domingo, 18 de janeiro de 2015

SOU CHARLIE TAMBÉM AQUI


FLÁVIO  TAVARES
Jornalista e escritor
A engrenagem do fanatismo mórbido é simples e linear, por isto se propaga como chama em palha seca e chega ao que chegou nas tragédias do Charlie Hebdo e do mercado judaico de Paris. Surge da cegueira deformante do “pensamento único” e mata como se a matança fosse festim divino. É o oposto do humanismo. Em vez de criar ou fazer nascer (para que todos usufruam do novo), destrói, como se o ódio estivesse acima da própria vida. Por isto, os tais “fundamentalistas islâmicos” soterram os fundamentos de todas as filosofias ou religiões, incluído o Islã. Depois de matar, se entregam eles próprios à morte, na ilusão fanática de que serão “mártires” e, no Paraíso, usufruirão do hímen de 70 mil Virgens, como diz o Corão.
O fanatismo esconde, também, a repressão amorosa e erótica do mundo islâmico. Numa sociedade machista, de casamentos arranjados e sem amor, a beleza do erotismo e do desejo fica inconscientemente confinada à “vida após a morte”, numa interpretação cega da metáfora do livro sagrado. E matar leva a ser morto para se tornar “mártir” e, logo, reviver desnudo num motel eterno no céu…
Na França e toda Europa, milhões de muçulmanos imigrados do mundo árabe sofreram um choque cultural profundo. Desconheciam o direito a dissentir e a opinar livremente. Imigraram em busca de trabalho e no trabalho são europeus. Mas na rua, as mulheres usam véu ou escondem o rosto na “burka”. De fato, não se adaptaram à Europa. Ao contrário, a Europa adaptou-se a eles. E, agora, são eles que buscam mudar o estilo de vida da sociedade que os acolheu.
O choque de culturas torna agudos os conflitos, atropela e embrutece ainda mais o fanatismo religioso fundado na “verdade única”. E sair de um labirinto é mil vezes mais difícil do que entrar. Nisto consiste a tragédia e o desafio.

***
No Brasil, nossos fanáticos mórbidos são de outro tipo. Não invocam a Alá, mas continuam a viver na cegueira do “pensamento único”, saudosos dos tempos da ditadura direitista.
Nesta semana, completaram-se 30 anos da escolha de Tancredo Neves à presidência da República, que abriu caminho à retomada da liberdade na sociedade brasileira, esboçada (ou iniciada) no governo do general João Figueiredo. Sabemos o que veio depois, de bem e de mal, e não o repetirei. A verdade, porém, é que o golpe de 1964 nos levou a um labirinto do qual levamos 21 anos para achar a saída. E, ao encontrá-la, estávamos tão desabituados à luz do sol que a claridade do livre debate cegou a muitos. Quando se está no escuro ou de olhos fechados, a luz feérica nos faz cegos e voltamos a ver com dificuldade. Assim, nestes 30 anos nos salvamos da cegueira mas ficamos míopes.
Enxergamos pela metade, por exemplo, ao ver e ouvir aqueles torturadores dos tempos da ditadura contando à Comissão Nacional da Verdade como seviciavam, matavam e, logo, faziam desaparecer os corpos dos opositores em fornos de usinas ou em alto mar. Orgulhosos, diziam “cumprir ordens”, repetindo palavras do nazista Eichmann ao tribunal que o julgou pelo Holocausto.

***
O fanatismo é cego e se nutre da simulação. Os nostálgicos do horror não veem que a ditadura simulava tudo. Num tempo em que os abismos sociais cresciam, o “crescimento do país” era o crescimento do tumor da dívida pública. Lá começou o gigantesco endividamento externo e interno do qual não nos livramos até hoje. Neste 2015, o Orçamento Federal reservará 1 trilhão e 400 milhões de reais tão só para juros e amortizações da dívida pública. A soma corresponde a 47% de tudo o que os escorchantes impostos arrecadarão.
Os grandes bancos tornaram-se novo deus da “verdade única”, decidindo quem pode ou não pode entrar ao Paraíso e lá desfrutar das 70 mil Virgens. Depois, é claro, de matar na Terra todos os infiéis!
Por tudo isto, sou Charlie. Mas sou Charlie também aqui.
Fonte: http://wp.clicrbs.com.br/opiniaozh/2015/01/17/artigo-sou-charlie-tambem-aqui/

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

SOBRE O "MÉTODO MAÇÔNICO" II

 (imagem proveniente de Google Images)

Um pouco por todas as correntes do pensamento humano, a “dúvida” sempre esteve presente e como tal foi precursora de Conhecimento. Se nos casos dos Racionalistas e Existencialistas, a dúvida foi a “catalisadora” do ato de pensar, nas correntes Positivistas, Cepticistas e Empiristas da Filosofia foi mesmo a base do próprio pensamento. E se “pensar” é a base do Método Maçónico, a “dúvida” é um dos instrumentos pelos quais este método pode ser aplicado. 
Não apenas duvidando por duvidar, ou questionando apenas por questionar. A dúvida ou a questão, terão sempre um motivo, um“porquê?”. 

Aliás, já o maçom e livre-pensador Voltaire (François Marie Arouet de seu nome e que viveu entre 21/11/1694 a 30/05/1778) afirmou que “a dúvida foi transformada num método de conhecimento”. 
E foi de certa forma, aplicando esta premissa, que o Homem foi impulsionado a evoluir. 
Ao se duvidar (de algo), cria-se a vontade ou necessidade de se agir, de procurar, de pensar. Não bastará aquilo que nos é apresentado, mas pretender-se-á mais qualquer coisa, nem que seja para complementar, cimentar ou até negar aquilo que já existe.

O Homem ao longo da história tendo a dúvida e o desconhecido como ponto de partida, levou-o a que inúmeras vezes fosse obrigado a sair da sua “zona de conforto” para obter o conhecimento ou as respostas que ambicionava ter. Ter este tipo de atitude permitiu aos pensadores do período iluminista da nossa história, questionarem os ideais e dogmas da sua época e fomentarem então o livre-pensamento.

Nesses tempos, o Homem sentia-se refém dos dogmas  que lhe eram apresentados e que os mesmos  quando aplicados ortodoxamente lhe cerceavam a sua liberdade pessoal. E na sequência de um período renascentista, em que floresceram novas ideias que tornavam o Homem no centro de tudo (a figura do “Homem de Vitrúvio” de Leonardo da Vinci é um bom exemplo disso) e também no seguimento de um período inquisitorial que deixou várias baixas nas mentalidades que se consideravam mais avant-garde ou fora do status quo contemporâneo, houve quem sentisse que o mundo necessitava de mudar, e mudar para algo de diferente daquilo que existia.

