segunda-feira, 28 de abril de 2014

MAÇONARIA NA ARQUITETURA

MAÇONARIA NA ARQUITETURA


- Arte Gótica -

Construção de uma Catedral

Os Pedreiros Livres e as catedrais góticas
A catedral, na tradição cristã, deve ser a casa de Deus na terra e, como tal, “reflexo da ordem e da beleza que resplandecem em Seu trono”.
Os construtores medievais, grupos de Pedreiros Livres que desempenhavam seu ofício em toda a Europa, foram os criadores dos mais fascinantes testemunhos de inteligência e fé no final da Idade Média, as catedrais góticas. Essas obras revelam a genialidade dos mestres construtores e algumas de suas técnicas.
A catedral era, seguindo uma visão hierárquica das igrejas, meramente uma moradia para bispos e sua assembléia religiosa. Porém, com o clima de grande disputa no início do período gótico, essas catedrais assumiram grandes proporções, tornando-se verdadeiros monumentos.
A construção de uma catedral gótica formigava com dúzias de trabalhadores dispostos em times de trabalho e que recebiam por aquilo que faziam. Cada construção era supervisionada por um mestre construtor e por volta de 30 artesãos especialistas. Esses especialistas e alguns de seus mais habilidosos trabalhadores se moviam de função em função, aplicando lições aprendidas e passadas de um a um.
O mestre construtor atuava como um projetista, um artista e ainda como um artesão. Com o auxílio de réguas, compassos, esquadros e outras poucas ferramentas geométricas, ele fazia as plantas da catedral.
Aí está a origem das Lojas Maçônicas modernas, que aproveitaram a estrutura das lojas de construtores medievais, suas ferramentas e algumas práticas e a isto associaram conhecimentos iniciáticos milenares, patrimônio intelectual da humanidade, anterior ao cristianismo.
 
Construção de uma Catedral Gótica


Construção das abóbadas

Amiens Cathedral
A planta básica da catedral gótica pouco diferia das encontradas em catedrais de períodos anteriores. Sob a forma de uma cruz, a catedral se dividia basicamente em: nave, transeptos  e coro.
Na parte inferior da cruz se situava a nave central, circundada por naves laterais; na faixa horizontal existiam os transeptos e o cruzeiro, e na base da nave tinha-se a fachada principal; existiam ainda torres, porém de localização variada.
Legenda:
1. Capela Radial
2. Deambulatório
3. Altar
4. Coro
5. Corredores laterais do coro
6. Cruzeiro
7. Transepto
8. Contraforte
9. Nave
10. Nave lateral
11. Fachada, portal.


A fundação das catedrais tinha por volta de 9 metros de profundidade e era formada por camadas de pedras (blocos de calcário), assentadas com argamassa cuidadosamente dosada de areia, cal e água, sobre a terra argilosa no fundo da escavação.


Fundação da Catedral 

Devido ao custo, os andaimes eram mínimos, assim os trabalhadores confiavam sua alma a Deus e andavam sobre flexíveis plataformas. Um perigoso momento para os trabalhadores ocorria quando as paredes atingiam suas alturas finais e os troncos de madeira para o telhado deviam ser elevados a essas alturas.


Construção dos arcobotantes 

O telhado era colocado antes da construção das abóbadas. Auto-portantes, os telhados serviam de plataforma para a subida do maquinário empregado na construção das abóbadas de pedra.


Construção dos arcobotantes e telhado 

Assim, com o telhado pronto, podia-se iniciar a construção das abóbadas. Uma a uma, as pedras talhadas das nervuras eram colocadas sobre os cimbres de madeira e firmadas pelos pedreiros. Entre os cimbres eram instaladas tábuas de madeira, as quais funcionavam como base para o assentamento das pedras durante a secagem da argamassa. Após a secagem da argamassa, aplicava-se sobre as pedras uma camada de dez centímetros de concreto (buscando evitar fissuras entre as pedras). Estando o concreto seco, as tábuas eram retiradas, seguidas pelos cimbres, finalizando-se a abóbada (vide sistema estrutural).


Construção da abóbada 


Sistema Estrutural de uma Catedral Gótica
As catedrais românicas possuíam um sistema estrutural baseado em espessas paredes e abóbadas semicirculares localizadas logo abaixo do telhado. Dispostas como indicado na figura, as paredes tinham que ser espessas e com poucas aberturas, pois resistiam tanto aos esforços verticais, quanto aos esforços horizontais gerados pelo vento, abóbadas e telhado.


Estrutura de uma catedral românica

De acordo com a finalidade espiritual buscada no estilo gótico, as catedrais deveriam possuir elevadas alturas, grande luminosidade e uma plena continuidade entre o início de seus pilares e o cume de suas abóbadas.


Esquema dos elementos estruturais 





Vista interna de uma catedral gótica 

Assim, em 1180, na construção da Catedral de Notre Dame, um novo sistema estrutural foi projetado, tornando possíveis todos esses requisitos. Formado por um complexo sistema de abóbadas ogivais (diferentemente das semicirculares românicas, eram pontiagudas, mais flexíveis e de maior adaptação), arcobotantes, esbeltos pilares e contrafortes, a estrutura da catedral gótica venceu elevadas alturas e extensos vãos.




Esquema dos esforços em uma catedral gótica 

Como se desejava que as paredes da nave central tivessem pouca espessura e fossem cobertas por vitrais para dar luminosidade à catedral, os esforços horizontais não poderiam ser resistidos por essas paredes. A solução encontrada foi transferi-los por meio de arcobotantes a grandes e pesados contrafortes colocados na periferia da igreja. Os esforços horizontais provenientes do telhado e das abóbadas eram recebidos pelos arcobotantes (já fora da catedral) e transferidos aos contrafortes, que os descarregavam sobre a fundação. Desta forma, com os elementos resistentes aos esforços horizontais colocados longe das paredes, estas não precisavam ser baixas e espessas (como nas catedrais românicas), possibilitando a presença de grandes e belos vitrais (busca da grande luminosidade), grande altura e garantindo a plena continuidade da catedral, desde o início de seus pilares até o cume de suas abóbadas..


Estrutura de uma catedral gótica


Exemplos de vitrais 

Também no “canteiro” da catedral estavam presentes os artesãos especialistas em fazer e juntar pedaços de coloridos e brilhantes vidros para completar os buracos deixados entre as pedras e formar enormes e belos vitrais. Várias cores eram obtidas unindo óxidos de metais e vidro fundido. O vidro era soprado e trabalhado em forma de cilindro e, após resfriado, cortado com a ajuda de um instrumento à base de ferro quente, em pequenos pedaços, geralmente menores que a própria palma da mão. Desta forma, a permanência intacta da maioria das catedrais góticas, sua beleza e grandiosidade atestam o desenvolvido conhecimento de princípios estruturais detidos pelos mestres construtores e, além disso, mostram uma capacidade maior dos mesmos: o ilusionismo, pois até os dias de hoje parecem construções realizadas em outro mundo.
                                                                                 



Embora estivesse preso ao juramento de silêncio em não revelar os segredos de Arte Operativa aos não-iniciados, Matthauss Röriczer, falecido em 1492, quebrou o mesmo publicando muitos detalhes que até então permaneciam escondidos nos livros de anotações reservados dos mestres construtores. Embora a única obra publicada por Matthäus Röriczer fosse um pequeno panfleto, ela tem importância fundamental por ser a única sobrevivente da geometria sagrada maçônica medieval.

Essa obra, intitulada On the Ordination of Pinacles, forneceu a solução de como erigir um pináculo de proporções corretas a partir de uma dada planta baixa. O liberi muratori, equipado com esse esquema e utilizando-se da régua e compasso, podia tomar uma dimensão como ponto de partida e fazer a sua geometria chegar ao plano do tamanho natural.




























