segunda-feira, 19 de setembro de 2011

RECONHECIMENTO E REGULARIDADE MAÇÔNICA


INTRODUÇÃO
A Loja Maçônica Cel. José Persilva, por ser uma Loja de Pesquisa, dedica-se à produção de artigos que visam contribuir para o esclarecimento de temas importantes, os quais vêm preocupando a comunidade maçônica em geral.
Devido à grande quantidade de lojas e potências maçônicas espalhadas pelo planeta, estabeleceu-se uma discussão sobre quem dispunha de autoridade para reconhecer uma loja ou potência maçônica como regular. Este é um tema realmente importante, que deve ser esclarecido, face as sucessivas divergências que costumam ocorrer entre as diversas Lojas e potências: Quem é regular e quem pode ser considerado maçom?
Estudos neste sentido vêm sendo realizados, e contam com a valorosa contribuição dos irmãos: José Vicente Menezes, Hiroito Torres Lage, Alceny José Mendes, José Wyllen Fontes e Elias Mansur Neto, que elaboraram trabalhos sobre o tema, com palestras apresentadas em reuniões da Loja Maçônica José Persilva.   Com o propósito de apresentar uma contribuição ainda mais efetiva, recorremos a outras fontes, que se encontram listadas na relação de autores consultados, ao final deste artigo.
OBJETIVO
Fornecer informações sobre Reconhecimento e Regularidade maçônica, de modo a permitir que cada membro possa avaliar sua a real importância.
DESENVOLVIMENTO
O mundo maçônico está dividido em dois blocos. De um lado, estão as  potências Regulares, ou seja, aquelas que possuem a chancela da Grande Loja Unida da Inglaterra (GLUI) e, do outro, as Irregulares, potências que não reconhecem a GLUI como instituição reguladora da Maçonaria Universal. 
Dentre as regras de regularidade e reconhecimento que a GLUI tenta impor, algumas têm origem na maçonaria operativa, mas outras  foram criadas após 1717, e tinham por objetivo submeter as potências da maçonaria mundial  sob a tutela daquela instituição. O critério que a GLUI utiliza para reconhecer uma potência maçônica é complexo e, por vezes, até incoerente. As contradições são muitas. Segundo as palavras do ir:. Bartlomeu M. dos Santos, MI, da ARLS Cavaleiros e Antares:
A Grande Loja Unida da Inglaterra vê-se hoje obrigada a aceitar que a poderosa Maçonaria Norte Americana emita Warrants (certificados) de “regularidade”, por tabela. E tem mais: em situação recente, a Inglaterra retirou o reconhecimento do Grande Oriente da Itália (dirigido por Virgilio Gaito), e os EUA ( 1994 ) o manteve. Situação semelhante ocorreu na Grécia.
Tal balbúrdia nos obriga a buscar respostas para as seguintes perguntas: a) o que é Reconhecimento e Regularidade? b) Quais documentos maçônicos abordam este tema, e quais autorizam uma instituição maçônica a reconhecer outras? c) Será que os critérios de reconhecimento e  regularidade estão baseados nos Landmarks ? 
Ao explorarmos este tão polêmico tema, tentaremos responder a estas e a outras questões, analisando com profundidade o porquê desta divisão imposta pela GLUI, de modo a nos certificarmos de sua validade.  
Definição de  regularidade e  reconhecimento  1) Regularidade:  os dicionários fornecem as seguintes designações para  este verbete: “que e ou que age conforme as regras, normas, as leis, as praxes; relativo a regra”. 2) Reconhecimento: também segundo o vernáculo: “declarar (um governo)  reconhecido legitimamente; admitir como bom, verdadeiro ou legitimo; admitir como certo; admitir como legal.” 
Para a GLUI, Regularidade e Reconhecimento são condições distintas: uma potência pode ser regular e não ser reconhecida. Em contrapartida, se uma potência não for regular, ela não poderá ser reconhecida. Desta forma, segundo aquela instituição, a primeira providência para o reconhecimento de uma potência é certificar-se de sua regularidade.
Documentos históricos – Os documentos datados de 1248 a 1782 (Estatuto de Bolonha, Manuscrito Regius, Manuscritos de Cook, etc.) tratam de assuntos importantes, tais como comportamento dos maçons no trabalho e no convívio social, processos e prazos de admissão e permanência como aprendiz, tratamento das viúvas, eleições, assembléias, etc. No entanto, nenhum deles nomeia qualquer loja ou instituição que tenha a incumbência de reconhecer uma potência como Regular. É importante ressaltar que “somente após 1782 é que existem atas e documentos dos quais se tem conhecimento e certeza de data ou ocasião, autor, objetivo e público alvo”, e que em nenhum desses documentos há registros sobre qualquer acordo entre lojas ou potências, informando que uma determinada potência possa ter autoridade para reconhecer outra.
Reconhecimento e regularidade nos dias de hoje - Para um melhor entendimento desta questão, tomaremos como referência a Grande Loja Unida da Inglaterra (GLUI). Estabelecida em 1717, e considerada como a responsável pelo aparecimento da Maçonaria Especulativa, a GLUI se julga no direito de controlar a maçonaria em todo o mundo. Aquela instituição inglesa determinou que o primeiro requisito para o Reconhecimento de uma potência maçônica é que esta seja Regular. Desta forma, em 4 de setembro de 1929, a GLUI declarou os seguintes Princípios de Regularidade:
1- A crença num DEUS revelado; o Grande Arquiteto do Universo. 
2- Fazer juramentos sobre o Livro da Lei.
3- Trabalhar somente na presença das três grandes luzes: o Livro Sagrado, o Esquadro e o Compasso.
4- Abster-se de discussões políticas e religiosas em Loja.
5- Somente admitir membros do sexo masculino.
6- Ser soberana no exercício de sua autoridade sobre as Lojas Azuis e seus graus (aprendiz, companheiro e mestre).
7- Respeitar as tradições. Ou seja, fazer com que em sua obediência sejam respeitados os  Landmarks, os antigos regulamentos e os usos e costumes praticados pela Franco-maçonaria.
8- Ser regular em sua origem, o que pressupõe ter sido obrigatoriamente fundada por uma potência já constituída, que possua pelo menos três lojas regularmente consagradas por uma Potência Regular.
E quanto ao reconhecimento? Quais são os critérios? Parece que não existem critérios estabelecidos para se reconhecer uma loja ou potência. Se existem, não foram divulgados; e se não foram divulgados, não devem ser  transparentes.
Potências maçônicas não reconhecidas pela GLUI – A maioria das potências regulares do mundo não é reconhecida pela GLUI. Por exemplo, no Brasil somente são reconhecidas o Grande Oriente do Brasil e a Grande Loja dos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro. As demais Grandes Lojas do Brasil não são reconhecidas pela GLUI. Também não o são todos os  Grandes Orientes estaduais da COMAB no Brasil. A França possui atualmente treze potências maçônicas, das quais somente uma é reconhecida pelo GLUI.  Detemo-nos por aqui, pois a lista é interminável.
