Membros de seitas variadas no Brasil foram fundadores de lojas maçônicas, e isso não os desabona, nem torna irregulares tais lojas. Gostaríamos de lembrar aos inquisidores dessa pitoresca moção que a Grande Loja da Inglaterra – a única regular, a santíssima, a pura e casta grande mãe da maçonaria tradicional em todo o mundo, o modelo de virtude, com seus venerandos e imutáveis Landmarks – teve uma origem muito menos nobre: suas quatro lojas fundadoras nasceram em quatro tabernas londrinas, lugares de péssima reputação.

A acusação seguinte levanta a questão da quase vitaliciedade da atual Grã-Mestra da Grande Loja Feminina em questão (gestão de 40 anos). Este costume tem antecedentes históricos. Nas Corporações de Ofício, das quais a maçonaria moderna teve origem, o Mestre que dirigia a Loja era vitalício e formava aprendizes e companheiros durante vários anos, e quando um companheiro chegava a um grau elevado de formação, recebia autorização para abrir sua própria loja, da qual se tornava o novo Mestre – também vitalício.
Alguém pode argumentar que o costume moderno é de eleições periódicas, com renovação dos nomes nos cargos de direção, e esse é, de fato, o estilo atual das potências pelo mundo, inclusive na GLADA. Mas, certamente, não é crime nem fere qualquer lei civil fazer constar nos Estatutos aprovados por assembléia, que o mandato da Grã-Mestra é de 40 anos. Sendo tais Estatutos devidamente registrados em Cartório, devem ser considerados de domínio público. Assim, a acusação de não exibir às candidatas os Estatutos antes de seu ingresso é bastante esdrúxula.

Não nos consta, aliás, que as potências masculinas tenham o costume de fazer ler aos candidatos, na íntegra, o material extenso de suas Constituições antes de sua Iniciação; não ocorre tal coisa nem mesmo quando se ingressa num clube, sindicato, escola, associação ou condomínio. Já mudar um Estatuto é atribuição das Assembléias da Ordem, onde tudo precisa ser votado. Quem não está de acordo com normas estatutárias aceitas pelas leis do país, deve desistir de pertencer à Ordem Maçônica, ou então, estando nela, lutar honestamente nas Assembléias por suas justas e legais idéias de mudança.

Enfim, tudo o que se vê nessa “denúncia” coloca em evidência que se usam dois pesos e duas medidas – um modo truculento de julgar as potências femininas ou mistas e outro, bem indulgente, para justificar as potências masculinas. Generalizamos a questão das potências mistas e femininas porque a acusação vai além das pretensas irregularidades da potência matogrossense, mas extrapola julgamentos (e condenações prévias!) para toda a maçonaria que admite mulheres. Isto prova que não está sendo questionada uma suposta contravenção naquela potência. O que está realmente em jogo, por trás da “denúncia”, é o preconceito contra as mulheres. A intenção oculta – nem muito oculta, aliás, para quem tem olhos para ver – é discriminatória. E a discriminação da mulher é, pela Constituição Brasileira, prática proibida, contrária à cidadania. É ilegal, passível de punição. Diríamos que também é imoral, principalmente vindo de quem prega a igualdade, a liberdade, a justiça, a tolerância, o direito, a democracia, etc., etc.. Essa discriminação, revoltante pelo seu conteúdo machista, lembra-nos os tempos não muito distantes em que a mulher teve que lutar, em campanhas cruéis, pelo direito de votar, sofrendo perseguições, prisão, não raro tortura e humilhações.

É bom que saibam os adversários da admissão da mulher na maçonaria que o Grande Oriente da Itália (potência masculina) foi processado na Justiça Italiana por recusar o ingresso das mulheres, e perdeu em três instâncias. Ele foi legalmente “condenado” a receber iniciandas. Se a moda pega, acionando o Ministério Público Federal (já que se trata de violação de direitos civís), não só o caso de Mato Grosso pode ter um final inesperado, mas toda a maçonaria masculina pode vir a ser obrigada a mudar aquele anacrônico e repulsivo landmark.

Talvez seja a hora de as brasileiras tomarem uma atitude, a fim de dar uma pequena lição de igualdade a estes hipócritas que dentro dos templos maçônicos exaltam as mais lindas virtudes e fora deles praticam exatamente o contrário. Será uma vergonha para a maçonaria, que sempre representou a vanguarda do pensamento humano, abrindo caminho para as idéias mais progressistas, ser a última instituição na Terra a admitir a igualdade de direitos da mulher, pelo qual, os nossos Irmãos do Século 19 já lutavam. O que fazem os de hoje ? Do jeito que andam as coisas, é provável que até a Igreja Católica mude primeiro, já que hoje em dia ela se tem destacado na defesa de direitos humanos e outros, enquanto a maçonaria tradicional “dorme em berço esplêndido”, cantando glórias do passado (de feitos realizados por outros), e se omitindo na atualidade.

Queremos agora, através deste Manifesto da GLADA, restabelecer a verdade sobre o reconhecimento das potências femininas e mistas ao redor do mundo. Há Organizações Maçônicas que congregam Potências de todos os países, sejam elas masculinas, mistas ou femininas. Algumas são bastante antigas, como a CATENA e o CLIPSAS, fundados em 1961. Outras são mais recentes e regionais, como a CIMAS (2002). O link para informações sobre elas se encontram no site da GLADA (www.glada.org.br) e merece ser consultado. CLIPSAS e CATENA juntos congregam mais de 60 potências maçônicas em 5 continentes. A GLADA, assim como a mencionada potência feminina do Mato Grosso, são signatárias de todas as citadas e mantêm Tratados bilaterais entre si.

Elas se reconhecem mutuamente e seus obreiros podem visitar-se nos respectivos países. Nenhum membro dessas organizações se escandaliza nem mesmo se surpreende ao ver uma mulher trajar um avental maçônico e participar em igualdade de condições dos trabalhos de uma Loja. Somos, portanto, muito bem reconhecidos, sim senhor, e não nos faz falta alguma sermos recebidos por maçons, lojas, potências ou autoridades maçônicas que ainda alimentam preconceitos tão ridículos e condenáveis contra a mulher.

Os trabalhos e estudos maçônicos desenvolvidos nas lojas da GLADA são tão profundos, tão ricos em cultura e de tão elevado nível que deixam embasbacados os visitantes das lojas masculinas. Ouvimos, mais de uma vez, Irmãos portadores dos mais elevados graus confessarem, com a maior sinceridade, ao terminar uma daquelas sessões econômicas, que para nós, não passa do pão-de-cada-dia: “Aprendi mais hoje nesta reunião de duas horas, numa Instrução de Aprendiz, do que em toda a minha vida maçônica de mais de 20 anos”. Não deixa de ser um melancólico atestado das poucas luzes que se recebem nas Lojas por aí.

Quanto à suposição de que a Maçonaria é uma só no mundo, e que se compõe exclusivamente por homens, citamos -- pela identidade com a nossa língua e pelo valor extraordinário desse maçom ilustre, o Dr. Antonio Arnaut – Grão Mestre do Grande Oriente Lusitano, membro do Conselho Superior da Magistratura e presidente da Liga Portuguesa dos Direitos do Homem, e ainda presidente da Associação Portuguesa de Escritores juristas, em sua excelente obra: Introdução à Maçonaria – “A Maçonaria não é uma Igreja e, por isso não existe um poder central único e uma autoridade supranacional. As Lojas, Oficinas ou Templos formam grupos que se administram a si mesmos, constituindo em cada país uma federação dirigida por um Grande Oriente ou Grande Loja, chamadas de Potências ou Obediências, inteiramente independentes, embora eventualmente ligadas por tratados”. E segue: “Em meados do Século XVIII Luisa de Kerruel fundava em França uma Loja do Rito Escocês, destinada exclusivamente a mulheres. Outras Lojas femininas se lhe seguiram, incluindo em Portugal. A grande Loja Feminina de Portugal está filiada ao CLIMAF, Centro de Ligação Internacional das Maçonarias Femininas”.