Museu do Louvre, em Paris, um Templo maçônico?
Em 6 de Maio de 1791 foi aprovado um projeto-lei determinando que o Palácio do Louvre passaria a funcionar como Museu permanente, graças às iniciativas do Marquês de Marigny, superintendente geral dos edifícios do Rei, e do seu sucessor, o Conde de Angivillier, ambos membros ativos da Franco-Maçonaria em Paris, com papel destacado na Revolução. É aqui que aparece pela primeira vez, após as reformas arquitetônicas do palácio para ser adaptado a museu, a referência singular da planta estrutural do Louvre ser idêntica à planta de uma Loja Maçônica. Isto porque o Louvre está ordenado em três partes distintas, tal qual um templo maçônico, para as quais não faltam inclusive símbolos decorativos exportados da Maçonaria.
Tal como um templo maçônico, que tem o formato dum duplo quadrado ou retângulo, também o Louvre possui estrutura quase retangular e reparte-se em três alas tal qual aquele está ordenado:
– A Ala Richelieu, ao Norte, corresponde ao lugar dos Aprendizes. Representa o vestíbulo exterior da Loja, onde os não-iniciados são recebidos, e que é assim uma espécie de “espaço profano”, tal qual o adro das igrejas onde se reúne o povo.
– A Ala Denon, ao Sul, corresponde ao lugar dos Companheiros. Representa a nave ou “espaço sagrado” da Loja, onde os iniciados se reúnem.
– A Ala Sully, a Oriente, sendo o lugar dos Mestres. Expressa o centro da Loja, o “lugar secreto” correspondendo ao “Santo dos Santos” (Sanctum Sanctorum), onde os iniciadores se reúnem.


.............................................................................................................................................................................................................................................


As Colunas que decoram os Templos Maçônicos
Os Templos Maçônicos Modernos são decorados em seu interior por uma série de variadas colunas, mas, antes de descrevermos os tipos de cada uma, vamos primeiro conceituar o que vem a ser uma coluna.
Uma coluna é um elemento arquitetônico destinado a receber as cargas verticais de uma obra de arquitetura (arco, arquitrave, abóbada) transmitindo-as à fundação. Embora tenha a mesma função de um pilar, este é geralmente mais robusto e de secção quadrada, (o que poderia corresponder genericamente ao corpo da coluna). A coluna costuma ser caracterizada por uma estrutura mais esbelta e esguia em prumo (tradicionalmente de secção cilíndrica podendo também ser poligonal) e que acarreta um significado histórico, decorativo e simbólico mais acentuado.
Os materiais de construção podem variar entre a pedra, alvenaria, madeira, metal ou mesmo tijolo atingindo-se uma grande variedade formal e decorativa que se pode observar desde a antiguidade. A presença física das mesmas nos Templos Maçônicos variam conforme o rito ou a potência adotada pela Loja, mas de uma forma geral podemos apresentar os estilos mais usados na construção dessas colunas.
De estilo Grego: As Colunas Dórica, Jônica e Coríntia;
De estilo Latino: A toscana;
De estilo Egípcio: A papiriforme com capitel em gomo florado.

A ordem dórica é a mais rústica das três ordens arquitetônicas gregas. Dentre suas características é possível citar as colunas desprovidas de base, capitel despojado, arquitrave lisa, friso com métopas e tríglifos, e mútulos sob o frontão.


Coluna de Ordem Dórica

A Ordem Jônica é uma das ordens arquitetônicas clássicas. Suas colunas possuem capitéis ornamentados com duas volutas, altura nove vezes maior que seu diâmetro, arquitrave ornamentada com frisos e base simples.


Coluna de Ordem Jônica

A Ordem Coríntia é a mais ornamentada das três ordens arquitetônicas gregas. As colunas de ordem coríntia têm de 9 a 11 vezes a medida do diâmetro da base. Exemplos de templos de ordem coríntia são: Templo de Zeus (Atenas), Templo de Apolo (Olímpia). Foi tendência no final do século V a.C. e o início do século IV a.C.


Coluna de Ordem Coríntia

A Ordem Toscana é desenvolvida na época romana e trata-se de uma simplificação de mesmas proporções do dórico. A coluna dispõe de base e apresenta sete módulos de altura, o fuste é liso, sem caneluras, e o capitel simples.


Coluna de Ordem Toscana

Em relação às Colunas gregas e à Latina toscana, a papiriforme é a que apresenta as diferenças mais gritantes, pois as colunas egípcias tiram em geral suas formas das palmeiras ou dos papiros, com suas nervuras e seu movimento impetuoso para o alto (CHEVALIÉ, 2002).

Capitéis de Colunas em estilo Papiriforme

No R:.E:.A:.A:., por exemplo, se diz que em cada lado da entrada do templo, encostada na parede do Ocidente ficam duas colunas papiriformes, proporcionais à altura da porta, estando as mesmas situadas dentro do Templo. No mesmo Rito, mas só que sendo praticado em uma Loja que esteja filiada ao GOB, as mesmas colunas encontram-se no exterior do templo ao lado da porta de entrada.


Coluna papiriforme em um Templo Maçônico

As colunas em estilo grego encontram-se distribuídas no interior do templo. Nos templos em que se trabalha no R:.E:.A:.A:., as mesmas fazem-se presentes sobre as mesas do Ven:. M:., do 1º Vig:. e do 2º Vig:., sendo assim distribuídas: na mesa do Venerável Mestre fica uma coluneta em estilo Dórico, sendo que na mesa do 1º Vigilante fica uma coluna em estilo Jônico e na do 2º Vigilante uma em estilo Coríntio.
No Grande Oriente do Brasil não se utilizam tais colunetas nas mesas do Venerável e de seus Vigilantes, mas nos demais ritos maçônicos aceitos e reconhecidos pelo Grande Oriente do Brasil, elas são encontradas, os Ritos Brasileiro e Schröeder ainda as utilizam, e que o Rito Adonhiramita, ao invés de se utilizar de colunas egípcias no pórtico do templo, se vale de duas colunas gregas em estilo coríntio.
Por último, a Coluna toscana talvez seja a menos utilizada na decoração de Templos Maçônicos, uma vez que a única referência encontrada sobre a mesma é no R:.E:.A:.A:. praticado nas Grandes Lojas, em que se diz que ao lado do sólio devem estar presentes duas colunas deste estilo, sendo uma à direita e a outra à esquerda.


GRAVURAS


Coluna de Ordem Coríntia


Coluna de Ordem Jônica


Capitéis de Ordem Jônica



Capitéis de Ordem Coríntia




Bases de colunas


Pórticos – Arcadas


Pórtico de Ordem Dórica – Arcada


Pórtico de Ordem Jônica – Arcada


Construção de acordo com a Proporção
          Humana de Diego de Sagredo



ALGUNS EXEMPLOS


Vila Romana com pavimentos mosaicos


Convento de Cristo, Tomar - Vestígio da primitiva Maçonaria Operativa



Mosteiro da Batalha - O Mestre Construtor no canto angular



Edifício em Washington, Estados Unidos da América


Casa Branca, Washington, Estados Unidos da América


Capitólio, Washington, Estados Unidos da América


Casa do Templo, sede da Maçonaria americana,
Washington, Estados Unidos da América


Duomo, Milão, Itália



Capela Rosslyn, Edimburgo, Escócia


A Capela de Rosslyn, ou Catedral de Rosslyn, foi construída em 1446, em Roslin, na Escócia. Foi fundada por William Sinclair, conde de Caithness, com o nome de Collegiate Chapel of St.Matthew. É atravessada pelo meridiano de Paris. Diz a lenda que ela foi construida pelos Cavaleiros Templários para proteger o Santo Graal, que, como se diz, está em baixo da rosa. Rosslyn é a linha rosa original, por isso a tal lenda. Foi popularizada no romance O Código da Vinci pelo autor americano Dan Brown.