Cabe ainda salientar que os critérios estabelecidos pela GLUI são também muito complexos, o que torna quase impossível a sua aplicação. Como exemplo desta complexidade, tomemos o princípio da territorialidade, o qual determina que somente uma potência por país pode ser reconhecida. Sua aplicação, na prática é tão controversa que, no território francês, somente a Grande Loja Nacional da França (GLNF) foi reconhecida, ao passo que nos EUA são reconhecidas  mais de cinqüenta potências estaduais. Diante de tal fato, é inevitável questionar: por que somente a GLNF foi reconhecida na França? Existiria alguma regra especial para os americanos, velhos aliados da Inglaterra? 
Os Landmarks – O Ir. Michael A. Botelho, grau 33, presidente do Conselho de Kadosh de Arkansas, EUA, afirmou em artigo recente que “saber o que é e o que não é importante nos  Landmarks é uma das questões mais debatidas atualmente.” Segundo ele, o termo “Landmarks” foi criado por Albert Mackey, em 1865, quando o eminente
escritor declarou: “os antigos e universais costumes da Ordem, aprovados e implantados pela autoridade competente, vêm de uma época tão distante que não foi possível localizar registros escritos a seu respeito ao longo da história”. 
Assim, Mackey definiu três requisitos básicos dos Landmarks, os quais continuam a ser adotados até hoje: 1) universalidade; 2) irrevogabilidade; 3) existência desde tempos imemoriais.  
Ainda, segundo o ir: Michael Botelho, em 1856, o Dr. Albert Gallatin Mackey, grau 33, tentou implantar os atuais Landmarks conforme a ótica de sua época, definindo um total de vinte e cinco  Landmarks. Sete anos mais tarde, em 1863, George Oliver publicou o livro Freemason’s Treasury, no qual listou quarenta Landmarks. No século passado, algumas Grandes Lojas americanas se lançaram na difícil tarefa de quantificá-los, o que gerou o seguinte resultado: As Lojas do  Estado da Virgínia Ocidental definiram sete; as Lojas de Nova Jersey a Nevada, dez;  e as do Kentuck encontraram cinqüenta e quatro.
O ir: Joseph Fort Newton, em seu livro The Builders, tentou definir os landmarks com uma simples declaração: “ A certeza de que Deus é pai, a irmandade dos homens, a lei moral, a regra de ouro, e a esperança da vida eterna”. Dentro de uma linha de raciocínio semelhante, encontramos os seis Landmarks listados por Roscoe Pound:
1- A crença num ente supremo.
2- A crença na imortalidade da alma.
3- A obrigatoriedade de se manter o Livro da Lei no altar da Loja.
4- A manutenção da Lenda de Iran no terceiro grau.
5- A manutenção do simbolismo herdado da maçonaria operativa.
6- O maçom tem de ser livre e de bons costumes.
Como é possível observar pelo acima exposto, não se sabe com certeza quantos e quais são os verdadeiros Landmarks, ficando, por conseguinte, muito difícil adotá-los como referência para se estabelecer critérios de Reconhecimento e Regularidade.
O componente político do problema -  Algum tempo depois do nascimento da maçonaria especulativa, a antiga e bem conhecida rivalidade política entre a França e a Inglaterra veio à tona. O Grande Oriente da França (GOF), seguindo as tradições progressistas de seu país, e sob a alegação de que não queria discriminar os homens livres e de bons costumes, retirou de sua Constituição a obrigatoriedade de se crer em Deus para que um candidato pudesse ser feito maçom. Como conseqüência, o GOF foi  excomungado pela GLUI.
Segundo as palavras do ir:. Bartlomeu M. dos Santos, da ARLS Cavaleiros e Antares, “a citação da Bíblia como  Livro Sagrado foi um dos obstáculos históricos que provocaram o cisma entre a Maçonaria Francesa e  a Maçonaria Inglesa”. Oswald Wirth complementa-o dizendo que “  os anglo-saxões, ao exigirem a Bíblia, e somente a
Bíblia, negam a universalidade da Maçonaria e, se encararmos o problema desse ponto de vista, a ‘irregularidade’ está do lado deles, e não do nosso”. Wirth afirmava ainda: “Somos obrigados a nos inclinar diante dos fatos. "Os anglo-saxões querem ter sua Maçonaria particular e renunciam ao universalismo proclamado em 1723".  
A maçonaria, não sendo propriedade de ninguém, não pode ser controlada por um poder central mundial. A esse respeito, Morivaldo C. Fagundes ressalta:
Embora a maçonaria seja universal no sentido filosófico e doutrinário, não o é administrativamente, pois não possui uma organização mundial única. Nessas condições, em cada país e muitas vezes, em cada estado membro ela se organizou soberanamente, com ampla e total autonomia administrativa. O fato ensejou, como não poderia deixar de acontecer, o aparecimento do fenômeno político dos reconhecimentos ou tratados de amizade interpotências, em conseqüência do qual surgiu o discutido e discutível conceito de regularidade maçônica.
Voltando à questão do Princípio da Regularidade, analisemos então a sua legitimidade, segundo o estabelecido pela GLUI: Os Princípios 1, 2, 3, 4 e 5, anteriormente mencionados, parecem ser oriundos da Maçonaria operativa; são universais e compatíveis com o que se entende por Maçonaria Universal. O Princípio 7, que exige respeito às tradições, parece ter sido baseado nos chamados Old Charges, e o Princípio 6 trata de uma questão administrativa.
Conforme os critérios unilateralmente estabelecidos pela GLUI, todas as lojas e potências do Brasil, que não aceitam mulheres e atuam em conformidade com os oito princípios estabelecidos por aquela instituição, são regulares. Logo, a pergunta que precisa ser respondida é: Porque a COMAB (GOMG e demais orientes estaduais), a
GLMMG e tantas outras entidades não são reconhecidas?. 
Nos documentos da maçonaria operativa não se encontra nenhum registro onde qualquer loja ou instituição tenha autoridade para reconhecer outras como regulares. Esta conclusão também é válida para os documentos produzidos pela maçonaria especulativa.
Finalmente, vale ressaltar que a GLUI, ao exigir a  adoção da Bíblia como condição indispensável para que uma Loja ou potência possa ser reconhecida, nega a universalidade da Maçonaria. De acordo com a tradição maçônica, é a presença, não somente da Bíblia mas também do Alcorão, ou de qualquer outro Livro Sagrado, que garante a universalidade da maçonaria. Se consideramos a questão por este lado, chegaremos à conclusão de que quem é irregular é a GLUI.
 CONCLUSÕES
Em nenhum dos documentos históricos da maçonaria há registros sobre qualquer acordo entre lojas ou potências, informando que uma determinada potência possa ter autoridade para reconhecer outra. Não sabe com certeza quantos e quais são os verdadeiros Landmarks, ficando, por conseguinte, muito difícil adotá-los como referência para se estabelecer critérios de Reconhecimento e Regularidade.
A maçonaria não é propriedade de ninguém, não pode, portanto, ser controlada por um poder central mundial. Uma vez que nem a GLUI e nem qualquer outra potência tem autoridade para exercer o Reconhecimento, o fato de ser ou não ser reconhecido por ela ou por qualquer outra potência do planeta não é significante. O que importa é que cada loja ou potência esteja ciente de sua idoneidade e espírito maçônico, de forma a poder reconhecer a si mesma como membro da Maçonaria Universal. O restante vem por acréscimo.
Elias Mansur Neto
Past Master Imediato da Loja Maçônica Cavaleiros Templários e membro efetivo da Loja Maçônica 
Cel José Persilva. 