Já não bastava ao Homem olhar para cima, para Deus, e crer que tudo ocorreria mediante intervenção divina, mas que esse olhar deveria se virar para dentro, para o seu interior
O Homem sentiu que deveria ser ele a base de tudo, a “origem”, o “ponto no meio do círculo”, e essa sensação, essa necessidade de mudar,  criou novas formas de pensamento, novas formas de olhar as coisas, algumas das quais muito diferentes das que existiam nesses tempos, nomeadamente no que toca a direitos e garantias do Ser Humano. 

Hoje em dia, temos a certeza que após os “ventos iluministas” que passaram e que criaram algumas “tempestades” por esse mundo fora, a sociedade como se conhecia mudou e evoluiu bastante e para melhor. Hoje o Homem pode fazer quase tudo aquilo que anteriormente lhe estava vetado, quer fosse por lei quer fosse pelo modus vivendi da época. 
O Homem atualmente é detentor de vários direitos e garantias no que toca à sua liberdade pessoal. Na generalidade dos países (falo assim, porque em pleno século XXI a liberdade ainda é limitada em alguns locais) o Homem pode falar abertamente e expor as suas ideias, pode reunir para debater e também lhe é possível se manifestar pelo que considere válido e que seja mais útil à sociedade em que está inserido. E isso tudo apenas foi possível porque existiu gente que pensasse, que questionasse e principalmente que duvidasse. E no meio dessa gente, encontravam-se os maçons.

E os maçons ao absorverem os ideais renascentistas e posteriormente os ideais iluministas, sentiram também que a “dúvida” poderia ser o ponto de partida para que pudessem evoluir também. Uma vez que se o homem era o “centro” de tudo, o que existiria para lá do seu “corpo”, das suas “fronteiras”, seria de certa maneira, desconhecido ou por descobrir. E foi nesse momento, em que os maçons passaram a especular (duvidar/questionar), que se criaram as condições para serem constituidas as “fundações” da Maçonaria atual, designada por Maçonaria Especulativa.

Desse modo, os maçons deixaram de construir fisicamente para passarem a construir filosoficamente tendo como utensílios principais do seu trabalho o seu pensamento, os seus novos ideais, o debate de ideias, partindo das suas dúvidas e ansiando por mais conhecimento. E isso foi concretizado, porque gradualmente através da incorporação dos pensamentos racionalistas e positivistas na doutrina maçónica, foi possível alcançar aquilo que atualmente ainda é dado a vivenciar nas lojas maçónicas. Refletindo, analisando e debatendo nas sua lojas maçónicas, os maçons de antanho propiciaram - e de que maneira!- o progresso da sociedade de então, não obstante ainda o continuarem a fazer nos dias de hoje.

Tanto que o facto de os maçons estarem entre aqueles que decidiram “pensar” e  que não ficaram retidos a dogmas ou ao receio da possibilidade de poderem perder a sua vida por usufruírem desse direito natural (pensar por si), tornou-os personas non gratas para algumas instituições que existem ainda atualmente, sejam elas corporativistas, religiosas ou políticas. Pensar diferente ou criar um ambiente propício ao livre-pensamento e ao debate de ideias ainda hoje causa alguns “amargos de boca” aos maçons. O livre-pensar tem essas consequências. Uma vez que os defensores de totalitarismos e de ditaduras sejam elas de que tipo forem ou até mesmo os apologistas da anarquia em si, nunca poderão “ver com bons olhos” uma fraternidade constituida por quem assume que pensa e que principalmente duvida daquilo que lhe é apresentado de qualquer forma, sem justificação prévia e sem que tenha interesse para a generalidade dos povos.

Por isso é que nada é pior para o ser humano do que ter uma “atitude de carneiro”, uma atitude seguidista, de agir apenas somente porque sim ou porque os outros assim o fazem, sem se analisar os “porquês?” e os “comos?” deste mundo, assumindo desta forma as consequências de uma atitude que uma grande parte das vezes pouco lhe será a mais favorável ou a que melhor o servirá.
- Não pensar acarreta sempre custos - . 
E por mais “doloroso” ou difícil que esse processo possa aparentar ou por maior prejuízo que se possa assacar ao modo de pensar, será sempre mais relevante para a humanidade o Homem usar a sua “cabecinha” e pensar por si do que deixar que outrem o faça por ele. 
E mesmo que se pense de forma diferente da generalidade, tal não será importante porque por vezes na diferença e/ou valorizando esta diferença, está o caminho para o conhecimento. 
- Quantas vezes não estivemos certos de algo e depois acabámos por constatar que aquilo que era diferente ou que divergia do nosso raciocínio era na realidade o que estaria correto?!-

Assim, é possível considerar-se na prática, que o método maçónico é um método de questionamento que apesar de poder ser usado de um modo muito amplo na Maçonaria, se for aplicado de uma forma mais estrita, será sempre no sentido de uma auto-análise e busca interior que o maçom fará per si e que o levará através de uma senda espiritual que lhe proporcionará em última instância uma redescoberta de si mesmo.

Questionando(-se), debatendo, aprendendo, compreendendo, modificando(-se) e partilhando o que se sabe; em suma, aplicando o método maçónico, será para os maçons mais uma forma de poderem trabalhar no seu auto-aperfeiçoamento. E mesmo que não o consigam executar na sua plenitude, pois pode sempre supor-se tal como utópico, quem viver desta forma sentir-se-á sempre realizado e grato pelas conquistas que vier a alcançar ao longo da sua vida, pois as mesmas foram conseguidas com o seu esforço, com o seu sacrifício, com a sua dedicação, mas que principalmente foram obtidas com ou através do seu “pensamento”!

Autor: Nuno Raimundo
Fonte: http://a-partir-pedra.blogspot.com.br/

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

MÉTODO MAÇÔNICO

(imagem proveniente de Google Images)

Muito se fala e especula sobre o que é e o que será o tão propalado “método maçónico”.
Ele não é mais que um método de busca, estudo e aprendizagem que auxilia o maçom ao longo da sua vida.
Tal como outros métodos de estudo ou de vida, ele não é melhor nem pior, mas é o que o maçom utiliza.