São membros atuais do CLIMAF: www.glfs-masonic.ch/Docs/docuf/CLIMAF-F.htm, a Grande Loge Féminine d'Allemagne; a Grande Loge Féminine de Belgique; a Grande Loge Féminine de France; a Grande Loge Féminine d'Italie; a Grande Loge Féminine du Portugal e a Grande Loge Féminine de Suisse. Ainda sem filiação: Afrique - Phare des Amazones (GLFF) e USA - Aletheia - New York (GLFB).

E isto é somente uma pálida imagem de apoio à maçonaria feminina no mundo, e sem relacionar as 60 Potências masculinas, femininas e mistas filiadas ao CLIPSAS e CATENA. Há inúmeras outras não filiadas. Antes de encerrar este Manifesto, queremos expressar nossa profunda preocupação com a falsa imagem que alguns maçons fazem da Instituição, considerando-a intocável e acima da Lei, facultando a seus filiados praticar atos iníquos, protegidos por algum tipo especial de imunidade.

Para ilustrar este comportamento, vamos expor um fato que ocorreu numa das lojas da GLADA, a Olho de Hórus n° 35, sediada em Picos, Piauí. Seu Venerável, Ir:. Francisco Ferreira da Silva, edificou e decorou, a suas expensas, um templo maçônico para servir de sede à Loja. Vândalos vieram destruir, a marretadas, por dentro e por fora, esse templo, queimando arquivos, móveis, alfaias e documentos. Testemunhas presenciaram o crime e reconheceram nos depredadores vários maçons da localidade, vinculados a potências masculinas, contando, inclusive, com a participação do próprio prefeito da cidade, Sr. José Neri. O caso foi aos tribunais, e finalmente o Ir:. Ferreira venceu a questão, sendo a prefeitura condenada a pagar-lhe uma indenização por perdas e danos materiais e morais (mais de R$ 100 mil). Não bastasse isso, os Irmãos da Loja Olho de Hórus e até seus candidatos vêm sofrendo intimidações e ameaças. Para quem quiser saber maiores detalhes, e mesmo fazer doações, basta dirigir-se à Loja Maçônica Olho de Horus : Rua: Santo Inácio, n° 343 - Bairro Bomba CEP: 64.600-000 – Picos- PI -CNPJ 03.595.326/0001-05. Seu email: lojaolhodehorus@bol.com.br. Movidos por ódio irracional e pelo puro preconceito contra uma Loja que admite mulheres, esses maus maçons chegaram ao extremo de vandalizar a propriedade particular de um Irmão. Ferreira, aliás, foi iniciado numa Loja masculina – dita “regular”, da qual se desligou, junto com outros, após ter presenciado coisas ainda piores que esta. A indenização ainda não foi paga, e ficamos a imaginar as pressões que a justiça local deve estar sofrendo para retardar o pagamento da indenização; enquanto isso, a Loja passa por dificuldades. Haverá em algum lugar, quem sabe entre os bons maçons, uma alma fraterna que reconheça o horror que tal situação representa para a imagem da maçonaria, e se disponha a ajudar nosso Irmão Ferreira a reconstruir sua Loja ? Até quando teremos de suportar e assistir a tais espetáculos de violência e obscurantismo ? Diante desses crimes reais, escandalosos e graves, não seria o caso de acionar o Ministério Público Federal para investigar os fatos acima relatados, e inclusive intervir no caso com a respectiva Corregedoria? Lembrando uma conhecida Escritura, não é o caso de, antes de apontar o argueiro no olho do vizinho, descobrir a trave que está no seu próprio?

Preocupa-nos, assim como ao sábio Kofi Annan, Secretário Geral da ONU, (cujas recentes declarações puseram em evidência este fato lamentável), o recrudescimento da intolerância no mundo. O dever da maçonaria é lutar contra ela, conforme se prega nas Lojas, e não estimular que ela cresça ainda mais.

Vamos finalizar citando a declaração conjunta assinada em dezembro de 1988 por 4 obediências Belgas – Grande Loja Feminina da Bélgica, Grande Loja da Bélgica (masculina), Federação Belga do Direito Humano (mista) e Grande Oriente da Bélgica (masculina) – cujos termos são os seguintes:
"Co-herdeiras de vários séculos de história maçônica, durante os quais tantos maçons ilustraram a história de nossas regiões, as Obediências signatárias declaram participar da mesma ordem inciática, tradicional e universal, que, baseada na Fraternidade, constitui, sob o nome de Franco-Maçonaria, uma comunidade de pessoas probas e livres; embora conservando cada uma sua soberania e sua autonomia de decisão, as Obediências constatam que, para além da sua diversidade e da variedade de suas Lojas, elas têm em comum:

1. A iniciação e a prática do método simbólico;
2. A preocupação de trabalhar pela melhoria da condição humana sob todos os aspectos;
3. A defesa da liberdade de consciência, de pensamento e de expressão;
4. A busca da harmonia entre todos os seres humanos pela conciliação dos opostos; e
5. A rejeição de todo dogma."

É assim que a Maçonaria se vê no mundo moderno; ela evoluíu, deixou de cantar os feitos e as glórias pretéritas (um costume bem brasileiro) e torna a participar dos eventos sociais e políticos do mundo – unida, forte, coesa, sem dogmas, sem preconceitos, e sem grilhões medievais – mas sobretudo preocupada com a melhoria da sociedade humana, e não com as picuinhas, os egos, os machismos e as questiúnculas sobre supostas “regularidades”.

É o progresso, enfim. Para uma Instituição que sempre pregou ser progressista e vanguardeira, ele já vem tarde. Para nós, no Terceiro Mundo, talvez venha tarde demais.

Ao enviar este Manifesto às Potências Maçônicas brasileiras – tradicionalmente masculinas – esperamos que todos tenham a sabedoria de fazer uma avaliação madura dos fatos. Dessa reflexão, nascerá a escolha entre a verdadeira fraternidade maçônica, de um lado, ou de outro, uma possível guerra jurídica desgastante, cujas proporções apenas adivinhamos, mas que certamente deixará um rastro de vergonha que atingirá não apenas todos os maçons, mas a própria Instituição em si. Isto só serviria para dar munição aos inimigos da Maçonaria, e está claro que nenhum de nós deseja isto. Devem, porém, as Potências masculinas vigiar mais atentamente suas lojas, tomando imediatas providências, e até mesmo eliminando-as e aos seus obreiros, quando praticarem atos de violência, prepotência, perseguições, arbitrariedades e ilegalidades.

Vera Facciollo – Grã Mestra da Grande Loja Arquitetos de Aquário (Potência Maçônica Soberana, Mista, que só obedece a Constituição e as Leis justas de nossa pátria - Brasil)

Para maiores informações atualizadas sobre a história e a filosofia maçônicas, visite os seguintes sites:
www.glada.org.br ;
Grande Loja da Itália: http://www.granloggia.it/;
CLIPSAS: http://www.clipsas.com/;
CATENA: http://www.catena.org/;
CIMAS: http://www.cimas.info/;
CLIMAF: www.glfs-masonic.ch/Docs/docuf/CLIMAF-F.htm.
Grande Oriente da França: www.godf.org Especificamente sobre a questão da convivência MISTA: Foire aux questions; Pourquoi la mixité ? http://www.godf.org/faq_autre.html#6.