LITERATURA CONSULTADA
1. DA SILVA, José Vicente Menezes.  Regularidade e Reconhecimento
Maçônico - Trabalho apresentado em Loja  
2. LAGE, Hiroito Torres.  A Regularidade e o Reconhecimento
Maçônicos - Trabalho apresentado em Loja. 
3. MENDES, Alceny José.  Reconhecimento e Regularidade:
reconhecendo a certeza da dúvida  - Trabalho apresentado em Loja
em 17/10/06. 
4. FONTES, Wyllen José –  Da Regularização e do Reconhecimento
Maçônico, de acordo com as Normas da Maçonaria Universal  -
Trabalho apresentado em Loja. 
5. BOTELHO, Michael A., gr 32, K.C.C.H., Os Landmarks DOS SANTOS,
Bartlomeu Martins. Irregularidade, um aspecto meramente político.

domingo, 18 de setembro de 2011

LIBERTÉ CHÈRE

ABAIXO O LINK PARA BAIXAR UM TRABALHO SOBRE UMA LOJA MAÇÔNICA FUNDADA DENTRO DE UM CAMPO DE CONCENTRAÇÃO NAZISTA:
http://www.mediafire.com/?ic95jxqcg170tcu

sábado, 17 de setembro de 2011

O EVANGELHO E AS LEIS HERMÉTICAS

SEGUE LINK PARA TEXTO QUE RECEBEMOS DO FRATER ELISANDRO.
http://www.mediafire.com/?0qczusdzs1cr6bl

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

ATENÇÃO: HOUVE HOJE ALTERAÇÃO NO CALENDÁRIO DE NOSSAS ATIVIDADES.


quinta-feira, 15 de setembro de 2011

QUINTA PALESTRA


Quinta Palestra

Realizada em 25 de julho de 2009




PARTE  V – O MUNDO DO PENSAMENTO

  1. INTRODUÇÃO

O Mundo do Pensamento, à semelhança do Mundo Físico, está dividido em duas partes, a Região do Pensamento Concreto e a Região do Pensamento Abstrato. A Região do Pensamento Concreto está subdividida em quatro outras regiões e a do pensamento Abstrato em três. Dito de forma resumida, a Região do Pensamento Concreto proporciona a matéria mental em que são envolvidas as idéias geradas na Região do Pensamento Abstrato. A Região do Pensamento Abstrato é o mundo das Idéias Abstratas ou Idéias Germinais, de onde procedem todas as formas materiais, não só as físicas, como as que têm vida e emoções. A Região do Pensamento Abstrato ou Terceiro Céu é o que Max Heindel denomina de “Caos”, no CONCEITO, quando trata dos globos obscuros que são nossa morada durante as Noites Cósmicas entre Períodos e Revoluções. O Terceiro Céu é o mais denso desses globos obscuros.