O maçom através da sua busca incessante de informação/conhecimento, a procura da dita “Luz”,o leva a questionar os motivos, as razões, os porquês….
“O que é?”, “O que será?”,“O porquê?” e “Para que serve?” são para os maçons, tal como para os profanos, a base do caminho de suplantação das suas dúvidas, sejam elas mundanas ou mais elevadas
Ele nunca se irá prender a sofismas e dogmas irrisíveis ou inclusive a cepticismos vãos que o levarão a um caminho de busca sem fim ou qualquer retorno palpável. 
Ele mesmo, através do seu empenho e trabalho, combate os dogmas instalados sem que tenham razão aparente para existirem. Ele debate, questiona, aprende, e principalmente procura as razões para tal… Nunca se ficando com “é assim porque tem de ser…”. Tal afirmação e suas semelhantes não lhe servem como respostas para as suas dúvidas. Ele quer mais… E por isso procura! E faz!

Tal como as três afirmações bíblicas, muito usadas por várias correntes esotéricas (a Maçonaria é uma delas) “ Bate e ela se abrirá… Procura e acharás… Pede e receberás…”, é através dessa busca e desejo de conhecimento que o maçom até ao fim dos seus dias será impelido a trabalhar e estudar de forma empenhada, nunca ficando contente ou satisfeito com o que vai obtendo. Ele quer mais e procura/faz por isso! E é essa atitude de não resignação, de “nunca baixar os braços”, que é fundamental para o método maçónico.

“Se tens dúvidas, trabalha para as combater”… Este podia ser um mote de incentivo ao maçom, tal como tantos outros que existem e que guiam ou incentivam o maçom ao longo da sua vida.
-Por isso, sempre que alguém ouvir falar de um eventual método maçónico, saberá à partida que se trata de um método de trabalho e não algo de conspirativo como algumas mentes mais “conspurcadas” ou menorescomo eu as considero, tentam fazer acreditar.-

O maçom ao longo da sua caminhada, tem uma atitude pró-ativa. Isto é, ele não é uma pessoa de se encolher, de ficar de braços cruzados sem nada fazer. Ele estuda, trabalha, debate, ensina. Nunca se ficando pelo que obtém nem o tomando como garantido. 
Tudo na vida é transitório, uma espécie de devir. E como tal, apenas tendo atitudes que visem obter evolução pessoal, progressão cultural, entre outras…, é que o maçom se poderá afirmar entre os demais.

 Hoje em dia já não basta ao maçom ser reconhecido pelos seus irmãos como tal, ele deve ser reconhecido pelos outros como tal. Um Homem Livre e de Bons Costumes!
E para se ser um Homem Livre e de Bons Costumes, ao maçom não lhe servirá apenas ser alguém com uma moralidade acima da média, ou que apenas pratique a caridade e a solidariedade com o próximo. 
É através do conjunto destas e de outras qualidades, que o maçom desenvolve o seu método pessoal de vida. O Método Maçónico é também isso. Uma forma de viver
E é também partilhando essa forma de estar com os demais, que ele aprende, se cultiva e se informa. Tudo o que ele adquirir no percurso dessa caminhada, não será apenas dele, será também de quem o rodeia. Pois apesar de o maçom trabalhar a suapedra bruta, ele não o faz de forma solitária. Ao seu lado estarão sempre os seus irmãos, que lhe servirão de amparo e o conduzirão no rumo certo, e que ele por sua vez, também ensinará e amparará quando assim tiver de o fazer.

Por isso, não só na sua Loja Maçónica, no seu Templo, deve o maçom trabalhar tanto para ele bem como para os demais, mas acima de tudo, deve ele no mundo profano manter essa conduta. Pois os ganhos adquiridos, os tão profanos “lucros” serão para a comunidade, porque o Maçom não busca distinções no que faz. Faz e assim continua a fazer… Para o bem comum!
E quanto mais rápido ele interiorizar essa ideia na sua mente, mais facilmente progredirá como pessoa, o tal “aperfeiçoamento moral”, tão caro à filosofia maçónica.

E se o Homem não deseja progredir, anda cá na Terra a fazer o quê, realmente?
A ver os dias a passar?!
E porque não tornar esses dias mais agradáveis para a generalidade?

Essa é também uma das obrigações do maçons; e para tal, como pode alguém contribuir para um mundo melhor, se não partir de si, a vontade de se tornar em algo melhor…
O método maçónico serve para isso, exclusivamente!

Autor: Nuno Raimundo
Fonte: http://a-partir-pedra.blogspot.com.br/

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

A CENTELHA DIVINA


A centelha divina é o princípio criador de onde nos originamos, ao qual retornaremos um dia de acordo com o tempo evolutivo de cada um.
Sob ação do terceiro logos, a centelha divina começa operando na jornada de encarnações nos planos mais densos, até então passando a ser chamada de mônada, que tem o significado de centelha divina encarnada, que se separou do princípio que é Deus para se aperfeiçoar e retornar novamente ao logos mais experiente com os conhecimentos adquiridos na matéria.
De acordo com o budismo tibetano, esse ciclo dura 108 encarnações para adquirir a essência e realizar seu trabalho de auto realização. Porém a roda de samsara, que é um exemplo das encarnações em diversos reinos da natureza, pode girar 3000 vezes para cada essência, totalizando 324000 encarnações para fazer nosso trabalho.
Para conquista de cada essência desceremos ao plano dela tornando-se assim mônada ao sair do plano divino e monádico onde estamos estacionados para receber a permissão divina e iniciarmos a caminhada na senda dos sete princípios evolutivos do homem.
Ao começar a percorrer estes sete planos, vamos fazendo uma jornada de involução até chegar à matéria, passando em sequência pelos planos átmico, búdico, mental superior, mental inferior, astral, etérico e denso. Nessa descida ou involução, ao chegar ao plano físico denso, atingimos o reino mineral e a partir dai começamos a nossa subida na escada evolutiva adquirindo forma de minério mais rústico até os mais sofisticados como diamante. Depois vamos ao reino vegetal, adquirindo experiência em diversos grupos da flora, passando então ao reino animal e hominal ao qual nos encontramos atualmente.
Após superar todas as imperfeições humanas a qual fomos conduzidos a experimentar, a mônada começa retornar ao divino, ascendendo os planos pelos quais já passou adotando formas mais angelicais e sentimentos mais altruísticos, desintegrando assim o ego e desapegando a materialidade como advertido por Jesus quando disse: “buscai os tesouros que a traça não rói e a ferrugem não consome”.
O problema é que muitas vezes nos esquecemos disso porque ainda estamos com a consciência muito adormecida e fascinados pelas coisas passageiras e ilusórias deste mundo não fazendo assim a vontade do G.’.A.’.D.’.U.’.   O resultado disso, é que criamos e alimentamos o ego e este por sua vez, nos afasta cada vez mais de Deus desenvolvendo dor, ignorância, miséria e sofrimento. No entanto, ao contrário, quando fazemos a sua vontade, tudo caminha harmoniosamente e a senda evolutiva se torna mais leve, assim afirma Jesus quando diz: “... tomai sobre voz o meu jugo e aprendei de mim porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para vossa alma. Por que meu jugo é suave e meu fardo é leve.”