Igreja em Michigan, Estados Unidos da América






Museu Imperial em Petrópolis (RJ)


Catedral de Petrópolis (RJ)


Casa em Paraty (RJ)


Praça em Israel



Loja Maçônica Estrela, em Rio Claro (SP)


Igreja a São Manoel, em Piquete (SP)




Túmulo maçônico no cemitério de Almudena

 

quarta-feira, 16 de abril de 2014

LOJA ABERTA HOJE

Hoje teremos a primeira Loja aberta de 2014, momento propício àqueles interessados em conhecer um pouco da maçonaria. Neste dia teremos uma palestra com o tema INICIAÇÃO.
A forma tradicional de ingresso numa Loja maçônica é pela proposta de algum Mestre Maçom do seu quadro de membros ativos. Em nossa Loja criamos uma outra forma: pela participação em nossas Lojas abertas.

Então fica o convite. Nosso endereço é na rua Barão de Tramandaí, nº 23, Passo D'Areia, Porto Alegre, RS. Procure chegar entre 19:45 e 20:00 horas. 

quinta-feira, 10 de abril de 2014

A ARTE REAL

Uma das coisas mais mencionadas em Maçonaria, é que somos cultores da Arte Real. Como "descendentes" dos Arquitetos medievais, nos orgulhamos disso. Mas será que meditamos o suficiente sobre essa afirmação para que extraiamos dela o profundo significado que ela encerra?
Um dos processos sociais mais atuantes e mais perigosos no mundo atual (um dos mais perigosos inimigos de Hiram na atualidade), é sem dúvida o apelo à individualização. É um chamado paradoxal, pois numa sociedade de massas, de consumidores, esse chamado na verdade é um convite apenas à heteronomia(11), pois o que esse canto de sereia entoa é, na verdade, "Todos vocês devem se tornar indivíduos". É como se a sociedade nos dissesse: "seja diferente; torne-se um igual".
Dessa forma, devemos ser todos homens de sucesso, consumidores, executivos, criativos, etc. Por isso, num mundo onde parece haver o culto do indivíduo, o que realmente assistimos é uma "macdonaldização", isto é, uma padronização que salta aos olhos na moda, nos símbolos de status, nos comportamentos dos adolescentes, etc.
O fenômeno que está por trás dessa padronização, e que a torna grave, é o da idealização do coletivo. Ao idealizar a sociedade (grupo, empresa, classe social, Rotary, Maçonaria), ao transformar o coletivo em ídolo, em coisa capaz de me dizer o que fazer, como ser, como ser recompensado ou punido, enfim, ao adquirir uma identidade coletiva, eu renuncio à possibilidade de possuir uma identidade real, minha, decorrente não apenas da minha pertinência social, mas, principalmente, de minha reflexão sobre meu existir.
É essa reflexão, essa capacidade de "desviar" do padrão coletivo, que me é solicitada como missão ao ser iniciado no Segundo Grau. Após ter estudado e compreendido minhas forças e fraquezas, minhas possibilidades e limites, agora sou desafiado a retomar meu "Eu", a deixar a "individualização" e a começar o processo de individuação – que não se confunde com aquele.
Ao deixarmos de nos identificar no coletivo, deixamos também de idolatrar esse coletivo. Dessa forma, não mais seremos brasileiros, católicos, empresários, ou maçons, mas seremos um "Eu" que busca sua senda através de sua cultura, de sua religião, de sua atividade profissional, de seu caminho iniciático.
São coisas muito diferentes e compreender essa diferença é essencial para chegarmos a Mestres (de nós mesmos). Quando a compreendemos, começamos a ser realmente adeptos da Arte Real. Isso tem um profundo significado filosófico, psicológico e social. Deixemos falar os Artistas:
Dizia HUNDERTWASSER a seus alunos: "Se vieram para aprender, é ainda pior, porque vão aprender coisas que não lhes são próprias, que não correspondem a vocês e que estragarão
suas vidas. A única maneira de se encontrarem enquanto artistas é através de sua própria ação criadora, e isso pode ser feito somente em suas casas, não na escola"(12).
Paul KLEE escreve: "O que quero ensinar a meus alunos não é a forma fechada, imobilizada; é a formação, a gestação, o nascimento, o primeiro movimento indistinto da matéria, antes que ela se fixe em natureza morta".(13)
Victor SEGALEN aconselhava: "Evita escolher um lugar de asilo. Chegarás, meu amigo, não ao charco das alegrias imortais, mas aos remansos cheios de embriaguez do grande rio da diversidade".(14)
Como diz Eugène ENRIQUEZ no livro citado: "...não me interesso particularmente pela vontade que os grandes homens têm de transformar todas as variáveis do mundo (uma tal preocupação é de um espírito 'elitista'); levo a sério, em compensação, a vontade de cada um de fazer mudar as coisas (pequenas e grandes), e o desejo de criar, aqui e agora, uma novidade irredutível".
Eis do que se trata a Arte Real. Eis o que é ser artista, tornar-se Arquiteto de um mundo novo através da Maçonaria.

In "Pedra por Pedra" - página 12
Francisco Cezar de Luca Pucci

(11) Orientação do indivíduo por valores externos a ele. O contrário de autonomia.
(12) Psicossociologia – análise social e intervenção. Diversos Autores. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2001, pp. 35ss.
(13) Idem.
(14) Ibidem.

terça-feira, 8 de abril de 2014

PALESTRA NO SÁBADO

Palestra
Conhecimento
&
Sabedoria

Por: Profª Marcela Jerez Castillo
Quando: Sábado-12 Abril-10 h

Onde: Templo Maçônico - Rua Humberto Campos, 464 (travessa da Bento Gonçalves)- Partenon

quinta-feira, 3 de abril de 2014

LOJA ABERTA DE 16-04-2014


Boa noite!
Dia 16-04-2014 teremos a primeira Loja aberta de 2014, momento propício àqueles interessados em conhecer um pouco da maçonaria. Neste dia teremos uma palestra com o tema INICIAÇÃO.
A forma tradicional de ingresso numa Loja maçônica é pela proposta de algum Mestre Maçom do seu quadro de membros ativos. Em nossa Loja criamos uma outra forma: pela participação em nossas Lojas abertas.
Então fica o convite. Nosso endereço é na rua Barão de Tramandaí, nº 23, Passo D'Areia, Porto Alegre, RS. Procure chegar entre 19:45 e 20:00 horas. Fico à disposição para esclarecimentos.
Sds,
Milton Lopes Teixeira

Ven.'. M.'.