A Região do Pensamento Abstrato é o plano onde se encontra o Ego, ou seja, o Espírito Virginal envolvido em sua triplicidade espiritual. Não chega a ser o lar do Ego, porque o Ego tem pouca consciência nessa região e nela permanece por pouco tempo, antes de empreender sua descida para o renascimento. Entretanto, é nessa sutil substância que, como Egos, funcionamos, substância essa que, como nos diz o CONCEITO, “especializamos dentro da periferia de nossa aura individual”. Em vigília, conforme já comentamos em uma palestra anterior, é dessa região que examinamos as impressões produzidas pelo mundo exterior sobre o corpo vital através dos sentidos, bem como as emoções geradas por essas impressões em nosso corpo de desejos e isso tudo refletido pela mente. As conclusões tiradas pelo Ego são as idéias geradas na Região do Pensamento Abstrato. Pelo poder da Vontade, essas idéias são projetadas através da mente e estas, revestindo-se de matéria mental da região do Pensamento Concreto, criam as formas de pensamento. Em palestra anterior, já mostramos como essas formas de pensamento levam à ação, envolvendo o corpo de desejos.

Uma visão esquemática das sete regiões do Mundo do Pensamento pode ser obtida a partir do diagrama 2 do CONCEITO. A região mais densa, a Região Continental, contém os arquétipos das formas físicas de qualquer reino, formadas a partir das idéias germinais concebidas na sétima região do Mundo do Pensamento, que contém as idéias germinais da forma mineral, vegetal, animal e humana. De forma análoga, a segunda região, a Oceânica, contém os arquétipos da vida universal, formadas a partir das idéias germinais concebidas na sexta região, que contém as idéias germinais da vida vegetal, animal e humana. Finalmente, a terceira região, a Região Aérea, contém os arquétipos das emoções e desejos, formados a partir das idéias germinais concebidas na quinta região, que contém as idéias germinais das emoções animais e humanas. A mente, ou o elo mental, pertence especificamente à quarta região do Mundo do Pensamento, a Região das Forças Arquetípicas, sendo o ponto focal do reflexo dos mundos espirituais sobre os mundos materiais. A mente é uma das forças arquetípicas que trabalham nessa quarta região. A Região das Forças Arquetípicas é o plano através do qual funcionam as Hierarquias Criadoras, incluindo a própria humanidade. Essas Hierarquias, em número de doze, estão correlacionadas às doze constelações do Zodíaco, conforme está indicado nos diagramas 9 e 14 do CONCEITO, o que iremos analisar em palestra vindoura. As Forças Arquetípicas criam os arquétipos para as regiões inferiores, porque todas as coisas que existem no universo são formas de pensamento cristalizadas.

É na quinta região do Mundo do Pensamento que se encontra o Ego humano. Como já dissemos, o Ego não está plenamente consciente na região em que habita, mas, na presente Época de desenvolvimento, a Época Ária, o Espírito Humano está em desenvolvimento adicional, por ser a Época Ária a quinta época de desenvolvimento da Quarta Revolução do Período Terrestre. Em todo o quinto estágio de desenvolvimento de nosso processo evolutivo, há atividades relacionadas ao desenvolvimento do Espírito Humano, assim como em cada primeiro estágio há atividades relacionadas ao corpo denso, o segundo ao corpo vital, o terceiro ao corpo de desejos e o quarto  á mente. O sexto e o sétimo estágio estão relacionados ao Espírito de Vida e ao Espírito Divino, respectivamente.

  1. O SEGUNDO CÉU

2.1 O Ego Humano no Segundo Céu

Depois de passar sua existência post-mortem no Primeiro Céu, o Ego Humano penetra no Segundo Céu, ou seja, na Região do Pensamento Concreto. Está envolto apenas no corpo mental da vida anterior e os três átomos semente dos outros veículos abandonados. Ao abandonar o corpo de desejos, o Ego está consciente, mas tudo parece desvanecer-se. Ele passa por uma grande paz, nenhuma de suas faculdades está viva, mas ele tem consciência de sua existência. O CONCEITO nos diz que a ciência oculta chama esse estado de o Grande Silêncio. Está em seu lar, onde irá residir por séculos e, ao despertar, ouve a música das esferas, pois essa região é a região do som, como o Mundo de Desejos é o mundo da cor.

Há um grande trabalho a ser realizado no Segundo Céu. Ali são assimilados os frutos da última vida dos Egos na Terra e preparado o ambiente para uma nova existência. Os frutos do passado devem ser trabalhados e expandidos para o próximo campo de atividades dos Egos que irão compartilhar esse ambiente. Assim, os habitantes do mundo celeste trabalham sobre os modelos da Terra que se encontram na Região do Pensamento Concreto. Alteram a forma física da Terra  e promovem as mudanças graduais de seu aspecto. Assim é formado o ambiente em que novas experiências poderão ser obtidas, adequado às necessidades evolutivas de todos os que irão ali renascer. O mundo é, portanto, exatamente aquilo que nós próprios, individual e coletivamente, preparamos.

O trabalho dos seres humanos no Segundo Céu não está restrito apenas à preparação do ambiente futuro. Também estão ativamente ocupados em construir corpos que sejam a melhor forma de expressão para os Egos. São ajudados nesse trabalho por Hierarquias Superiores. Assim, os artistas, os matemáticos, os músicos e outros profissionais são ajudados, por essas Hierarquias, na construção de corpos que permitam a expressão de seus talentos e habilidades.

Assim, resumindo, o ser humano aprende a construir seus veículos no Mundo Celeste e a usá-los no Mundo Físico.