                     Or.'. de Porto Alegre, 06 de Julho 2014. da E.'. V.'.

Antonio Carlos Dias Fernandes Junior
Apr.'. M.'.


Bibliografia:

www.estudosdabíblia.net
www.espaçoazul.net/temab1

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

A ESPADA FLAMEJANTE


A espada flamejante é um dos objetos mais simbólicos e sagrados na maçonaria. É usada tanto nas lojas simbólicas como nos altos graus para sagração nas iniciações.
A espada flamejante é diferente de tudo que  é mencionado sobre espadas. Aparentemente, ela não esta descrita em nenhum livro que não seja aquele que relate as coisas pertencentes á ordem maçônica: sua lamina não é retilínea, mas ondulada, assemelhando-se á labaredas de fogo.
Conforme pode ser lido no livro sagrado, ela é empunhada pelos anjos do senhor no jardim do éden, como verdadeira espada de fogo, para guardar o caminho da arvore da vida.
Até onde se sabe, os historiadores não tem, alem dessa informação obtida na bíblia, outras informações que esclareçam a origem dessa arma de formato tão peculiar. A maçonaria simbólica a adotou, pois representa, sem duvida, a emancipação da força de proteção, de defesa, de ação.
Tem significados tremendamente profundos na simbologia maçônica, sendo talvez o principal deles o de ser a arma a ser usada na luta eterna na dualidade entre o bem e o mal.
Simboliza também o poder possuído pelo venerável mestre de iniciar novos aprendizes, elevar novos companheiro e exaltar novos mestres na loja simbólica.
O venerável mestre e a autoridade máxima da loja e deve ser o mais correto de todos os irmãos. Esta retidão exemplar é simbolizada pelo esquadro e a autoridade máxima é simbolizada pela espada flamejante.
Ela só pode ser tocada em loja pelo venerável mestre ou por outro mestre instalado. Deveria estar sempre guardada num estojo próprio para ser oferecida ao venerável mestre nas iniciações, elevações e exaltações, mas hoje é comum ser mantida exposta no altar durante todas as sessões, mesmo nas sessões ordinárias. Portanto me  parece lógico que ela não deve ser encostada no candidato, durante a sagração, somente devera ficar próximo do mesmo.
Ampliando os limites de nossa mente, podemos afirmar que a espada flamejante, quando empunhada pelo venerável mestre, sem duvida alguma é a representação da  força do poder, da magia e do encanto da maçonaria universal, espalhada por todo canto da terra. Essa mesma maçonaria que tem aperfeiçoando os homens pelo amor, pelo caráter e pela tolerância.

Or.'. de Porto Alegre, 09 de dezembro de 2012 da E.'. V.'.

Claudio k Suski
C.'. M.'.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

A DUALIDADE


        A Dualidade, representada pelos pares de opostos, destaca o mundo da ilusão ou das aparências, onde a luz e as trevas têm alto sentido filosófico. A atividade dos princípios, em sentido inverso, poderá ser comparado ao fluxo e refluxo das marés. Assim, a luz que é uma emanação ativa e positiva(fluxo da maré), opõe-se às trevas, que é a falta de luz ou luz negativa. 
       A Luz, então, tem uma correspondência moral com a sabedoria, o amor, o altruísmo, que é o desejo de “dar”.
     As trevas relacionam-se com a ignorância, a paixão, o egoísmo, que é o desejo de “receber”. Os pares de elementos, ou princípios opostos e complementares, encontram num terceiro elemento intermediário e equilibrante, ou princípio da harmonia, o reflexo da unidade no mundo relativo. Cessar a luta dos opostos e a dualidade torna-se luta fecunda, e adquire impulsos evolutivos, construtivos e progressistas.

                                        Or .’.  de Porto Alegre 05 de março de 2012.da E .’. V.’.

Márcia  Nunes
Apr.'. M.'.

Bibliografia:
Mena Barreto ,Edgar ;Manual de instruções Maçônicas de aprendiz- Porto Alegre .1999.

domingo, 28 de dezembro de 2014

O ESQUADRO


        A origem do esquadro é misteriosa e não é conhecida, mas bastante antiga, e sempre foi usado em construções realizadas em épocas longínquas.
          Seu nome surge do Latim "quadrare", "tornar quadrado" pois é formado por duas hastes que se encontram em um ponto, formando um ângulo reto equivalente a 90 graus. 
          Duas são as formas do esquadro, uma simétrica ( que apresenta simetria ) e outra assimétrica ( que não apresenta simetria).
           O esquadro quando é representado por sua forma simétrica, simboliza o equilíbrio entre a união do ativo, representado pela haste central, e o passivo, representado pela base, que formam dois ângulos retos de cada lado. 
          O Esquadro quando representado por sua forma assimétrica, indica a atividade e o dinamismo.
          As linhas ou lados que formam o esquadro, tanto simétrico como assimétrico, têm um sentido simbólico de elevada importância. Uma é horizontal, ligada à superfície terrestre ou plano material (Eu traduziria como ligado ao corpo físico), e a outra é vertical, ligada ao infinito celeste ou plano espiritual (que eu traduziria como ligado à Alma Humana). Embora as duas mostrem caminhos diferentes (que eu creio ser o Plano Material e Plano Espiritual, ou o Corpo Físico e a Alma Humana ), eles encontram-se intimamente ligados ( pois creio, que ambos são como a Luz e a matéria, pois as formas apenas podem existir se a Luz puder ser contida por uma matéria, ou seja, a árvore consegue ter a sua forma por que a Luz que vem do Leste, ou do Infinito Primordial, é contida pela árvore, pois se não existisse a Matéria, a Luz do Leste vagaria ao Infinito, e nenhuma forma poderia ali existir. Por isto esses dois caminhos, representados pelo Esquadro, devem ser sempre percorridos com retidão. 
          Na Maçonaria, o esquadro simboliza o equilíbrio, a harmonia e a retidão que todo Maçom deve possuir, que é representado na insígnia do Mestre. Ao formar o emblema maçônico com o compasso, começa a ser descrito o lado material com suas hastes sempre fixas obedecendo a um ângulo reto que não pode ser modificado. Já o compasso se relaciona com o Divino, e suas hastes são móveis, podendo alterar o ângulo de abertura de acordo com suas necessidades. O esforço conjunto desses dois símbolos representa a união entre Céu e a Terra, e o maçom, permanecendo entre o esquadro e o compasso, não se desviará do caminho a ser percorrido em prol do aprimoramento espiritual.
        O esquadro corrige e organiza a matéria, e como insígnia do Venerável, dá a entender que a vontade do Venerável no momento da Loja, só pode ter um único sentido, o de preservar os estatutos da Ordem, não agindo, a não ser para o bem de todos.
          A jóia suspensa ao colar do Venerável é um esquadro de lados desiguais, o lado maior deve estar virado para o lado direito, que representa o lado ativo ou destro, que domina o lado esquerdo, passivo ou sinistro. 
          O esquadro é empregado nos três graus simbólicos como símbolo de saudação. Também é usado na marcha para adentrar no Templo e na Cadeia de União, onde os pés formam uma esquadria, além de ser usado na lenda do terceiro Grau pelo segundo Companheiro para ferir o Mestre Hiram Abiff.
          Podemos inferir, que o esquadro representa a união alquímica entre a o corpo material e a alma, desde que sigamos o caminho da retidão e do aperfeiçoamento constante de todas as nossas ações neste mundo das multiplicidades terrenas.