sábado, 29 de março de 2014

MITO E MAÇONARIA - UMA NECESSIDADE BEM ATUAL

A maçonaria, como toda instituição normativa, faz largo uso em seu processo pedagógico dos mitos.
O mito, a exemplo da parábola, é instrumento eficaz na transmissão de idéias e valores considerados importantes e eram ambos, na Antigüidade, quase que exclusivos como estratégias discursivas de edificação moral.
Na maçonaria, o mito central é o da morte de Hiram Abif, sendo que a história da construção do Templo de Salomão serve-lhe, ao mesmo tempo, de preâmbulo e de contexto. Por isso, à evolução gradual do maçom correspondem as sucessivas transformações do mito, num processo dialético de crescimento onde o mesmo mito engendra novas e sucessivas visões de mundo, formando uma espiral ascendente.
Desde os primórdios da humanidade, o ser humano atém-se menos aos fatos e mais aos “significados” a ele associados. Essa tendência tem duas funções importantes num mundo que é um estranho desafio à compreensão humana: apazigua as emoções e dá sentido às ações.
Enquanto que o conhecimento científico se baseia em argumentos calcados em fatos e provas que pouco se importam com o sentimento humano, apelando para a razão, o mito tem sua veracidade baseada apenas na “aceitação” e na “coerência”. Daí resultarem essas duas formas de conhecer o mundo: a científica, denominada paradigmática, e a segunda, denominada narrativa*.
Embora diferentes, as duas formas de compreender o mundo são complementares, pois enquanto a primeira busca “a verdade”, a segunda busca uma explicação coerente e satisfatória às pessoas. A ciência pode criar critérios que distingam o bem do mal, a vida da morte; só a lenda e o mito podem nos inclinar a um ou a outro, pois organizam em torno de uma idéia toda uma constelação de crenças, sentimentos e imagens que induzem atitudes e comportamentos.
Algumas histórias que narram a origem do Universo, da vida e do homem, tornaram-se mitos coletivos e representam já o conjunto de verdades metafísicas das sociedades. A ênfase maior da educação ocidental, tanto formal quanto informal, é na valorização do conhecimento científico, donde se compreende porque todo cartomante quer ser “professor” e toda doutrina esotérica se diz “ciência” do ocultismo. Em nossa sociedade, o que não é “científico” não é digno de crédito.
Mas como a visão científica de mundo não dá sentido aos desejos, nem explica os dramas e sofrimentos humanos, atende ao lado racional do homem, mas deixa em completa carência seu lado emocional. E esse é tão importante quanto o outro no equilíbrio psíquico (...senão mais!).
Na vã esperança de encontrar significado para sua vida pelo uso e abuso da linguagem racional, o homem moderno vive conflitos cada vez mais insuportáveis. Esse fato, se não é causa eficiente, é importante variável interveniente na explicação do surto de movimentos e seitas “irracionais” que se multiplicam ad-infinito nos dias de hoje; também, no outro extremo, ajuda a explicar o niilismo e ceticismo exacerbados do homem moderno.
Neste último século, muitos e importantes estudiosos do homem, como Karl Jung, Mircea Eliade, Joseph Campbell, vêm alertando para a importância de integrar a visão científica, racional, linear, com o modo narrativo, mítico, para que se possibilite uma nova harmonização da consciência humana.
Que o espírito humano não evoluiu no ritmo e velocidade da ciência e da tecnologia, é fato indiscutível. Numa época onde os sintomas de intoxicação da racionalidade são tão visíveis; onde os critérios da inteligência emocional já são considerados mais importantes que o quociente intelectual da racionalidade; temos que repensar os valores relativos que atribuímos às formas de percepção do mundo e da realidade.
Por isso, há algum tempo, por razões pessoais e profissionais, venho pensando a questão do mito. Além de ser instrumento pedagógico fundamental na Maçonaria, se constitui tema instigante em nossa época, tão orgulhosa de seu racionalismo e de sua tecnicidade.
A teoria de Max Weber do "desencanto" da sociedade moderna – no sentido da secularização e racionalidade crescentes – vem tendo hoje sua contraprova na descoberta dos mitos modernos – que, por fazerem parte de nosso caldo cultural são mais difíceis de serem percebidos –, que modelam idéias e comportamentos de indivíduos, grupos e inclusive organizações econômicas(16).
A resistência ainda encontrada em relação aos mitos, fruto de uma sociedade que fez o corte cartesiano(17) entre as coisas do espírito (emoções, intuição, transcendentalidade) e as coisas da matéria (racionalidade científica, praticidade, fruição), desvaloriza o mito no "mercado das idéias".
Esse meu interesse pelo tema foi recentemente reativado por um excelente artigo da psicóloga Alessandra F. Carreira(18), que, conquanto tenha por objeto o "mito individual" numa abordagem psicanalítica, renovou minha vontade de voltar ao tema com um tratamento novo e enriquecido por citações que reforçam a linha de raciocínio que venho há tempos perseguindo quanto à função do mito na Maçonaria.
Lévi-Strauss(19) afirma que o mito é um sistema que se relaciona concomitantemente com o passado, o presente o futuro, pois, apesar de descrever um fato que ocorre num momento definido do tempo, é como se transmitisse não esse fato, mas uma estrutura. Essa estrutura, que é a lógica dominante da narrativa, é que se repete continuamente no mito.
Dessa forma, o mito é uma "história" que tem simultaneamente tanto uma função sincrônica (não-histórica, relacionando elementos de forma a transmitir uma mensagem) quanto diacrônica (histórica, inserida num período de tempo determinado).
Por nos colocar simultaneamente diante de uma narrativa que nos apresenta uma descrição
de um fato aparentemente histórico e de uma lógica ("mensagem") que o ultrapassa, Rocha(20) coloca que o mito não é passível de interpretação, mas exige uma interpretação.
Os estruturalistas já haviam apontado nos fenômenos sociais essa possibilidade de mudança
contínua dentro da permanência da mesma estrutura (algo como "as coisas mudam para que permaneçam sempre como estão").
O mito permite, por essa sua condição de temporalidade-atemporalidade, uma sucessão de interpretações que produzem uma evolução em espiral, isto é, variando-se a narrativa sempre em torno do mesmo eixo se vai evoluindo no sentido de níveis de percepção cada vez mais amplos.
Enfatizando a "estrutura" e não os "fatos" narrados, Campbell(21) nos diz que o mito é a verdadeira história, pois ele não pretende descrever um fato histórico verdadeiro, mas deseja fazer alusão a uma verdade que, de outra forma, seria inenarrável, pois pareceria apenas "um mito" no sentido usual de "uma mentira". É a mesma opinião de Boyer(22), que, citando Lacan, nos diz que "(...) essa ficção mantém uma relação singular com alguma coisa que está sempre por trás dela e da qual ela porta, realmente, a mensagem formalmente indicada, a saber, a verdade. (...)
A verdade tem uma estrutura, se podemos dizer, de ficção".
II
Essa "defesa" teórica do mito, como portador de uma mensagem significativa, não nos exime, contudo (talvez até nos obrigue a), de enfrentarmos uma questão extremamente importante, que a esta altura já deve estar na mente do leitor: mas em função de que o mito, uma narrativa de fatos históricos visivelmente inconsistentes, é aceita por uma coletividade de homens que se pretendem "racionais" e "modernos"?
Para compreender esse aparente paradoxo, temos que tratar separadamente os dois substantivos envolvidos na questão: "homens" e "coletividade".
A essência do Homem (ser humano) é sua dialeticidade, seu caráter eminentemente histórico.
O ser humano não é um "Ser", mas um "Vir a Ser". O ser humano está em constante construção, e se define mais pelo caminho que pelos objetivos (os quais, diga-se de passagem, estão sempre além). Dado isso, sua estrutura existencial e a do mito são isomórficas: seu "Ser" é simultaneamente definido pelo passado, pelo presente e pelo futuro (e, acrescentaríamos, pelo transcendente), apresentando tanto um aspecto de permanência quanto de mudança. Se a descrição dos fatos históricos concretos, acontecidos, realizados, falam dos feitos humanos, de seus produtos, o mito, com sua intangibilidade, fala da e à própria essência do humano.
Falar de coletividade, por seu turno, implica uma abordagem sociológica, do ser humano enquanto ser gregário, parte de uma História que é coletiva e que contorna sua história individual assim como as margens de um rio contornam suas águas, orientando seu fluxo.
A História do Ocidente é a História da evolução social do modo de produção capitalista, que, para resumir ao que nos interessa, tem acentuado dois processos que, aparentemente distintos, se produzem, reproduzem e reforçam mutuamente: a ideologia da individualização (ilustrada pelo incentivo ao consumo individual e ao narcisismo, pela valorização individual no trabalho, pela política de diferenciação salarial, pelo enfraquecimento das organizações sindicais, etc.) e pela separação entre o trabalhador e o produto final de seu trabalho, que faz com que não nos reconheçamos mais naquilo que produzimos (ao contrário dos mestres artesãos, por exemplo).
A resultante desses dois processos é um sentimento de separação da coletividade, de não pertinência, de isolamento, um sentimento de que o social não é uma responsabilidade nossa.
Como ser essencialmente social, contudo, o ser humano, pela necessidade de pertencer à comunidade, fica com um "furo" existencial, um vazio, um profundo sentimento de solidão, que gera uma necessidade profunda de re-ligar-se ao coletivo, de re-pertencer à comunidade. Aliás, re-ligação é a origem etimológica da palavra religião.
Não é essa a base de onde a propaganda consumista tira sua força: "Torne-se diferente. Compre o que todo mundo compra"?.
Pertencer à Ordem, satisfaz uma série dessas carências psicossociais criadas pela evolução
histórica do capitalismo: nosso sentimento de solidão; nosso sentimento de des-pertinência; a secularização de nossos valores, que nos separou da fonte transcendente de explicação de nossas existências; nosso sentimento de pequenez, por nos sentirmos indivíduos isolados frente a organizações econômicas, sociais e culturais cada vez mais poderosas; e outras razões mais pessoais que podem ser acrescentadas ad infinitum.
Essa necessidade psicossocial de religar-se, de tornar a pertencer, é satisfeita pela adesão
ao grupo - à Loja, como instância concreta de participação, e à Ordem, como instância simbólica de Poder. Mas isso, por si só, não explica o porquê de, entre tantas ofertas, optarmos por essa ligação específica. Aí aparece a importante função desse duplo caráter (imanente e transcendente, histórico e a-histórico) do mito. O mito que com-partilhamos, no nível narrativo, por ser também "um segredo", tanto nos identifica (nos dá uma identidade) quanto nos distingue (nos faz diferentes e - se isso não ofender ninguém - nos dá um certo sentimento de superioridade).
No nível da Verdade que ele contém - verdade efetivamente misteriosa, pois que nos introduz, pela Iniciação, numa senda que nos compromete com uma busca que envolverá nossa vida toda, em níveis cada vez mais profundos, dos quais os três Graus simbólicos são apenas pálidas representações - ele atende à nossa necessidade de transcendência, pois "explica" o porquê do sentimento de perda que experimentamos, a "perda da sabedoria ancestral", a "nossa" perda do paraíso.
Nesse sentido, o mito que nos une torna-se nosso "Graal", nossa "pedra filosofal", e talvez por isso (por buscar uma Verdade racional e transcendente) tenhamos esse sentimento de que a Maçonaria é uma "religião laica", ou "uma racionalidade mística", ou a "religião natural" que atraiu antigos e modernos.
III
Nesta altura de nossa reflexão, chegamos à terceira, mas não menos importante, questão: se vincularmos a Maçonaria à questão sociológica de uma sociedade que se des-humaniza de forma tão evidente por razões morais, políticas e econômicas as mais diversas, a Maçonaria faz parte do problema ou da solução?
Encontramos a resposta na própria filosofia que se desenvolve a partir da busca da Verdade que a Ordem vem secularmente fazendo. O caráter dialético dessa filosofia, que se impõe em nossas Instruções, nas pesquisas e nas reflexões sobre a Ordem, deriva como conseqüência necessária do caráter dialético de sua base: o mito. Não é isso (só para não nos alongarmos em mais argumentos) para o que se alerta quando refletimos sobre "o perigo" do número Dois, ou sobre como o Um que se revela Dois tem sua síntese (e superação) no Três?
Se nos deixamos seduzir por um dos termos da proposição, o aspecto da satisfação de nossas necessidades psicossociais, sentindo-nos "justificados" e "satisfeitos", então estamos a um passo de nos tornarmos adeptos do "narcisismo coletivo" que acentua o quanto somos seres "especiais", detentores de uma verdade que os pobres profanos desconhecem. Aí, desconhecedores do conteúdo, nos satisfazemos com as formas, e idolatramos os símbolos (inclusive medalhas e diplomas) – isto é, tomamos a representação como se fosse o objeto que ela representa.
Cultivaremos a "alienação" – uma falsa explicação da realidade, falsa porque toma a imagem pelo objeto e confunde a essência com a aparência. Não percebemos que, entre os buscadores sinceros da Verdade, "nem todos os que estão são e nem todos os que são estão". Como conseqüência, dividimos o mundo de forma maniqueísta entre bons (nós) e maus (os profanos), entre puros (nós) e impuros (os profanos), e (heresia das heresias maçônicas) criamos um novo fundamentalismo.
Com essa opção, fazemos parte do problema, pois apenas acentuamos o mal que desejamos eliminar: a inconsciência da unidade do Humano, que não admite separações ideológicas, sejam elas econômicas, políticas ou religiosas. Isso talvez explique parte das "desilusões", do "absenteísmo", e do apego orgulhoso aos "feitos" e aos "heróis" de nosso passado – apego que pode ser legítimo, se não transformar esses feitos e esses heróis de "exemplos" em "medalhas".
Se, por outro lado, nos conduz à Verdade que o "segredo" do mito, com sua dialeticidade pretende nos transmitir: que somos parte d'A Verdade, por mais que a desconheçamos, e isso faz de nós uma Unidade (o que não exclui as diferenças naturais), seres com compromissos coletivos e universais (nossa filosofia tem resistido aos séculos porque transmite essa parcela da Verdade, não só nas linhas e entrelinhas das Instruções, como no Ritual, nas Iniciações e nos símbolos);
Que, como corolário dessa proposição, toda ideologia que pretenda romper com essa unidade é sectária e des-humana e, como tal, tem que ser combatida.
Que, como conseqüência dessas proposições, temos um compromisso de engajamento ao processo de re-humanização do mundo, compromisso que nos obriga a – mesmo que como indivíduos "estejamos" vinculados a uma religião ou a um partido – uma postura teleológica que nos faz adotar valores que estão sempre acima e além dos partidos e das religiões, nos unindo no respeito fraterno às diferenças individuais, culturais, políticas e religiosas;
Então estaremos contribuindo para o processo de desalienação do ser humano, para a realização (mesmo que utópica) da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade, e aí, sim, faremos parte da solução e não do problema.
In "Pedra por Pedra"
Francisco Cezar de Luca Pucci
Página 14.