2.2 Os Senhores da Mente

Os Senhores da Mente são a hierarquia dominante na Região do Pensamento Concreto e são correlacionados à constelação de Sagitário. Eles foram a humanidade do obscuro Período de Saturno, quando nosso Sistema Solar existia na Região do Pensamento Concreto como um globo de matéria mental, no qual estávamos incrustados, cada um com sua chispa divina individual. Os Senhores da Mente trabalharam sobre esse globo de matéria mental do mesmo modo que nós agora trabalhamos sobre os minerais atuais, estabelecendo um vinculo que continuará a existir nos Períodos vindouros. Vínculo semelhante foi estabelecido entre os Senhores da Mente e a humanidade atual, ensejando que, no Período Terrestre, essa Hierarquia, tendo alcançado seu estado criador, pudesse dar ao ser humano a mente germinal que irradiaram de seus próprios corpos. Isso ocorreu na última parte da Época Lemúrica, para os precursores e na Época Atlante, para a maioria da humanidade.

Em seu livro, “Os Mistérios Rosacruzes”, Max Heindel menciona que o Apóstolo Paulo considerava os Senhores da Mente como maus e nos exortava a resistir a eles. Max Heindel, por meio de uma metáfora, nos explica o significado dessa exortação. Na metáfora, Max Heindel associa a Hierarquia de Sagitário a construtores de órgãos, capazes de produzir a música mais sublime e a nossa humanidade aos músicos que estão habilitados a tocar esse órgão. Se os construtores dos órgãos decidem interferir no trabalho do intérprete então essa interferência deve ser resistida, por ser indevida.

Essa interferência dos Senhores da Mente chega até nós como sutis influências, que podem levar ao materialismo e ao separatismo, em função das circunstâncias que envolveram nosso processo evolutivo. Na Época Lemúrica, conforme nos diz o CONCEITO,  os Senhores da Mente tomaram a seu cargo as partes superiores do corpo de desejos e da mente germinal, impregnando-as do sentimento da personalidade separada, sem a qual não poderíamos existir como seres separados, como hoje somos constituídos e como nos reconhecemos. Como a consciência dos seres humanos desceu prematuramente para o Mundo Físico, por influência dos Anjos Lucíferes, ocorreu uma aliança entre o corpo de desejos e a mente nascente, ainda em seu estágio mineral. A conseqüência foi que a humanidade mergulhou mais que se havia previsto na materialidade. Essa foi a origem da “falsa Luz” e do “falso Ego”, que tanto contribuíram para os problemas da humanidade e que tornaram necessário um processo de regeneração para o qual Cristo, a verdadeira Luz, estabeleceu as bases, com o seu Sacrifício. Os Senhores de Mercúrio foram chamados para ajudar nesse processo antes do que se havia planejado e se encarregaram da mente inferior ou concreta, estabelecendo os nove Mistérios Menores, para que o intelecto pudesse ser liberado do domínio do corpo de desejos e converter-se em instrumento do Espírito.

O processo de liberação da mente é tratado em uma das parábolas de Cristo, descrita no Evangelho de João, Cap. 8. Os escribas e fariseus trouxeram à presença de Cristo uma mulher surpreendida em adultério dizendo que, segundo a lei de Moisés, ela deveria ser apedrejada. Esse incidente é suposto ter ocorrido no Templo, ou seja, em nosso corpo. Os escribas e fariseus representam estágios da mente e a mulher o coração. Os atributos mentais promovem um julgamento severo do fato, pois vêem somente a letra da lei. Mas Cristo vê somente com os olhos do Amor e se recusa a ouvir as coisas ditas pelos escribas e fariseus. Isto significa que a Consciência Crística, quando está vivificada, não quer saber dos pensamentos maus e os trata com indiferença, que é a forma adequada para combatê-los. Cristo percebeu que praticamente todo o mal se origina da mente, simbolizado pelo fato de os escribas e fariseus estarem tão interessados em criticar aquela mulher. Por conseguinte, quando escreveu no chão que “aquele que estiver sem pecado, seja o primeiro que lhe atire a pedra”, nenhum dos escribas ou fariseus foi capaz de fazê-lo. Nessa passagem simbólica somos ensinados que, se a mente estiver limpa, não condenará o coração. Cristo diz ao final, vá e não peques mais. O coração não pecará mais se estiver sob a influência Crística, mas o Cristo não pode reger o ser humano até que a mente esteja purificada.

O papel da mente como instrumento do Espírito é também enfatizado, se forma simbólica, no Evangelho de Mateus, Cap. 3, quando fala de João Batista pregando no deserto da Judéia, dizendo :”Arrependei-vos, porque está próximo o Reino dos Céus... preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas”. João Batista representa a iluminação mental. Por isso é dito que ele veio primeiro, para que pudéssemos ter algum entendimento sobre o processo de regeneração que permitirá ao Espírito usar a mente como seu instrumento. Precisamos despertar por meio de nossas faculdades mentais, antes de levantarmos a Força Crística em nós. A mente iluminada, João, prega às várias faculdades do corpo não regenerado, o “deserto”, para vivificá-las para o Espírito. João diz que devemos preparar o caminho do Senhor, ou seja, o caminho que a Força Crística deve tomar e endireitar as veredas. Devemos purificar nossos corpos adequadamente e então dirigir a Força da Vida para cima, no caminho da regeneração.

  1. O TERCEIRO CÉU

3.1 O Ego Humano no Terceiro Céu

Ao entrar no Terceiro Céu, que é Região do Pensamento Abstrato, o Espírito já assimilou os frutos de sua vida passada em seus átomos semente e já trabalhou na modificação do ambiente da Terra onde atuará, em sua vida futura, com os irmãos que o destino coletivo colocou juntos. Nessa região ele se fortalece para a próxima descida nos mundos mais densos.

Com os desejos de novas experiências, ele é levado a contemplar o panorama da vida futura, que contém apenas os acontecimentos principais, aos quais não poderá se furtar, em razão da lei de Causa e Efeito. A exceção desses acontecimentos, o Espírito continua dono de seu livre arbítrio para tomar suas decisões.

A preparação para o renascimento e o nascimento dos veículos que formam nossa personalidade serão objeto de nossa próxima palestra.