         Or de Porto Alegre, 08 de outubro de 2013. da E.'. V.'.

Vinicius dos Santos
Ap.'. M.'.


Bibliografia: 

Maçonaria.net

QUEIROZ, Alvaro de. A Geometria Maçônica - Rito Escocês Antigo e Aceito. São Paulo, Madras, 2010.

sábado, 27 de dezembro de 2014

COMO RECONHECER UM MAÇOM?


Em nossa última loja o Ven.•. M.•. solicitou que eu fizesse um trabalho sobre como podemos fazer para reconhecer um maçom SEM o uso de SS.•., TT.•. ou PP.•. .

Após muito pensar, analisar e mesmo pesquisar  nos livros de  Ritos e em outros materiais à disposição não consegui chegar a nenhuma conclusão. Não achei nenhum modo seguro, eficaz e eficiente de como fazê-lo. 

Como alternativa eu tentei uma comparação direta entre meus IIrm.•. MM.•. da Loja, também com os meus IIrm.•. Não MM.•. de minhas relações e, é claro, comigo mesmo, e o máximo que consegui descobrir é que não tendo como comparar pessoas, então não conseguiria lhe responder a sua pergunta, Ven.•. M.•.

Aliás, se o Ven.•. mudasse o escopo do trabalho e permitisse que eu  utilizasse os SS.•., TT.•. e PP.•. para facilitar esta identificação, mesmo assim, ainda assim, eu acredito que não poderia identificar completamente um Maçom.

Porque como bem sabe nosso Ven.•. M.•., temos aqui, antes de mais nada uma questão de SER  e de ESTAR, uma questão de FATO e de DIREITO.

Para ser um Maçom de DIREITO, você precisa ser “Livre e de Bom Costume”, “Crer em um Princípio Criador Incriado” e assim poder ser Iniciado em nossa Ordem.

Após isto, estando um candidato devidamente iniciado e inscrito, ser frequentador e colaborador das sessões ordinárias e abertas, estar ciente da ritualística, fazer e apresentar suas peças de arquitetura de forma adequada, poderia, quando muito, ser chamado de  MAÇOM por DIREITO.

Mas só, isto basta ? Isto é o suficiente ? É isto que procuramos ser ...  “MAÇONS POR DIREITO” ?

Será que basta ser bom Irm.•. entre as  paredes da Loja ? E quanto a todo o resto lá fora ? E quando ou enquanto estivermos no mundo profano, como fica ?

Da mesma forma, será que temos a garantia que um Irm.•. que saiba os SS.•., TT.•. e  PP.•. de nossa Ordem, assim como alguns de seus “segredos” seja um legítimo MAÇOM, com todo o peso que gostaríamos que tivesse esta definição ?

Por outro lado, aquele nosso Irm.•. profano, por assim dizer, com quem esbarramos nos caminhos da vida, no trabalho, durante o lazer, aquele que não frequenta a Maçonaria, que não foi Iniciado, que não conhece os SS.•., TT.•. e PP.•., mas que diariamente põe, de uma forma saudável e construtiva, os interesses da maioria à frente dos seus, que se preocupa efetivamente com os mais desafortunados, que sabe calar para não magoar, que pratica de uma forma constante e consistente  o símbolo do 3º degrau de nossa escada de Jacó, não seria este o Verdadeiro Maçom ?

Free mason. Do francês pedreiro ou Construtores Livres. Não seriam estes de quem recém falei os verdadeiros construtores livres de uma sociedade melhor ? Não seriam estes acima MAÇONS, DE FATO ?

Claro que são os dois extremos, mas o que gostaria de demonstrar através desta peça  é que, mesmo de posse de SS.•., TT.•. e PP.•. podemos apenas identificar um Maçom de DIREITO, nunca o de FATO.

Para finalizar, acredito que se tivermos alguém que se faça presente, sem precisar impor sua presença, que seja bondoso com os outros sem ser condescendente, que reconheça que todos cometemos erros e o que realmente importa é procurar corrigi-los, que enalteça as qualidades dos outros em público, enquanto que os ajude a corrigir suas falhas, reservadamente, pois sabe que todos nós falhamos, e que à noite consiga  dormir tranquilo, não pela sua total falta de responsabilidade, mas porque sabe que,  se não fez O melhor, ele ao menos fez o SEU melhor e que no  dia seguinte o sol tornará a surgir no Ocidente a caminho do Oriente e que ele terá mais um dia para tentar fazer a diferença !

Este, Ven.•. M.•., para mim é MAÇOM, talvez nem ele o saiba, mas é o verdadeiro MAÇOM !

Gosto de acreditar que antes de uma simples Ordem Instituida, a Maçonaria seja  um estado de espírito, um querer espontâneo baseado na busca do crescimento espiritual e que nela se trabalhe diariamente, dentro e fora de suas Lojas, e não somente às quartas-feiras.