Às vítimas de violações de direitos (como é o caso do Ir:. Ferreira, no Piauí), recomendamos acionar:
Comissão de Direitos Humanos ... denúncias de violações de direitos sociais, políticos, civis, culturais, econômicos, assim como dos direitos dos idosos: www.camara.gov.br. Para violações de direitos civis e humanos pode-se também acionar a ONU, UNESCO, OEA, etc.
Em nome da GLADA e de suas Lojas Federadas, enviamos a todos o nosso T:.F:.A:.
Vera Facciollo – 33º - Soberana Comendadora Grã Mestra Geral
Fonte:http://blogdamaconaria.blogspot.com.br/2008/09/manifestao-do-internauta.html#.VNAE3GjF-bV

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

SOBRE O INTOLERÁVEL


MARCOS ROLIM
Jornalista e sociólogo
Todo projeto para uma vida que valha a pena ser vivida envolve um limite para o convívio social. Aquilo que, por diferentes razões, nos parece intolerável _ e que, por isso, excluímos do respeito à diferença _ é conformado culturalmente. Nos Estados laicos, o intolerável é fixado pela lei penal. Nas teocracias, entretanto, este limite é definido pela fé. A separação entre Estado e religião _ a laicidade _ é fenômeno moderno que pressupõe a convivência entre crenças e descrenças. Entre nós, o intolerável é matéria terrena, portanto, circunscrita às disputas políticas cuja substância é o debate público. Neste espaço criado pelos humanos, e só por eles, os argumentos devem transitar livremente e até mesmo a recusa ao pensamento tem seus direitos. O que importa reter é que nada é mais estranho às democracias modernas que a ideia de “verdade”. Pela simples razão de que a verdade a que podemos chegar é sempre a expressão de um compromisso que se sabe provisório, porque modificado na história _ não raro, radicalmente. O que define, aliás, não apenas o espaço da pólis, mas o percurso mais importante do conhecimento, aquele construído pela ciência. A verdade científica, afinal, é aquela que existe “na temperatura de sua própria destruição” (Morin).
Nos fundamentalismos (em todos eles, bem entendido), a verdade é concebida como “revelação”. Entre os muçulmanos, o pressuposto aparece em estado puro na “inlibração”, palavra que designa a incorporação de Deus em livro incriado; que existiria desde a eternidade. No Alcorão está a palavra de Deus (em árabe, claro). “Islã”, não casualmente, significa “submissão”. Nessa circunstância, criar é ato imprudente e uma charge pode ser ofensa a tratar com fuzis. Os que “não são Charlie” e pedem “respeito” às religiões não se dão conta de que o respeito em falta é exatamente aquele desconhecido pelos fundamentalistas. Em nossa ordem jurídica, assim como na França, a blasfêmia é um direito. Ainda bem. Não fosse isso, estaríamos queimando bruxas e torturando hereges até hoje. Os jihadistas escolheram o intolerável, mesmo sem vinganças clamando dos céus como na Nigéria. Por isso, não se trata de “politizar” o fenômeno do terrorismo, estigmatizando os muçulmanos (como o faz a extrema-direita europeia), ou apresentando-o como um resultado da opressão (como o repete determinada esquerda). O desafio é o de efetivar o pacto dos direitos fundamentais, para sociedades mais justas, reconhecendo o intolerável como um limite para além do qual as democracias reservam vagas em suas prisões.
Fonte: http://wp.clicrbs.com.br/opiniaozh/2015/01/17/artigo-sobre-o-intoleravel/

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

O TEMOR E O HUMOR


PERCIVAL PUGGINA
Escritor
O ataque à revista Charlie Hebdo foi mais uma entre milhares de ações violentas praticadas por fanáticos muçulmanos contra “infiéis” de outros credos e, principalmente, por muçulmanos contra muçulmanos. No momento em que escrevo, a contagem de tais atos, iniciada depois do ataque às Torres Gêmeas, registra 24,8 mil eventos. À chacina do Charlie, já se somam outros seis atentados no Paquistão, na Nigéria, no Líbano, no Afeganistão, no Egito e, novamente, na França, no dia 9.
Obviamente, entre 1,5 bilhão de muçulmanos, é pequena a parcela de fanáticos violentos, jihadistas, dispostos a passar o resto do mundo na espada. No entanto, o mundo está apreensivo. A numerosa concentração de chefes de Estado e de governo nas manifestações de Paris mostra que estamos diante de algo alarmante. Por isso, quero lembrar que, antes de ser um problema mundial, o terrorismo e o fanatismo islâmico violentos são, sobretudo, um tema para o islamismo, tanto quanto o nazismo foi tema para os alemães, antes de se tornar problema internacional. Religião alguma deve se prestar a uma cultura de intolerância e violência! Não é de causar surpresa, portanto, diante dos fatos que estão em pleno desenvolvimento e motivando insistentes matérias jornalísticas, que já se possa identificar a existência de um temor ao Islã. Não é inteligente nem sensato negar o óbvio. O mundo sabe. O terrorismo é o mal do século. E o medo cria reações irrefletidas ou insanas. Quem pranteia ou desfila pelos milhares de vítimas silenciosas do Boko Haram?
Reflitamos, agora, sobre a criminosa e repugnante execução dos jornalistas, artistas e humoristas da Charlie Hebdo. Seres humanos foram friamente fuzilados para “vingar a honra do Profeta”. Diante do ocorrido, uniram-se, com razão, as vozes do mundo num coro multilíngue, ecumênico e pluriétnico em favor da vida e da liberdade de imprensa, destacados valores da civilização ocidental. Não esqueçamos, porém, que o humorismo da revista, com frequência, é grosseiro, desrespeitoso e de mau gosto. Comete injúria religiosa, como quando representou graficamente o Pai, o Filho e o Espírito Santo em atos de sodomia. Há diferença entre a blasfêmia privada, para ofender a Deus, e a blasfêmia publicada para ofender a sensibilidade religiosa das pessoas. O ataque à revista tornou oportuno exaltarmos a liberdade de criação e de imprensa como apreciadíssimo valor da nossa cultura. Mas é bom lembrarmos _ sem relação nem proporção entre causa e efeito _ que o respeito aos demais, a seus valores, crenças e etnias é, também, um valor da civilização ocidental.
Fonte: http://wp.clicrbs.com.br/opiniaozh/2015/01/17/artigo-o-temor-e-o-humor/

domingo, 18 de janeiro de 2015

SOU CHARLIE TAMBÉM AQUI


FLÁVIO  TAVARES
Jornalista e escritor
A engrenagem do fanatismo mórbido é simples e linear, por isto se propaga como chama em palha seca e chega ao que chegou nas tragédias do Charlie Hebdo e do mercado judaico de Paris. Surge da cegueira deformante do “pensamento único” e mata como se a matança fosse festim divino. É o oposto do humanismo. Em vez de criar ou fazer nascer (para que todos usufruam do novo), destrói, como se o ódio estivesse acima da própria vida. Por isto, os tais “fundamentalistas islâmicos” soterram os fundamentos de todas as filosofias ou religiões, incluído o Islã. Depois de matar, se entregam eles próprios à morte, na ilusão fanática de que serão “mártires” e, no Paraíso, usufruirão do hímen de 70 mil Virgens, como diz o Corão.
O fanatismo esconde, também, a repressão amorosa e erótica do mundo islâmico. Numa sociedade machista, de casamentos arranjados e sem amor, a beleza do erotismo e do desejo fica inconscientemente confinada à “vida após a morte”, numa interpretação cega da metáfora do livro sagrado. E matar leva a ser morto para se tornar “mártir” e, logo, reviver desnudo num motel eterno no céu…
Na França e toda Europa, milhões de muçulmanos imigrados do mundo árabe sofreram um choque cultural profundo. Desconheciam o direito a dissentir e a opinar livremente. Imigraram em busca de trabalho e no trabalho são europeus. Mas na rua, as mulheres usam véu ou escondem o rosto na “burka”. De fato, não se adaptaram à Europa. Ao contrário, a Europa adaptou-se a eles. E, agora, são eles que buscam mudar o estilo de vida da sociedade que os acolheu.
O choque de culturas torna agudos os conflitos, atropela e embrutece ainda mais o fanatismo religioso fundado na “verdade única”. E sair de um labirinto é mil vezes mais difícil do que entrar. Nisto consiste a tragédia e o desafio.