3.2 O Espírito Santo

O Espírito Santo ou Jeová é o líder dos Anjos, que foram a humanidade do Período Lunar. Jeová é o terceiro aspecto da Trindade que reside no Sol, mas é considerado o regente da Lua porque do Sol trabalha com os planetas que possuem luas. A reprodução biológica ou a geração é governada pelas forças lunares  Como a Lua de nosso planeta foi formada na Época Lemúrica, Jeová começou seu trabalho com a geração humana nessa Época.

O Espírito Santo funciona na Região do Pensamento Abstrato, ou Terceiro Céu, onde habita também o Espírito Humano. Analogamente, o Mundo do Espírito de Vida é o campo de atuação do Cristo Cósmico, o mais alto Iniciado entre os Arcanjos, e o Mundo do Espírito Divino é o campo de atuação do Pai, o líder dos Senhores da Mente. O diagrama 14 do CONCEITO mostra os veículos que esses três Seres sublimes possuíam, nos albores do Período Terrestre, três estágios mais avançados do que as respectivas ondas de vida dos Anjos, Arcanjos e Senhores da Mente.

O Espírito Santo é o autor de todas as religiões de raça, cuja tutela ficou a cargo de Arcanjos que auxiliam o Espírito Santo nessa tarefa.

O Espírito Santo, mesmo sendo um grande Ser Cósmico, não é Deus mesmo. Mas é comum reverenciá-Lo como o Terceiro Aspecto de Deus, tendo em vista que Ele tem seu veículo superior no Mundo de Deus, como nos mostra o Diagrama 14 do CONCEITO.

O mesmo se aplica a Cristo e ao Pai, também reverenciados como o segundo e o primeiro aspectos da Divindade, por terem dois e três veículos superiores, respectivamente, no Mundo de Deus, o que é mostrado também no diagrama 14 do CONCEITO.

3.3 Os Senhores da Forma

Na Região do Pensamento Abstrato ou Terceiro Céu do Esoterismo Cristão habitam também os Senhores da Forma, a Hierarquia de Escorpião. Essa é uma das doze Hierarquias que formam o Zodíaco natural. As doze Hierarquias são os Seres Criadores a que se refere o Gênese, quando diz “Façamos o ser humano à nossa imagem e semelhança”. Coletivamente, influenciam o ser humano dos pés à cabeça, através da regência de seus respectivos signos sobre o corpo humano. No Período Terrestre, a Hierarquia de Escorpião já havia evoluído o suficiente para se fazer responsável pelo trabalho desenvolvido no Período Terrestre, em que o lado da forma e da matéria é o dominante. Deve ser observado que a sétima região do Mundo do Pensamento, no Terceiro Céu, é a Região que contém a idéia germinal da forma dos quatro reinos que vivem presentemente na Terra. A Sétima Região é a que se reflete na primeira região do Mundo do Pensamento, a Região Continental, onde estão os arquétipos da forma física de todos os reinos.

Os Senhores da Forma são a Hierarquia mais ativa do Período Terrestre e trabalharam no desenvolvimento dos veículos da humanidade na primeira parte desse Período. Quando houve a recapitulação do Período de Saturno na primeira revolução do Período Terrestre, os Senhores da Forma trabalharam sobre o sistema nervoso simpático herdado do Período Lunar com o objetivo de dividir esse sistema em duas partes. Assim o sistema nervoso voluntário com o cérebro frontal pôde ser criado, como uma preparação para receber o gérmen da mente dado pelos Senhores da Mente. Como já foi mencionado, o gérmen do cérebro foi dado pelos Senhores da Forma e construído a partir da divisão das forças criadoras, metade das quais foi dirigida para cima com esse objetivo. Daí a necessidade da divisão em sexos, trabalho realizado sob a regência dos Senhores da Forma, de Escorpião. Os Senhores da Forma trabalharam com todos os veículos germinais da humanidade nas três primeiras revoluções do Período Terrestre, pois estavam também encarregados do desenvolvimento dos três átomos sementes do triplo corpo, de desejos, vital e denso do ser humano, assim como da evolução do Espírito Humano. A influência de Escorpião foi grande na primeira metade do Período Terrestre, junto com a do planeta Marte, daí ser essa primeira metade do período chamada de metade marciana. Na segunda metade do atual período a influência dominante será de Mercúrio e dos Senhores da Sabedoria, a Hierarquia de Virgem. Daí a segunda metade do período ser chamada de metade mercuriana.

Concluindo, podemos dizer que a Hierarquia de Escorpião não só é responsável pela evolução no Período Terrestre, como também corresponde ao signo da regeneração, cujo processo é primordial para que a  humanidade retorne do desvio ao qual foi levada pelos Anjos Lucíferes, não obstante as conquistas realizadas pelo homem durante essa fase de sua evolução.

 
Diagrama representando um Ciclo de Vida
Fonte: Conceito Rosacruz do Cosmos, de Max Heindel

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

 

 
Loja Maçônica Mista Triângulo da Fraternidade
Sessão aberta de 14-09-2011
Dentro do ciclo de palestras sobre "O Conceito Rosacruz do Cosmos"
 

Quinta Palestra
PARTE  V – O MUNDO DO PENSAMENTO



Os visitantes serão convidados a entrar no templo a partir das 20:00 horas

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A LENDA DO PELICANO

Autor: João Anatalino
                                           A LENDA DO PELICANO

Conta uma lenda medieval que um pelicano saiu de seu ninho em busca de comida para os seus recém-nascidos filhotes. Não notou que por perto se escondia um predador, só esperando a sua ausência para atacar o ninho.
Mal o pelicano desapareceu no horizonte, o danado atacou os coitadinhos, que ainda não tinham aprendido a voar e nem a se defender.
O predador devorou a todos, só deixando como sobra as pequeninas ossadas com as penas que mal começavam a despontar.
Quando o pelicano voltou ao ninho viu a tragédia que ocorrera. Atirando-se sobre os corpos dos filhos chorou horas e horas, até que suas lágrimas secaram.
Sem mais lágrimas para chorar pelos filhos mortos, começou a bicar o próprio peito, fazendo verter sobre o corpo dos pequeninos o sangue que jorrava dos ferimentos que ele mesmo provocara com aquela mutilação.
No seu desespero não percebeu que as gotas do seu sangue, pouco a pouco iam reconstituindo a vida dos seus filhos mortos. E assim, com o sangue do seu sacrifício e as provas do seu amor, a sua família ressuscitara. 