Or.•. de Porto Alegre, 08  de Junho de 2012  da   E.•. V.•.

Carlos Mutti
Apr.•. M.•.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

QUEM SOMOS?


Somos seres em busca da perfeição através do reconhecimento dos nossos males, das trevas que carregamos e até mesmo cultivamos no decorrer do tempo.
Quando conseguimos reconhecer uma ponta da pedra bruta que somos para desbastar, entramos no campo da melhora. Mas este é um exercício, um trabalho árduo que necessita de persistência e disciplina.
A tarefa de nos conhecermos, de sabermos reconhecer e controlar nossos instintos está interligado com as bases de amor, verdade e justiça. 
Pois, aprendendo a entender que o amor que conhecemos e aplicamos é totalmente baseado no ego, que a verdade que utilizamos e aplicamos em grande parte de nossa vida é conveniente aos nossos interesses e que a justiça que almejamos para nós, quase nunca é a que desejamos ao outro, quando aprendermos teremos  nos transformado em uma pedra útil. 
A compreensão interna, pelo auto conhecimento, é intensa, não é fácil dominar ou controlar um ego, muito menos o próprio.
Isso requer desenvolver certas aptidões, exercitar nossa capacidade de amor e perdão, para conosco e com o próximo.
Somos pedra bruta, fazendo nosso desbaste constantemente.

Or.'. de Porto Alegre, 31 de março de 2013. da E.'. V.'.

Solange Terezinha Nery Machado
Comp.'. M.'.

Imagem: Google Imagens

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

O CAMINHO DA INICIAÇÃO

"O homem traz em si mesmo o dínamo gerador das suas dores e alegrias: a MENTE.
Quem semeia um pensamento colherá um facto; semeia um facto e terá um hábito; semeia um hábito e formará um carácter; semeia um carácter e obterá um destino.
Não adianta arrependimento depois que o acto foi praticado, porque o karma já foi criado.
Nem sempre é pecado o facto de errar… Resta saber se o erro é consciente ou inconsciente, pois a Humanidade caminha ou evolui caindo e levantando, errando e procurando desmanchar o erro, até alcançar o fim da sua evolução.
A chave de cada degrau é o próprio aspirante. Não é o temor a Deus que representa o começo da Sabedoria, mas o conhecimento do Eu, que é a própria Sabedoria.
Quem souber colocar a sua inteligência ao lado do coração, alcançará na Terra as maiores venturas do Céu.
O verdadeiro discípulo é aquele que não procura ver os defeitos alheios, mas os seus próprios.

É dever do discípulo, por amor e respeito ao Mestre, possuir a maior “vigilância dos sentidos”, para não fazer sofrer Aquele que lhe serve de Guia na espinhosa Vereda da Iniciação."
O Verdadeiro Caminho da Iniciação, por Henrique José de Souza. Sociedade Brasileira de Eubiose (ex-Sociedade Teosófica Brasileira), São Paulo, 2001.

domingo, 16 de novembro de 2014

LOJA ABERTA DE 19-11-2014

Sementes de Acácia
Nesta próxima quarta-feira, dia 19-11-2014, teremos a última Loja aberta deste ano, momento em que recebemos não maçons interessados em conhecer um pouco do universo maçônico.
A palestra a ser apresentada tratará sobre a Astrologia e suas influências sobre os corpos sutis e chacras, por conta de nosso amigo Denis Schossler.
Por volta dás 20:00 horas os visitantes serão convidados a adentrar no templo. Nosso endereço: rua Barão de Tramandaí, 23, Passo D'Areia, Porto Alegre.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

O SIMBOLISMO DA ROMÃ



O símbolo menos analisado na filosofia maçônica é, sem duvida, a romã.
Colocada sobre o capitel de cada coluna, sempre acima do olhar físico de cada OObr.’., ela passa despercebida e, por isso, mais ignorada, porque da muito trabalho olhar para cima e sondar os mais elevados ideais que a Maçonaria busca.
Nos trabalhos escritos da maioria dos autores maçônicos, vê-se muito sobre significados e interpretações dos símbolos que envolvem as colunas B e J. Não se tem dado muita atenção às romãs que, embora sustentadas pelas colunas, representam o que há de mais essencial em nossa instituição.
A origem da romãzeira, é por demais antiga tendo sido encontrados fragmentos do fruto em túmulos egípcios que datam de 2.500 anos a.C.
Salomão,  a fez símbolo de seu reinado, dizia ter poderes afrodisíacos, em especial o seu sumo e o vinho dela produzido, consumido em Israel desde os seus primórdios.
De sabor suave e agridoce, a romã possui muitas sementes avermelhadas e unidas. Crescem em árvores que mais se assemelham a arbustos, podendo medir de 2 a 8 metros de altura, dependendo da espécie. Tendo o formato oval e na  sua extremidade inferior um terminal lembrando  uma pequena coroa. Conforme amadurece na árvore, a romã passa do verde para o amarelo e para o vermelho, inchando tanto, que em determinado momento ela racha e suas sementes vão para o chão, dando origem a novas árvores.
Essa quantidade imensa de sementes e a forma como ela se propaga, fez dela símbolo da virilidade masculina, da fecundidade e da riqueza. 
A sua casca, dura e resistente, representa a Loja em si, o templo material que abriga os OObr.’. reunidos.  As sementes ligadas uma às outras representam os Obreiros da Loja unidos entre si por um ideal comum.
Para abrir uma romã é difícil. Normalmente é preciso que ela própria se abra espontaneamente para nos mostrar em seu devido tempo, o seu magnífico interior. Assim, também é a Maçonaria, hermética e inacessível para os que a olham de longe, mas extremamente sedutora e bela para aqueles que se decidiram a olhar pelas aberturas que ela própria lhe oferece.
A romã é una e ao mesmo tempo múltipla. Seus grãos são brilhantes, unidos e úteis, cada um ocupando seu lugar harmoniosamente no espaço que lhe é reservado dentro do seu compromisso, como nós, os maçons.
O que, na romã, mantém as sementes unidas? 
O bom observador da natureza maravilhosa, nota muito bem que é a pele interna, que tem a finalidade de manter unidas as sementes da romã. Essa pele, feita da mesma substancia carnuda e consistente da casca e do miolo,  representa o selo, ou melhor, o sigilo maçônico.
Rompido esse selo, as sementes ficam expostas ao ataque de pragas, deteriorando-as e estas perdem assim sua finalidade.
Igualmente na Loja, todos os nossos assuntos carecem da proteção do sigilo, sob pena de, rompido este, a Loja, que é a romã, vir a sofrer sérias conseqüências como a perda da coesão, da união que deve reinar em nosso meio em prol o bem comum.
Rompido esse juramento, a fruta definha, seca e, por fim, apodrece. Assim, o sigilo, representado pela pele que UNE e SELA as sementes, merece de nossa parte o máximo de cuidados.