***
No Brasil, nossos fanáticos mórbidos são de outro tipo. Não invocam a Alá, mas continuam a viver na cegueira do “pensamento único”, saudosos dos tempos da ditadura direitista.
Nesta semana, completaram-se 30 anos da escolha de Tancredo Neves à presidência da República, que abriu caminho à retomada da liberdade na sociedade brasileira, esboçada (ou iniciada) no governo do general João Figueiredo. Sabemos o que veio depois, de bem e de mal, e não o repetirei. A verdade, porém, é que o golpe de 1964 nos levou a um labirinto do qual levamos 21 anos para achar a saída. E, ao encontrá-la, estávamos tão desabituados à luz do sol que a claridade do livre debate cegou a muitos. Quando se está no escuro ou de olhos fechados, a luz feérica nos faz cegos e voltamos a ver com dificuldade. Assim, nestes 30 anos nos salvamos da cegueira mas ficamos míopes.
Enxergamos pela metade, por exemplo, ao ver e ouvir aqueles torturadores dos tempos da ditadura contando à Comissão Nacional da Verdade como seviciavam, matavam e, logo, faziam desaparecer os corpos dos opositores em fornos de usinas ou em alto mar. Orgulhosos, diziam “cumprir ordens”, repetindo palavras do nazista Eichmann ao tribunal que o julgou pelo Holocausto.

***
O fanatismo é cego e se nutre da simulação. Os nostálgicos do horror não veem que a ditadura simulava tudo. Num tempo em que os abismos sociais cresciam, o “crescimento do país” era o crescimento do tumor da dívida pública. Lá começou o gigantesco endividamento externo e interno do qual não nos livramos até hoje. Neste 2015, o Orçamento Federal reservará 1 trilhão e 400 milhões de reais tão só para juros e amortizações da dívida pública. A soma corresponde a 47% de tudo o que os escorchantes impostos arrecadarão.
Os grandes bancos tornaram-se novo deus da “verdade única”, decidindo quem pode ou não pode entrar ao Paraíso e lá desfrutar das 70 mil Virgens. Depois, é claro, de matar na Terra todos os infiéis!
Por tudo isto, sou Charlie. Mas sou Charlie também aqui.
Fonte: http://wp.clicrbs.com.br/opiniaozh/2015/01/17/artigo-sou-charlie-tambem-aqui/

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

SOBRE O "MÉTODO MAÇÔNICO" II

 (imagem proveniente de Google Images)

Um pouco por todas as correntes do pensamento humano, a “dúvida” sempre esteve presente e como tal foi precursora de Conhecimento. Se nos casos dos Racionalistas e Existencialistas, a dúvida foi a “catalisadora” do ato de pensar, nas correntes Positivistas, Cepticistas e Empiristas da Filosofia foi mesmo a base do próprio pensamento. E se “pensar” é a base do Método Maçónico, a “dúvida” é um dos instrumentos pelos quais este método pode ser aplicado. 
Não apenas duvidando por duvidar, ou questionando apenas por questionar. A dúvida ou a questão, terão sempre um motivo, um“porquê?”. 

Aliás, já o maçom e livre-pensador Voltaire (François Marie Arouet de seu nome e que viveu entre 21/11/1694 a 30/05/1778) afirmou que “a dúvida foi transformada num método de conhecimento”. 
E foi de certa forma, aplicando esta premissa, que o Homem foi impulsionado a evoluir. 
Ao se duvidar (de algo), cria-se a vontade ou necessidade de se agir, de procurar, de pensar. Não bastará aquilo que nos é apresentado, mas pretender-se-á mais qualquer coisa, nem que seja para complementar, cimentar ou até negar aquilo que já existe.

O Homem ao longo da história tendo a dúvida e o desconhecido como ponto de partida, levou-o a que inúmeras vezes fosse obrigado a sair da sua “zona de conforto” para obter o conhecimento ou as respostas que ambicionava ter. Ter este tipo de atitude permitiu aos pensadores do período iluminista da nossa história, questionarem os ideais e dogmas da sua época e fomentarem então o livre-pensamento.

Nesses tempos, o Homem sentia-se refém dos dogmas  que lhe eram apresentados e que os mesmos  quando aplicados ortodoxamente lhe cerceavam a sua liberdade pessoal. E na sequência de um período renascentista, em que floresceram novas ideias que tornavam o Homem no centro de tudo (a figura do “Homem de Vitrúvio” de Leonardo da Vinci é um bom exemplo disso) e também no seguimento de um período inquisitorial que deixou várias baixas nas mentalidades que se consideravam mais avant-garde ou fora do status quo contemporâneo, houve quem sentisse que o mundo necessitava de mudar, e mudar para algo de diferente daquilo que existia.

Já não bastava ao Homem olhar para cima, para Deus, e crer que tudo ocorreria mediante intervenção divina, mas que esse olhar deveria se virar para dentro, para o seu interior
O Homem sentiu que deveria ser ele a base de tudo, a “origem”, o “ponto no meio do círculo”, e essa sensação, essa necessidade de mudar,  criou novas formas de pensamento, novas formas de olhar as coisas, algumas das quais muito diferentes das que existiam nesses tempos, nomeadamente no que toca a direitos e garantias do Ser Humano. 

Hoje em dia, temos a certeza que após os “ventos iluministas” que passaram e que criaram algumas “tempestades” por esse mundo fora, a sociedade como se conhecia mudou e evoluiu bastante e para melhor. Hoje o Homem pode fazer quase tudo aquilo que anteriormente lhe estava vetado, quer fosse por lei quer fosse pelo modus vivendi da época. 
O Homem atualmente é detentor de vários direitos e garantias no que toca à sua liberdade pessoal. Na generalidade dos países (falo assim, porque em pleno século XXI a liberdade ainda é limitada em alguns locais) o Homem pode falar abertamente e expor as suas ideias, pode reunir para debater e também lhe é possível se manifestar pelo que considere válido e que seja mais útil à sociedade em que está inserido. E isso tudo apenas foi possível porque existiu gente que pensasse, que questionasse e principalmente que duvidasse. E no meio dessa gente, encontravam-se os maçons.

E os maçons ao absorverem os ideais renascentistas e posteriormente os ideais iluministas, sentiram também que a “dúvida” poderia ser o ponto de partida para que pudessem evoluir também. Uma vez que se o homem era o “centro” de tudo, o que existiria para lá do seu “corpo”, das suas “fronteiras”, seria de certa maneira, desconhecido ou por descobrir. E foi nesse momento, em que os maçons passaram a especular (duvidar/questionar), que se criaram as condições para serem constituidas as “fundações” da Maçonaria atual, designada por Maçonaria Especulativa.