                                    SÍMBOLO DE AMOR E SACRIFÍCIO
                                     
Provavelmente foi a partir dessa lenda que o pelicano se tornou um símbolo de amor e sacrifício. Durante a Idade Média eram vários os contos e tradições em que esse pássaro aparecia como representação da piedade, do sacrifício e da dedicação á família e ao grupo ao qual se pertencia. Essa terá sido também, a razão de os cátaros, os rosa-cruzes, os alquimistas e outros grupos de orientação mística o terem adotado em suas simbologias.
Para os alquimistas o pelicano era um símbolo da regeneração. Alguns operadores alquímicos chegaram inclusive a fabricar seus atanores ― vasos em que concentravam a matéria prima da Obra ― com capitéis que imitavam um pelicano com suas asas abertas. Tratava-se de captar, pela imitação iconográfica, a mesma mágica operatória que a ave possuía, ou seja, aquela capaz de regenerar, com seu próprio sangue, os filhotes mortos.
Os rosa-cruzes em sua origem, em sua maioria eram alquimistas. Daí o fato de terem adotado o pelicano como símbolo da capacidade de regeneração química da matéria não é estranho. E é compreensível também que em suas imaginosas alegorias eles tenham associado essa simbologia com aquela referente ao sacrifício de Cristo, cujo sangue derramado sobre a cruz era tido como instrumento de regeneração dos espíritos, medida essa, necessária para a salvação da humanidade. Daí o pelicano tornar-se também um símbolo cristão, representativo das virtudes retificadoras do cristianismo, da mesma forma que a rosa mística e a fênix que renasce das cinzas.*

                                                       OS CÁTAROS

Porém, quem mais contribuiu para que o pelicano se tornasse um símbolo místico por excelência foram os cátaros. Os sacerdotes dessa seita, que entre os séculos XI e XII se tornaram os principais opositores da Igreja Católica na Europa, chamavam a si mesmos de “popelicans”, termo de gíria francesa formado pela contração da palavra pope (papa) com pelican (pelicano). Significa, literalmente, “pais pelicanos”, numa contra facção com os sacerdotes da Igreja Católica que eram considerados os predadores da lenda(no caso uma serpente, como conta Leonardo da Vinci em sua versão da lenda.**
De certa forma, os cátaros, com suas tradições místicas e iniciáticas, se tornaram irmãos espirituais dos templários e antecessores dos rosa-cruzes e dos maçons. Condenados pela Igreja Romana por suas idéias e práticas heréticas, eles foram exterminados numa violenta cruzada contra eles movida pela Igreja em meados do século XIII.***
Os cátaros chamavam a si mesmos de filhos nascidos do sacrifício de Jesus. Eles diziam possuir o verdadeiro segredo da vida, paixão e morte de Jesus, que para eles não havia ocorrido da forma como os Evangelhos canônicos divulgavam. Na verdade, eles não acreditavam na divindade de Jesus nem na sua ressurreição, mas tomavam tudo como uma grande alegoria na qual a prática do exemplo de Cristo era a verdadeira medicina da ressurreição. E dessa forma eles a praticavam, sacrificando a si mesmos em prol da coletividade a qual serviam. Dai serem eles mesmos "popelicans.****
 
                                          O CAVALEIRO DO PELICANO

A Maçonaria adotou a lenda do pelicano por influência das tradições rosa-cruzes que o seu ritual incorporou. Por isso é que encontraremos, no grau 18, grau rosa-cruz por excelência, o pelicano como um dos seus símbolos fundamentais. O próprio título designativo desse grau é o  de Cavaleiro do Pelicano ou Cavaleiro Rosa-Cruz.
O Simbolismo do pelicano é uma alegoria que integra, ao mesmo tempo, a beleza poética da lenda, o apelo emocional do mistério alquímico e o romanticismo do sacrifício feito em nome do amor. Tanto o Cristo quanto a natureza amorosa vertem seu sangue para que seus filhos possam sobreviver. José de Alencar, grande expressão do romanticismo brasileiro utilizou esse tema em um de seus mais conhecidos trabalhos, o poema épico Iracema. Nesse singelo poema a índia Iracema, sem leite em seus seios para alimentar Moacir, o filho dos seus amores com o português Martim, rasga o próprio seio e o alimenta com seu sangue. Assim, o filho da aborígene com o colonizador torna-se o protótipo do homem que iria povoar o novo mundo, a “nova utopia”, a civilização renascida, fruto da interação da velha com a nova civilização. Seriam esses “filhos renascidos” do sacrifício da sua mãe que iriam, na visão do escritor cearense, mostrar ao mundo uma nova forma de viver.
Tudo bem maçônico. A propósito, José de Alencar também era maçom.*****
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Notas
*Símbolos também muito caros à Maçonaria.** Leonardo da Vinci também reconta essa estória, que segundo alguns autores, seria uma fábula de Esopo.
***BAIGENT, Michael, LEIGH, Richard, LINCOLN, Henry. The Holly Blood and The Holly Grail, Ed. Harrow, Londres, 1966. Veja-se também a nossa obra “Conhecendo a Arte Real”, Madras São Paulo, 2007
**** Veja-se no romance O Pêndulo de Foucalt” de Humberto Ecco, um interessante jogo de palavras com esse termo e o segredo dos templários.
*****Em outra de suas obras indigenistas José de Alencar faz do seu herói, o índio Ubirajara, um verdadeiro cavaleiro medieval numa santa cruzada em defesa da honra, da coragem e da perfeição moral. Isso mostra o quanto a Arte Real influenciou o trabalho desse grande escritor brasileiro.
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DA NOSSA OBRA "CONHECENDO A ARTE REAL",MADRAS, SÃO 


quarta-feira, 7 de setembro de 2011

AINDA PRECISAMOS DE ATOS RITUALÍSTICOS?