Oriente de Porto Alegre, 21 de março de 2012 da E.'. V.'.
Daisy Mutti Teixeira
2ª Vig.'.

Bibliografia:
Diversos sites da internet

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

O QUE DESTRÓI O SER HUMANO?


sábado, 25 de outubro de 2014

PRUDÊNCIA DENTRO E FORA DA MAÇONARIA

Fora da Maçonaria, prudência é a qualidade de quem age com moderação, comedimento, cautela, precaução, sensatez, buscando evitar tudo o que pode ser fonte de erro ou de dano. No direito penal, a imprudência é um dos elementos da culpa, assim como a imperícia e a negligência, para a apuração da responsabilidade por danos causados sem intenção.
Prudente, portanto, seria aquele que age com o cuidado devido, exigível na situação concreta, de acordo com as suas condições de avaliação.
Podemos notar claramente que esta virtude, a prudência, é mais lembrada por sua inexistência, pela negatividade, pelos efeitos danosos que podem advir da falta de sua prática.
E o que seria a Prudência na Maçonaria?
Freqüentemente, quando estou pensando na Maçonaria e em algum tema que me é proposto, me vêm à mente algum momento da Iniciação. E neste momento lembrei-me da passagem que afirma que “o que no profano seria uma qualidade rara, não passa no Maçom do cumprimento elementar de um dever”. E por quê? Porque do menos se pode esperar o menos; do mais, mais se pode esperar. Daquele que se dedica ao estudo e à prática dos ensinamentos esotéricos se espera a afirmação do positivo; a surpresa do bem e do amor ao próximo; da luz divina e da perseverança.
Então, penso que podemos exemplificar dizendo que prudente é o Maçom que respeita o ritual, mesmo desconhecendo as conseqüências de sua inobservância; que respeita os graus, sabendo que tudo tem seu devido tempo abaixo do sol; que cumpre o dever do silêncio em respeito a sua própria palavra; que orienta o irmão em vez de repreendê-lo; que vive o divino em si em vez de apenas afirmá-lo.
Prudência, por fim, foi o que levou os noivos às virgens, na parábola do Cristo. Vigiai, pois, porque não sabei o dia nem a hora.
Or\de Porto Alegre, 04 de outubro de 2004 da E\V\
Milton Lopes Teixeira
M\ M\


Bibliografia:

Da Camino, Rizzardo; Breviário Maçônico; 3ª Edição; Madras Editora Ltda; São Paulo; 1999.
Mateus, 25. 1-13.
Dicionário Aurélio.
Ritual do Aprendiz Maçom.

domingo, 19 de outubro de 2014

LOJA ABERTA DE 22-10-2014


Prezadas Irmãs e Irmãos, Amigas e Amigos.

Na próxima quarta-feira, dia 22-10-2014, teremos mais uma Loja Aberta, onde franqueamos o acesso a visitantes não iniciados na Maçonaria.
Nesta oportunidade teremos uma palestra sobre "Os Druídas através dos Tempos... até os nossos dias!", a cargo do Ir.'. Vinicius.
Por volta das 20:00 horas os visitantes serão convidados a entrar no templo. Nosso endereço é rua Barão de Tramandaí, 23, bairro Passo D'Areia, Porto Alegre, RS.



quinta-feira, 16 de outubro de 2014

O SILÊNCIO DO APRENDIZ


Em Loja, o Aprendiz Maçon não tem direito ao uso da palavra.

Esta frase, sendo substancialmente verdadeira, não espelha, porém, correctamente a realidade. A mesma ideia, correctamente formulada, expressa-se pela seguinte frase: em Loja, o Aprendiz Maçon beneficia do direito ao silêncio e cumpre o dever do silêncio.

O Aprendiz Maçon não usa da palavra em Loja, não porque se lhe não reconheça capacidade para tal (pelo contrário: o Aprendiz foi cooptado para integrar a Loja, pelo que se lhe reconhece valor), não porque se lhe atribua um estatuto inferior aos restantes (mais uma vez, pelo contrário: o Aprendiz tem um estatuto de plena igualdade com os restantes obreiros e é um importante pólo de atenção da Loja, que tem como uma das suas mais importantes tarefas a sua formação), mas porque o cumprimento de um período de silêncio é considerado imprescindível para o seu processo de aperfeiçoamento.

O silêncio do Aprendiz em Loja é importante por, pelo menos, três razões: a defesa do próprio Aprendiz, a focalização da sua atenção para a simbologia de que se vê rodeado e a demarcação de prioridades no seu processo de aperfeiçoamento.

Em primeiro lugar, estando o Aprendiz Maçon confinado ao silêncio, nada tem de dizer, sobre nada tem que opinar, nenhuma posição lhe é exigida. O silêncio a que é confinado funciona, desde logo, como um meio de defesa, de protecção, do mesmo.

O Aprendiz Maçon está a efectuar um processo de integração num grupo novo, com regras específicas, com uma ligação inter-pessoal forte. Desejaria, porventura, ter uma atitude proactiva de se dar a conhecer, de intervir, de mostrar o seu valor. Mas não precisa: que tem valor, já todo o grupo o sabe - por isso o aceitou no seu seio -, o conhecimento advirá, nos dois sentidos, com o tempo e a naturalidade dos contactos entre todos. O Aprendiz Maçon está num processo de mudança de paradigma quanto à forma de estar social. Os valores apreciados nos meios profanos não serão os mesmos que são preferidos entre os maçons. Na Maçonaria não se busca eficiência, produtividade, riqueza, estatuto, etc.. Na Maçonaria valoriza-se a força de carácter, o reconhecimento das próprias imperfeições, o desejo de melhorar, a ponderação, o respeito pelo outro, a tolerância, a paciência, etc.. Seria injusto para o Aprendiz maçon que, vindo das realidades do mundo profano, está ainda em processo de adaptação aos objectivos do método maçónico de aperfeiçoamento, deixá-lo expressar opiniões que, a breve trecho, mudará, exprimir conceitos que, desejavelmente, abandonará, em suma, actuar como está habituado a actuar no mundo profano, para logo verificar que errou e que o seu erro foi publicamente exposto.