Desse modo, os maçons deixaram de construir fisicamente para passarem a construir filosoficamente tendo como utensílios principais do seu trabalho o seu pensamento, os seus novos ideais, o debate de ideias, partindo das suas dúvidas e ansiando por mais conhecimento. E isso foi concretizado, porque gradualmente através da incorporação dos pensamentos racionalistas e positivistas na doutrina maçónica, foi possível alcançar aquilo que atualmente ainda é dado a vivenciar nas lojas maçónicas. Refletindo, analisando e debatendo nas sua lojas maçónicas, os maçons de antanho propiciaram - e de que maneira!- o progresso da sociedade de então, não obstante ainda o continuarem a fazer nos dias de hoje.

Tanto que o facto de os maçons estarem entre aqueles que decidiram “pensar” e  que não ficaram retidos a dogmas ou ao receio da possibilidade de poderem perder a sua vida por usufruírem desse direito natural (pensar por si), tornou-os personas non gratas para algumas instituições que existem ainda atualmente, sejam elas corporativistas, religiosas ou políticas. Pensar diferente ou criar um ambiente propício ao livre-pensamento e ao debate de ideias ainda hoje causa alguns “amargos de boca” aos maçons. O livre-pensar tem essas consequências. Uma vez que os defensores de totalitarismos e de ditaduras sejam elas de que tipo forem ou até mesmo os apologistas da anarquia em si, nunca poderão “ver com bons olhos” uma fraternidade constituida por quem assume que pensa e que principalmente duvida daquilo que lhe é apresentado de qualquer forma, sem justificação prévia e sem que tenha interesse para a generalidade dos povos.

Por isso é que nada é pior para o ser humano do que ter uma “atitude de carneiro”, uma atitude seguidista, de agir apenas somente porque sim ou porque os outros assim o fazem, sem se analisar os “porquês?” e os “comos?” deste mundo, assumindo desta forma as consequências de uma atitude que uma grande parte das vezes pouco lhe será a mais favorável ou a que melhor o servirá.
- Não pensar acarreta sempre custos - . 
E por mais “doloroso” ou difícil que esse processo possa aparentar ou por maior prejuízo que se possa assacar ao modo de pensar, será sempre mais relevante para a humanidade o Homem usar a sua “cabecinha” e pensar por si do que deixar que outrem o faça por ele. 
E mesmo que se pense de forma diferente da generalidade, tal não será importante porque por vezes na diferença e/ou valorizando esta diferença, está o caminho para o conhecimento. 
- Quantas vezes não estivemos certos de algo e depois acabámos por constatar que aquilo que era diferente ou que divergia do nosso raciocínio era na realidade o que estaria correto?!-

Assim, é possível considerar-se na prática, que o método maçónico é um método de questionamento que apesar de poder ser usado de um modo muito amplo na Maçonaria, se for aplicado de uma forma mais estrita, será sempre no sentido de uma auto-análise e busca interior que o maçom fará per si e que o levará através de uma senda espiritual que lhe proporcionará em última instância uma redescoberta de si mesmo.

Questionando(-se), debatendo, aprendendo, compreendendo, modificando(-se) e partilhando o que se sabe; em suma, aplicando o método maçónico, será para os maçons mais uma forma de poderem trabalhar no seu auto-aperfeiçoamento. E mesmo que não o consigam executar na sua plenitude, pois pode sempre supor-se tal como utópico, quem viver desta forma sentir-se-á sempre realizado e grato pelas conquistas que vier a alcançar ao longo da sua vida, pois as mesmas foram conseguidas com o seu esforço, com o seu sacrifício, com a sua dedicação, mas que principalmente foram obtidas com ou através do seu “pensamento”!

Autor: Nuno Raimundo
Fonte: http://a-partir-pedra.blogspot.com.br/

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

MÉTODO MAÇÔNICO

(imagem proveniente de Google Images)

Muito se fala e especula sobre o que é e o que será o tão propalado “método maçónico”.
Ele não é mais que um método de busca, estudo e aprendizagem que auxilia o maçom ao longo da sua vida.
Tal como outros métodos de estudo ou de vida, ele não é melhor nem pior, mas é o que o maçom utiliza.

O maçom através da sua busca incessante de informação/conhecimento, a procura da dita “Luz”,o leva a questionar os motivos, as razões, os porquês….
“O que é?”, “O que será?”,“O porquê?” e “Para que serve?” são para os maçons, tal como para os profanos, a base do caminho de suplantação das suas dúvidas, sejam elas mundanas ou mais elevadas
Ele nunca se irá prender a sofismas e dogmas irrisíveis ou inclusive a cepticismos vãos que o levarão a um caminho de busca sem fim ou qualquer retorno palpável. 
Ele mesmo, através do seu empenho e trabalho, combate os dogmas instalados sem que tenham razão aparente para existirem. Ele debate, questiona, aprende, e principalmente procura as razões para tal… Nunca se ficando com “é assim porque tem de ser…”. Tal afirmação e suas semelhantes não lhe servem como respostas para as suas dúvidas. Ele quer mais… E por isso procura! E faz!

Tal como as três afirmações bíblicas, muito usadas por várias correntes esotéricas (a Maçonaria é uma delas) “ Bate e ela se abrirá… Procura e acharás… Pede e receberás…”, é através dessa busca e desejo de conhecimento que o maçom até ao fim dos seus dias será impelido a trabalhar e estudar de forma empenhada, nunca ficando contente ou satisfeito com o que vai obtendo. Ele quer mais e procura/faz por isso! E é essa atitude de não resignação, de “nunca baixar os braços”, que é fundamental para o método maçónico.

“Se tens dúvidas, trabalha para as combater”… Este podia ser um mote de incentivo ao maçom, tal como tantos outros que existem e que guiam ou incentivam o maçom ao longo da sua vida.
-Por isso, sempre que alguém ouvir falar de um eventual método maçónico, saberá à partida que se trata de um método de trabalho e não algo de conspirativo como algumas mentes mais “conspurcadas” ou menorescomo eu as considero, tentam fazer acreditar.-

O maçom ao longo da sua caminhada, tem uma atitude pró-ativa. Isto é, ele não é uma pessoa de se encolher, de ficar de braços cruzados sem nada fazer. Ele estuda, trabalha, debate, ensina. Nunca se ficando pelo que obtém nem o tomando como garantido. 
Tudo na vida é transitório, uma espécie de devir. E como tal, apenas tendo atitudes que visem obter evolução pessoal, progressão cultural, entre outras…, é que o maçom se poderá afirmar entre os demais.

 Hoje em dia já não basta ao maçom ser reconhecido pelos seus irmãos como tal, ele deve ser reconhecido pelos outros como tal. Um Homem Livre e de Bons Costumes!
E para se ser um Homem Livre e de Bons Costumes, ao maçom não lhe servirá apenas ser alguém com uma moralidade acima da média, ou que apenas pratique a caridade e a solidariedade com o próximo. 
É através do conjunto destas e de outras qualidades, que o maçom desenvolve o seu método pessoal de vida. O Método Maçónico é também isso. Uma forma de viver
E é também partilhando essa forma de estar com os demais, que ele aprende, se cultiva e se informa. Tudo o que ele adquirir no percurso dessa caminhada, não será apenas dele, será também de quem o rodeia. Pois apesar de o maçom trabalhar a suapedra bruta, ele não o faz de forma solitária. Ao seu lado estarão sempre os seus irmãos, que lhe servirão de amparo e o conduzirão no rumo certo, e que ele por sua vez, também ensinará e amparará quando assim tiver de o fazer.