16 ZIEMER, Roberto. Mitos Organizacionais. São Paulo: Atlas Editora, 1996.
17 A hipótese de que tal cisão se deve a Descartes ainda está por ser demonstrada.
18 CARREIRA, Alessandra Fernandes. O Mito Individual como Estrutura Subjetiva Básica. Revista Psicologia Ciência e Profissão, nº 3, 2001, p. 58.
19 LÉVI-STRAUS, C. (1970) Antropologia Estrutural. Rio de Janeiro: Edições Tempo Brasileiro. In: CARREIRA, Alessandra Fernandes, op. cit.
20 ROCHA, E. (1991) O Que é Mito. São Paulo: Brasiliense. In: CARREIRA, Alessandra Fernandes, op. cit.
21 CAMPBELL, Joseph. (1991) O Poder do Mito. São Paulo: Editoria Palas Athena.
22 BOYER, P. (1977) O Mito no Texto. In: NASCIMENTO C.A.R. do. Atualidade do Mito. São Paulo: Livraria Duas Cidades. Citado em: CARREIRA, Alessandra Fernandes, op. cit.

segunda-feira, 17 de março de 2014

18 DE MARÇO - 700 ANOS

Dia 18 de março, ha exatamente 700 anos, nosso herói-martir Jacques du Bourgogne De Molay foi queimado vivo para satisfazer o desejo ambicioso de um rei por poder e dinheiroA Ordem dos Cavaleiros Templários foi uma organização sancionada pela Igreja Católica Romana em 1128 para proteger e guardar as estradas entre Jerusalém e Acre, um importante porto da cidade no Mar Mediterrâneo. A Ordem dos Cavaleiros Templários participou das Cruzadas e conquistou um nome de valor e heroísmo.