Todo o processo de aprendizagem é um processo de tentativa-erro-correcção. O aperfeiçoamento pessoal é um processo também com estas características. Errar é normal. Será, porventura, até necessário. Os maçons experientes sabem-no. Mas quem está a soletrar as primeiras letras do novo alfabeto de valores só com o tempo o verificará. Não necessita de errar publicamente e, porventura, sentir-se diminuído com isso. Tempos virão em que será muito útil, para si e para os demais, que expresse a sua opinião, que colabore, que intervenha. Enquanto está na fase de aprendizagem, o que se espera dele é que aprenda, que se situe, que se concentre em si próprio, não na imagem que gostaria de transmitir para os demais.

Por outro lado, o facto de o Aprendiz maçon estar confinado ao silêncio, permite-lhe focalizar a sua atenção para tudo o que o rodeia, para tudo o que se passa, para tudo o que é dito - sem necessidade de responder! A experiência mostra-nos que, muitas vezes, não damos a atenção que deveríamos dar a situações, a acções, a declarações, porque estamos em simultâneo a pensar na resposta que vamos dar à situação, à acção, à declaração. O Aprendiz Maçon, com o seu direito ao silêncio, está eximido de responder, de opinar. Não tem assim de desviar a sua atenção para preparar a sua resposta. Pode e deve concentrar toda a sua atenção no que se passa, meditar sobre o seu significado, errar ou acertar, emendar o erro ou confirmar o acerto, em suma, ver (ver mesmo, não apenas olhar...) os símbolos, procurar compreendê-los e atribuir-lhes significados, utilizar esse conhecimento para sua própria melhoria.

O silêncio do Aprendiz permite-lhe, finalmente, pensar, depois reflectir e seguidamente meditar. E pensar, reflectir e meditar é o principal trabalho que tem a fazer. Porque só assim verá para além do óbvio, só assim despertará para o desconhecido, só assim se virará do exterior para o interior de si mesmo. E só assim poderá descobrir que tudo o que verdadeiramente importa já o tem, dentro de si. Basta que o encontre, que o utilize, que o aceite, que o desfrute!

A prioridade do maçon é ele próprio. O trabalho do maçon é melhorar, aperfeiçoar-se. Tudo o que de bom o maçon faça tem como objectivo esse aperfeiçoamento. A solidariedade é um meio de aperfeiçoamento. A fraternidade é um meio de aperfeiçoamento. O comportamento tolerante é um meio de aperfeiçoamento.

O importante está dentro de si. Tudo o que é exterior, incluindo a riqueza, posição social, reconhecimento dos demais, só tem valor na medida em que se repercuta positivamente no interior de cada um.

O Aprendiz Maçon vai, em silêncio, conhecer e aprender o significado de muitos símbolos. Vai, em silêncio, assistir a rituais e procedimentos. Vai, em silêncio, assistir a debates e verificar como se podem debater opiniões contrárias de modo civilizado, profícuo e satisfatório. Mas vai, sempre com o auxílio do silêncio, que há-de vir a compreender que não foi uma imposição, antes um benefício, sobretudo surpreender, apreender e compreender que o primeiro grande objectivo do maçon, o primeiro grande passo para se aperfeiçoar, a primeira ferramenta para descortinar o significado da Vida e da sua existência, é CONHECER-SE A SI MESMO.

E esse conhecimento de si mesmo não se obtém falando para os outros, conversando, discursando, palrando, opinando.

Esse conhecimento de si mesmo adquire-se lentamente, às vezes dolorosamente, sempre buscando persistentemente, apenas em diálogo consigo mesmo.

O silêncio do Aprendiz Maçon - quanto mais cedo este o perceba, melhor! - só existe perante os demais. Na realidade, o silêncio do Aprendiz mais não é do que um ensurdecedor diálogo consigo próprio, uma discussão que o que tem de bom trava com o que tem de mau, uma conversa com a criança que nos esquecemos de ser, com o adulto ponderado que, às vezes, deixamos para trás de nós próprios, com o experiente e sabedor ser que, de qualquer forma, o decurso do tempo mostrará que existe em nós, nós é que, muitas vezes, não damos por ele e não nos damos ao trabalho de inquirir se ele existe.

É no silêncio que o Aprendiz Maçon vai amaciando as asperezas da pedra bruta que é ele próprio. O silêncio do Aprendiz Maçon é o primeira prenda que a Loja lhe dá. Deve o Aprendiz Maçon utilizá-la como uma ferramenta. Se a utilizará bem ou mal, ele próprio - e só ele - o avaliará!

Rui Bandeira
Fonte: http://www.a-partir-pedra.blogspot.com.br/2007/11/o-silncio-do-aprendiz.html

domingo, 12 de outubro de 2014

INDAGAÇÕES

"De onde viemos? Que somos? Que a morte fará de nós?

Diz a ciência que nada se cria e nada se perde: tudo se transforma incessantemente.

Que é o homem? É apenas um átomo, aparecido no seio da mulher, e que progressivamente se organiza, se harmoniza em sua inúmeras partes? Que cresce, pensa, cai, transforma-se e volta à causa primária, deixando apenas reminiscências de sua última forma, ou conservando uma particula essencial, imutável e imortal?

A vida do homem é uma centelha, um minuto, durante o qual ele sai da noite infinita. Uma voz interior lhe diz: "procura ver e saber". O espaço imenso, apesar de aberto diante de si, é um obstáculo? Se demora a incerteza, o instante da vida passa e ele volta à noite, sem ter visto a verdade.

...

Cada um a si se interrogue: "Sou esse átomo saído da noite eterna e a ela voltarei em breve. O assassino de Hiram me impede. Tenho o direito de matá-lo?"

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

O VERDADEIRO SEGREDO MAÇÔNICO


O verdadeiro Segredo Maçónico...
É um segredo de vida
E não de ritual
E do que se lhe relaciona.
Os Graus Maçónicos comunicam àqueles que os recebem,
Sabendo como recebê-los,
Um certo espírito,
Uma certa aceleração da vida
Do entendimento
E da intuição,
Que actua como uma espécie
De chave mágica dos próprios símbolos,
E dos símbolos
E rituais não maçónicos,
E da própria vida.
É um espírito,
Um sopro posto na Alma,
E, por conseguinte,
Pela sua natureza,
Incomunicável
Fernando Pessoa
Fonte: http://a-partir-pedra.blogspot.pt/2007/02/o-verdadeiro-segredo-manico.html