Por isso, não só na sua Loja Maçónica, no seu Templo, deve o maçom trabalhar tanto para ele bem como para os demais, mas acima de tudo, deve ele no mundo profano manter essa conduta. Pois os ganhos adquiridos, os tão profanos “lucros” serão para a comunidade, porque o Maçom não busca distinções no que faz. Faz e assim continua a fazer… Para o bem comum!
E quanto mais rápido ele interiorizar essa ideia na sua mente, mais facilmente progredirá como pessoa, o tal “aperfeiçoamento moral”, tão caro à filosofia maçónica.

E se o Homem não deseja progredir, anda cá na Terra a fazer o quê, realmente?
A ver os dias a passar?!
E porque não tornar esses dias mais agradáveis para a generalidade?

Essa é também uma das obrigações do maçons; e para tal, como pode alguém contribuir para um mundo melhor, se não partir de si, a vontade de se tornar em algo melhor…
O método maçónico serve para isso, exclusivamente!

Autor: Nuno Raimundo
Fonte: http://a-partir-pedra.blogspot.com.br/

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

A CENTELHA DIVINA


A centelha divina é o princípio criador de onde nos originamos, ao qual retornaremos um dia de acordo com o tempo evolutivo de cada um.
Sob ação do terceiro logos, a centelha divina começa operando na jornada de encarnações nos planos mais densos, até então passando a ser chamada de mônada, que tem o significado de centelha divina encarnada, que se separou do princípio que é Deus para se aperfeiçoar e retornar novamente ao logos mais experiente com os conhecimentos adquiridos na matéria.
De acordo com o budismo tibetano, esse ciclo dura 108 encarnações para adquirir a essência e realizar seu trabalho de auto realização. Porém a roda de samsara, que é um exemplo das encarnações em diversos reinos da natureza, pode girar 3000 vezes para cada essência, totalizando 324000 encarnações para fazer nosso trabalho.
Para conquista de cada essência desceremos ao plano dela tornando-se assim mônada ao sair do plano divino e monádico onde estamos estacionados para receber a permissão divina e iniciarmos a caminhada na senda dos sete princípios evolutivos do homem.
Ao começar a percorrer estes sete planos, vamos fazendo uma jornada de involução até chegar à matéria, passando em sequência pelos planos átmico, búdico, mental superior, mental inferior, astral, etérico e denso. Nessa descida ou involução, ao chegar ao plano físico denso, atingimos o reino mineral e a partir dai começamos a nossa subida na escada evolutiva adquirindo forma de minério mais rústico até os mais sofisticados como diamante. Depois vamos ao reino vegetal, adquirindo experiência em diversos grupos da flora, passando então ao reino animal e hominal ao qual nos encontramos atualmente.
Após superar todas as imperfeições humanas a qual fomos conduzidos a experimentar, a mônada começa retornar ao divino, ascendendo os planos pelos quais já passou adotando formas mais angelicais e sentimentos mais altruísticos, desintegrando assim o ego e desapegando a materialidade como advertido por Jesus quando disse: “buscai os tesouros que a traça não rói e a ferrugem não consome”.
O problema é que muitas vezes nos esquecemos disso porque ainda estamos com a consciência muito adormecida e fascinados pelas coisas passageiras e ilusórias deste mundo não fazendo assim a vontade do G.’.A.’.D.’.U.’.   O resultado disso, é que criamos e alimentamos o ego e este por sua vez, nos afasta cada vez mais de Deus desenvolvendo dor, ignorância, miséria e sofrimento. No entanto, ao contrário, quando fazemos a sua vontade, tudo caminha harmoniosamente e a senda evolutiva se torna mais leve, assim afirma Jesus quando diz: “... tomai sobre voz o meu jugo e aprendei de mim porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para vossa alma. Por que meu jugo é suave e meu fardo é leve.”

                     Or.'. de Porto Alegre, 06 de Julho 2014. da E.'. V.'.

Antonio Carlos Dias Fernandes Junior
Apr.'. M.'.


Bibliografia:

www.estudosdabíblia.net
www.espaçoazul.net/temab1

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

A ESPADA FLAMEJANTE


A espada flamejante é um dos objetos mais simbólicos e sagrados na maçonaria. É usada tanto nas lojas simbólicas como nos altos graus para sagração nas iniciações.
A espada flamejante é diferente de tudo que  é mencionado sobre espadas. Aparentemente, ela não esta descrita em nenhum livro que não seja aquele que relate as coisas pertencentes á ordem maçônica: sua lamina não é retilínea, mas ondulada, assemelhando-se á labaredas de fogo.
Conforme pode ser lido no livro sagrado, ela é empunhada pelos anjos do senhor no jardim do éden, como verdadeira espada de fogo, para guardar o caminho da arvore da vida.
Até onde se sabe, os historiadores não tem, alem dessa informação obtida na bíblia, outras informações que esclareçam a origem dessa arma de formato tão peculiar. A maçonaria simbólica a adotou, pois representa, sem duvida, a emancipação da força de proteção, de defesa, de ação.
Tem significados tremendamente profundos na simbologia maçônica, sendo talvez o principal deles o de ser a arma a ser usada na luta eterna na dualidade entre o bem e o mal.
Simboliza também o poder possuído pelo venerável mestre de iniciar novos aprendizes, elevar novos companheiro e exaltar novos mestres na loja simbólica.
O venerável mestre e a autoridade máxima da loja e deve ser o mais correto de todos os irmãos. Esta retidão exemplar é simbolizada pelo esquadro e a autoridade máxima é simbolizada pela espada flamejante.
Ela só pode ser tocada em loja pelo venerável mestre ou por outro mestre instalado. Deveria estar sempre guardada num estojo próprio para ser oferecida ao venerável mestre nas iniciações, elevações e exaltações, mas hoje é comum ser mantida exposta no altar durante todas as sessões, mesmo nas sessões ordinárias. Portanto me  parece lógico que ela não deve ser encostada no candidato, durante a sagração, somente devera ficar próximo do mesmo.
Ampliando os limites de nossa mente, podemos afirmar que a espada flamejante, quando empunhada pelo venerável mestre, sem duvida alguma é a representação da  força do poder, da magia e do encanto da maçonaria universal, espalhada por todo canto da terra. Essa mesma maçonaria que tem aperfeiçoando os homens pelo amor, pelo caráter e pela tolerância.

Or.'. de Porto Alegre, 09 de dezembro de 2012 da E.'. V.'.

Claudio k Suski
C.'. M.'.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

A DUALIDADE


        A Dualidade, representada pelos pares de opostos, destaca o mundo da ilusão ou das aparências, onde a luz e as trevas têm alto sentido filosófico. A atividade dos princípios, em sentido inverso, poderá ser comparado ao fluxo e refluxo das marés. Assim, a luz que é uma emanação ativa e positiva(fluxo da maré), opõe-se às trevas, que é a falta de luz ou luz negativa. 
       A Luz, então, tem uma correspondência moral com a sabedoria, o amor, o altruísmo, que é o desejo de “dar”.
     As trevas relacionam-se com a ignorância, a paixão, o egoísmo, que é o desejo de “receber”. Os pares de elementos, ou princípios opostos e complementares, encontram num terceiro elemento intermediário e equilibrante, ou princípio da harmonia, o reflexo da unidade no mundo relativo. Cessar a luta dos opostos e a dualidade torna-se luta fecunda, e adquire impulsos evolutivos, construtivos e progressistas.

                                        Or .’.  de Porto Alegre 05 de março de 2012.da E .’. V.’.

Márcia  Nunes
Apr.'. M.'.