PERGUNTA: - Somos de opinião que as preces iniciais, as contagens de pulsos magnéticos, as formas geométricas verbalizadas e a criação de campos de força, os cânticos e o estalar de dedos, que fazem parte do roteiro de abertura nos grupos de apometria, nada mais são que um ritual, embora sem o apoio em condensadores energéticos materiais. Diante do mentalismo da Nova Era e do racionalismo espírita, esses procedimentos não são dispensáveis? Ainda precisamos de atos ritualísticos?
       
            RAMATÍS: - Sem dúvida. Ficareis surpresos ao saber que no Espaço se utilizam os rituais. A idéia preconcebida de que o mentalismo predomina nos planos sutis não faz com que se dispense os ritos, o método, a ordem, a hierarquia, a disciplina e os procedimentos necessários para se manipular a massa amorfa que é o fluido cósmico universal, que, por sua vez, é a matéria-prima que anima todo o Universo manifestado na forma.
            Não basta somente a força mental das potestades angélicas. Existem atividades co-criativas com o Pai que não conseguis compreender em sua totalidade universal. É como se fôssemos eternos aprendizes da magia cósmica, pois as forças com as quais lidamos nas altas esferas vibracionais requerem "treinamentos" cada vez mais refinados. Os princípios por que os maiorais se regem para conferir o aprendizado não diferem da aplicação ritualística no interior dos templos pelos magos iniciadores.

            Tendes de rever a vossa opinião de que os elementos materiais são prescindíveis nos rituais, premissa equivocada que cria objeções por incompreensão. O mentalismo não dispensa a ritualística, o que não quer dizer apego excessivo aos cerimoniais, objetos e formalidades dispensáveis. Existem ritualismos mentais que impõem a utilização das formas que animam as dimensões superiores, o que não conseguimos vos descrever completamente por absoluta falta de palavras em vosso acanhado vocabulário atual.

            A intenção é fundamental para a mente estar direcionada às energias invocadas e evocadas. A educação mental se apóia em ritos internos, por intermédio dos quais se movimenta a matéria-prima universal que anima tudo e todos no Cosmo. Os seus princípios, imutáveis, requerem ininterrupta dilatação mental para que o mago se conecte com a Unidade que permeia e tangencia o Infinito. Assim, quanto mais ampliada a atuação do espírito, tanto mais se exige dele o cumprimento das regras que mantêm a harmonia do Todo, como um cientista que tem uma seqüência a ser cumprida para misturar as essências químicas; se não for rigidamente seguida, pode explodir o seu laboratório.

            Esse exemplo ilustra, na devida proporção, os ditames do ritual divino que ordena a manipulação das energias cósmicas, elaborado pelos maiorais sidéreos, a que todos devem se submeter, inclusive para a criação de mônadas espirituais, algo que absolutamente fugiria a vossa atual capacidade de entendimento.

domingo, 4 de setembro de 2011

SEMANA DA PÁTRIA


 Homenagem do Ir.'. Doroteo Fagundes à patria, no programa Galpão do Nativismo,
apresentado neste domingo 03-09-2011 na Rádio Gaúcha

Por mais incrível que pareça, já ouvi gente da intelectualidade dizendo que este negócio de símbolo da pátria é uma grande asneira. Que as gentes não deviam ter bandeiras, nem cores, etcetera e tal.

Eu confesso que não fiquei surpreso dos sujeitos, pois existe gente assim, que prefere sua exclusividade, longe de tudo que o possa incluir numa bagagem histórica e cultural. Esse tipo de gente é absolutamente egoísta, e que provavelmente renegam o pai, a mãe e a família. Logo, renegam a pátria e seus símbolos. Renegar isto para eles não seria um despropósito.
Eu acho totalmente ao contrário. Os estudiosos, cientistas sociais, dizem e escrevem que o homem é produto do meio. Que seus usos e costumes emanam do estilo vivendi, formando sua cultura. Que não se pode viver em sociedade sozinho. Logo, temos responsabilidades para com os outros.
Como vamos negar as cores da bandeira que nos representa como pátria e nação? Nesta semana será o dia da independência do Brasil e o dia do hino nacional. E não tenho o mínimo constrangimento de dizer-lhes que amo a minha pátria, que adoro o meu hino. Sei décor e salteado a sua letra, e o canto vigorosamente em qualquer ocasião propícia.
Desde guri vibro com a música dos nossos hinos. E me emociono sempre que vejo a tricolor subindo o mastro ao som do hino. Retumbante em minha alma que não perderá jamais a esperança, a fé e a coragem de defendê-la, a começar pelos inimigos da trincheira. Esses não sabem que o sol da liberdade em raios fúlgidos, brilhou no céu da pátria neste instante. Que eu teu seio, ó liberdade, desafia o nosso peito à própria morte.
O Brasil não é mais o país do futuro. Eu me criei ouvindo que era. Mas sinto que já estamos no futuro promissor. E não pelas mãos dos que nos governam, mas pela garra, pela vontade de vencer todas as barreiras dos que seguiram o lema da ordem e progresso, certos de que fulguras, ó Brasil florão da América, iluminado ao sol do novo mundo.
Profeticamente, a magnífica letra do hino brasileiro, que Collor de Mello gostou mudar, desde 1822 anunciara que o Brasil teria paz no futuro pelas glórias de seu povo no passado. E eu não tenho dúvida disso. Terra adorada. Dentre outras mil, és tu Brasil, ó pátria amada. Dos filhos deste solo és mãe gentil, pátria amada Brasil.