Nobres e príncipes enviavam seus filhos para serem Cavaleiros Templários e isso fez com que a Ordem passasse a ser muito rica e popular em toda a Europa.

Aos 21 anos de idade Jacques De Molay entrou para a Ordem. Em 1298, com 54 anos de idade, foi nomeado Grão Mestre dos Cavaleiros, uma posição de poder e prestígio. Jacques De Molay assumiu o cargo após a morte de seu antecessor, Teobaldo Gaudini, no mesmo ano (1298).

Como Grão Mestre, Jacques De Molay passou por uma difícil posição, pois as cruzadas não estavam atingindo seus objetivos. O anticristianismo sarraceno derrotou as Cruzadas em batalhas, capturando algumas cidades e portos vitais dos Cavaleiros Templários e dos Hospitalários (outra ordem de cavalaria), restando apenas um único grupo do confronto contra os Sarracenos.

Os Cavaleiros Templários resolveram se reorganizar e readquirir sua antiga força. Eles viajaram para a Ilha de Chipre, lá se reagrupando e esperando pelo público geral para levantar-se em apoio à outra Cruzada.

Em vez do apoio público que sempre tiveram, os Cavaleiros atraíram a atenção de poderosos Lordes. Em 1305, Filipe IV "o Belo", rei de França, resolveu obter o controle dos Templários para impedir uma ascensão no poder da Igreja. O Rei era amigo de Jacques DeMolay (um de seus filhos era afilhado de De Molay, o Delfim Carlos, que mais tarde se chamaria Carlos IV e seria rei da França). Mesmo sendo seu amigo, o rei de França, com toda a sua ganância, tentou juntar a ordem dos Templários e a ordem dos Hospitalários, pois sentiu que as duas ordens formavam uma grande potência econômica. Filipe IV sabia que a Ordem dos Templários possuía várias propriedades e outros tipos de riqueza, doados pelos que, um dia, haviam recebido a ajuda da Ordem em várias cruzadas pela Europa.

Sem obter o sucesso desejado, que era o de juntar as duas ordens e se transformar em seu líder absoluto, o rei da França armou um plano para acabar com a Ordem dos Templários. Usando um nobre francês de nome Esquin de Floyran, o rei deu-lhe como missão denegrir a imagem dos templários e de seu Grão Mestre, Jacques De Molay e, como recompensa, Esquin de Floyran receberia terras pertencentes aos Templários logo após derrubá-los.

O ano de 1307 foi o começo da perseguição aos Cavaleiros. Apesar de possuir um exército com cerca de 15 mil homens, Jacques De Molay foi a França para o funeral de uma Princesa da casa Real levando consigo apenas poucos homens, sendo esses todos nobres. Na madrugada de 13 de outubro Jacques De Molay, juntamente com seus amigos, foram capturados e lançados nas masmorras pelo chefe real Guilherme de Nogaret (este era um de seus conselheiros).

Durante sete anos, Jacques De Molay e seus Cavaleiros sofreram torturas e viveram em condições subumanas. Enquanto os Cavaleiros não se dobravam, Filipe IV articulava com o Papa Clemente V para condenar os Templários. Suas riquezas e propriedades foram confiscadas e dadas a proteção de Filipe.

Após três julgamentos, Jacques De Molay continuou sendo leal para com seus amigos e Cavaleiros. Ele se recusou a revelar o local das riquezas da Ordem e a denunciar seus companheiros. Em 18 de Março de 1314, ele foi levado à Corte Especial. Como evidências, a Corte dependia de confissões forjadas, supostamente assinadas por Jacques De Molay. Ele desmentiu as confissões forjadas. Sob as leis da época, a pena por desmentir uma confissão era a morte. O Papa Clemente presidiu o julgamento de Jacques De Moaly e, assim como ele, outro Cavaleiro, Guy D'Auvergne, também desmentiu sua confissão e ambos foram condenados. O Rei Filipe ordenou que ambos fossem queimados naquele mesmo dia, e deste modo a história de Jacques De Molay se tornou um testemunho de lealdade e companheirismo. De Molay veio a falecer aos seus 70 anos de idade no dia 18 de Março de 1314.

Jacques De Molay durante sua morte na fogueira intimou aos seus três algozes, a comparecer diante do tribunal de Deus, amaldiçoando os descendentes do Rei da França, Filipe o Belo. 

A Última Prece de Jacques De Molay :

"Senhor, permiti-nos refletir sobre os tormentos que a iniqüidade e a crueldade nos fazem suportar. Perdoai, oh meu Deus, as calúnias que trouxeram a destruição à Ordem da qual Vossa Providência me estabeleceu chefe. Permiti que um dia o mundo, esclarecido, conheça melhor os que se esforçam em viver para Vós. Nós esperamos, da Vossa Bondade, a recompensa dos tormentos e da morte que sofremos para gozar da Vossa Divina Presença nas moradas bem-aventuradas. Vós, que nos vedes prontos a perecer nas chamas, vós julgareis nossa inocência. Intimo o papa Clemente V em quarenta dias e Felipe o Belo em um ano, a comparecerem diante do legítimo e terrível trono de Deus para prestarem conta do sangue que injusta e cruelmente derramaram".

O primeiro a morrer foi o Papa Clemente V, em 20 de abril de 1314. Logo em seguida o Chefe da guarda e conselheiro real Guilherme de Nogaret e, no dia 29 de novembro de 1314, devido a um derrame cerebral, morreu o rei Filipe IV com seus 46 anos de idade, ou seja, os três algozes de De Molay morreram no mesmo ano da sua morte.

Essa é a nossa homenagem a este grande herói, que para sempre ficará em nossas lembranças como exemplo de companheirismo e lealdade

domingo, 9 de março de 2014

CARTA PROTESTO

Fazemos nossas também as palavras da carta protesto abaixo:

… “para que fortaleça a voz dos brasileiros gritando por dias melhores e mais justos" 

CARTA DA LOJA MAÇÔNICA ACÁCIA DAS NEVES Nº 22 
ORIENTE DE SÃO JOAQUIM 
Filiada ao Grande Oriente de Santa Catarina GOSC


Vivemos um dos momentos mais difíceis de nossa história pátria. O povo está sendo mantido na ignorância e sustentado por um esquema que alimenta com migalhas a miséria gerada por essa mesma ignorância. 

A tirania mudou sua face. Já não encontramos os tiranos do passado, que com sua brutalidade aniquilavam as cabeças pensantes, cortando o pescoço. Os tiranos de hoje saqueiem a Pátria e degolam as cabeças de outra forma. A tirania se mostra pela corrupção que impera em todos os níveis. Encontramos mais viva do nunca as palavras do Imperador Romano Vespasiano que na construção do Grande Coliseu disse: “DAÍ PÃO E CIRCO PARA POVO”. 

Esse grande circo acontece todos os dias diante de nossos olhos, especialmente sob a influência da televisão, que dá ao povo essa fartura de “pão” e de “circo”. 