Bibliografia:
Mena Barreto ,Edgar ;Manual de instruções Maçônicas de aprendiz- Porto Alegre .1999.

domingo, 28 de dezembro de 2014

O ESQUADRO


        A origem do esquadro é misteriosa e não é conhecida, mas bastante antiga, e sempre foi usado em construções realizadas em épocas longínquas.
          Seu nome surge do Latim "quadrare", "tornar quadrado" pois é formado por duas hastes que se encontram em um ponto, formando um ângulo reto equivalente a 90 graus. 
          Duas são as formas do esquadro, uma simétrica ( que apresenta simetria ) e outra assimétrica ( que não apresenta simetria).
           O esquadro quando é representado por sua forma simétrica, simboliza o equilíbrio entre a união do ativo, representado pela haste central, e o passivo, representado pela base, que formam dois ângulos retos de cada lado. 
          O Esquadro quando representado por sua forma assimétrica, indica a atividade e o dinamismo.
          As linhas ou lados que formam o esquadro, tanto simétrico como assimétrico, têm um sentido simbólico de elevada importância. Uma é horizontal, ligada à superfície terrestre ou plano material (Eu traduziria como ligado ao corpo físico), e a outra é vertical, ligada ao infinito celeste ou plano espiritual (que eu traduziria como ligado à Alma Humana). Embora as duas mostrem caminhos diferentes (que eu creio ser o Plano Material e Plano Espiritual, ou o Corpo Físico e a Alma Humana ), eles encontram-se intimamente ligados ( pois creio, que ambos são como a Luz e a matéria, pois as formas apenas podem existir se a Luz puder ser contida por uma matéria, ou seja, a árvore consegue ter a sua forma por que a Luz que vem do Leste, ou do Infinito Primordial, é contida pela árvore, pois se não existisse a Matéria, a Luz do Leste vagaria ao Infinito, e nenhuma forma poderia ali existir. Por isto esses dois caminhos, representados pelo Esquadro, devem ser sempre percorridos com retidão. 
          Na Maçonaria, o esquadro simboliza o equilíbrio, a harmonia e a retidão que todo Maçom deve possuir, que é representado na insígnia do Mestre. Ao formar o emblema maçônico com o compasso, começa a ser descrito o lado material com suas hastes sempre fixas obedecendo a um ângulo reto que não pode ser modificado. Já o compasso se relaciona com o Divino, e suas hastes são móveis, podendo alterar o ângulo de abertura de acordo com suas necessidades. O esforço conjunto desses dois símbolos representa a união entre Céu e a Terra, e o maçom, permanecendo entre o esquadro e o compasso, não se desviará do caminho a ser percorrido em prol do aprimoramento espiritual.
        O esquadro corrige e organiza a matéria, e como insígnia do Venerável, dá a entender que a vontade do Venerável no momento da Loja, só pode ter um único sentido, o de preservar os estatutos da Ordem, não agindo, a não ser para o bem de todos.
          A jóia suspensa ao colar do Venerável é um esquadro de lados desiguais, o lado maior deve estar virado para o lado direito, que representa o lado ativo ou destro, que domina o lado esquerdo, passivo ou sinistro. 
          O esquadro é empregado nos três graus simbólicos como símbolo de saudação. Também é usado na marcha para adentrar no Templo e na Cadeia de União, onde os pés formam uma esquadria, além de ser usado na lenda do terceiro Grau pelo segundo Companheiro para ferir o Mestre Hiram Abiff.
          Podemos inferir, que o esquadro representa a união alquímica entre a o corpo material e a alma, desde que sigamos o caminho da retidão e do aperfeiçoamento constante de todas as nossas ações neste mundo das multiplicidades terrenas.



         Or de Porto Alegre, 08 de outubro de 2013. da E.'. V.'.

Vinicius dos Santos
Ap.'. M.'.


Bibliografia: 

Maçonaria.net

QUEIROZ, Alvaro de. A Geometria Maçônica - Rito Escocês Antigo e Aceito. São Paulo, Madras, 2010.

sábado, 27 de dezembro de 2014

COMO RECONHECER UM MAÇOM?


Em nossa última loja o Ven.•. M.•. solicitou que eu fizesse um trabalho sobre como podemos fazer para reconhecer um maçom SEM o uso de SS.•., TT.•. ou PP.•. .

Após muito pensar, analisar e mesmo pesquisar  nos livros de  Ritos e em outros materiais à disposição não consegui chegar a nenhuma conclusão. Não achei nenhum modo seguro, eficaz e eficiente de como fazê-lo. 

Como alternativa eu tentei uma comparação direta entre meus IIrm.•. MM.•. da Loja, também com os meus IIrm.•. Não MM.•. de minhas relações e, é claro, comigo mesmo, e o máximo que consegui descobrir é que não tendo como comparar pessoas, então não conseguiria lhe responder a sua pergunta, Ven.•. M.•.

Aliás, se o Ven.•. mudasse o escopo do trabalho e permitisse que eu  utilizasse os SS.•., TT.•. e PP.•. para facilitar esta identificação, mesmo assim, ainda assim, eu acredito que não poderia identificar completamente um Maçom.

Porque como bem sabe nosso Ven.•. M.•., temos aqui, antes de mais nada uma questão de SER  e de ESTAR, uma questão de FATO e de DIREITO.

Para ser um Maçom de DIREITO, você precisa ser “Livre e de Bom Costume”, “Crer em um Princípio Criador Incriado” e assim poder ser Iniciado em nossa Ordem.

Após isto, estando um candidato devidamente iniciado e inscrito, ser frequentador e colaborador das sessões ordinárias e abertas, estar ciente da ritualística, fazer e apresentar suas peças de arquitetura de forma adequada, poderia, quando muito, ser chamado de  MAÇOM por DIREITO.

Mas só, isto basta ? Isto é o suficiente ? É isto que procuramos ser ...  “MAÇONS POR DIREITO” ?

Será que basta ser bom Irm.•. entre as  paredes da Loja ? E quanto a todo o resto lá fora ? E quando ou enquanto estivermos no mundo profano, como fica ?

Da mesma forma, será que temos a garantia que um Irm.•. que saiba os SS.•., TT.•. e  PP.•. de nossa Ordem, assim como alguns de seus “segredos” seja um legítimo MAÇOM, com todo o peso que gostaríamos que tivesse esta definição ?

Por outro lado, aquele nosso Irm.•. profano, por assim dizer, com quem esbarramos nos caminhos da vida, no trabalho, durante o lazer, aquele que não frequenta a Maçonaria, que não foi Iniciado, que não conhece os SS.•., TT.•. e PP.•., mas que diariamente põe, de uma forma saudável e construtiva, os interesses da maioria à frente dos seus, que se preocupa efetivamente com os mais desafortunados, que sabe calar para não magoar, que pratica de uma forma constante e consistente  o símbolo do 3º degrau de nossa escada de Jacó, não seria este o Verdadeiro Maçom ?

Free mason. Do francês pedreiro ou Construtores Livres. Não seriam estes de quem recém falei os verdadeiros construtores livres de uma sociedade melhor ? Não seriam estes acima MAÇONS, DE FATO ?

Claro que são os dois extremos, mas o que gostaria de demonstrar através desta peça  é que, mesmo de posse de SS.•., TT.•. e PP.•. podemos apenas identificar um Maçom de DIREITO, nunca o de FATO.

Para finalizar, acredito que se tivermos alguém que se faça presente, sem precisar impor sua presença, que seja bondoso com os outros sem ser condescendente, que reconheça que todos cometemos erros e o que realmente importa é procurar corrigi-los, que enalteça as qualidades dos outros em público, enquanto que os ajude a corrigir suas falhas, reservadamente, pois sabe que todos nós falhamos, e que à noite consiga  dormir tranquilo, não pela sua total falta de responsabilidade, mas porque sabe que,  se não fez O melhor, ele ao menos fez o SEU melhor e que no  dia seguinte o sol tornará a surgir no Ocidente a caminho do Oriente e que ele terá mais um dia para tentar fazer a diferença !