Quando pensamos que a fartura acaba, surgem mais opções. Agora vemos a Pátria sendo saqueada para a construção de monumentais estádios de futebol, atualmente chamados de arenas, nos moldes do que era o Coliseu, uma arena. Enquanto isso os hospitais estão falidos, arruinados, caindo aos pedaços. Brasileiros morrem nas filas e nos corredores desses hospitais; já, outros filhos da Pátria morrem pelas mãos de bandidos inescrupulosos que se sentem impunes diante de um Estado inoperoso, ineficiente e absolutamente corrompido. Saúde não existe, educação não há, segurança, muito menos. Porém, a construção dos “circos”, continua ! 

Mas o pão e o circo também vem dos “Big Brothers” das “Fazendas”, das novelas que de tudo mostram, menos verdadeiros valores e virtudes pessoais. Quanto mais circo, mais pão ao povo. E o mais triste é que o povo mantido na ignorância, é disso que mais gosta. Nas tardes, manhãs e noites, não faltam essas opções de “lazer”. O Coliseu está entre nós. O circo está entre nós. Já o pão, esse vem do bolsa isto, do bolsa aquilo, mantendo o povo dependente do esquema, subtraindo-lhe a dignidade e a capacidade de conquistar melhores condições de vida com base em suas qualidades, em seus méritos, em suas virtudes. 

Agora, o circo se arma em torno do absurdo que se coloca à população de que o problema de saúde é culpa dos médicos. Iludem e enganam o povo, pois fazem cair no esquecimento o fato de que o problema de saúde no Brasil é estrutural, pois o cidadão peregrina sem encontrar um lugar digno, nem mesmo parar morrer. 

Então, absurdamente, em desrespeito aos filhos da Pátria, são capazes de abrir as portas para profissionais estrangeiros, alguns poucos, não cubanos. Os tiranos tem a audácia de repassar R$ 40.000.000,00 mensais que são sangrados dos cofres públicos para sustentar um outro governo falido e também tirano, o cubano; um dinheiro sem controle e sem fiscalização. Os pobres profissionais que de lá vêm, não têm culpa. É um povo sem liberdade, sem direito de expressão, escravo da tirania. Esses médicos recebem migalhas daquele governo. Mal conseguem sustentar a si e a seus familiares. 

Os R$ 40.000.000,00 que serão mensalmente enviados para Cuba, solucionaria o problema de inúmeros de pequenos hospitais pelo interior deste País. Mas não é a isto que ele servirá. Nós estamos a financiar um trabalho explorado, escravizado, de profissionais que não tem asseguradas as mínimas condições de dignidade de pessoa humana, porque simplesmente não são homens livres. E nós brasileiros, devemos nos envergonhar de tudo isto, porque estamos sendo responsáveis e coniventes por sustentarmos todo esse esquema, todos esses vícios, comportando-nos de maneira absolutamente inerte. 

Esses governantes, que tanto criticam o trabalho escravo, também não esclarecem à população o fato de um médico brasileiro receber o mísero valor de R$ 2,00 por uma consulta pelo SUS. Do valor global anual que recebem, ainda é descontado o Imposto de Renda, através de uma escorchante tributação sobre o serviço prestado, que pode achegar ao percentual de 27,5%. Em atitude oposta, remuneram aqueles que não são filhos da Pátria, os estrangeiros, com o valor de R$ 10.000,00 mensais por cada profissional, cabos eleitorais desses governantes. Profissionais da saúde no Brasil, servidores públicos de carreira, à beira da aposentadoria, com dedicação de uma vida inteira, receberão quando da aposentadoria metade do valor pago ao estrangeiro. 

Não podemos aceitar a armação desse circo, em cujo picadeiro, povo brasileiro é o palhaço !! 

A Maçonaria foi a grande responsável por movimentos históricos e por gritos de liberdade em defesa da dignidade do homem. Foi por mãos de Maçons que se deu o grito de Independência do Brasil, da Proclamação da República, da Abolição da Escravatura. Foi pelas mãos de Maçons que se deu o brado da Revolução Farroupilha. 

E o que está fazendo a Maçonaria de hoje ao ver o circo armado, com a distribuição de um pão arruinado pelo vício que sustenta essa miséria intelectual !! 

Não podemos ficar calados e inertes !! A Maçonaria, guardiã da liberdade, da igualdade e da fraternidade, valores que devem imperar entre todos os povos, precisa reagir, precisa revitalizar seu grito, seu brado para a libertação do povo. Esse é o nosso dever, pois do contrário não passaremos de semente estéril, jogada na terra apenas para apodrecer e não para germinar. 

A Loja Maçônica Acácia das Neves, incita a todos os Irmãos: para que desencadeemos um movimento de mudança, de inconformismo, fazendo ecoar de forma organizada a todas Lojas e Maçons desta Pátria, o nosso dever de cumprir e fazer cumprir a nossa missão de levantar Templos à virtude e de cavar masmorras aos vícios !!  

Loja Maçônica Acácia das Neves 
São Joaquim - SC
Fonte: http://www.gob-sc.org.br/gobsc/wp-content/uploads/2013/08/JB-News-Informativo-nr.-1.114.pdf

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

UMA ORAÇÃO PARA OS NOVOS TEMPOS

Que honremos o fato de ter nascido, e que saibamos desde cedo que não basta rezar um Pai Nosso para quitar as falhas que cometemos diariamente. Essa é uma forma preguiçosa de ser bom. O sagrado está na nossa essência, e se manifesta em nossos atos de boa fé e generosidade, frutos de uma percepção profunda do universo, e não de ocasião. Se não estamos focados no bem, nossa aclamada religiosidade perde o sentido.

Que se perceba que quando estamos dançando, festejando, namorando, brindando, abraçando, sorrindo e fazendo graça, estamos homenageando a vida, e não a maculando. Que sejam muitos esses momentos de comemoração e alegria compartilhados, pois atraem a melhor das energias. Sentir-se alegre não deveria causar desconfiança, o espírito leve só enriquece o ser humano, pois é condição primordial para fazer feliz a quem nos rodeia.

Que estejamos abertos, se não escancaradamente, ao menos de forma a possibilitar uma entrada de luz pelas frestas – que nunca estejamos lacrados para receber o que a vida traz. Novidade não é sinônimo de invasão, deturpação ou violência. Acreditemos que o novo é elemento de reflexão: merece ser avaliado sem preconceito ou censura prévia.

Que tenhamos com a morte uma relação amistosa, já que ela não é apenas portadora de más notícias. Ela também ensina que não vale a pena se desgastar com pequenas coisas, pois no período de mais alguns anos estaremos todos com o destino sacramentado, invariavelmente. Perder tempo com picuinhas é só isso, perder tempo.

Que valorizemos nossos amigos mais íntimos, as verdadeiras relações pra sempre.

Que sejamos bem-humorados, porque o humor revela consciência da nossa insignificância – os que não sabem brincar, se consideram superiores, porém não conquistam o respeito alheio que tanto almejam. Ria de si mesmo, e engrandeça-se.

Que o mar esteja sempre azul, que o céu seja farto de estrelas, que o vinho nunca seja proibido, que o amor seja respeitado em todas as suas formas, que nossos sentimentos não sejam em vão, que saibamos apreciar o belo, que percebamos o ridículo das ideias estanques e inflexíveis, que leiamos muitos livros, que escutemos muita música, que amemos de corpo e alma, que sejamos mais práticos do que teóricos, mais fáceis do que difíceis, mais saudáveis do que neurastênicos, e que não tenhamos tanto medo da palavra felicidade, que designa apenas o conforto de estar onde se está, de ser o que se é e de não ter medo, já que o medo infecciona a mente.