Este, Ven.•. M.•., para mim é MAÇOM, talvez nem ele o saiba, mas é o verdadeiro MAÇOM !

Gosto de acreditar que antes de uma simples Ordem Instituida, a Maçonaria seja  um estado de espírito, um querer espontâneo baseado na busca do crescimento espiritual e que nela se trabalhe diariamente, dentro e fora de suas Lojas, e não somente às quartas-feiras.


Or.•. de Porto Alegre, 08  de Junho de 2012  da   E.•. V.•.

Carlos Mutti
Apr.•. M.•.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

QUEM SOMOS?


Somos seres em busca da perfeição através do reconhecimento dos nossos males, das trevas que carregamos e até mesmo cultivamos no decorrer do tempo.
Quando conseguimos reconhecer uma ponta da pedra bruta que somos para desbastar, entramos no campo da melhora. Mas este é um exercício, um trabalho árduo que necessita de persistência e disciplina.
A tarefa de nos conhecermos, de sabermos reconhecer e controlar nossos instintos está interligado com as bases de amor, verdade e justiça. 
Pois, aprendendo a entender que o amor que conhecemos e aplicamos é totalmente baseado no ego, que a verdade que utilizamos e aplicamos em grande parte de nossa vida é conveniente aos nossos interesses e que a justiça que almejamos para nós, quase nunca é a que desejamos ao outro, quando aprendermos teremos  nos transformado em uma pedra útil. 
A compreensão interna, pelo auto conhecimento, é intensa, não é fácil dominar ou controlar um ego, muito menos o próprio.
Isso requer desenvolver certas aptidões, exercitar nossa capacidade de amor e perdão, para conosco e com o próximo.
Somos pedra bruta, fazendo nosso desbaste constantemente.

Or.'. de Porto Alegre, 31 de março de 2013. da E.'. V.'.

Solange Terezinha Nery Machado
Comp.'. M.'.

Imagem: Google Imagens

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

O CAMINHO DA INICIAÇÃO

"O homem traz em si mesmo o dínamo gerador das suas dores e alegrias: a MENTE.
Quem semeia um pensamento colherá um facto; semeia um facto e terá um hábito; semeia um hábito e formará um carácter; semeia um carácter e obterá um destino.
Não adianta arrependimento depois que o acto foi praticado, porque o karma já foi criado.
Nem sempre é pecado o facto de errar… Resta saber se o erro é consciente ou inconsciente, pois a Humanidade caminha ou evolui caindo e levantando, errando e procurando desmanchar o erro, até alcançar o fim da sua evolução.
A chave de cada degrau é o próprio aspirante. Não é o temor a Deus que representa o começo da Sabedoria, mas o conhecimento do Eu, que é a própria Sabedoria.
Quem souber colocar a sua inteligência ao lado do coração, alcançará na Terra as maiores venturas do Céu.
O verdadeiro discípulo é aquele que não procura ver os defeitos alheios, mas os seus próprios.

É dever do discípulo, por amor e respeito ao Mestre, possuir a maior “vigilância dos sentidos”, para não fazer sofrer Aquele que lhe serve de Guia na espinhosa Vereda da Iniciação."
O Verdadeiro Caminho da Iniciação, por Henrique José de Souza. Sociedade Brasileira de Eubiose (ex-Sociedade Teosófica Brasileira), São Paulo, 2001.

domingo, 16 de novembro de 2014

LOJA ABERTA DE 19-11-2014

Sementes de Acácia
Nesta próxima quarta-feira, dia 19-11-2014, teremos a última Loja aberta deste ano, momento em que recebemos não maçons interessados em conhecer um pouco do universo maçônico.
A palestra a ser apresentada tratará sobre a Astrologia e suas influências sobre os corpos sutis e chacras, por conta de nosso amigo Denis Schossler.
Por volta dás 20:00 horas os visitantes serão convidados a adentrar no templo. Nosso endereço: rua Barão de Tramandaí, 23, Passo D'Areia, Porto Alegre.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

O SIMBOLISMO DA ROMÃ



O símbolo menos analisado na filosofia maçônica é, sem duvida, a romã.
Colocada sobre o capitel de cada coluna, sempre acima do olhar físico de cada OObr.’., ela passa despercebida e, por isso, mais ignorada, porque da muito trabalho olhar para cima e sondar os mais elevados ideais que a Maçonaria busca.
Nos trabalhos escritos da maioria dos autores maçônicos, vê-se muito sobre significados e interpretações dos símbolos que envolvem as colunas B e J. Não se tem dado muita atenção às romãs que, embora sustentadas pelas colunas, representam o que há de mais essencial em nossa instituição.
A origem da romãzeira, é por demais antiga tendo sido encontrados fragmentos do fruto em túmulos egípcios que datam de 2.500 anos a.C.
Salomão,  a fez símbolo de seu reinado, dizia ter poderes afrodisíacos, em especial o seu sumo e o vinho dela produzido, consumido em Israel desde os seus primórdios.
De sabor suave e agridoce, a romã possui muitas sementes avermelhadas e unidas. Crescem em árvores que mais se assemelham a arbustos, podendo medir de 2 a 8 metros de altura, dependendo da espécie. Tendo o formato oval e na  sua extremidade inferior um terminal lembrando  uma pequena coroa. Conforme amadurece na árvore, a romã passa do verde para o amarelo e para o vermelho, inchando tanto, que em determinado momento ela racha e suas sementes vão para o chão, dando origem a novas árvores.
Essa quantidade imensa de sementes e a forma como ela se propaga, fez dela símbolo da virilidade masculina, da fecundidade e da riqueza. 
A sua casca, dura e resistente, representa a Loja em si, o templo material que abriga os OObr.’. reunidos.  As sementes ligadas uma às outras representam os Obreiros da Loja unidos entre si por um ideal comum.
Para abrir uma romã é difícil. Normalmente é preciso que ela própria se abra espontaneamente para nos mostrar em seu devido tempo, o seu magnífico interior. Assim, também é a Maçonaria, hermética e inacessível para os que a olham de longe, mas extremamente sedutora e bela para aqueles que se decidiram a olhar pelas aberturas que ela própria lhe oferece.
A romã é una e ao mesmo tempo múltipla. Seus grãos são brilhantes, unidos e úteis, cada um ocupando seu lugar harmoniosamente no espaço que lhe é reservado dentro do seu compromisso, como nós, os maçons.
O que, na romã, mantém as sementes unidas? 
O bom observador da natureza maravilhosa, nota muito bem que é a pele interna, que tem a finalidade de manter unidas as sementes da romã. Essa pele, feita da mesma substancia carnuda e consistente da casca e do miolo,  representa o selo, ou melhor, o sigilo maçônico.
Rompido esse selo, as sementes ficam expostas ao ataque de pragas, deteriorando-as e estas perdem assim sua finalidade.
Igualmente na Loja, todos os nossos assuntos carecem da proteção do sigilo, sob pena de, rompido este, a Loja, que é a romã, vir a sofrer sérias conseqüências como a perda da coesão, da união que deve reinar em nosso meio em prol o bem comum.
Rompido esse juramento, a fruta definha, seca e, por fim, apodrece. Assim, o sigilo, representado pela pele que UNE e SELA as sementes, merece de nossa parte o máximo de cuidados.

Oriente de Porto Alegre, 21 de março de 2012 da E.'. V.'.
Daisy Mutti Teixeira
2ª Vig.'.

Bibliografia:
Diversos sites da internet