Que nosso Deus, seja qual for, não nos condene, não nos exija penitências, seja um amigo para todas as horas, sem subtrair nossa inteligência, prazer e entrega às emoções que nos fazem sentir plenos.

A vida é um presente, e desfrutá-la com leveza, inteligência e tolerância é a melhor forma de agradecer – aliás, a única.

Martha Medeiros

http://www.clicrbs.com.br/jsc/sc/impressa/4,1147,4212539,22441

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

O SIMBOLISMO MAÇÔNICO (UMA RESENHA)*

Como todo grupo humano, a Maçonaria utiliza sinais, linguagem e gestos com significações específicas. Esses sinais, essa linguagem e esses gestos necessitam ser reconhecidos por todos, num mesmo contexto, a fim de se tornarem compreensíveis.
Os símbolos maçônicos têm sido usados em todas as épocas e em todos os países com a intenção de produzir interpretações morais. Por isso se diz que a Maçonaria é uma instituição de formação moral que utiliza uma linguagem simbólica.
Em outras palavras: a finalidade da linguagem simbólica é poder ser compreendida por cada um com uma “imprecisão organizada”, isto é, permitindo um espaço onde haja liberdade de interpretação, embora sempre dentro da intenção moralizante.
O sistema educativo da Maçonaria é dúbio: ele se utiliza tanto da racionalidade – inteligência, saber, informação – quanto da “irracionalidade” – intuição e afetividade.
Mas qual a função do simbolismo na Maçonaria? O simbolismo maçônico responde a várias funções essenciais que fazem dele a infraestrutura indispensável à sobrevivência da Maçonaria.
Vejamos algumas dessas funções:
A função de distinção: externamente, o simbolismo serve para distinguir o iniciado do profano, provocando a separação dos dois mundos; internamente, serve para distinguir funções, graus e níveis hierárquicos.
A função moralizadora: os símbolos pretendem orientar o nosso comportamento. Esta função evolui no tempo: a moral maçônica se torna natural, laica, religiosa, racionalista, etc., conforme a época e os locais onde se situa.
A função social: o simbolismo desempenha um papel de organização na vida da Loja e da Ordem ao distinguir e coordenar as funções, os graus e os níveis hierárquicos.
A função unificadora: a prática de um simbolismo comum promove o sentimento de integração de todos os membros da Ordem espalhados no mundo.
A função reconciliadora: o símbolo reconcilia religião e ciência, espiritualismo e materialismo, pensamento lógico e intuição. A Iniciação maçônica é um exemplo claro dessa reconciliação.
A função metafísica: os símbolos permitem um contato com o absoluto, à medida que representam algo que não se restringe aos limites de tempo e espaço.
A função gnóstica: o símbolo pretende, através da intuição e da analogia, produzir um tipo de interpretação da realidade.
A função libertadora: o símbolo, na medida em que permite reunir coisas díspares – racionais e intuitivas, religiosas e científicas - concede um grau de liberdade ao iniciado que conduz ao desenvolvimento pessoal não dogmatizado.
A função orientadora: o simbolismo maçônico expressa um universo moral que estabelece uma escala de valores que orienta e justifica o comportamento do iniciado.
A função emotiva: falando ao coração, tanto quanto à razão, o símbolo consegue integrar emoções no processo de ultrapassar os impulsos egocêntricos.
Falar de Maçonaria, portanto, é falar de simbolismo. É este que a funda e a funde; que lhe
deu nascimento e a mantém viva.
Sem o simbolismo, a Maçonaria deixa de existir.
*Resenha do artigo de Luc Nefontaine da Universidade de Bruxelas, Bélgica em artigo traduzido pelo Ir.'.Mariano Moreira e publicado em O PRUMO, nº 134, pp. 22-23.
In "Pedra Por Pedra" - Francisco Cezar de Luca Pucci

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

O BEM E O MAL

Um dos anciãos da cidade disse:
"Fala-nos do Bem e do Mal."
E ele respondeu:
"Do bem que está em vós, poderei falar, mas não do mal.
Pois que é o mal senão o próprio bem torturado por sua fome e sede?
Em verdade, quando o bem sente fome, procura alimentos até nos antros escuros, e quando sente sede, desaltera-se até em águas estagnadas.
Vós sois bons quando vos identificais com vós próprios.
Porém, quando não vos identificais com vós próprios, não sois maus.
Pois a casa que se divide não se torna antro de ladrões; é, apenas, uma casa dividida.
E um navio sem leme pode vaguear sem rumo entre recifes perigosos, e não se afundar.
Vós sois bons quando vos esforçais por dar de vós próprios.
Porém, não sois maus quando vos limitais a procurar o lucro.
Pois, quando lutais pelo lucro, sois simplesmente raízes que se agarram à terra e sugam seu seio.
Certamente a fruta não pode dizer à raiz: "Sê como eu, madura e plena, e sempre generosa de tua abundância."
Pois, para a fruta, dar é uma necessidade como, para a raiz, receber é uma necessidade.
Vós sois bons quando falais plenamente acordados.
Porém, não sois maus quando adormeceis enquanto vossa língua tartamudeia sem propósito.
E mesmo um discurso gaguejante pode fortalecer uma língua débil.
Vós sois bons quando andais rumo a vosso objetivo, firmemente e com passos intrépidos.
Porém, não sois maus quando ides coxeando.
Mesmo aqueles que coxeiam não andam para trás.
Mas vós que sois fortes e velozes, guardai-vos de coxear por complacência na presença dos coxos.
Vós sois bons de inumeráveis maneiras, e não sois maus quando não sois bons.
Estais apenas ociosos e indolentes.
Pena que as gazelas não possam ensinar a velocidade às tartarugas.
Na vossa ânsia pelo vosso Eu-gigante está vossa bondade: e essa ânsia está em todos vós.
Mas em alguns, essa ânsia é uma torrente que se precipita impetuosamente para o mar, carregando os segredos das colinas e as canções da floresta.
Em outros, é uma corrente preguiçosa que se perde em meandros, e serpenteia, arrastando-se, antes de atingir a costa.
Mas que aquele que muito deseja se guarde de dizer àquele que pouco deseja: "Por que és lento e atrasado?"
Pois o verdadeiramente bom não pergunta ao desnudo: "Onde está tua roupa?" nem ao desabrigado:
"Que aconteceu à tua casa?"

In Gibran Khalil Gibran - O Profeta

sábado, 8 de fevereiro de 2014

O AUTO-CONHECIMENTO

Um homem disse: "Fala-nos do Conhecimento de Si Próprio."
E ele respondeu, dizendo:
"Vossos corações conhecem em silêncio os segredos dos dias e das noites.
Mas vossos ouvidos anseiam ouvir o que vossos corações sabem.
Desejais conhecer em palavras aquilo que sempre conhecestes em pensamento.
Quereis tocar com os dedos o corpo nu de vossos sonhos.
E é bom que vós o desejeis.
A fonte secreta de vossa alma precisa brotar e correr, murmurando, para o mar;
E o tesouro de vossas profundezas ilimitadas precisa revelar-se a vossos olhos.
Mas não useis balanças para pesar vossos tesouros desconhecidos;
E não procureis explorar as profundidades de vosso conhecimento com uma vara ou uma sonda.
Porque o Eu é um mar sem limites e sem medidas.
Não digais: "Encontrei a verdade." Dizei de preferência: "Encontrei uma verdade."
Não digais: "Encontrei a senda da alma." Dizei de preferência: "Encontrei a alma andando em meu caminho."
Porque a alma anda por todos os caminhos.
A alma não caminha numa linha reta nem cresce como um caniço.
A alma desabrocha, tal um lótus de inúmeras pétalas."

In "O Profeta" - GIBRAN KHALIL GIBRAN